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29 julho 2026

Dead Doll House

Dead Doll House #3

Partindo do problema da contemporaneidade, sintetizado através das ideias de ruína e de saturação, décadas acumuladas de escombros, mentiras e falsas promessas, e assumindo a lógica específica do fanzine, Dead Doll House apropria-se de uma linguagem construída com recortes, pilhagens, colagens, buscando uma certa reconfiguração visual da percepção.
Rafael Gouveia assume que esta publicação vai manobrando "num certo 'affichismo' orientado para uma maximização do sentido de toda a matéria escrita-visual".
Produto do tédio citadino, de uma juventude inquieta, aditivada a tabaco, café e vapores etílicos nocturnos, o Dead Doll House usurpa imagens de revistas, absorve fotografias a preto e branco e aplica-lhes uma legenda (na onda de Jenny Holzer), em inglês ou em português, ou então as directivas dos 'The Ten Commandments of Gilbert and George', assumindo inteiramente as premissas intrínsecas ao renascido artista drástico.
Dead Doll House #3, Março de 1999, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Cascais.

Dead Doll House #5
Este número é um "especial modelos" e o conteúdo constitui um olhar crítico sobre o mundo da moda e dos modelos fotográficos. Dead Doll House assume-se como o órgão oficial dos artistas drásticos, tendo Rafael Gouveia na direcção artística.
Sucedem-se diversas imagens de manequins femininas típicas dos anos 90, acrescentadas com balões de diálogo ou pensamentos completamente inusitados e descontextualizados, em forma de estranha fotonovela.
Rafael Gouveia utiliza extensamente a técnica do "détournement" para subverter o significado primário das imagens carregando-as com ironia laminosa e humor corrosivo.
Amália Rodrigues surge nas páginas centrais como Amália morta, numa espécie de homenagem por altura do seu falecimento.
No entanto, o conteúdo mais interessante deste quinto número do Dead Doll House é o respectivo editorial e também a reprodução do Comunicado n.º 1 da Frente Fanzinistica Internacional - Comando Operacional de Lisboa.
Dead Doll House #5, Maio de 2000, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Lisboa.

27 julho 2026

Mofo

Mofo - Magazine Outsider publica neste terceiro número, textos, entrevistas, projectos e divagações em torno do tema 'a noite'. Um excerto do livro 'A Noite em Arquitectura' de Jorge Figueira lança as coordenadas espaciais em torno da crise sistémica da crítica - a pós-crítica.
As memórias mais ou menos longínquas de Antonieta Correia desde a sua chegada a Oliveira de Frades e as muitas histórias passadas ao longo dos anos são desfiadas ao sabor de um sorriso tocante.
A abrir e a fechar o Magazine, publica-se um projecto foto-sequencial, inspirado na obra 'La Jeteé' de Chris Marker.
'A Noite o que é?', serve de título a um conjunto de textos publicados ao longo de três anos nos blogues 'Aviz' e 'A Origem das Espécies', dentre os quais Francisco José Viegas seleccionou alguns fragmentos para serem publicados nesta edição.
Há também uma entrevista meia caótica a dois dos fundadores de 'A Colmeia', um dos primeiros espaços de diversão nocturna de Oliveira de Frades.
A terminar, 'Pago Mil Euros a Quem me Der um Beijo' reunindo um conjunto de quatro poemas da autoria de Tiago Rodrigues.  
Mofo #3, Inverno de 2011, 16 págs, offset a duas cores, 27x27cm. Tiragem: 300 exemplares. Oliveira de Frades.

01 julho 2026

Cadernos Ultra-Periféricos

Cadernos Ultra-Periféricos #6

Agora sediados em Porto da Espada, envolvidos pelo silêncio das montanhas, os Cadernos Ultra-Periféricos trazem textos poéticos de Vasco Câmara Pestana (editor) e desenhos de Teresa Câmara Pestana, Diana Waldschreck, João Jantes, Paula Silva, Xana e Axel Blotevogel.
Por vezes, há poemas imbuídos nos desenhos, embora na maioria das páginas o texto surja apartado da ilustração - lado a lado, cada um na sua página.
'Pensamentos... Diversos...' de Sandro Kappa é o único texto publicado que não é da autoria do editor.
Nas páginas centrais, apresentam-se dois desenhos de Axel Blotevogel, impregnados de uma indómita força telúrica, uma desolação selvagem e misteriosa.
A montagem gráfica é assumidamente sóbria, arejada, sem qualquer vestígio de design, mas com notável equilíbrio entre os textos e os desenhos, fornecendo a necessária amplitude para ambos respirarem desafogadamente.

Cadernos Ultra-Periféricos #6, Verão de 2006, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Porto da Espada.

Cadernos Ultra-Periféricos #7
Os Cadernos Ultra-Periféricos com o subtítulo 'fanzine d'Arte e Poesia' constituíram uma muito agradável surpresa. Este número apresenta poemas de Carlos Baptista, acompanhados pelos desenhos de Teresa Câmara Pestana, Axel Blotevogel, Carlos Baptista e do editor Vasco Câmara Pestana.
sNa abertura, Vasco Câmara Pestana refere que "levámos o poeta a reconhecer as vantagens de publicar. Convencemo-lo a aparecer como Aparição. E da possibilidade (ainda que remota) de voltar a Ser no acto solitário de ser lido. Conseguimos que entregasse o mapa exemplar, o «roteiro paralelo». Enfim que nos disponibilizasse os poemas que dão acesso à antecâmara subterrânea onde se encontra em plena combustão o alambique representado na capa."
Cadernos Ultra-Periféricos #7, Outono de 2006, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Porto da Espada.

11 junho 2026

Canções Usadas

Canções Usadas é uma edição colectiva que junta a poesia e a ilustração. Trata-se de uma mini-antologia de nove poemas de José Miguel Silva, Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral, ilustrados por Jucifer, Bárbara Assis Pacheco, José Feitor, Luís Henriques, André Lemos, Piggy, Filipe Abranches, Maria João Worm, Daniela Gomes e Bruno Borges.
As ilustrações foram impressas em serigrafia e criadas pelo método directo (os ilustradores desenharam directamente na seda de impressão, em positivo).
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD "Em torno de um tema comum, precisamente as “canções” do título, para mais “usadas”, tecem-se poemas narrativos, de nostalgia por uma juventude violenta, perdida, drogada, ternurenta, sempre entrosando essa experiência na imagem desencadeada por um nome de uma canção ou de uma banda para chegar a um qualquer súbito descobrimento, em todos os sentidos da palavra. E, para mais, surgem outras imagens, estas reais, tangíveis, partilháveis, criadas por 10 ilustradores, num diálogo tanto individual entre cada imagem e poema como entre todos os elementos da publicação."
Canções Usadas, Dezembro de 2009, 24 págs, texto impresso em tipografia de chumbo; ilustrações em serigrafia sobre papel Accademia 200g.; capa impressa com tipos de madeira, a duas cores em cartolina castanha 300g., 24,5x20,5cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Oficina do Cego. Lisboa.

19 abril 2026

Ruindade

"De todas as muitas coisas que a poesia é ou pode ser - um grito inútil, um empurrão de porta, um pontapé no escuro, tanta coisa mais - ela é ou pode também... ser uma maldade.
Se ela for praticada por uma série de amigos que têm o nome Rui como primeiro nome, ela pode passar também a ser... uma RUI(N)DADE.
Está justificado o título." Rui Caeiro.
Composto em tipografia de caracteres móveis e com desenho na capa da autoria de Rui do Bongo, reúne poemas de Rui Caeiro, Rui Pires Cabral, Rui Pedro Gonçalves, Rui Miguel Ribeiro e Rui Azevedo Ribeiro.

Ruindade, Dezembro de 2012, 20 págs, impressão a duas cores, 15,5x18,5cm. Tiragem: 150 exemplares. Edições 50kg. Porto.

18 março 2026

Ups!

Excelente publicação da responsabilidade do Aquilo Teatro da Guarda, com coordenação editorial de João Louro. O conteúdo da Ups! é bastante heterogéneo, o design e o arranjo gráfico são arejados e sóbrios, há criatividade e surpresa em muitas páginas, os trabalhos são de uma qualidade assinalável, pecando apenas pelas digitalizações notoriamente pixelizadas.
Participam com ilustrações Flávia Leitão, Ruben Páscoa, Nuno Martins, Bruno Del Touro e Sérgio Lino.
Rafael Gouveia contribui com uma história sentimental contemplativa, desfiando os amores e os desamores, onde parece que tudo muda, para no fim, ficar tudo na mesma.
Alexandre Gamelas apresenta uma sequência de vinhetas percorrendo uma série de espaços interiores, salas, átrios, piscina, um sombrio museu despido de emoções.
Um estendal infinito de manchas, negativos e positivos, que vão prenunciando imagens figuras fugidias em múltiplos perfis, é a proposta de Maria Lino.
A poesia também tem lugar, manuscrita e rasurada por Manuel A. Domingos. Destaque para os pequenos poemas de Galo Porno, dispersos aleatoriamente para iluminar a publicação.
'Hiroxima' é o título de uma banda desenhada de K!m Pr!su tentando captar o indizível.
Logo de seguida 'A Cerca dos Críticos' é um interessante ensaio de António Godinho sobre a categorização os críticos e a função da crítica literária.
Destaque merecido para 'O Escritor de Subsolos' de André Lemos, narrativa seminal de um escavador precoce, intuindo a míriade de vidas e saberes anteriores que aguardam para serem novamente activados.
Por seu lado, Filipe Abranches publica um conjunto serial de desenhos de pendor arquitectónico, atravessados por um misterioso personagem de passagem entre lugares.
Por fim, uma sugestão para a confecção de uma sopa da primavera condimentada com surpreendentes plantas!
Ups! #2, Março de 2004, 64 págs, offset a preto & branco, 17x17cm.Tiragem: 500 exemplares. Edição: Aquilo Teatro. Guarda.

06 março 2026

Flanzine

"2013 - Portugal
Um primeiro-ministro a incentivar os jovens portugueses a pegar nas malas e a fazerem-se à oportunidade da crise económica. Estranha forma de promoção da Família.
Enquanto professor, assisti, ao desinteresse mais profundo e legítimo de uma geração que, sem voto na matéria, via a ideia de Futuro desvanecer-se. Estranha forma de promoção da Família.
A Flanzine foi a minha reacção perante a fatalidade. Criada num tempo onde as redes sociais ainda não estavam contaminadas pelo ódio, inveja, amargura. A maré era de feição. Apesar da feiura da realidade, era possível sonhar com a luta, por mais ingénua que fosse.
Hoje, já pouco estranho. Desde a falta de memória de uns, à sede de poder e protagonismo de outros. O circo dos horrores está montado sobre a ignorância de demasiados de nós. É claro que isto não vai lá com poesia. Mas sem ela, só nos resta a longa e fria noite. E, enquanto houver um filho da puta a tentar apagar a luz, hei-de lhe morder os calcanhares com esta insolência que me resta. E a gula por um mundo mais doce." (João Pedro Azul - editor de Flanzine).
Flanzine #1, Setembro de 2013, 48 págs, offset a preto & branco; páginas centrais a cores, 15,6x22,5cm. Tiragem: 300 exemplares.

10 fevereiro 2026

Piolho

"A revista Piolho é uma publicação dedicada à poesia desalinhada que conta actualmente com mais de uma dezena de números. É uma edição conjunta das Edições Mortas e da Black Sun, coordenada pelo poeta e editor António Oliveira (A. Dasilva O.). A Piolho inspira-se nas publicações refractárias dos anos 60 e 70, feitas em stencil, que circulavam debaixo das mesas nos cafés, pelo seu carácter conspirativo e clandestino, trazendo para o presente o espírito combativo desses tempos. A revista é, assim, um reduto de sobrevivência da poesia insubmissa."
Neste quinto número, coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O. e a colaboração especial de Érica Zingano, facilitando a conexão brasileira.
Participam os seguintes autores: Humberto Rocha, Luciane Godinho da Silva, Soraia Martins, Fernando Guerreiro, Mário Pinto, Zarelleci, Pedro S. Martins, Marcos Farrajota (ilustrações), Francisco Félix, Teixeira Moita, BiXinho, Miguel Sá Marques, Georges Bataille, Pedro Jofre, Paulo Themudo, Oliveira Martins Roxo, Rui Tinoco, Theódore Franckael, Roberta Ferraz, Maiara Gouveia, Érica Zingano, Renan Nuernberger, Rafael Rocha Daud, Andréa Catrópa, Danilo Bueno, Rui Azevedo Ribeiro, Raúl Simões Pinto e António S. Oliveira.
Piolho #5, Maio de 2011, 52 págs, impresso a preto & branco, 14,5x20,8cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Black Sun Editores.

07 janeiro 2026

CoopAzine

CoopAzine #1
Após a constituição da CoopA - Associação Aldeia Cooperativa de Artes em Fevereiro de 2016, é editado esto número inaugural do CoopAzine no âmbito da realização de uma Mostra Internacional de Fanzines. A publicação reflecte e regista as diversas actividades realizadas como concertos de música, encontro de estátuas vivas, mas também os gostos e as preocupações da Associação.
Neste primeiro número, surgem diversas bd curtas da autoria de Fábio Veras, André Pacheco, Tiago Pimentel, Sandra Pires e Abel Raposo. Há também textos assinados por Rui Carvalho, Fernando Ferreira sobre a publicação do livro "O Infante", de inspiração manga, da autoria de Daniela Viçoso.
Geraldes Lino, apresenta uma breve resenha sobre o fanzinato nacional e elenca uma listagem exaustiva sobre os fanzines de banda desenhada publicados em Portugal nos anos 2015 e 2016.
António Caeiro escreve sobre o Festival "Cantigas do Maio" e sobre a Orquestra Popular de Paio Pires. Thina Curtis apresenta uma resenha sobre a publicação de fanzines no Brasil. Há também textos poéticos de António Leonardo e de Paulo José Miranda.
A paisagem industrial e os problemas provocados pela poluição ressoam em muitas páginas desta publicação.
CoopAzine #1, Novembro de 2016, 52 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #2

O segundo número do CoopAzine é dedicado exclusivamente ao evento Sons na Aldeia, que levou à Aldeia de Paio Pires diversas grupos de música.
A 1.ª edição do Sons na Aldeia decorreu em 24 de Setembro de 2016 e apresentou as seguintes bandas: - A Jigsaw & The Great Moonshiners Band, de Coimbra; e - Recanto, de Almada.
A 2.ª edição do evento, contou com a presença dos belgas Coffee Or Not e dos lisboetas Alma Mater Society.
Por ocasião do lançamento deste fanzine a 09 de Dezembro de 2017, decorreu a 3.º edição do Sons na Aldeia, com as bandas nacionais LUR LUR e IAMTHESHADOW.
CoopAzine apresenta breves biografias das bandas participantes no evento Sons na Aldeia, a respetiva discografia detalhada e fotografias dos concertos realizados.
CoopAzine #2, Dezembro de 2017, 28 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #4

Excelente número do CoopAzine elaborado no âmbito da Mostra de Fanzines organizada pela CoopA em Maio de 2025. São 100 páginas preenchidas com as contribuições de inúmeros participantes, com trabalhos de banda desenhada, fotografia, texto poético, ensaio, crítica e divulgação, desenho e ilustração, etc.
As primeiras páginas apresentam uma entrevista aos Ameeba, já com dois registos discográficos lançados. Mais para o final, Jorge Canadá escreve um artigo sobre a banda alternativa Alcatune, já com diversos registos lançados em edição de autor.
Na banda desenhada participam Amadeu Escórcio, Carlos Paes com "A Mosca", originalmente publicada no Diário de Lisboa em finais dos anos 80 e agora recuperada e também uma prancha de "Tó Greg" desenhada na mesma época. Paulo Buchinho, autor do desenho da capa desta edição, também recupera um conjunto heterogéneo de desenhos datados dos anos 80. Muito boa a contribuição de Pepedelrey com "O Fogo de Kümme", com música e neura tecnológica. Phermad oferece duas pranchas caninas.
Textos de Victor Moreira, António Leonardo, Miguel Leonardo, António Santos, Marcos Marado, Cláudia Carola, Carlos Raimundo, Fernando Ferreira sobre o filme "Electric Dragon 80.000V" de Gakuryu Ishii. 
Mário Lino escreve sobre o panorama heavy metal nos Açores em 2024. António Vitorino contribui com um longo texto experimental em modo copy-paste hackeado no Facebook. Publica-se a resenha ao livro "Brazineiras: O Protagonismo Feminino nos Fanzines" organizado por Thina Curtis.
Edgar Rendeiro escreve sobre o enigma da data da fundação do clube de futebol de Paio Pires, bem como sobre a origem do nome "Paio Pires".
Grafismos, composições e colagens de Abel Raposo, Paulo José Miranda e António Caeiro, Iolanda Rolo, Eurico Coelho, José Almeida, Fátima Rocha, Pedro Morgado, Sónia Nobre, Sérgio Gomes.
Há também espaço para falar sobre a actividade da CoopA, e também sobre as edições da editora independente Anti-Demos-Cracia.
CoopAzine #4, Maio de 2025, 100 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

18 dezembro 2025

Contos Sérios

O segundo número de Contos Sérios e Outras Estórias apresenta um conjunto de escritos surrealistas, delirantes, divertidos e com forte sentido lúdico. Normalmente, cada texto ocupa apenas uma página, desenvolvendo-se de modo bastante sério e credível, mas o epílogo é absolutamente inesperado e surpreendente. Noutros casos, como em "Feito na Indomnésia" são adágios subvertidos com jogos linguísticos secos e certeiros.
Por outro lado, o conto "Carmim" é mais realista e violento. Temos também os "Novos Novos Contos do Gin", em jeito de homenagem a um escritor que será uma figura tutelar para os autores desta publicação, pela sua irreverência, subversão, humor e sentido provocatório. 
Sobre esta publicação, Marcos Farrajota anotou o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "de Coimbra apareceu um zine de contos com um design impecável e aspecto gráfico exemplar. Os textos que pululam por aqui entram na vertente "non-sense" e surrealista "light" - a lembrar Boris Vian, o que pode ser bom para quem gostar de Vian, não é o meu caso embora adore os policiais xungas do "traduzido" Vernon Sullivan!
Formato A5 e fotocopiado como manda a regra zinista, os seus editores devem-se divertir à grande a fazer isto matando o tédio da "cidade do conhecimento" (pffff!) e até convidam ilustradores locais, como o "nosso" Manuel Pereira ou o Eduardo Pécurto, para animar a coisa. Fixe!"
Contos Sérios #2, Fevereiro de 2012, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm, Tiragem: 50 exemplares. Coimbra.

15 novembro 2025

Desterrado

Desterrado é o nome de um álbum gravado em CD-R por Ramrife com oito temas, que vem acompanhado de um fanzine composto por material visual desenvolvido por André Coelho. A música é maioritariamente instrumental, com excepção do tema "Desterrado" que conta com a voz de Mariana Lemos a recitar fragmentos da obra "Os Limites da Paisagem" de Manuel João Neto. Estes fragmentos textuais também surgem nas páginas do fanzine, a acompanhar os trabalhos de montagem e colagem de imagens fotográficas retratando diversos objetos encontrados, inseridos em ambientes cinzentos e carregados com a poeira do tempo em lenta decomposição.
Adoptando "A queda dos deuses arrasta consigo as estátuas" de Ernst Junger como conceito predicável, a decadência e a devastação surgem como consequências inexoráveis da ruina da humanidade nas suas dimensões materiais e simbólicas.
André Coelho referiu sobre este trabalho que "em contraste com os meus outros trabalhos visuais, desta vez concentrei os meus esforços na criação de micro-cenários esculturais e montagens com found objects e detritos, submetendo-os ao tempo e ao pó, enquanto os misturava com ilustração e pintura. Estas composições visuais têm como objetivo estabelecer um diálogo com a música, os escritos e os recortes textuais de Ramrife."
Desterrado, Janeiro de 2025, 52 págs, impresso a preto & branco; capa em papel craft, 14x19cm.  Tiragem: 75 exemplares. Edição: Khthon. Porto.

17 agosto 2025

Rendimento Mínimo

Sobre Rendimento Mínimo, Rui Azevedo Ribeiro comentou: "Não fizemos nenhuma elegia à pobreza e muito menos lhe alceamos virtudes. E a haver queixas é sem queixume. De um mote de ajuntamento, de uma condição em comum, fiz ao A. daSilva O. uma proposta. Um poema dele e outro meu fazem este livro."
Na edição de  02 de Maio de 2011, o Jornal de Notícias publicou a seguinte nota: "A. daSilva O. e Rui Azevedo Ribeiro – ambos editores e poetas, ambos beneficiários do rendimento social de inserção – são os co-autores deste pequeno livro, que, sem pretender glorificar a escassez material de bens, representa uma aproximação contundente ao impacto dessa aparente penúria sobre o acto da criação poética.
Plaquete com apenas uma dúzia de páginas, Rendimento Mínimo é, pois, um diálogo autónomo a duas vozes no qual os poetas partem da mesma premissa, mas concretizando abordagens distintas.
A celebrar 30 anos enquanto editor, A. daSilva O. alude no seu texto à espera permanente do “carteiro com o vale da morte”. E enquanto arrasta o “cadáver pelas entradas das igrejas onde o diabo se agarra a mim de mão estendida”, o poeta partilha “o imposto revolucionário a fim de chegar a casa sem ser atropelado”.
Professor atirado para o desemprego que descobriu recentemente o prazer de editar livros – após comprar as peças de uma velha tipografia, que lhe permitem ir publicando algumas obras nas Edições 50kg -, Rui Azevedo Ribeiro revela-nos no seu poema os contornos de uma realidade sombria, em que “por entre aves e travessas” rumina “rimas inconsistentes”, mesmo quando enfrenta funcionários dos “cêtêtês” dispostos a humilhá-lo pelo apoio que ‘concedem’."
Rendimento Mínimo, Fevereiro de 2011, 16 págs, impressão a preto & branco; capa a duas cores, 15,7x17,5cm. Tiragem: 300 exemplares. Edições 50kg. Porto.

17 março 2025

365

Número estival de 2009, com tamanho de bolso e distribuição gratuita. Trata-se de um segundo  volume de best of, acrescido com um poema inédito de Miguel Esteves Cardoso e das previsões infalíveis do horóscopo do Mestre Marcello, que prediz tudo sobre Amor, Saúde, Dinheiro e Sorte. Há também passatempos divertidos como descobrir as diferenças entre duas imagens completamente diferentes!
De resto, são respigados de números anteriores da 365 textos da autoria de Alberto Pimenta ("Foi uma Sorte"), Clara Ferreira Alves ("O Sonho"), Jorge Palma ("O Fim do Verão"), Luiz Pacheco ("Granito? Não, Obrigado"), Mário Cesariny ("A Norma de Bellini"), Rui Manuel Amaral ("Cinco Histórias Nocturnas"), Rui Reininho e a republicação de uma extensa entrevista a Miguel Ángel Valero, o Piraña da mítica série televisiva dos anos oitenta "Verão Azul". 
365 #30, Agosto de 2009, 68 págs, offset a cores, 10,5x16,2cm. Tiragem: 15000 exemplares. Edição: Cego, Surdo e Mudo — Produções Multimédia. Lisboa.

12 março 2025

Voz de Deus

O terceiro número da Voz de Deus, com o título "O Estado do Beijo / O Beijo do Estado" encerra um ciclo começado alguns anos antes e que procurou "minar a vida cultural-espiritual, problematizando o cepticismo perante o objecto estético, a linguagem e a incapacidade de comunicar."
Neste volume, colaboram Ana Sereno, A. Pedro Ribeiro, A. Dasilva O., Fernando Guerreiro, Humberto Rocha, Ivo dos Santos, Jörg Buttgereit, Jorge Mantas, Meireles de Pinho, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto, Rui Coutinho, Sílvia S. Sílvia e Vítor Vicente.
As ilustrações que acompanham os textos são maioritariamente montagens fotográficas iconoclastas. As colagens são o tema central do ensaio "Set Fire to the Art Machine" de Fernando Guerreiro.  Também há divagações poéticas evocando Mário de Sá-Carneiro através das vidraças do café "A Brasileira" de Braga (A. Pedro Ribeiro).
Jorge Mantas escava nas entranhas do cinema underground, analisando "Nekromantik" e outros filmes necrófilos e escatológicos.
Os textos são virulentos, desencantados, cáusticos perante a realidade sócio-cultural da nação e do mundo. Atiram em muitas direcções, por vezes são algo erráticos, numa abordagem pouco convencional, despertos e pertinentes, sem perderem o sentido de humor.
Voz de Deus #3, Janeiro de 2009, 16 págs, offset a preto & branco, 17x23cm. Edição: Edições Mortas / Black Sun Editores.

05 março 2025

Sob o Olhar de Neptuno

Sob o Olhar de Neptuno é um opúsculo com quatro poemas escritos por Manuel de Freitas. Os poemas não saem em verso, são concisos e carregados de uma dolorosa vitalidade e ligeiro perfume a maresia.
Trata-se de uma bela edição artesanal, impressa com recurso a antigas técnicas de impressão. O desenho da capa é de Ângelo Ferreira de Sousa. Todos os exemplares foram compostos em tipografia de caracteres móveis e uma zincogravura reproduz a capa com apontamentos em folha de ouro.
Sob o Olhar de Neptuno, Abril de 2018, 12 págs, impressão a preto & branco; capa em zincogravura, 15,5x18,5cm., Tiragem: 250 exemplares. Edições 50kg. Porto.

07 fevereiro 2025

Long Knives Through The Grapevine

Long Knives Through The Grapevine é um projecto colaborativo muito curioso editado pela Opuntia Books. Reunindo oito poemas de Les D. Turley escritos em 1968, acompanhados por oito desenhos de Filipe Abranches e por um CD com oito faixas compostas por Miguel Mocho.
Os poemas de Turley são apresentados em inglês e na mesma página também traduzidos para português por Marta Elias. Na página oposta, surgem os desenhos de Filipe Abranches, que estabelecem uma relação muito aberta com os poemas de Turley.
A edição é numerada, com capa em cartolina metalizada desenhada por André Lemos, e o CD contendo as músicas de Miguel Mocho está fixado à contracapa através de um grampo. Como separador, surge uma cartolina preta de 185 gr, com janela circular cortada à mão, permitindo um primeiro vislumbre para o interior.
Os poemas de Turley são estranhamente simples e inusitados, com uma certa dose de loucura divertida. No final, subsiste o grande mistério de sabermos quem é afinal este Les D. Turley?
Sobre esta publicação, Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD: "Os poemas de Turley são de 1968, e um especialista saberá identificá-lo, ou integrá-lo melhor, seguramente, mas creio que caem fora daquele contínuo estilo bombástico e musculado que começou em Whitman e que continuou com a beat generation. São todos composições curtas, de verso branco, espaçado, falsamente coloquial, com um equilíbrio muito particular entre o que parecem ser frases absolutamente diárias e metáforas (como todas as felizes, na poesia) inesperadas – “Feeling better/like a recently pumped up tire”).
As imagens de Filipe Abranches seguem o método de trabalho que o tem ocupado nos últimos tempos, uma certa soltura, como se costuma dizer, magistralmente atingida somente por quem atravessou uma estrita disciplina anterior. São desenhos directos, sem uma planificação dolorosa, e que seguem mais uma intenção de quem sabe que a memória de um bom desenho é anterior ao desenho mesmo, e que reside no pulso e no seu domínio. As ilustrações têm um certo peso em relação aos textos, na medida em que as figuras coincidem num ou outro elemento com o que surge textualmente nos poemas. São como que âncoras."
Long Knives Through The Grapevine, Junho de 2008, 28 págs, Capa em cartolina metalizada POPWorld 250 gr; miolo impresso a laser sobre papel branco 100 gr, 14,8x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-009].

18 setembro 2024

Sexus no Nexus

Adoptando para designação o título do primeiro e do último livro da trilogia de Henry Miller, é também sob o signo da provocação que se compõe este fanzine, pleno de corpos e de sexo, entremeado por palavras em disparo livre e poético.
As ilustrações de Susana Costa, sexualmente explícitas e com jogos sado-maso, articulam com palavras ou pequenos textos partidos em estilhaços.
Há também alguns excertos de obras literárias de Sacher-Masoch, Henry Miller e aforismos de Teixeira de Pascoaes. A paixão ardente, as perversões e os excessos, o amor que se entrega de corpo e alma. 
Sexus no Nexus, Novembro de 2006, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Sesimbra.

07 agosto 2024

Soyez Sage


O terceiro número do Soyez Sage produzido pelo Colectivo Cultural Underground apresenta diversos textos poéticos assinados por Mito, Pocinho & Silva, Gonçalo Kotowicz, António Monteiro de Oliveira e Castel-Branco.
Pocinho & Silva escreve o "Manifesto em Memória de Al Berto" na sequência da morte do escritor. Seguem-se outros textos em estilo mais livre e improvisado por Pedro Branco e por António Putrefecto. As páginas centrais são dedicadas à divulgação do fanzine S/ Título editado por Maria Mire.
A propósito do lançamento de "Tangências", Pocinho & Silva dedica um extenso artigo à obra do galego Miguelanxo Prado.
A obra recente do Balanescu Quartet, bem como as suas diversas colaborações, são exploradas ao longo de três páginas.
Segue-se uma pequena biobibliografia do escritor moçambicano Mia Couto.
Depois é publicada a banda desenhada "Aventuras na Ilha Esquizógina" onde um concerto de música abrangente termina com a derrocada do palco, seguida por um bloqueio criativo do autor da bd.
Para acabar, os editores deixam várias listas com sugestões de filmes, livros, fanzines, álbuns de bd e discos que aconselham aos leitores.
Soyez Sage #3, Julho de 1997, 52 págs, offset a preto & branco; capa em cartolina, 14,9x21cm. Edição: Colectivo Cultural Underground. Lisboa.

06 julho 2024

Liquidação Total

O primeiro artigo é escrito por Vasco Fernandes e é dedicado a Lemmy Kilminster. O registo musical altera-se significativamente no artigo seguinte denominado "Esoterik Satie" da autoria de António Duarte de Almeida.
Helena Morais escreve livremente sobre o livro "Sombra das Figuras" de Vasco Graça Moura.
Em "Sic Transit Gloria Pop" temos Fernando A. Sobral a tergiversar sobre a efemeridade da pop, das melhores bandas do momento (Shop Assistants e Soup Dragons!!), a pertinência da gravação de LP e os caminhos das novas tendências.
Segue-se "Era Uma Vez (Para Sara)" um longo texto-poema da autoria de Jorge Ferraz Martins (dos Santa Maria Gasolina em Teu Ventre!, God Spirou, etc.).
As encruzilhadas da música moderna portuguesa e as suas especificidades apontadas em "Faces da Barbárie" escrito por José Faísca.
"De Memória" é um relato mais ou menos ficcionado de um concerto dos Ocaso Épico no Ocarina em Lisboa, pela pena de Adolfo Morais Macedo e Amélia Cabaça.
As derradeiras páginas são preenchidas com a resenha sobre o livro "O Balancé d'eus" de Armindo S. e também com o artigo "Uivar à Lua" assinado por Rui Brazuna.
O número inaugural do Liquidação Total apresenta um grafismo cheio de ilustrações e textos sobrepostos a um fundo reticular. Embora o tamanho da fonte utilizada para o texto seja demasiado pequeno, o aspecto geral do fanzine é bastante atraente.
Liquidação Total #0, Agosto de 1986, 28 págs., offset a preto & branco, 15,4x22,5cm. Edição: Grupo Lisboeta de Projectos Alternativos (GALPA). Lisboa.

30 junho 2024

Laca

Laca #0
O fanzine Laca tem como editores Lisa da Silva, Andreia Afonso, Sofia Dias e Filipe Gingão, apresentando um grafismo bem conseguido com traços de modernidade, mantendo o equilíbrio e a legibilidade.
Na ante-estreia, o Laca debruça-se sobre o cinema "fast-food", a proliferação de multiplexes em centros comerciais e a exibição exclusiva de filmes de entretenimento americano, com a Lusomundo a dominar o mercado de exibição cinematográfico. Perante este cenário, são apresentadas algumas, poucas, salas que resistem a esta formatação e que apresentam outro tipo de propostas de filmes.
A origem da poesia moderna, com os seus múltiplos significados, mutações, sentidos e formas, são apontados como referenciais para este e os próximos números da publicação. As páginas centrais, são exemplo disso mesmo, com um trabalho gráfico envolvendo uma frase sobre o tempo.
Na rúbrica "Perdidos e Achados", Sofia Dias fala sobre as máquinas de escrever. Segue-se um trabalho gráfico intitulado "Formigas" envolvendo desenho e texto.
A terminar, César Adolfo apresenta um excelente texto poético. 
Laca #0, Setembro - Novembro de 2002, 20 págs, fotocopiado a preto & branco sobre papel azul; capa a cores, 17,5x24,5cm. Tiragem: 300 exemplares. Lisboa.

Laca #1
O fanzine trimestral Laca oferecemos um bilhete de embarque para uma longa viagem sem sairmos do lugar. Os pontos de passagem são textos de Adolfo, ilustrações de Andreia Afonso e de Lisa da Silva, fotografias de Faísca e também banda desenhada.
João Silva fornece-nos o guia ilustrado para acompanhar a Bela Camomila numa volta ao mundo em 5 segundos.
Para melhor apreciar a viagem, mas sem distrair do percurso, são sugeridas diversas propostas musicais.
"Imagem Real? Surreal?" é uma reflexão de Besnico Macedo Sezões sobre a legitimidade da manipulação das imagens para os mais diversos propósitos.
Tiago Ribeiro publica o artigo intitulado "Momentos", sobre o impacto na música nacional da década de 90 do álbum "Viagens" de Pedro Abrunhosa.
Inspirado pelo tema das viagens, o poster central é um trabalho de design de André Cerveira e António Coelho.
"Pivot.M" é um texto ilustrado por Marta Nabais. Segue-se uma proposta de pacote de férias inspirado pela dérive situacionista, juntando as coordenadas para a criação do seu próprio mapa psicogeográfico. 
Laca #1, Dezembro - Fevereiro de 2003, 32 págs, fotocopiado a preto & branco; miolo em papel amarelo, 17,1x23,5cm. Tiragem: 300 exemplares. Lisboa.

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