31 março 2025

Saboniz

Saboniz #5
O quinto número do Saboniz (aqui renomeado como SABóNIZine) editado por Nuno Valério, incide especialmente sobre as questões da droga e da toxicodependência, assumindo uma posição favorável à descriminalização do respetivo consumo. Aqui, mistura-se aleatoriamente o idioma inglês com o português, utiliza-se as ferramentas informáticas de design gráfico para retrabalhar desenhos e fotografias, tudo a favor da alucinação, para bem da Nacção.
Participam neste número, além de Nuno Valério, Tiago, Norte e Modigli, estudantes da ESAD da Caldas da Rainha.
Além dos grafismos, há banda desenhada, um texto sobre toxicodependência, escrito por uma professora preocupada com o futuro dos seus alunos, e uma página tipográfica publicitária com ornamentos baseados em suásticas. Como extra, há um kit consciência, constituído por uma espiral para colocar a girar em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio - uma trip garantida, que deve evitar-se usar em simultâneo sob o efeito de outros narcóticos. 

Saboniz #5, Janeiro de 2001, 16 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 60 exemplares. Caldas da Rainha.

Saboniz #10
Para comemorar cinco anos de existência o Saboniz ressurge com uma edição repleta de colaborações e de trabalhos variados.
Neste número participam Nuno Valério, UIU, Ozzy Project, Kif, Boris Hoppek, Carlos Quitério, Nucha, Loöp Suppä, Venus, Pipi, Jucapinga, Mnk-B, Tiago Santos, Creyz, Barbara Annes, Vijai Patchineelam e Paulo Arraiano.
O conteúdo reflecte a diversidade de estilos e linguagens dos autores, sobressaindo na primeira metade os desenhos e os grafismos dispersos. Na segunda metade, predominam os grafismos, as montagens fotográficas e as séries de desenhos.
Como era habitual há duas décadas atrás, os fanzines oriundos das Caldas da Rainha apresentavam-se caóticos e iconoclastas, muito influenciados pela música (hip-hop, reggae), pelas subculturas urbanas (graffiti, stickers, skate, etc.), um pouco hippies e ganzados, mas muito boa onda! 
Saboniz #10 (2.ª edição), Novembro de 2005, 60 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 20 exemplares. Caldas da Rainha.

28 março 2025

Netcomixzine

Fanzine editado por Nuno Catarino contendo banda desenhada, poesia e textos sobre a internet. No que toca à banda desenhada, são publicadas duas pranchas de Paulo Anjos versando sobre o amor e a solidão. Há também um texto sobre "Groo" de Sergio Aragonés e um artigo denunciando a censura na Europa, incluindo o confisco de material de autores como Miguel Angel Martin e Alvarez Rabo e a acusação criminal dos respetivos editores italianos.
Valter Matos detalha a evolução das suas publicações de "Os Positivos" (P+) desde a sua criação em 1997 até aquela data. Segue-se "Net Dis, Muthafucka" uma bd de "Os Positivos" entusiasmados com as novidades do mundo da tecnologia.
Num tempo em que a internet ainda era olhada ingenuamente como o "maravilhoso mundo novo", fonte inesgotável de informação e saber, são referenciadas algumas páginas da 'net sobre "The Crow", destacando o seu criador James O'Barr e uma página não oficial sobre "Druuna" de Paolo Eleuteri Serpieri. Também uma nota para a página do "Comic Book Legal Defense Fund", contra a censura e o puritanismo nos EUA.
Os poemas seleccionadas de Fernando Pessoa, de Jorge Melícias e de James O'Barr, são uma mais valia evidente.
A ilustração científica / biológica também tem lugar no Netcomixzine com alguns trabalhos da autoria de Sandra Afonso. 
Netcomixzine #1, Maio de 1999, 24 págs., fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 21x29,7cm. Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

24 março 2025

Time Life Life Time

Júlio Dolbeth referiu o seguinte ao jornal Público sobre Time Life Life Time: "um conjunto de capas das revistas "Time" e "Life" filtradas pelo imaginário gráfico do autor, Luís Henriques. Impressa a duas cores, preto e vermelho, aponta para as semelhanças gráficas das capas das duas revistas, alternando página a página uma ou outra capa. As revistas são usadas metaforicamente como um arquivo da memória dos tempos onde revemos uma história possível da sociedade contemporânea. No caso particular da revista Life onde a ilustração sempre figurou em lugar de destaque, grande parte a cargo de Norman Rockwell, um dos mais importantes ilustradores norte-americanos de sempre. Não será por acaso a escolha das duas revistas como matéria prima de referência. O desenho intrincado e misterioso remete para uma imagem ambígua onde se reconhecem algumas das capas mais emblemáticas que monitorizam parte da história da sociedade contemporânea."
Também Pedro Moura referenciou no blogue LerBD que em Time Life Life Time, Luís Henriques "recria capas de ambas as famosas revistas norte-americanas numa técnica de pontilhados, linhas, tramas, manchas, que parecem “traduções” do material original através de uma maquinaria qualquer defeituosa, talvez um pantógrafo perro, ou uma lente distorcida e embaciante... Mas como me conta o artista, "no fundo a mão está lá sempre, um tanto autista, um pouco cega, um pouco hábil, um pouco bruta, um pouco subtil, entre uma coisa e outra". As suas re-interpretações remetem a uma espécie de interrogação ontológica sobre a validade do mundo que é veiculado por aquelas revistas, dúvida que acaba por escoar para o próprio mundo, levando a uma sua eventual dissolução. Algumas das superfícies criadas por Henriques recordam como que doenças possíveis do papel ou da visão. Perturbante."
Time Life Life Time, Junho de 2009, 36 págs, capa impressa a laser sobre papel Guarro Gris Plomo 185 gr.; miolo impresso a laser sobre papel branco 100 gr., 14,6x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0014].

21 março 2025

Impulso

Impulso #4
O Impulso tem todas as marcas dos primórdios da publicação de fanzines: - as bandas desenhadas bastante imberbes e naïf, a paginação muito básica e os textos manuscritos ou dactilografados.
Neste quarto número, é apresentado diverso noticiário sobre a bd nacional e internacional, um artigo sobre a Mafalda saído no "El Globo" e traduzido por José de Matos-Cruz, que também é o autor de um artigo sobre o brasileiro Mauricio de Souza. É publicada também uma extensa entrevista a Vasco Granja, e os textos e noticiário são entrecortados por pranchas de bd de autores como Carlos Nina, Mário Rui, VAAM (Venerando Aspra de Matos), Joaquim Esteves e Antero Valério.
O mais surpreendente é a inclusão das propostas gráficas apresentadas por um leitor A. Vallarinho, acompanhadas de uma carta, onde partindo da mitologia heroica americana dominante, avança para um discurso de superação das condições existentes, fazendo a apologia que a banda desenhada deve colocar em "questão o seu próprio meio de representação quando este vem vinculado a uma expressão imperialista"... Note-se que ainda estamos em Julho de 1973. O referido leitor apresenta uma proposta de bd em duas páginas com elementos geométricos e construtivistas.
Impulso #4, Julho de 1973, 32 págs., duplicado em papel esverdeado, 22,2x33,8cm. Edição: Clube "Desenhos à Solta". Tiragem: 150 exemplares. Torres Vedras.

Impulso #8 - 50 anos
No dia 14 de Outubro, teve lugar na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, a inauguração da exposição comemorativa dos 50 anos do fanzine de banda desenhada Impulso (1973-2023), seguida do lançamento da edição especial comemorativa, com a presença dos autores, ex-alunos do então Liceu Nacional de Torres Vedras.
O grupo de jovens estudantes que esteve na origem do Impulso tinha em comum o gosto pela leitura de banda desenhada e a vontade de editar aquilo que iam fazendo.
Ao longo de 1973, foram lançados cinco números do fanzine, impressos através da utilização de “stencil eletrónico”, existente no Liceu para a impressão das provas e materiais escolares.
A maioria dos elementos envolveu-se, posteriormente, na vida associativa e política e só voltariam a editar em 1976, aquele que viria a ser o sexto e último número do Impulso.
A edição comemorativa dos 50 anos do fanzine Impulso, é um volume profusamente ilustrado com as capas e reproduções de diversas páginas integrantes do fanzine. Conta igualmente com textos dos participantes originais no fanzine, designadamente Antero Valério, Calisto Ferreira, Carlos Ferreira, Joaquim Esteves, João Nogueira (Janeca), José Eduardo Sapateiro (Zico), Mário Luís Matos, Mário Rui Hipólito e Venerando Aspra de Matos (VAAM). Acresce a participação de alguns amigos convidados como Fernando Mouro, Jorge Delmar (Quinha) e José de Matos-Cruz.
Esta é uma publicação que colige diversa informação sobre o movimento fanzinista dos anos 70, constituindo um excelente repositório memorialístico sobre um período pouco documentado nesta área. 
Impulso #8 - 50 anos, Outubro de 2023, 64 págs., impresso a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Edição: Clicando - Associação Cultural. Tiragem: 250 exemplares. Torres Vedras.

Impulso #9
Conforme prometido no número comemorativo dos 50 anos, o Impulso regressou com uma nova edição com diversos textos, ilustrações e banda desenhada, alguma nova e outra que estava perdida no fundo das gavetas.
O artigo inicial é "Uma Breve História da Banda Desenhada em Torres Vedras" escrito por Venerando Aspra de Matos. O mesmo autor publica ainda outro interessante ensaio intitulado "A BD na Imprensa Portuguesa em 25 de Abril de 1974".
Seguem-se diversas páginas com desenhos e bd, começando com duas pranchas de "O Bando da Banda" de Jorge Delmar e Mário Luís. Zico publica trabalhos de 1973 e outros recentes de 2024. "Pixies" de Carlos Ferreira são um muito interessante exercício lúdico com grafismos, letras e texto.
Repesca-se um trabalho de Antero Valério publicado no jornal "se7e" em 1987, baseado na letra do tema "O Inventor" dos Heróis do Mar. Também são republicadas tiras humorísticas de Venerando Aspra de Matos (VAAM), trabalhos de Jorge Delmar, de José Sanina.
Vasco Parracho, professor na Escola António Arroio, é entrevistado e contribui também com uma pequena bd "Depois da Páscoa" ficcionando uma reconstituição do que teria sido a visita da PIDE ao Liceu Nacional de Torres Vedras no inicio de 1974, poucas semanas após ter saído o quinto número do Impulso.
Antero Valério publica também as bandas desenhadas "Cuba Girl" e "Paixão" ambas realizadas em 1988, e também "Ensinopólis" de 2017.
Impulso #9, Maio de 2024, 64 págs., impresso a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Edição: Clicando - Associação Cultural. Tiragem: 300 exemplares. Torres Vedras.

19 março 2025

Experimental 'Zine

Experimental 'Zine #0
Fanzine de temática anarquista, libertação animal, vegetarianismo, veganismo, straight edge, música punk / hardcore, mas aberto a outros assuntos. Neste número inaugural, apresentam diversas notícias, denúncias de marcas e actividades comerciais que exploram abusivamente os animais.
É também publicada uma entrevista a Roberta Gregory, autora norte americana de banda desenhada.
O texto "Incineradoras!!! Mal necessário?!?!?" apresenta uma análise crítica sobre esta forma de tratamento dos resíduos.
O problema da vivissecção e do sofrimento infligido aos animais nos laboratórios é denunciado e criticado num esclarecedor texto estruturado em 11 pontos.
Na parte final do fanzine, são apresentadas inúmeras críticas a publicações nacionais e internacionais, divulgando os respetivos contactos e preços. No que toca a publicações nacionais são divulgadas as seguintes: "Bad Smelling Newsletter #1", o "Mesinha de Cabeceira #6", o "Naturanimal #4", "Over 12 #6", "Azul BD Três", "Morte Censura #6", "Outgrow #1","Controlo Remoto", "Afóbico #1", "Abraçando o Veganismo", "Global Riot #1", "Metalurgia #1", "Classe Média #2" e "Lunatik'Zine #1".
Experimental 'Zine #0, 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Setúbal.

Experimental 'Zine #1
Alguns meses depois do lançamento do número inaugural, os editores - a Lina e o Rui - completam esta nova edição, que trilha as mesmas linhas temáticas do anterior. A defesa dos direitos dos animais, um extenso artigo contra a vivissecção, denunciando as empresas e marcas que faziam experiências utilizando animais e apresentando uma série de alternativas a este tipo de experiência.
Relato sobre o julgamento de Mike Diana e publicação de uma prancha desse autor intitulada "Jesus is Suffering for You".
Seguem-se diversas páginas com crítica, análise e divulgação de contactos de bandas e publicações alternativas nacionais.
Entrevista à responsável da editora M.D.C. que havia lançado o CD "Força de Intervenção". Um dos okupas da "Casa Encantada" em Lisboa também é entrevistado, abordando as suas experiências pessoais e comunitárias.
Também há receitas vegetarianas oferecidas como alternativa à cozinha tradicional. Nota ainda para a prancha de banda desenhada de Eric Drooker.
Experimental 'Zine #1, 1996, 44 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel craft com stencil, 14,9x21cm. Setúbal.

17 março 2025

365

Número estival de 2009, com tamanho de bolso e distribuição gratuita. Trata-se de um segundo  volume de best of, acrescido com um poema inédito de Miguel Esteves Cardoso e das previsões infalíveis do horóscopo do Mestre Marcello, que prediz tudo sobre Amor, Saúde, Dinheiro e Sorte. Há também passatempos divertidos como descobrir as diferenças entre duas imagens completamente diferentes!
De resto, são respigados de números anteriores da 365 textos da autoria de Alberto Pimenta ("Foi uma Sorte"), Clara Ferreira Alves ("O Sonho"), Jorge Palma ("O Fim do Verão"), Luiz Pacheco ("Granito? Não, Obrigado"), Mário Cesariny ("A Norma de Bellini"), Rui Manuel Amaral ("Cinco Histórias Nocturnas"), Rui Reininho e a republicação de uma extensa entrevista a Miguel Ángel Valero, o Piraña da mítica série televisiva dos anos oitenta "Verão Azul". 
365 #30, Agosto de 2009, 68 págs, offset a cores, 10,5x16,2cm. Tiragem: 15000 exemplares. Edição: Cego, Surdo e Mudo — Produções Multimédia. Lisboa.

15 março 2025

Spicy

Muito picante, suor a brotar e escorrer por todos os poros, um Pikachu caído no panelão de esteróides anabolizantes chamado Musclechoo, que telefona ao amigo Juicy e combinam uma saída para irem comer o prato mais picante de todo o universo.
Os efeitos do picante não se fazem esperar e sem tardar muito, começa um novo nível de destruição, lutas e morte. Entretanto, do ventre de um mutante surge Barf Joe (uma espécie de Bart Simpson metido nos ácidos) com uma história tão inacreditável que acaba por se confirmar.
Perigo no horizonte e subida de nível - agora a ameaça é protagonizada pelos seres de cabeça peniana! O grau de dificuldade é crescente e os protagonistas armados e energizados, terão que usar a máxima violência destruidora para superarem esta insidiosa invasão inimiga.
Um novo capítulo fantástico e delirante do multiverso em expansão e mutação permanente de Rudolfo.
Spicy #1, Novembro de 2021, 64 págs, fotocópia a preto sobre papel colorido, 14,8x21cm. Edição: Palpable Press.

12 março 2025

Voz de Deus

O terceiro número da Voz de Deus, com o título "O Estado do Beijo / O Beijo do Estado" encerra um ciclo começado alguns anos antes e que procurou "minar a vida cultural-espiritual, problematizando o cepticismo perante o objecto estético, a linguagem e a incapacidade de comunicar."
Neste volume, colaboram Ana Sereno, A. Pedro Ribeiro, A. Dasilva O., Fernando Guerreiro, Humberto Rocha, Ivo dos Santos, Jörg Buttgereit, Jorge Mantas, Meireles de Pinho, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto, Rui Coutinho, Sílvia S. Sílvia e Vítor Vicente.
As ilustrações que acompanham os textos são maioritariamente montagens fotográficas iconoclastas. As colagens são o tema central do ensaio "Set Fire to the Art Machine" de Fernando Guerreiro.  Também há divagações poéticas evocando Mário de Sá-Carneiro através das vidraças do café "A Brasileira" de Braga (A. Pedro Ribeiro).
Jorge Mantas escava nas entranhas do cinema underground, analisando "Nekromantik" e outros filmes necrófilos e escatológicos.
Os textos são virulentos, desencantados, cáusticos perante a realidade sócio-cultural da nação e do mundo. Atiram em muitas direcções, por vezes são algo erráticos, numa abordagem pouco convencional, despertos e pertinentes, sem perderem o sentido de humor.
Voz de Deus #3, Janeiro de 2009, 16 págs, offset a preto & branco, 17x23cm. Edição: Edições Mortas / Black Sun Editores.

10 março 2025

Zundap

Zundap #01
Apesar de estar identificado com o número #01, esta corresponde efectivamente à quarta edição do Zundap. Na época em que foi publicado, havia uma maluqueira com a numeração dos fanzines (veja-se os casos do Bizarro, O Hábito Faz o Monstro, Mesinha de Cabeceira, etc.) para dar cabo da cabeça dos coleccionadores e arquivistas.
O Zundap é absolutamente extraordinário, mantendo intacta a sua frescura e jovialidade apesar de já terem passado mais de 20 anos do seu lançamento. O design sóbrio e arejado de José Feitor, as escolhas editoriais, a qualidade das ilustrações e dos textos, fazem deste fanzine um caso singular na edição alternativa em Portugal.
Uma mistura certeira de temas que inclui música, literatura, design gráfico, humor e bizarrias várias. Neste número, há artigos sobre The Slits, Camper Van Beethoven, Robert Wyatt, Luiz Pacheco e Jim Flora. Ensaios sobre "música & democracia" e "liberdade & violência", iniciação à filosofia kantiana, uma selecção das notícias em 3 linhas publicadas por Félix Fénéon do género "Louis Lamarre não tinha trabalho nem casa, mas tinha uns trocos. Comprou, numa drogaria de Saint-Denis, um litro de petróleo e bebeu-o."
O suplemento juvenil "Zundapinho" pretende esclarecer e iludar todas as dúvidas existenciais da juventude mais precoce.
A lista do Top 50 dos nomes de empresas, onde constam a "Chupóleo" e o "Moisés dos Leitões" e as páginas da sebenta do Dr. Manel que explicam todos os passos a dar na criação de uma designação  empresarial apelativa e irresistível. Há também uma prancha de banda desenhada da autoria de Artur Varela.
Tudo isto e muito mais, compõe um conteúdo altamente surpreendente e exuberante!!
Zundap #1 [#4], 2001, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

Zundap #06
A numeração continua equívoca, pois este é o quinto número da mota sonora dos trolhas da minha terra. A linha editorial zundapiana está  consolidada, denotando uma atenção especial pelos artistas marginalizados e pelas curiosidades passadas.
A primeira metade é preenchida com textos sobre Gil Scott-Heron, Gram Parsons, Damien Jurado e Carlos Paredes.
As páginas centrais incluem o suplemento Zundapinho, que inclui o muito educativo artigo científico "A Pilinha em 7 Lições", versando desta vez sobre a terrível questão do tamanho da mesma. Publica-se também o poema pós-modernista "Bolsar Tia".
"As Aventuras do Dr. Manél", uma banda desenhada por Artur Varela, sobre o vazio opinativo estudantil.
Depois, o ensaio sócio-satírico "As Leituras de Ágata" sobre a cantora que celebrizou a "mãe solteira" e que abdicou da casa, do carro e da conta no banco, mas não do menino.
Nas páginas da sebenta do Dr. Manel, aprendemos como se pode insultar em bom português com toda a educação!
Nova selecção de notícias em 3 linhas publicadas por Félix Fénéon em 1905 no jornal "Le Matin" do calibre: "Num café, à Rue Fontaine, Vautour, Lenoir e Atanis trocaram, a propósito das suas mulheres ausentes, algumas balas entre si."
Termina com "O Sortilégio do Sexo" sobre as múltiplas derivações do mesmo, com incursão na vertente ciberespaço.
Os textos são acompanhados por diversas ilustrações de José Feitor, Bruno Borges, Nuno Neves, Artur Varela, entre outros.
Zundap #6 [#5], 2002, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 14,7x21cm. Lisboa.

08 março 2025

Ressaca Monstra

Crónica de mais uma noite passada na praga da má vida, acordar ressacado na casa de uma amiga. Uma noite igual a tantas outras, digressão de bar em bar, onde a bebida é barata e as caras são todas familiares.
Uma ressaca monstra de juventude em deriva citadina, excesso de bebida e drogas, conversas sobre tudo e sobre nada, ir a todo o lado e acabar em lugar nenhum.
Gonçalo Duarte concebe uma extraordinária obra pintada com um pontilhado impressionista de tonalidades fluorescentes, que acentuam os efeitos da metilenodioximetanfetamina e do transcendental tédio juvenil.
Os exemplares de Ressaca Monstra foram impressos em risogravura com as cores azul, rosa fluorescente e amarelo, no Estúdio Arco.Ignis em Guimarães. As reproduções que aqui se apresentam não conseguem, minimamente, captar a verdadeira luminescência das cores.
Ressaca Monstra, Abril de 2023, 16 págs, impresso em risografia, 14x19,8cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Edições da Ruína. Lisboa.

07 março 2025

Dandy

Dandy foi uma exposição colectiva realizada entre 20 de Março e 17 de Abril de 2010, na Galeria Dama Aflita no Porto. Esta publicação serviu como catálogo para a exposição.
Os 45 autores participantes foram: Afonso Cruz, Ana Torrie, André Alves, André Lemos, Andrea Gomez, Bruno Pereira, Carlos Pinheiro, Craig Atkinson, El-Ed, Esgar Acelerado, Filipe Abranches, Francisco Eduardo, Gémeo Luís, Isabel Carvalho (por Cristiana Pinto e Patrícia Guerra), João Fazenda, João Maio Pinto, Jordi Ferreiro, José Feitor, Júlio Dolbeth, Leonor Zamith, Luis Dourado, Luis Urculo, Mafalda Santos, Marco Mendes, Mário Vitória, Marta Madureira, Marta Monteiro, Maxi Luchini, Miguel Arias, Miguel Carneiro, Nuno Sousa, Paulo Patrício, Pedro Lino, Pedro Lourenço, Pedro Zamith, Ricardo Abreu, Rita Carvalho, Rômolo, Rui Vitorino Santos, Salão Coboi, Sam Baron, Serge Against Bourg, Teresa Camara Pestana, Tiago Albuquerque.
Sobre a exposição, Mário Moura escreveu o seguinte: "Já não se fala muito do Dandy: a palavra sugere outros tempos, implicando que passou de moda – um paradoxo, sem dúvida (como pode um Dandy passar de moda?) –, mas talvez se possa concluir o oposto: que o Dandy venceu e que, na nossa sociedade, toda a gente é, ou aspira a ser, um. No entanto, isso também não é bem verdade: para se ser um Dandy, não basta uma preocupação por roupas, pelo corpo ou por cremes para a cara; um Dandy não é um metrossexual. Aquilo que distingue um do outro é o que separa um vulgar arruaceiro de um artista marcial: uma certa elegância espiritual, uma certa postura intelectual. O Dandy tem uma filosofia, uma política, embora raramente o reconheça e muitas vezes o negue.
É costume ouvir-se nas notícias que fulano de tal – apesar de ter roubado a empresa, enganado os clientes, acumulado conflitos de interesse, traído a mulher, fugido para o estrangeiro – lá bem no fundo até é boa pessoa. É a mesma coisa que dizer que não se deve julgar as pessoas pelas aparências. Mas quando é que uma coisa deixa de ser uma aparência e passa a ser verdade – e não serão as aparências, na sua variedade, outras tantas verdades? Oscar Wilde dizia que só as pessoas superficiais não julgavam pelas aparências, acrescentando que o mistério do mundo reside no que é aparente e não no que é essencial. O Dandy é alguém que julga o mundo pelas aparências. O aspecto do Dandy é o símbolo da sua mobilidade social; não interessa onde nasceu, não interessa quanto dinheiro tem; apenas aquilo que parece. É esta a politica transgressora do Dandy.
Espiritualmente, o Dandy usa o discurso da mesma maneira que se veste: não conta anedotas – que no fundo são apenas fórmulas genéricas, historietas pronto-a-vestir – mas reage em segundos a qualquer situação, resumindo-a num aforismo, desmontando-a num aparte. Socialmente, aterra sempre de pé, e tal como um gato, antes mesmo de chegar ao chão já recompôs a sua postura entediada. Adapta-se a qualquer ocasião, superando-a, tornando-a enfadonha por comparação a si mesmo. O objectivo do Dandy é, de certo modo, o seu próprio tédio. Surpreende, nunca se surpreendendo."
Dandy, Março de 2010, 56 págs, offset monotone sobre papel rosa, 16,5x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana. Porto.

06 março 2025

My Precious Things

My Precious Things #7
Juntando o My Precious Things (MPT) e o catálogo da distribuidora Esquilo Gigante, Marcos Farrajota radiografa o que se vai fazendo no circuito mais alternativo. Prestando atenção a coisas tão díspares como uma colecção de autocolantes políticos da autoria de Luis Félix e outra com caderneta e tudo, com cromos desenhados por diversos artistas nacionais, o lançamento do CD de estreia dos Desire e várias publicações em papel.
As críticas são curtas, sinceras e incisivas. São referenciados os fanzines Carneiro Mal Morto #2, Dead Doll House #0, Pimpolho #1, Safety Zone #5, Underworld / Entulho Informativo #7, Zig Zag Zine #2.
Nota também para outras publicações de banda desenhada como os primeiros números da colecção LX Comics da Bedeteca de Lisboa e "Loverboy, O Rebelde".
O nono capítulo d'A Lista de Ódio (de Marcos) é constituir família, uma tira onde o autor, na altura com 24 anitos, aproveita para vituperar a instituição nuclear da sociedade.
São exibidas também algumas pranchas rejeitadas do livro "Loverboy, O Rebelde", editado pela Polvo.
O catálogo da Esquilo Gigante apresenta as publicações disponíveis da Chili Com Carne, bem como diversas outras, e uma pequena secção de artigos em segunda mão. As encomendas faziam-se por carta e o pagamento por cheque ou vale-postal. Outros tempos...
My Precious Things #7, Abril de 1998, 12 págs, fotocópia a preto & branco em papel reciclado, 29,7x21cm. Edição: Associação Chili Com Carne.

My Precious Things #9
Num outro tempo, quando a internet ainda estava a dar os primeiros passos, a comunicação e a troca de informações processava-se por via postal. O My Precious Things era uma newsletter escrita pelo Marcos Farrajota com inúmeras reviews sobre publicações alternativas, a correspondência recebida dos leitores, uma tira de bd e com o catálogo da distribuidora Esquilo Gigante. Este número apresenta-se em quatro folhas A4 impressas frente e verso em papel reciclado e tudo dobrado em três, criando uma espécie de folheto desdobrável.
O conteúdo incluía duas páginas dedicadas às críticas ou reviews, onde eram analisadas diversas publicações espanholas e portuguesas ligadas à música (Ancient Ceremonies, Dark Oath) e à banda desenhada (Autobiografias Ilustradas, Bactéria, BoDe, Cru, Com a Mesma Moeda!, BadSummerBoysBand, Filhos do Holocausto, Vermental, Primata Comix, Sub, etc.).
O catálogo da distribuidora Esquilo Gigante ocupava quatro páginas. Esquilo Gigante foi a distribuidora que a Associação Chili Com Carne "criou para divulgar formatos independentes difíceis de encontrar". E sim, entre os produtos listados encontrava-se algum do material mais interessante do underground nacional. Havia uma vontade genuína de conhecer, divulgar e expandir o público para as cenas mais alternativas e independentes, embora numa escala relativamente reduzida. Uma vontade e uma energia que se manifestaram talvez antes do tempo certo, pois não estavam ainda reunidas as condições necessárias para criar um público e um mercado mais consistentes. Hoje, mais do nunca, fazia falta uma estrutura agregadora, atenta ao melhor que se vai fazendo em Portugal.
Depois, já no novo século, o My Precious Things deixou de se publicar em papel e passou a newsletter virtual, enviada através de correio eletrónico. Por esta altura, as emissões das TVs nacionais eram preenchidas com um tal Manuel Subtil que se barricou nas casas de banho da RTP. Fim de transmissão.  
My Precious Things #9, Outubro de 1998, 8 págs, fotocópia a preto & branco em papel reciclado, 29,7x21cm. Edição: Associação Chili Com Carne.

05 março 2025

Sob o Olhar de Neptuno

Sob o Olhar de Neptuno é um opúsculo com quatro poemas escritos por Manuel de Freitas. Os poemas não saem em verso, são concisos e carregados de uma dolorosa vitalidade e ligeiro perfume a maresia.
Trata-se de uma bela edição artesanal, impressa com recurso a antigas técnicas de impressão. O desenho da capa é de Ângelo Ferreira de Sousa. Todos os exemplares foram compostos em tipografia de caracteres móveis e uma zincogravura reproduz a capa com apontamentos em folha de ouro.
Sob o Olhar de Neptuno, Abril de 2018, 12 págs, impressão a preto & branco; capa em zincogravura, 15,5x18,5cm., Tiragem: 250 exemplares. Edição: Edições 50kg. Porto.

03 março 2025

A Casa dos Lilases

Segundo nota explicativa da autora A Casa dos Lilases é uma obra puramente ficcional, que se baseia em diversas obras literárias do século XIX, designadamente de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco.
São vários os tópicos aflorados neste trabalho de Daniela Viçoso, desde a forma como são abordados os clássicos literários no ensino secundário, até à temática dos artefactos culturais perdidos.
No fanzine, a realizadora da série televisiva fictícia "é baseada na Noémia Delgado, uma realizadora do novo cinema português. Ficou conhecida pelo documentário "Máscaras" (1976) e pela adaptação para TV dos "Contos Fantásticos" nos anos 80, uma compilação de contos de ficção especulativa (terror, ficção científica, fantasia), algo bastante inédito à data em Portugal."
Nesta obra, apresenta-se A Casa dos Lilases como o único livro escrito por José de Fonseca em 1882, e que um século depois teria sido objecto de adaptação para uma série televisiva, contemporânea da telenovela "Vila Faia".
Daniela Viçoso compõe magistralmente os cenários e os personagens, realçando a caracterização epocal e os costumes vigentes, sobressaindo a misteriosa e melancólica personagem do primo Ribeiro.
A própria autora reconhece que muito mais havia a "explorar com esta história (sobretudo outras relações e diálogos entre personagens), mas não deu.", ficando o desenvolvimento da narrativa à consideração da imaginação de cada leitor.
A Casa dos Lilases [Colecção Toupeira #17], Junho de 2024, 28 págs, impressão a preto & branco, 17x24cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

01 março 2025

Busto

No efervescente meio artístico independente do inicio do século na cidade do Porto, surgiram vários grupos como o Senhorio, que lançou um conjunto de fanzines, entre os quais este Busto.
Apresentando na capa a epígrafe "Der klügste gibt nach" (o mais sábio cede), colige desenhos, ilustrações e banda desenhada muito variados, reflectindo a diversidade estilística dos respetivos autores.
Participam os artistas do colectivo Senhorio e alguns autores convidados: André Alves, Inês Azevedo, Carlos Pinheiro, Tatiana Santos, Miguel Carneiro, Mónica Faria (compêndio a cores), zE, Marco Mendes, Marta Bernardes, Ana Torrie e Nuno Sousa.
Destacam-se os estranhos e soturnos desenhos de Carlos Pinheiro, a divagação prazenteira pelos lavabos ferroviários do Monsieur Pignon por Miguel Carneiro, os instantâneos domésticos e confessionais de Marco Mendes e a caótica composição gráfica de Nuno Sousa. 
Busto, Julho de 2005, 40 págs, impresso a preto & branco; capa em serigrafia, 14,5x21cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Senhorio. Porto.

27 fevereiro 2025

Peresgótika


O artigo de abertura incide sobre o processo de transição das chamadas rádios piratas para as legalizadas rádios locais. Depois, uma breve resenha sobre os ingleses Lush, seguido de um artigo da autoria de Miguel Soares intitulado "USA e UK: A Geração Naïf" para enquadrar novas bandas de ambos os lados do Atlântico como os Galaxie 500, LA's, Charlatans, Ride, The High, New Fast Automatic Daffodils, Farm, etc.
Um dos grandes destaques deste edição é a extensa entrevista a Carlos Fortes, guitarrista dos Mão Morta, abordando as indefinições e a situação precária da banda após o lançamento do terceiro álbum "O.D., Rainha do Rock & Crawl".
O suplemento "O Sonho do Porco" ocupa as páginas centrais, preenchido com diversos apontamentos sobre concertos (Genocide, Cabeças de Gado, Bourbonese Qualk, Mão Morta e Killing Joke / Pixies) e edições independentes (cassetes de Cosmic City Blues, Ataraxia e EP de Creaming Jesus).
Há também artigos sobre os alemães Das Ich, Love Like Blood e James Rays Gangwar.
Paulo Vaz escreve "Christian Death - Valor versus Rozz Williams: O Dilema da Criação", confrontando o contributo de ambos os membros para a definição estética e artística da banda.
A filmografia, ainda curta, do realizador Jim Jarmusch é divulgada por João Carlos Gonçalves. Nesta época, Jarmusch era a epítome do cinema independente americano.
O grafismo e a montagem deste Peresgótika ficaram a cargo do editor Miguel T.
Peresgótika #10, Junho-Agosto de 1991, 32 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Porto.

24 fevereiro 2025

Diário da Palavra

Diário da Palavra resulta de um estágio profissional realizado por Rodrigo Villalba entre Março e Abril de 2022 na Associação Chili Com Carne. Diariamente, era fornecida uma palavra ao autor para "activar a sua memória e os músculos da narração num formato simples (e velha guarda) que é a "tira humorística"."
Tivemos oportunidade de acompanhar diariamente o desenvolvimento deste trabalho através da publicação no blogue da Chili Com Carne das quarenta tiras produzidas por Rodrigo Villalba (não constam neste volume impresso, as tiras 39 e 40).
No geral, o esquema gráfico é relativamente conservador, preservando quatro quadrados por página, mas o estilo do traço e as técnicas utilizadas são muito diferenciadas, formando uma polifonia caleidoscópica de grafismos e cores.
A palavra que serviu de gatilho para cada uma das tiras nunca é desvendada, pelo que só podemos intuir que foram muito variadas (??kebab, peso, ressaca, lágrima, etc.), e que permitiram ao autor explorar uma grande polissemia de percursos estilísticos e de soluções narrativas, umas vezes de cariz mais autobiográfico, noutras sobressaindo o humor ou o comentário social. 
O programa seguido neste breve percurso académico, privilegiou o desafio diário e a descontinuidade, e também uma certa falta de coerência, e que facilmente poderia ter descambado no exibicionismo tecnicista. Mas o registo adoptado, a sinceridade e a humildade, associadas à qualidade geral dos trabalhos, levam-nos a concluir que este estágio profissional foi um grande triunfo na formação de um promissor novo autor.     
Diário da Palavra, Dezembro de 2022, 40 págs., impresso a cores, 14x14cm., Tiragem: 100 exemplares. Edição: Chili Com Carne [MdC #38].

22 fevereiro 2025

Com a Mesma Moeda!

Apresentando o subtítulo "uma aventura trágico-cómica sideral em treze quadradinhos e oito páginas", ficamos imediatamente elucidados sobre o conteúdo desta pequena publicação da autoria de Paulo Patrício.
Esta breve aventura é desenhada com um traço muito simples, quase pueril, conferindo-lhe uma certa candura reminiscente de um "Pequeno Príncipe" mais prosaico. Aqui, o personagem avista um ovni e sonha com longas viagens e aventuras, mas que lhe são recusadas. No entanto, a vida dá as suas voltas e ele terá uma nova oportunidade para pagar com a mesma moeda!
Com a Mesma Moeda!, Outubro de 1995, 20 págs., offset a preto & branco, 16x18,5cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: EIA!; Associação Neuromanso. Porto.

20 fevereiro 2025

Dolphin and Dolphino

Em Julho de 2013, para assinalar o primeiro ano de vida do webcomic Dolphin and Dolphino, Afonso Ferreira compilou num fanzine de reduzidas dimensões, as sessenta tiras publicadas entre 06 de Julho e 30 de Outubro de 2012.
No site Bandas Desenhadas foi escrito que o "zine, tal como o webcomic segue a fórmula da tira cómica de 4 vinhetas, com uma disposição 2×2, ilustrando a conversa de dois golfinhos, sendo um deles ingénuo e o outro, nas palavras do autor, um verdadeiro asshole. Com estes elementos opostos, está criado o contexto para sermos confrontados com a escola da vida (street smart) do personagem mais velho e o admirável mundo novo que é transmitido ao mais novo, nas quais o humor é um elemento comum.
Na última tira, o autor autoinflige a sátira à composição praticamente estática – com exceção do recurso à imagem em espelho – da obra. Pode ser também encarada como um teste à capacidade do leitor em manter a fasquia da criatividade do argumento. Conseguirá? Com o recurso a esta passagem de testemunho, Afonso Ferreira parte, deste modo, para outros rumos."
Dolphin and Dolphino, Julho de 2013, 68 págs., impresso a preto & branco, 16x11,2cm. Edição: Imvencible Comics.

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