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04 maio 2026

Salao Coboi

Publicação criada por Salao Coboi (José Cardoso) contendo 24 figuras totémicas desenhadas minuciosamente a preto e branco. Segundo o autor são 24 possibilidades de nos salvar ou proteger das forças do mal. A edição numerada e limitada inclui um cartaz de dimensões generosas (48x68cm).
"A relação que encontro entre os Moai e os desenhos de José Cardoso resulta, em primeiro lugar, do poder empático de ambos e, ao mesmo tempo, da facilidade com que nos conduzem a um território onde nos envolvemos na criação de histórias e hipóteses narrativas. Tal como as estátuas da Ilha da Páscoa favorecem a construção de narrativas intrincadas que transitam transversalmente entre o universo do mito, da especulação e das preocupações ecológicas ou arqueológicas, os totens de José Cardoso funcionam como xamãs, ajudando-nos a entrar num mundo povoado por criaturas antropomórficas.
Estes seres representam um mundo que desconhecemos, onde a protecção e o sobrenatural são uma unidade única que lhes dá razão de existir, e constituem um passaporte para um buraco negro.
A única coisa certa nesta jornada é o ponto de partida e não a linha de chegada, uma vez que, tal como nos 24 desenhos aqui apresentados, quando pensamos ter encontrado um caminho para a sua compreensão geral, surge um novo desenho e surgem novas dúvidas, o que implica uma reformulação dos mecanismos de compreensão. Este regresso constante ao ponto de partida existe porque podemos encontrar qualidades comuns, que se repetem ou se transformam em novas situações. Talvez a essência seja que, tal como os Moai, os totens de José Cardoso representam um universo reconhecido por todos, impregnado de um peso simbólico que apenas se vislumbra se nos entregarmos a um rito de passagem, no reconhecimento dos elementos secundários que nos conduzem à compreensão do todo.
Estes elementos podem parecer secundários, mas são, na realidade, a chave para compreender as criaturas. As tatuagens, os répteis, os ícones da cultura pop ou as mandalas representadas funcionam como objetos sagrados ou como santuários.
No fim, os totens e os Moai perpetuam uma das condições humanas: a criação de longas narrativas."
(Tradução livre do inglês de excerto da introdução escrita por Rui Vitorino Santos).

Salao Coboi, Fevereiro de 2010, 28 págs., Monotone offset, 16,8x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana Press. Porto.

07 maio 2025

Derby

Um Derby a juntar duas equipas de cinco autores de Lisboa e cinco do Porto, a contenda prometia acicatar rivalidades extra-futebolísticas. A cada autor competia entrar com dois desenhos, que se iriam defrontar directamente com os seus adversários.
Este projecto conjunto da Imprensa Canalha e do Atelier Mike Goes West, desafiava os autores a realizarem os desenhos directamente nos quadros de serigrafia, a pincel, implicando um gesto de grande espontaneidade.
Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: de Lisboa: André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques; os cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e José Cardoso. O texto de abertura é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.
Derby foi apresentado tendo "como objectivo a criação de uma publicação ilustrada inteiramente impressa em serigrafia de acordo com o Método Directo. Trata-se de um processo serigráfico que dispensa fotolitos e emulsões fotossensíveis, já que as imagens a imprimir são criadas directamente no quadro de serigrafia, a pincel, com um bloqueador à base de água. Para o ilustrador o desafio é enorme, pois este método obriga a um grande sentido de síntese e não permite grandes correcções. Deste processo resultam serigrafias originais, já que, após a lavagem do quadro onde se criou a imagem, o desenho que deu origem às impressões desaparece para sempre. Foram convidados a participar neste projecto inédito 10 ilustradores (cinco de Lisboa e cinco do Porto).
A primeira parte do projecto vai ter lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro, durante a "Feira Laica" no Porto, a decorrer nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criarão duas imagens cada, que corresponderão a uma dupla página da publicação. Simultaneamente, o técnico António Coelho, responsável pelo atelier Mike Goes West, fará demonstrações de impressão serigráfica. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.
Numa segunda fase, no atelier, as imagens serão impressas e a publicação dobrada e agrafada."
Derby, Junho de 2009, 28 págs, capa com impressão serigráfica em papel Vidia de 300g; miolo em serigrafia sobre papel Fabriano Academia de 160 g., 30x27cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #012).

20 dezembro 2024

Satanic Holidays / Days Of Celebration

A Imprensa Canalha apresentou a sua décima terceira edição assim: "Depois de Pedro Lourenço, com Blues Control, a bola passa para José Cardoso (membro do colectivo Salao Coboi): Satanic Holidays / Days of Celebration é um verdadeiro exercício de deboche gráfico: uma longa série de estampas coloridas e tramadas em que a apropriação gráfica, alimentada por sobreposições, distorções e pelos inimitáveis apontamentos gráficos do José Cardoso (Fafe, 1984), nos remete para imagens cuja familiaridade é apenas aparente. Neste all-colour zine, o Grande Satã vai de férias ao Hawaii!"
Por seu turno, Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD:
"Uma colecção de imagens heteróclitas, a maioria aparentemente roubadas de postais do Hawai, com belas raparigas, locais e da middle America, nos seus trajes sensuais e rodeadas das luxuriantes paisagens tropicais. Cenas de oferenda, alohas, festas, surf e camisas estampadas. Aqui ali, o decote generoso faz promessas de prazeres mais íntimos, aproxima-se de outros tons. Cada imagem mínima e digitalmente retocada, retorcendo, distorcendo obscurecendo e embrutecendo os rostos das raparigas. Ao ponto em que se parecem com monstros, ou daqueles espíritos mal capturados por fotografias de longa exposição. Misturadas por entre estes retratos, objectos vários, de canecas a ídolos, estátuas e totems, a maioria deles de uma família mais ou menos coesa de culturas antigas, violentas, ritualistas e sangrentas. Aos poucos, o sentido geral da publicação forma-se. Quase todas as imagens têm ainda uma outra camada de intervenção, sob a forma de pequenas estruturas gráficas, manchas, símbolos e elementos coloridos, alguns deles como rostos de criaturas queridas, típicas de um certo merchandising. Uns poucos parecem gatos, mas os outros são fantasmas, monstros, sóis e chamas. Numa imagem vemos um double whopper sorrindo, noutra um casal de storm troopers do Star Wars, de camisas floridas. A última imagem, um símbolo satânico, por sobre uma cena idílica na ilha vulcânica. O vulcão. Agora é que nos apercebemos que sob o solo desta paragem aparentemente paradisíaca existe uma história da violência da terra. Que se expressa nestas imagens como se José Cardoso tivesse tido acesso ou tivesse inventado uma câmara à la Nikola Tesla, e capturasse os demónios que se escondem na dobra dos raios de sol. Esta é uma brochura que se distribui numa agência de viagens que leva a sério a ideia do “Culto ao sol”."
Satanic Holidays / Days Of Celebration, Dezembro de 2009, 32 págs, impressão a laser CMYK [Epson Aculaser] em papel branco de 100g.; capa impressa a preto sobre cartolina Guarro preto de 160g., 14x20cm, Tiragem: 99 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #013).

09 junho 2024

There Are Only Seven Stories in the World


There Are Only Seven Stories in the World é o primeiro lançamento de banda desenhada efectuado pela editora O Panda Gordo. Baseando-se num conceito colhido em Arthur Quiller-Couch, que afirma haver apenas sete tipos diferentes de enredos de histórias. Cada uma dessas possibilidades de argumento é explorada, ao longo de quatro páginas, por sete autores diferentes. Como seria expectável, as técnicas e os estilos são bastante diversificados, uns mais convencionais outros mais surpreendentes e misteriosos.
As histórias são apresentadas em inglês, excepto a de José Cardoso, que é bilingue. Diogo Bessa publica uma história sem recurso a texto.
There Are Only Seven Stories in the World foi impresso em papel brilhante, com cantos arredondados e encapado com plástico transparente.
Cada autor explorou o seguinte argumento:
– wo/man vs. wo/man - Bárbara Fonseca;
– wo/man vs. nature - Diogo Bessa;
– wo/man vs. himself - José Cardoso;
– wo/man vs. god - Sofia Palma;
– wo/man vs. society - João Drumond;
– wo/man caught in the middle - Amanda Baeza;
– woman & man - João Sobral.
There Are Only Seven Stories in the World, Setembro de 2013, 32 págs, impressão digital a preto & branco, 19x23cm. Tiragem: 80 exemplares. Edição: O Panda Gordo [OPG.019]. Porto.

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