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01 junho 2026

Quatro Histórias de Camilo

Amadeu Escórcio adaptou quatro episódios retirados de dois livros de Camilo Castelo Branco. 'Um Veríssimo Rei' e 'A Morte de um Guerreiro' foram retirados da obra 'A Brasileira de Prazins'. O primeiro, é o mais desenvolvido, e relata um logro Miguelista passado numa aldeia minhota, com muitos pretendentes a obterem as mercês de um falso el-rei D. Miguel, com a bênção da Igreja.
Inspirado no mesmo livro, segue-se um breve episódio intitulado 'A Morte dum Guerreiro', sobre um coronel miguelista acometido por um fatal coma alcoólico provocado pelo consumo excessivo de genebra numa noite fria.
As duas breves histórias seguintes são adaptadas do livro 'Memórias do Cárcere' escrito por Camilo enquanto esteve detido na cadeia da Relação do Porto devido ao caso de adultério com Ana Plácido.
'Uma Flauta na Noite' é uma recordação suicida de Camilo enquanto mirava o Tâmega sob a ponte de Amarante, escutando o som de uma flauta, vindo de uma janela entreaberta do antigo convento de S. Gonçalo.
O último episódio é 'Camilo e o Barbeiro', passado também em Amarante, sendo o escritor convidado para escrever uns versos divertidos para as cavalhadas do Coração de Maria.
Quatro Histórias de Camilo, 2017, 24 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 14,5x20,5cm. Edição: Visconde de Seide.

07 abril 2026

eussemia

Eussemia é uma palavra da área da medicina que designa um conjunto de sinais benignos na evolução de uma doença. Indica que o organismo está a reagir favoravelmente, indiciando uma tendência para a melhoria ou o início do processo de cura.
Mariana Bastos reúne nesta publicação um pequeno conjunto de composições gráficas elaboradas com a técnica de colagem analógica.
Cada composição apresenta um título surpreendente, num jogo polissémico de palavras e significados ('lado alado', 'Neüra 2.0', etc.). As colagens são enquadradas em quadrículas desenhadas, um formalismo logo detonado pelas composições surrealizantes que se espraiam e sobrepõem para além dos limites da linha e da imaginação.
eussemia, 2017, 14 págs., impresso a cores, 21x29,7cm. Edição: Diztânsia.

13 janeiro 2026

Feeling Out of Place

Feeling Out of Place é uma publicação de Cristiana Figueiredo e denota uma clara inquietação com o tempo e as marcas que a sua passagem deixa. Perpassa um sentimento geral de deslocamento em relação às coisas e aos lugares, soprando uma suave brisa de melancolia.
Surgem pequenos frases soltas, que podem estar escritas em português ou em inglês, acompanhando as ilustrações realizadas com técnicas mistas, utilizando materiais diversos como colagens com celofane, papel de jornal e papel decorativo, tinta acrílica, aguarela, canetas de feltro, etc.
O texto que acompanhou o lançamento de Feeling Out of Place durante o ZineFestPt 2017, dizia que "a partir de uma expressão em tom autobiográfico a autora vai desmontando momentos do quotidiano e emoções em desenhos, ilustrações e colagens, como se fossem pequenas narrativas e curiosidades que se soltam do pensamento, sobretudo reflexões relativas ao tempo e à espera, mas também ao que se perde pelo caminho.
Porque se tratam de memórias das memórias temos uma montagem com páginas a cores e outras a preto e branco, porque há memórias que parecem sonhos e memórias que gostávamos que fossem diferentes."
Feeling Out of Place, Dezembro de 2017, 36 págs., impresso a cores sobre papel Favini Crush Mais 120g; capa em papel Munken Pure 240g, encadernação com costura ponto corrido, 14,5x20,5cm. Tiragem: 33 exemplares. Edição: Atelier 3|3. Porto.

07 janeiro 2026

CoopAzine

CoopAzine #1
Após a constituição da CoopA - Associação Aldeia Cooperativa de Artes em Fevereiro de 2016, é editado esto número inaugural do CoopAzine no âmbito da realização de uma Mostra Internacional de Fanzines. A publicação reflecte e regista as diversas actividades realizadas como concertos de música, encontro de estátuas vivas, mas também os gostos e as preocupações da Associação.
Neste primeiro número, surgem diversas bd curtas da autoria de Fábio Veras, André Pacheco, Tiago Pimentel, Sandra Pires e Abel Raposo. Há também textos assinados por Rui Carvalho, Fernando Ferreira sobre a publicação do livro "O Infante", de inspiração manga, da autoria de Daniela Viçoso.
Geraldes Lino, apresenta uma breve resenha sobre o fanzinato nacional e elenca uma listagem exaustiva sobre os fanzines de banda desenhada publicados em Portugal nos anos 2015 e 2016.
António Caeiro escreve sobre o Festival "Cantigas do Maio" e sobre a Orquestra Popular de Paio Pires. Thina Curtis apresenta uma resenha sobre a publicação de fanzines no Brasil. Há também textos poéticos de António Leonardo e de Paulo José Miranda.
A paisagem industrial e os problemas provocados pela poluição ressoam em muitas páginas desta publicação.
CoopAzine #1, Novembro de 2016, 52 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #2

O segundo número do CoopAzine é dedicado exclusivamente ao evento Sons na Aldeia, que levou à Aldeia de Paio Pires diversas grupos de música.
A 1.ª edição do Sons na Aldeia decorreu em 24 de Setembro de 2016 e apresentou as seguintes bandas: - A Jigsaw & The Great Moonshiners Band, de Coimbra; e - Recanto, de Almada.
A 2.ª edição do evento, contou com a presença dos belgas Coffee Or Not e dos lisboetas Alma Mater Society.
Por ocasião do lançamento deste fanzine a 09 de Dezembro de 2017, decorreu a 3.º edição do Sons na Aldeia, com as bandas nacionais LUR LUR e IAMTHESHADOW.
CoopAzine apresenta breves biografias das bandas participantes no evento Sons na Aldeia, a respetiva discografia detalhada e fotografias dos concertos realizados.
CoopAzine #2, Dezembro de 2017, 28 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #4

Excelente número do CoopAzine elaborado no âmbito da Mostra de Fanzines organizada pela CoopA em Maio de 2025. São 100 páginas preenchidas com as contribuições de inúmeros participantes, com trabalhos de banda desenhada, fotografia, texto poético, ensaio, crítica e divulgação, desenho e ilustração, etc.
As primeiras páginas apresentam uma entrevista aos Ameeba, já com dois registos discográficos lançados. Mais para o final, Jorge Canadá escreve um artigo sobre a banda alternativa Alcatune, já com diversos registos lançados em edição de autor.
Na banda desenhada participam Amadeu Escórcio, Carlos Paes com "A Mosca", originalmente publicada no Diário de Lisboa em finais dos anos 80 e agora recuperada e também uma prancha de "Tó Greg" desenhada na mesma época. Paulo Buchinho, autor do desenho da capa desta edição, também recupera um conjunto heterogéneo de desenhos datados dos anos 80. Muito boa a contribuição de Pepedelrey com "O Fogo de Kümme", com música e neura tecnológica. Phermad oferece duas pranchas caninas.
Textos de Victor Moreira, António Leonardo, Miguel Leonardo, António Santos, Marcos Marado, Cláudia Carola, Carlos Raimundo, Fernando Ferreira sobre o filme "Electric Dragon 80.000V" de Gakuryu Ishii. 
Mário Lino escreve sobre o panorama heavy metal nos Açores em 2024. António Vitorino contribui com um longo texto experimental em modo copy-paste hackeado no Facebook. Publica-se a resenha ao livro "Brazineiras: O Protagonismo Feminino nos Fanzines" organizado por Thina Curtis.
Edgar Rendeiro escreve sobre o enigma da data da fundação do clube de futebol de Paio Pires, bem como sobre a origem do nome "Paio Pires".
Grafismos, composições e colagens de Abel Raposo, Paulo José Miranda e António Caeiro, Iolanda Rolo, Eurico Coelho, José Almeida, Fátima Rocha, Pedro Morgado, Sónia Nobre, Sérgio Gomes.
Há também espaço para falar sobre a actividade da CoopA, e também sobre as edições da editora independente Anti-Demos-Cracia.
CoopAzine #4, Maio de 2025, 100 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

16 dezembro 2025

Zine Azul

João Rebelo apresenta em Zine Azul, um vislumbre apaixonado da imensidão do mar, a atração pelo rumor das marés e pelas criaturas marítimas, invocando um mergulho poético e incondicional no vasto e profundo azul. Um mar de águas plácidas e cristalinas, que convida o personagem a banhar-se, envolvendo-o com a sua espuma e com o balancear das ondas.
Depois, o mar torna-se gradualmente mais encrespado, formando uma ondulação que mais parece a "Grande Onda" desenhada por Hokusai, que vai envolvendo o personagem, que vai adquirindo evidentes formas e características marinhas, enquanto contempla submerso as profundezas tranquilas do oceano.
Zine Azul, Fevereiro de 2017, 16 págs, impresso a cores, 14x20cm.

26 outubro 2025

Spookytongue

Hetamoé, a autora de Spookytongue referiu que esta publicação "é uma banda desenhada  sci-fi existencialista em dois actos, que explora as topografias corporais da emoção através da pseudociência abjeta do misticismo quântico. A primeira metade é um conto visual narrado a partir do ponto de vista de um ser humano bioengenheirizado, concebido para recolher informações sobre mundos paralelos, à medida que o seu sentido de identidade se torna cada vez mais fragmentado e desterritorializado. A segunda metade, composta por vinhetas tipo yonkoma (“quatro painéis”), tenta mapear fluxos transfronteiriços ao colapsar charlatanismo quântico, ídolos japoneses da gravura, ensinamentos budistas, tectônica futura e imagens militares num omake excessivamente longo de poética antropocenica.
Desenho recorrendo a influências como a ficção onírica (anti-)científica  de Tarkovsky, Blade Runner: The Final Cut (dica: o unicórnio!), as tretas da New Age e o meu painel do Tumblr para tecer esta experiência esquizóide, em belos tons de amarelo e azul. Criticado por alguns como «propaganda fascista transhumanista», cabe agora a cada leitor dar o seu veredicto final sobre Spookytongue." (texto original escrito em inglês, traduzido livremente).
Por seu lado, Alex Hoffman escreveu no blogue Sequential State que Spookytongue "opens with a text-heavy dialogue page, like the opening of an 80s anime or a Star Wars film; Hetamoé explains that an uncommon inflammatory mucosal disease, geographic tongue, is a window by which past and future worlds can be seen, and that in 2525, artificial humanoids are being developed in order to wage quantum war. The trick is that this introduction explains little if nothing of the comic that follows.
Spookytongue is split in two distinct halves – the first is a more traditionally western layout, and the second is influenced by the Japanese comic strip 4-koma style. Throughout, Hetamoé’s work takes on a futuristic sociopolitical bent, half cyberpunk and half philosophical musing. I’m reminded of the work of famous mangaka Masamune Shirow as much as I am the work of Finnish cartoonist Ville Kallio, although in both cases Hetamoé’s work is much more abstract about the future it envisions. These comparisons seem apt because like Kallio’s work, Hetamoé’s work is influenced by Japanese art, especially creators like Shirow.
There are some thematic elements to the book that are hard to grok– the unicorn is a frequently appearing visual motif that I had a hard time placing. The book is printed in two colors, a vivid blue and a lime green/fluorescent yellow. The color choice exaggerates and emphasizes the retro-futuristic feel of the book. The language of Spookytongue is flowery and opaque; Hetamoé manages to capture the background noise of cyberpunk with seemingly unlinked ideas and observations of the world and our universe. If anything, Spookytongue, with its unique formal constraints, seems like a window into a future world passing you by. As the reader, you will catch snippets of a whole conversation without piecing together its meaning. Spookytongue is moving too fast, or more likely, you’re moving too slow."
Spookytongue, Janeiro de 2017, 32 págs, impressão digital a duas cores, 11,5x16,3cm. Edição: Ediciones Valientes. Valencia. Espanha.

29 agosto 2025

[Excertos do Livro Arbítrio dos Divinüos]

[Excertos do Livro Arbítrio dos Divinüos] cujos excertos foram supostamente retirados de escritos de autor anónimo datados do século XII aGF (antes da Granda Frustração), e ilustrados com desenhos de Ricardo Paião Oliveira e "zoolagens" de Mariana Bastos. Os excertos versam sobre deuses e estranhas  criaturas, mas o que relatam são trivialidades da sua vida e não feitos extraordinários.
Os excertos são transcritos com uma grafia quebrada e cheia de apóstrofos, reforçando a elisão dos sons, como se as histórias estivessem a ser contadas oralmente, conforme vão sendo encontradas num livro que se abre ao acaso. Ao longo das histórias vão surgindo elementos surpreendentes e inusitados, misturando elementos divinos e com outros bastante prosaicos. 
Os desenhos são serializados, esquemáticos e repetitivos, apenas com ligeiras modificações muito subtis, de uma história para a seguinte.
No derradeiro excerto intitulado "Da Criação do Mundo" os desenhos de Ricardo Paião Oliveira são complementados com as colagens (ou zoolagens) de Mariana Bastos, num estilo dadaísta e divertido.
[Excertos do Livro Arbítrio dos Divinüos], 2017, 14 págs., impresso a cores, 29,7x21cm. Edição: Diztânsia.

19 agosto 2025

Dark Lines

Dark Lines é uma colecção que reúne diversas ilustrações e bandas desenhadas curtas da autoria de André Caetano. Estes trabalhos já haviam sido anteriormente publicados nas antologias da ZonaBD. A banda desenhada "Me and Drawing" foi publicada anteriormente na Zona Desenha; "What is a Monster?" saiu na Zona Monstra; e "A Drawing a Day" foi publicada originalmente na Zona Gráfica.
As bandas desenhadas curtas reunidas em Dark Lines funcionam como pequenos laboratórios, que permitem experimentar e desenvolver diferentes soluções gráficas e narrativas. São também espaços lúdicos, onde o prazer de desenhar e contar histórias se pode espraiar livremente.
Dark Lines #1, 2017, 20 págs, impresso a preto & branco, 14,9x21cm.

10 junho 2025

Melancia Melancolia

Margarida Ferreira, a autora de Melancia Melancolia apresenta o fanzine como sendo “sobre o Verão, o fim do Verão e as melancias que ficarão para o ano que vem.”  A melancia é uma fruta característica do Verão, normalmente associada a calor, férias, dias intermináveis e divertimento.
Mas nesta publicação, a mulher em forma de fatia de melancia surge triste e insatisfeita, a viver uma fase de transição que não compreende muito bem - "é como estar a flutuar pela realidade sem a conseguir agarrar."
Apesar de tudo ainda existem momentos entusiasmantes e inspiracionais, mas são instantes que se extinguem em breves fogachos.
Entretanto, o tempo vai passando e os dias vão ficando mais pequenos e as melancias deixam de ser tão doces e frescas, mas não há outra alternativa que não seja seguir em frente, pois para o ano há mais.
Melancia Melancolia, Janeiro de 2017, 16 págs, impresso a duas cores, 14,4x20cm.

07 setembro 2024

Music is a Big Fucking Deal

Music is a Big Fucking Deal é uma publicação com fotografias de Helena Granjo, que é apresentada assim: "A música e a fotografia sempre estiveram bem presentes no quotidiano de Helena Granjo a qual desde alguns anos atrás tem vindo a retratar o que se passa nos mais variados palcos do país, de concertos a festivais com um especial gosto por sonoridades mais alternativas e públicos intensos na sua devoção musical. Autodidacta, é no “fosso” que estabelece a sua aprendizagem e onde faz a sua escola, colaborando com vários meios online... A música como escape, como libertação. o ambiente, os músicos, o público, os concertos."
As fotografias apresentadas são datadas de 2014 a 2016, captando bandas e público em concertos e festivais mais alternativos ou extremos, como o SWR Barroselas, Amplifest, Entremuralhas, Vagos Metalfest, etc.
O design gráfico da publicação, muito sóbrio e competente, ficou a cargo de Duodesign. O livro vem inserido numa capa e é acompanhado por um print dos Putan Club no Hard Club em 2017.
As fotografias de Helena Granjo captam a força e a energia das actuações ao vivo de bandas como os Oathbreaker, Neurosis, Dead Elvis, Spasm, Phantom Vision, Huntress, Marduk, entre outros.
Pressente-se igualmente a emoção e o sentido de comunidade do público que assiste aos concertos, vivenciando profundamente essas experiências ao vivo.
Music is a Big Fucking Deal, Maio de 2017, 32 págs, risografia a duas cores, 16,3x21,7cm. Tiragem: 93 exemplares. Edição: PhosPrint. Porto.

21 julho 2024

GO

A autora de origem brasileira Cecília Silveira descreve GO como uma obra que “fala sobre como seguir adiante. Facto e ficção se misturam na experiência de imigração de uma refugiada do Sudão que tem de enfrentar quotidianamente a memória traumática da travessia clandestina para chegar à Europa.”
Muito atentamente, Aline Zouvi referiu na publicação online Balburdia.net que "Em vinte páginas, Cecília conseguiu tratar um tema cuja discussão é essencial sem que a exploração do quadrinho enquanto mídia fosse prejudicada. Um momento simples como um salto à piscina é transformado, por Cecília, em um mil-folhas – cheio de camadas de sentido, de simplicidade completamente ilusória.
A representação das ondas na água, em GO, de traço livre e pinceladas bruscas, faz-me pensar nos grafismos árabes (também passa uma vibe meio Habibi, do Craig Thompson) que brincam entre o limite da imagem e do texto — texto que, no zine, se limita a representar o que já é tido como inevitável: “Are you ok? — Yes, I am” — o único diálogo em todo o zine, somado às onomatopeias da água calma na piscina e assombrosa na passagem dos refugiados. O mínimo de texto presente passa a ideia de uma comunicação mínima — trabalha-se o processo de se comunicar o incomunicável, dar forma ao trauma, assim como Cecília dá materialidade à refugiada ao desenhar o seu documento de imigração no zine. Narrativas que transformam vivências traumáticas em materialidade visual, mesmo que ficcionais, são importantíssimas para o nosso processar de tais vivências – as nossas e as dos outros.
Ao colocar lado a lado as imagens de um possível mergulho na piscina e o atirar-se à incerteza de uma travessia, Cecília constrói uma relação visual interessante entre as noções de cheio e vazio (de gente e de água); serenidade e desespero; entre outros extremismos que caem por terra quando se trata de vivenciar e sobreviver ao trauma."
GO foi inicialmente lançado em 2016 pela editora Dor de Cotovelo, sendo impresso em risografia azul e lombada cosida. O fanzine é acompanhado por uma embalagem dourada, que parece um vulgar papel de embrulho de prenda, mas num olhar mais atento, reparamos que esse dourado recorda-nos os cobertores térmicos que costumamos ver a cobrir os refugiados que sobrevivem à travessia do mar. 
GO, 2017 (2.ª edição), 20 págs., risografia azul, 19,3x27,8cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sapata Press. Lisboa.

23 junho 2024

Etern8s Rivais / Caçadores

Este fanzine reúne duas histórias Etern8s Rivais e Caçadores, ambas com argumento de Véte e desenhos de Luís Guerreiro. A banda desenhada Etern8s Rivais decorre num ambiente medieval, onde um personagem encapuçado compra um estranho cubo mágico numa banca de feira, libertando as forças do mal. Segue-se a eterna luta entre o bem e do mal, os anjos e demónios. 
Por seu lado, Caçadores,  é uma história condimentada com uma abertura plena de erotismo, que é abruptamente interrompida  pelo entrada em cena de um casal de impiedosos caçadores de vampiros. Na verdade, os caçadores, com pinta de detectives de film noir, acabam igualmente por revelar-se  uns  vampiros sanguinolentos.
Supostamente, este volume seria o primeiro de dois tomos, mas desconhece-se que tenha tido continuação.
Etern8s Rivais / Caçadores, Maio de 2017, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 14,6x21cm.

29 abril 2024

Freak Scene

Freak Scene #1

Freak Scene é uma série experimental de André Pereira. Com um estilo psicadélico, delineado através de composições inovadoras, geométricas e dinâmicas, vamos seguindo a jornada de um personagem futurista, acompanhado por dois seres geneticamente modificados, dos quais é dono, e que têm a tarefa de carregarem uns misteriosos caixotes.
A meio do percurso são emboscados por uma entidade divinatória que pretende libertar os escravos, dotando-os de livre arbítrio e de perspetivas de novas possibilidades para a sua vida.
Apesar de se notar que existiu uma grande liberdade e alguma improvisação, André Pereira aproveita esta história para reflectir sobre várias questões existenciais, sobre o sentido da vida, a necessidade de Deus, o livre arbítrio, a ganância, mas tudo imbuído com a dose certa de humor.
Este fanzine foi lançado no dia 3 de Maio de 2014, na Feira das Almas.
Freak Scene #1, Maio de 2014, 20 págs, impressão a preto & branco; capa recortada em laranja fluorescente, 14,4x20cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Clube do Inferno.

Freak Scene #3
O método de produção utilizado por André Pereira em Freak Scene #3 é similar ao do primeiro tomo desta saga: um protótipo de 20 páginas onde o autor desenhou directamente no caderno, para assim simular o produto acabado. Também aqui, não houve argumento escrito a priori e todos os erros de desenho foram herdados na versão final.
Este novo fascículo, “narra-se” como uma expedição, posta em marcha por dois misteriosos colonizadores espaciais, que é dificultada pela aparição de uma quasi-divina e analfabeta criatura.
Fanzine cujo lançamento decorreu no Festival Thought Bubble em Leeds, Inglaterra.
Freak Scene #3, Setembro de 2017, 20 págs, impressão a preto & branco em papel reciclado, 14,4x20cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Clube do Inferno.

23 dezembro 2023

Memória da Crise

O espanhol Daniel Casal realizou um estágio na Turbina Associação Cultural entre Janeiro e Junho de 2013. Nesse período, sentiam-se intensamente os efeitos da crise da dívida soberana em alguns países da zona euro, com especial na Grécia, Espanha e Portugal.
Em Memória da Crise, cinco argumentistas / escritores propõem textos para Daniel Casal desenhar. No blogue Uma Bedeteca Anónima escreveu-se: "Apesar dos textos dispararem para vários lados, transformadas em BDs lembram os episódios slice-of-life de Miguelanxo Prado sem o erotismo bacoco de Tangências nem o exagero do Quotidiano Delirante. Algo no meio se possível. Talvez seja pelos diálogos encenados de um mundo que já não se ouve a si mesmo, desumanizando-se de forma mundana e o ritmo narrativo esparso que a comparação surja. Domínio técnico não falta!
Graficamente é muito próximo à escola de desenho do Porto, o que poderia soar a uma pretensão qualquer se não existisse mesmo o Clube de Desenho!  A influência sente-se a milhas, um bocado de Marco Mendes, um coche de Nuno Sousa e uns pózinhos de Carlos Pinheiro."
O primeiro texto "Super Desempregado" de Manuel Jorge Marmelo, apresenta uma delirante história de pais natais desempregados e sem grandes perspectivas de empregabilidade, o percurso pelo Centro de Emprego, a mendicidade interrompida pelo sonho de transformar-se num super-herói que iria tirar aos ricos para dar aos pobres. Ao despertar do torpor, novamente a realidade nua e crua da queda na sarjeta. 
Elisa Santos apresenta "Twice Upon a Time" com a crise a espalhar-se transversalmente a diversas camadas da sociedade, afectando mesmo aqueles mais insuspeitos.
"Consulta" de Ricardo Alves é um mergulho nos efeitos e traumas da crise, com um ministro numa sessão de psicanálise.
"A Má da Fita" de Margarida Mesquita decorre durante uma consulta médica e entre a medição da tensão arterial, a médica e a paciente vão conversando sobre incidências da vida.
Destaque especial para "Papel" de David Pontes focando os dramas individuais e familiares provocados pela crise: - o desemprego, a dificuldade de sobreviver, a alternativa da emigração, a separação familiar, a solidão. Uma história paradigmática para não esquecermos os tempos negros que vivemos há uns anos.
Memória da Crise, Maio de 2017, 44 págs, risografia a preto & branco, 16,3x21,8cm. Edição: Turbina Associação Cultural. Porto.

19 outubro 2023

Money Worries

Publicado originalmente em inglês em Outubro de 2014, numa edição de tamanho A3 e impresso em risografia, limitada de 75 exemplares, lançada em parceria por O Panda Gordo e 1359.
O autor apresentou Money Worries assim: "is a comics zine series started in 2014 with the intention of talking about money and the pervert way it currently works. It is named after a homonymous song by The Maytones. 
It was first inspired by the book "Small Is Beautiful: a study of economics as if people mattered" (1973) by E. F. Schumacher. Also by other contemporary economists who have been talking about reinventing money and reforming the current monetary system."
Relativamente a esta edição, Marcos Farrajota anotou o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "E no mês passado o Panda fez uma mini-residência artística na loja lisboeta 1359 e juntos imprimiram o Money Worries #1 que é quase inevitável não comparar com The Abolition of Work (de Bruno Borges) por causa do tamanho dos livros, pelo uso de técnicas de impressão "anacrónicas" (serigrafia e risografia, "riso" no caso do Panda), pelos estilos minimalistas dos autores - mas ambos muito diferentes, nem toda a gente anda a copiar o Borges! - e claro pelos temas-maiores-que-a-vida explorados pelos autores: o Trabalho no caso de Borges e o Dinheiro por Sobral.
Money Worries graficamente parece que foi feito de propósito para quem se molha por risografia - ou seja, os designers que andam a fazer tudo com duas cores e cheios de formas geométricas. E olhando e pensado melhor, realmente as "bonecadas" desta BD tem um aspecto "vectorizado" com grandes vazios em branco, usa duas cores (preto e verde) e a narrativa parece quase infográfica, elementos que farão desta BD algo desejado por esses designers!"
Money Worries teve uma segunda edição em 2017, da responsabilidade de O Panda Gordo, impressa a duas cores e com tamanho mais reduzido (17x22cm.) que a edição original.
A publicação aqui apresentada, é uma nova edição, a primeira em escrita em português, e acrescentada da prancha "Miopia Socio-Económica", que tinha aparecido pela primeira vez no Flanzine #7, de 2015.
Money Worries #1, 2017, 20 págs., impresso a duas cores, 14,5x21cm. Edição: Bebel Books. São Paulo.

30 julho 2023

Sensui

Este fanzine foi uma das primeiras edições da Sapata Press, cujo lançamento ocorreu durante o 8.º Bairro das Artes. A Sapata Press, projecto editorial transnacional da responsabilidade de Cecília Silveira, pretendeu publicar trabalhos de autoras de diferentes origens e experiências.
Sensui, desenhado por Dois Vês, é descrito pela editora como "um mergulho profundo no interior de uma personagem que habita um mundo líquido, em vários sentidos."
O mergulho em alto-mar para apanhar pérolas é realizado em apneia e com o corpo nu, cumprindo a tradição milenar das Ama, num ritual secreto e ancestral carregado de grande erotismo.
As ostras são vendidas e o seu produto é trocado por bebidas e inicia-se um novo mergulho, excessivo até ao delírio etílico.
Sensui, Outubro de 2017 (2.ª edição), 20 págs., risografia a preto & branco, 17,7x25cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sapata Press. Lisboa.

21 julho 2023

Zine Fetra Verano

Fanzine colectivo realizado pelos membros da editora Cafetra Records, com a participação da Sallim, Nacho, do Éme, do Leio, Maria Reis, Júlia Reis, do Abras e do Sar. Participam igualmente os convidados Moxila (Mariana Pita), a Sofia e o Afonso Mota, amigos chegados da família Cafetra.
Relativamente ao conteúdo, podemos encontrar desenhos, passatempos, bandas desenhadas, Quiz! com o sugestivo título "Que membro de Putas Bêbadas és?". Há também uma fotonovela passada em Lagos e protagonizada pelos Iguanas.
Por fim, é apresentada uma partitura para bateria,  composta por Éme para o tema "Comboio".
Zine Fetra Verano, Julho de 2017, 20 págs, impresso em risografia, 14,8x21cm. Tiragem: 33 exemplares. Edição: Cafetra Records.

08 maio 2023

Bizarras

Publicação resultante da atribuição do Prémio Geraldes Lino 2017, "Bizarras" compila um conjunto de 8 bandas desenhadas curtas de Sofia Neto. Cada bandas desenhada é constituída por duas pranchas e  apenas a última possui texto / diálogos.
As histórias são, de facto, bastante bizarras e a utilização dos sombreados reforça a sensação de estranheza e de mistério.
Partindo de situações aparentemente normais, embrenhadas nas rotinas do quotidiano comum, como fazer compras, tomar café, ir ao ginásio, passear, etc., - de repente, por efeito de um elemento perturbador, sentimos um distúrbio, uma passagem para uma outra dimensão, um abalo súbito que nos remete para um universo paralelo e inextricável.
Bizarras [Colecção Toupeira #10], Maio de 2017, 20 págs, impressão a preto & branco, 17x24,1cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

04 fevereiro 2023

The Life of the Indie Comic Artist

Pequeno fanzine da autoria de Joana Mosi, narrando o percurso de vida de um autor de banda desenhada indie. Cada página vai marcando uma etapa, iniciando na infância, quando os pais começam a notar algumas diferenças relativamente às outras crianças. Depois, chega a adolescência e a juventude e as dúvidas e inquietações que surgem a todo o momento, mas a vontade de persistir sobrepõe-se a todas as agruras do dia-a-dia.
Mosi consegue captar em vinhetas de traço simples, encabeçadas pela idade, o percurso de vida de quem se dedica apaixonadamente, mas sempre com algum cepticismo à espreita, uma vida que vai avançando e o sucesso nunca mais chega, até ao último estertor. Mas em vez da desesperança, é um novo ciclo que se reinicia. 
The Life of the Indie Comic Artist, 2017, 16 págs, fotocopiado a preto & branco, 7,8x9cm., Tiragem: 10 exemplares (2.ª edição).

04 janeiro 2023

Visita de Estudo ao Milhões 2017

Fanzine distribuído gratuitamente durante o Festival Milhões de Festa 2017, realizado em Barcelos. Com o subtítulo: Histórias de encantar dos alunos da C+S de Corvos (Anais), cada um dos "alunos" preparou uma página de banda desenhada sobre o festival, a sua envolvente, as bandas participantes e os efeitos causados na audiência.
Os "alunos" participantes foram Ana Caspão, André Pereira, Gonçalo Duarte, João Silvestre, Joaquim Almeida, Marcos Farrajota, Rui Moura, Tiago da Bernarda, Ricardo Martins, Xavier Almeida. A capa ficou a cargo do Rudolfo. Como seria de esperar numa publicação com estas características, os estilos e as abordagens são muito diversificadas e concisas. 
Visita de Estudo ao Milhões 2017, Julho de 2017, 16 págs, impresso a preto & branco, 14,5x21cm. Edição: Chili Com Carne e Lovers & Lollypops.

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