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15 junho 2026

Kuti - Contemporary Portuguese Comics

A revista finlandesa Kuti, editada por Tommi Musturi, dedicou este número à banda desenhada portuguesa, tendo como co-editores Pedro Moura e Marcos Farrajota.
A revista impressa a cores num papel reciclado baço, apresenta os textos em finlandês com tradução no rodapé para o inglês.
Na capa surge um desenho de André Ruivo, depois um breve ensaio da autoria de Pedro Moura 'The Contemporary Scene of Portuguese Comics' sobrevoando a história e evolução da bd nacional desde Bordalo Pinheiro até à actualidade, focando os constrangimentos editoriais e económicos com que se debatem os autores nacionais.
Os trabalhos publicados oscilam entre uma e as quatro páginas, apresentando estilos bastante diferenciados, denotando uma qualidade assinalável enquadrada no espectro da banda desenhada mais contemporânea e experimental, com linguagens assumidamente distintivas e autorais.
Participam autores com extenso percurso criativo como Pedro Burgos, André Ruivo e Daniel Lima. Autores cujo trabalho intersecta de diversos modos a bd, como Tiago Manuel, Ricardo Paião Oliveira, Hetamoé e Cátia Serrão.
Outros mais novos, mas com significativa produção, como Ana Biscaia, Amanda Baeza, Rudolfo Mariano e Rudolfo, e outros ainda emergentes como Sara Boiça, Ema Gaspar, Ana Maçã, Rui Moura e Alexandra Saldanha.
Uma selecção de autores de grande qualidade, alguns dos melhores que temos, e que sem dúvida, constituí um excelente cartão de apresentação, prestigiando a criação nacional contemporânea mais alternativa.
Kuti #65, Outono de 2022, 64 págs, offset a cores, 19,5x29,5cm. Tiragem: 5500 exemplares. Edição: Kutikuti. Finlândia.

16 fevereiro 2026

Non Serviam

A história da luta de classes no Reino de Cemitéria é narrada por uma caveira. A Tasca de Cervantes é o antro onde três proletários expropriados e conspiradores se reúnem para beberem um copo no final da jornada de trabalho.
As nuances semânticas que transformam trabalhadores em recursos humanos, flexibilidade em facilidade de despedir, acumulação de funções, e sempre com a redução de custos e de salários como objectivo a atingir, espoletam um crescente mal-estar e a assunção de consciência de classe dos seus habitantes.
O que começa como simples desabafos enquanto se bebem uns copos, vai crescendo e suscitando novas alianças e apoios, para desencadear uma greve geral ou até para ser a semente de uma revolução proletária.
O desenho de Rodolfo Mariano, negro como a alma penada dos carcereiros, adquire a dimensão e a densidade ideal para desenvolver a decomposição social de Cemitéria e a luta de classes que clandestinamente vai fermentando  - Não Serviremos!
Non Serviam [Colecção Toupeira #14], Maio de 2022, 24 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 17x24cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

22 agosto 2023

Pentângulo

Pentângulo é uma publicação anual resultante de uma parceria entre a Escola Ar.Co e a Associação Chili Com Carne, visando publicar autores que frequentaram o curso de Ilustração e Banda Desenhada da Ar.Co, envolvendo a participação de alunos, ex-alunos e professores.
A capa do primeiro número é da autoria de Daniel Lima, a coordenação editorial é de Jorge Nesbitt e de Marcos Farrajota e o design de Joana Pires.
Participam os seguintes autores: Amanda Baeza, Anna Bouza da Costa, Cecília Silveira, Carolina Moreira, Dileydi Florez, Francisco Sousa Lobo, Gonçalo Duarte, Igor Baptista, João Carola, João Silva, Luana Saldanha, Martina Manyà, Mathieu Fleury, Pedro Moura (como argumentista e também com um ensaio intitulado Plágio!), Rafael Santos, Rodolfo Mariano, Sara Boiça, Simão Simões, Stephane Galtier, colectivo Triciclo e Vasco Ruivo.
O tema de algumas das bandas desenhadas iniciais foi o trabalho de mulheres artistas vanguardistas do início do século XX, sobretudo de nacionalidade russa.
No jornal A Batalha, Russo apresentou a seguinte resenha sobre o primeiro Pentângulo:
"A malta que faz banda desenhada é claramente o lumpenproletariado da literatura portuguesa: não têm consciência de classe e pouco contribuem para fazer mexer a economia (uns são académicos, outros são funcionários públicos; uns recebem o certificado de artista oficial do regime, outros andam à procura de chapas de zinco para o seu projecto musical pós-industrial; uns fazem zines e alimentam-se a médias no Banco, outros banqueteiam-se alarvemente à quinta-feira no Cais do Sodré), prescindiram do seu potencial revolucionário para transformar a sociedade (preferem ir a mais uma feira de edições independentes do que picar o ponto em mais uma manif pela habitação), são indisciplinados (há dois anos que anda a ser prometido um livro de bd sobre a anarqueirada do 18 de Janeiro e nem vê-lo) e, claro, são desprezados por marxistas.
Talvez por ter sido guetificada e marginalizada pelo mercado editorial em Portugal, forçada a pedinchar por um cantinho nas livrarias e nas feiras do livro generalistas, a banda desenhada é o género literário mais vivo cá no burgo. Alguns leitores atentos poderão dizer: «Companheiro Russo, que tens a dizer sobre as ilustrações que têm saído na _______ (completar com o título de qualquer revista medíocre de poesia)? Ou aquela banda desenhada que saiu no aborrecido, porém vanguardista, Le Monde Diplomatique versão tuga? E estás a esquecer-te das participações nos jornais de grande tiragem?» Compas, tudo isso são adornos e adereços que servem para enriquecer a palavra pobre, arrastando a banda desenhada para uma condição subserviente, retirando-lhe a sua legitimidade enquanto género literário autónomo. Como se os mortos-vivos quisessem comer a carne aos vivos, arrastando-os para a sua condição cadavérica.
A edição deste primeiro Pentângulo mostra que a vitalidade de um género literário passa pela sua renovação, por dar espaço à publicação da malta nova. Mas não se trata de editar os novos só porque são novos, mas principalmente porque têm um olhar sobre o mundo que é deste tempo. Isso percebe-se logo pelas bds do João Carola sobre a desconstrução estética do supermatismo e construtivismo russos ou as do Simão Simões e da Amanda Baeza que exploram a imagética do informe. Desta antologia saiu também o desdobrável «faça você mesmo o seu ditador», do Mathieu Fleury (...) Ah, e ainda levam com um bónus em forma de bd do Francisco Sousa Lobo! Quem diria que seriam os déclassés a abanar a chafarica provinciana dos literatos?"
Pentângulo #1, Fevereiro de 2018, 118 págs, impresso a 2 cores; capa em quadricromia, 16,3x22,7cm. Edição: Ar.Co e Chili Com Carne.

07 abril 2023

M.A.L.

M.A.L. #0
A série de banda desenhada M.A.L. (Maldito Aquele Lugar) nasceu em 2019, tendo sido publicada diariamente online entre Julho e Setembro de 2019. Em Agosto, foi publicado o VOLUME 0, com capa em díptico a cores e com uma selecção das melhores páginas publicadas até então.
Cada página encerra uma história em tons negros, muitas caveiras e esqueletos, tumbas, aves corvos negros, labirintos, ruinas e até o próprio Diabo. 
Nos anos seguintes, Rodolfo Mariano continuou a publicar esta série e deu à estampa mais dois volumes.
M.A.L. - Volume #0, Agosto de 2019, 28 págs, impressão digital a preto & branco; capa a cores, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Coimbra.

M.A.L. #000
Último tomo da série M.A.L., iniciada em 2019, com cerca de 100 episódios diários de banda desenhada. Este terceiro volume compila uma nova selecção de 22 dos melhores episódios produzidos por Rodolfo Mariano.
Segundo o autor, "as bandas desenhadas são protagonizadas por personagens diferentes, algumas nascidas durante esta série. Os temas oscilam entre a autobiografia mito-poética, a sátira sci-fi e a comédia fantástica, com fortes inspirações na literatura, no cinema, na música erudita, no blues rock e no heavy metal."
M.A.L. - Volume #000, Abril de 2021, 32 págs, impressão digital a preto & branco; capa a cores, 14,9x21cm. Coimbra.

12 março 2023

Conger Conger Comix

A agenda alternativa açoriana Yuzin convidou a Associação Chili com Carne para ter banda desenhada nas suas páginas e os autores participantes produziram uma "BD cadáver esquisito". Começando com Gonçalo Duarte, que passa a história aos autores seguintes sem qualquer controlo da direcção que a narrativa vai seguir. Esta experiência foi realizada entre Junho e Dezembro de 2021, todos os meses com um autor diferente que saía em cada novo número da agenda Yuzin.
Participaram por esta ordem os seguintes autores: Gonçalo Duarte, Alexandra Saldanha, a dupla Francisco Afonso Lopes e Francisco Lacerda, Rodolfo Mariano, Dois Vês, Tiago da Bernarda e Mariana Pita, que faz uma recapitulação da narrativa voltando ao seu início.
A capa e o design de Conger Conger Comix, ficaram a cargo de Gregory Le Lay.
Conger Conger Comix, Junho de 2022, 36 págs, impressão a cores, 15x21cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Yuzin e Chili Com Carne.

14 janeiro 2023

Ruínas

Ruínas é um fanzine editado por Rodolfo Mariano com desenhos de ruínas a preto e branco, impresso em papel do tipo cavalinho. Quem pretender, poderá colorir as ilustrações com lápis de cor, marcadores, esferográfica, lápis de cera, pastel seco e óleo.
Segundo o autor, é um "livro dedicado aos lugares abandonados e silenciosos, no campo e na cidade. Lugares de ausências, lugares sem luz, lugares sem vida, lugares sem música. Se esses lugares se encontram dentro de nós, que este livro seja uma maneira de os colorir e preencher de vida e sonhos."
Além dos desenhos de ruínas, há também uma pequena banda desenhada com dois fantasminhas travessos e um livro que guarda as memórias de todas as ruínas do mundo.
Ruínas, Agosto de 2019, 28 págs, impresso a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 50 exemplares. Coimbra.

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