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18 agosto 2026

D.Flagra

Fanzine de cariz punk libertário, que funciona como repositório em papel do conteúdo publicado anteriormente no blogue.
Neste número, há alguma banda desenhada, apelos à mobilização pelos arguidos da Fontinha, artigos sobre direitos de autor e pirataria, notícias breves sobre eventos e novas edições, manifestos e poemas punk e alguns contactos.
"DYE or DIE, opção ou onda?" foi o tema da 1.ª Tertúlia Punk realizada na CasaViva em Janeiro de 2013, da qual se publica um breve relato.
Também existe espaço para as entrevistas às bandas Dokuga, Dead By Pregnancy e aos Eskizofréncos. 
D.Flagra, Abril de 2013, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,8x21cm. Porto.

11 abril 2026

Bikini Kill

Bikini Kill é um fanzine devotado à temática feminista, apresentando-se numa folha de tamanho A3, com um corte horizontal central, que permite uma dobragem em 8 páginas, escrito em inglês e criado por Rubkk. Assume-se como um misto de manifesto e de homenagem às mulheres notáveis do punk e do rock.
Começando pelo punk, assinalado como o momento onde as mulheres deixam o papel secundário a que estavam remetida, para assumirem maior protagonismo, ilustrado por Poly Styrene, a líder da banda X-Ray Spex.
O movimento riot grrrl surgido nos primórdios dos anos 90, é apontado como outro dos marcos importantes para a emancipação das mulheres no mundo da música, servindo de inspiração para todas as outras áreas artísticas. 

Bikini Kill, 2025, 8 págs, impressão digital a preto sobre papel colorido, 11x15cm.

11 fevereiro 2026

Desejos de Mulher

Ao longo das páginas desta publicação vai sendo desfiado em estilo manuscrito (utilizando a fonte Robin Shooler), um manifesto contra o patriarcado escrito por Elisa Sousa.
"O Patriarcado não aguenta os desejos de uma Mulher" é o mote para um texto virulento contra o poder, a autoridade e o privilégio dos homens, relegando as mulheres para um papel submisso e dependente.
O arranjo gráfico de Bia Kosta é bastante sóbrio, utilizando esparsamente molduras e elementos clássicos. Apresenta-se com cosedura de linha vermelha.  
Desejos de Mulher, Dezembro de 2024, 20 págs, impresso a vermelho sobre papel cor de rosa, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Goteira.

02 fevereiro 2026

BUUH!'zine

Depois de ter editado anteriormente Atitude Alternativa e Escarro Social, Marujo regressa aos fanzines com este BUUH!'zine.
As primeiras páginas abordam a desigualdade entre homens e mulheres. Segue-se um texto sobre as prisões, as condições de vida dos reclusos e a relevância das penas prisionais como medida correctiva e a reinserção social. Apesar de bem-intencionado, o artigo é demasiado ingénuo e simplista.
Pedro Prata escreve um libelo contra o dinheiro. Nota positiva para "...Que Feio..." um curto texto bastante cru e directo.
Os desconhecidos Skazoomba, praticantes de um "skazinho pipoca" são entrevistados e desvendam todos os seus segredos e planos para o futuro.
Alguns textos sobre a violência exercida sobre os animais e sobre os ouriços mortos nas estradas nacionais.
Pedro Vindeirinho escreve sobre o que caracteriza o povo português, os políticos, chefes e manifestações inócuas.
Há ainda espaço para falar sobre a violência no desporto e a sua transmissão televisiva, os Serviços de Informação e Segurança, diversas ilustrações avulsas, alguns textos mais ou menos poéticos e uma bd gamada de Bob Cuspe.
BUUH!'zine #1, Maio de 1999, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Samora Correia.

30 janeiro 2026

Anim'arte

Anim'arte #1

Anim'arte pretende dar a conhecer o trabalho realizado pelos animadores culturais e também divulgar o vasto património cultural e humano da região Dão-Lafões.
Referência para a polémica em torno da publicação de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" escrito por José Saramago.
"Religião de Sábado à Noite" é um artigo sobre a vida nocturna, os destaques musicais do ano anterior, concluindo com uma avaliação bastante severa acerca da produção musical nacional, destacando apenas o surgimento dos Resistência.
Entrevista muito pertinente a José Arimateia dinamizador da danceteria "The Day After" em Viseu.
No espaço associativo divulga-se a actividade e história do Centro Cultural de Currelos.
As oito páginas centrais, em jeito de encarte impresso em papel colorido, são dedicadas ao Caderno Técnico "Teatro", com entrevistas, um glossário sobre o tema e a divulgação do teatro de fantoches.
Segue-se uma reportagem com memórias, lendas e segredos sobre a tradicional Aldeia da Pena. O percurso prossegue depois em direcção à cidade de Tondela.
Na rúbrica dedicada ao cinema e video, Joaquim Andrade explora os psicodramas do género trash que podem ser encomendados nos videoclubes.
As últimas páginas são dedicadas à divulgação de textos literários e também a referências biográficas sobre Aquilino Ribeiro.

Anim'arte #1, Março de 1992, 32 págs, offset a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: GICAV. Viseu.

Anim'arte #2
Assumindo-se como uma revista de animação sócio-cultural, a Anim'arte abre espaço para diversas temáticas de cariz cultural e de identidade regional.
A indefinição do estatuto profissional do animador cultural ocupa o editorial. A crónica de Pedro Martins incide sobre a série televisiva "Os Simpsons". Alagoa (dos Lucretia Divina), escreve sobre as tribos urbanas, destacando as tribos associadas a sonoridades mais pesadas e metaleiras.
Na entrevista ao artista Pedro Albuquerque, sobressai uma panorâmica sobre a sua carreira e a vivência artística na cidade de Viseu.
Segue-se uma reportagem sobre as "Cavalhadas de Vildemoinhos", uma tradição secular com mais de 370 anos de existência.
Como encarte, impresso em papel azul, surge o "Caderno Técnico de Banda Desenhada" com muita informação específica e também diversos artigos de opinião, referências ao Salão de BD de Viseu organizado pelo GICAV, que ia na quarta edição, bem como aos autores homenageados: Fernando Bento (1991), Artur Correia (1992) e os autores revelação: os irmãos Carlos Santos e Fernando Santos.
Os primórdios do cinema, os filmes mudos projectados ao ar livre no meio da praça central, espalhando sonhos e magia. Noutro registo completamente diferente, Joaquim Alexandre escreve sobre "Os Anti-Sociais", um filme trash holandês alugado num videoclube.
Mais alguns textos sobre associativismo juvenil, animação cultural e regionalismos preenchem as restantes páginas desta publicação viseense.
Anim'arte #2, Junho de 1992, 32 págs, offset a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: GICAV. Viseu.

26 janeiro 2026

Christiania

Caderno publicado por Xavier Almeida no âmbito de uma residência artística realizada durante o mês de Agosto de 2011 em Christiania. Uma espécie de diário de bordo ilustrado sobre a chegada e a estadia na localidade, que funciona como pólo de cultura e de vida alternativa de Copenhaga, na Dinamarca.
Xavier Almeida refere a experiência social vivida em Christiania, da autogestão, da partilha comunitária e da livre participação, onde as regras formais e o espaço privado praticamente não existem.
Menciona igualmente as interacções e os projectos que desenvolveu durante a sua estadia, designadamente um conjunto de seis cartazes, onde cada cartaz continha uma mensagem escrita pela população local, à qual Xavier Almeida acrescentou um desenho que ilustrasse o sentido da mensagem.
Christiania, 2011, 12 págs, fotocópia a preto sobre papel azul, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares (edição 2023).

19 janeiro 2026

Radical

Radical é um pequeno fanzine de formato quadrado, justificado pela autora devido a "sempre que expresso a minha opinião recebo sempre a resposta que estou a ser muito "RADICAL". Por isso decidi partilhar alguns dos meus "extremismos" com o mundo."
Ana Louro foi desenvolvendo estas tiras desde 2020, trazendo à colação tópicos polémicos como o feminismo, o racismo e o colonialismo, a objectificação do corpo da mulher, a sexualidade e o prazer sexual feminino, a pedofilia e a violência sexual, entre outros assuntos universais, mas com um enfoque especial nas idiossincrasias nacionais (o mito do bom colonizador, é um excelente exemplo).
Utilizando um dispositivo gráfico relativamente uniforme, vai introduzindo os diferentes assuntos através de vozes femininas assumindo um estilo visual punk e envergando t'shirts de bandas musicais como The Slits, X-Ray Spex, Blondie, Bikini Kill, L7, Vulpess e Amyl And The Sniffers.
Sobre os diferentes temas, Ana Louro expressa uma opinião consciente e fundamentada, tocando em muitos tópicos sensíveis para o pensamento "politicamente correcto", mas sem dúvida que são assuntos que ainda precisam muito de ser discutidos.
Radical, Abril de 2022, 36 págs., impresso a cores em papel de 160g. (capa) e 80g. (miolo), 9,8x9,8cm.

28 dezembro 2025

Guia de Alimentação Vegetariana

Num tempo onde praticamente não existia informação sobre alimentação vegetariana, e muito menos lojas especializadas ou restaurantes vegetarianos, este Guia de Alimentação Vegetariana constituiu uma excelente fonte de informação e um extenso manancial de receitas para preparar refeições vegetarianas.
O Guia não identifica o(s) seu(s) autor(es), mas certamente terá sido produzido no seio do movimento straight-edge.
As primeiras páginas são dedicadas a explanar a opção pela vegetarianismo, em termos biológicos, orgânicos, éticos e ambientais. 
Seguem-se diversas considerações sobre receitas com cereais, leguminosas, algas, plantas aromáticas e condimentares. Há também indicações sobre doces, sopas, chás e outros líquidos.
O Guia inclui também considerações particulares sobre a alimentação vegetariana durante a gravidez, bem como sobre a sua adequação às crianças. As últimas páginas contém uma breve bibliografia sobre o tema da alimentação vegetariana.
A esta distância temporal, verifica-se que a esmagadora maioria dos problemas identificados no Guia e que justificavam a opção pelo vegetarianismo, mantêm-se e até se agravaram significativamente, pelo que a adopção de uma alimentação mais consciente e sustentável, é uma questão de primordial importância.
Guia de Alimentação Vegetariana, Outubro de 1997, 80 págs, fotocópia a preto & branco; capa em cartolina colorida, 14,9x21cm.

25 novembro 2025

Your Mouth is a Guillotine

Your Mouth is a Guillotine #1
Fanzine feminista dinamizado por Patrícia Guimarães e Joana Tomé. O subtítulo deste número inaugural é “Fragmento”, e o que observamos são efectivamente fragmentos que pretendem formar uma tentativa de discurso de activismo feminista e de resistência aos cânones habituais.
A questão fragmentária está também muito presente na problematização de "ver a mulher enquanto partes de um corpo".
A perspectiva feminista é operacionalizada para destrinçar as diferenças entre as duas pinturas de "Judite Decapitando Holofernes", uma da autoria de Artemisia Gentileschi e outra pintada por Caravaggio.
O grafismo de Your Mouth is a Guillotine é bastante interessante, mas o conteúdo muito fragmentário e desarticulado, subtrai-lhe alguma força e consistência.
Your Mouth is a Guillotine #1, Julho de 2013, 20 págs, fotocópia a preto; capa em cartolina de várias cores, 13,9x19,8cm. Tiragem: 40 exemplares. Lisboa.

Your Mouth is a Guillotine #2
O segundo Your Mouth is a Guillotine tem como tema central "A Ferida" e apresenta desenhos de Jeanne Nin retratando mulheres artistas como Sylvia Plath, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir e um tutorial desenhado e escrito em inglês sobre as Pussy Riot, que ocupa as páginas centrais.
Catarina Domingues contribui com o poema "Dedicado à minha mãe" esparso e tocante. "Saigão" é um texto poético de Marta Navarro, imerso nos arrozais sob a vibração prolongada do gongo. 
A "Fábula do Leão e da Raposa" inspirada na obra Pantagruel de Rabelais, é adaptada em banda desenhada por Patrícia Guimarães. A mesma autora apresenta ainda "Baubo", uma bd misteriosa tocando temas como a menstruação, a masturbação e o auto-conhecimento.
Nota-se uma evolução significativa relativamente ao número anterior, melhor resolvido na afirmação orgulhosa de uma mensagem feminista.
Your Mouth is a Guillotine #2, Fevereiro de 2014 (2.ª edição), 24 págs, fotocópia a preto; capa em cartolina verde, 13,1x19,8cm. Tiragem: 10 exemplares. Lisboa.

11 outubro 2025

Crack!

Crack! #2
Neste segundo Crack! há espaço e incentivo para o envio de correspondência, com críticas e sugestões, e troca de ideias com os leitores. O fanzine não pretende focar-se apenas na vertente musical, procurando analisar e reflectir sobre a situação política nacional e internacional. Neste contexto, os artigos "1992: Crise-Espetáculo" de Mutante Noé e "A História Deles" de Kraal Kobalt, são importantes reflexões sobre o contexto histórico vivido na época. Há também diversos reportes de ocupações em várias cidades europeias e de algumas actividades desenvolvidas pelo movimento anarco-punk em Portugal.
O texto "500 Anos de Resistência Índia" aborda os massacres e a violência exercida sobre as populações indígenas das Américas.
Mutante Noé entrevista membros do grupo "Hunt Saboteurs" de Edimburgo, célebre pela sua actuação em caçadas organizadas no Reino Unido.
A Comunidade Europeia e as suas regras restritivas para a entrada de estrangeiros e as normas rígidas do mercado único são criticadas veementemente.
Seguem-se diversas entrevistas: - à banda húngara Trottel, aos ingleses W.O.R.M., e a duas bandas de Lisboa: Corrosão Caótica e X-Acto; e duas bandas do Porto: Humor Cáustico e Kristo Era Gay.
Artigos sobre Ice-T, Pigface, Malhavoc, a anteceder as habituais páginas dedicadas a críticas a novas edições discográficas e também a fanzines e livros. Em suma, uma das melhores publicações dentro desta área.
Crack! #2,
 Outono de 1993, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

Crack! #3 

Fanzine libertário de excelente qualidade, produzido por Mutante Noé, Vasco Rodrigues e Luis Moreno. O Crack! é bastante sólido e bem escrito, com textos de temática política, tecnologia, modos de vida e divulgação de discos, livros e publicações alternativas. Nas primeiras páginas, são abordados os problemas habituais da acção libertária e a dificuldade verificadas para quebrar o imobilismo social. 
Referem o relativo fracasso das Jornadas Libertárias realizadas no Porto. Mencionam as casas ocupadas e divulgam diversas notícias e contactos internacionais.
Sob o título "New Age Travellers" são entrevistadas duas inglesas nómadas que passaram pelo Porto em finais de 1994. Depois é publicado um artigo sobre uma ocupação e reabilitação de uma velha escola pública abandonada no País Basco.
Ian McKaye dos norte-americanos Fugazi responde a algumas questões colocadas por escrito pela redacção do Crack! Segue-se nova entrevista aos membros da banda japonesa Zeni Geva e também aos Neurosis.
A secção dedicada à divulgação de fanzines inicia com um texto de reflexão sobre a feitura e publicação de fanzines (O Estado da Cena), seguida de um destaque ao fanzine "Naturanimal" e uma pequena entrevista à respetiva editora. Várias outras publicações nacionais como "ZWF", "Atitude Alternativa", "Morte à Censura", "Global Riot / Revolta" e "Kanibal", merecem destaque.
A parte dedicada à música começa com 3 perguntas a 3 bandas: Alcoore, Hud Sabão e aos Renegados de Boliqueime. A secção dedicada à crítica e divulgação de edições discográficas abrange um espectro que vai do punk / hardcore, hip hop, noise / grind, rock, até spoken word.
Este número termina com a divulgação de diversas publicações e livros e também a filmes e vídeos.
Crack! #3, Agosto de 1995, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

23 setembro 2025

Morte à Censura

Fanzine anarco-libertário com diversos textos de cariz político, insurgindo-se contra o capitalismo, a autoridade, deus, os estereótipos machistas, o militarismo, etc.
Há ainda espaço para textos poéticos românticos e sonhadores e para a divulgação de bandas punk alemãs desconhecidas como os Alpraum Gmbh. Com algum desenvolvimento, apresenta-se uma reportagem sobre um concerto dos Mata-Ratos no Bar Oceano, numa altura que se assistia a uma deriva pró-skinhead da banda. Parece que houve muito pogo na assistência e espancamento de negro à porta do Bar.
Boa divulgação do projecto "Positive Peer Pressure" que visava ajudar os jovens a adoptarem comportamentos positivos.
A banda punk brasileira "Pupilas Dilatadas" tem direito a uma extensa entrevista, relatando as vicissitudes do seu inicio e a debater-se com as dificuldades de gravar e realizar concertos remunerados.
Textos sobre activistas espanhóis encarcerados e mortos, vários slogans libertários, invectivas fortes contra o Estado e a polícia, preenchem diversas páginas.
Pequenas notícias e apontamentos sobre manifestações, o anúncio da publicação do terceiro número do fanzine Cadáver Esquisito. Uma nota curiosa sobre a edição dos discos de Dead Kennedys pela editora portuguesa MVM Discos, sem pagar os respetivos direitos à banda americana. 
Há algumas páginas dedicadas a resenhas sobre novas maquetes e discos de bandas punk e diversa informação com contactos de bandas e publicações alternativas nacionais e estrangeiras.
Morte à Censura #2, Novembro de 1988, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

19 março 2025

Experimental 'Zine

Experimental 'Zine #0
Fanzine de temática anarquista, libertação animal, vegetarianismo, veganismo, straight edge, música punk / hardcore, mas aberto a outros assuntos. Neste número inaugural, apresentam diversas notícias, denúncias de marcas e actividades comerciais que exploram abusivamente os animais.
É também publicada uma entrevista a Roberta Gregory, autora norte americana de banda desenhada.
O texto "Incineradoras!!! Mal necessário?!?!?" apresenta uma análise crítica sobre esta forma de tratamento dos resíduos.
O problema da vivissecção e do sofrimento infligido aos animais nos laboratórios é denunciado e criticado num esclarecedor texto estruturado em 11 pontos.
Na parte final do fanzine, são apresentadas inúmeras críticas a publicações nacionais e internacionais, divulgando os respetivos contactos e preços. No que toca a publicações nacionais são divulgadas as seguintes: "Bad Smelling Newsletter #1", o "Mesinha de Cabeceira #6", o "Naturanimal #4", "Over 12 #6", "Azul BD Três", "Morte Censura #6", "Outgrow #1","Controlo Remoto", "Afóbico #1", "Abraçando o Veganismo", "Global Riot #1", "Metalurgia #1", "Classe Média #2" e "Lunatik'Zine #1".
Experimental 'Zine #0, 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Setúbal.

Experimental 'Zine #1
Alguns meses depois do lançamento do número inaugural, os editores - a Lina e o Rui - completam esta nova edição, que trilha as mesmas linhas temáticas do anterior. A defesa dos direitos dos animais, um extenso artigo contra a vivissecção, denunciando as empresas e marcas que faziam experiências utilizando animais e apresentando uma série de alternativas a este tipo de experiência.
Relato sobre o julgamento de Mike Diana e publicação de uma prancha desse autor intitulada "Jesus is Suffering for You".
Seguem-se diversas páginas com crítica, análise e divulgação de contactos de bandas e publicações alternativas nacionais.
Entrevista à responsável da editora M.D.C. que havia lançado o CD "Força de Intervenção". Um dos okupas da "Casa Encantada" em Lisboa também é entrevistado, abordando as suas experiências pessoais e comunitárias.
Também há receitas vegetarianas oferecidas como alternativa à cozinha tradicional. Nota ainda para a prancha de banda desenhada de Eric Drooker.
Experimental 'Zine #1, 1996, 44 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel craft com stencil, 14,9x21cm. Setúbal.

12 março 2025

Voz de Deus

O terceiro número da Voz de Deus, com o título "O Estado do Beijo / O Beijo do Estado" encerra um ciclo começado alguns anos antes e que procurou "minar a vida cultural-espiritual, problematizando o cepticismo perante o objecto estético, a linguagem e a incapacidade de comunicar."
Neste volume, colaboram Ana Sereno, A. Pedro Ribeiro, A. Dasilva O., Fernando Guerreiro, Humberto Rocha, Ivo dos Santos, Jörg Buttgereit, Jorge Mantas, Meireles de Pinho, Raul Simões Pinto, Rui Carlos Souto, Rui Coutinho, Sílvia S. Sílvia e Vítor Vicente.
As ilustrações que acompanham os textos são maioritariamente montagens fotográficas iconoclastas. As colagens são o tema central do ensaio "Set Fire to the Art Machine" de Fernando Guerreiro.  Também há divagações poéticas evocando Mário de Sá-Carneiro através das vidraças do café "A Brasileira" de Braga (A. Pedro Ribeiro).
Jorge Mantas escava nas entranhas do cinema underground, analisando "Nekromantik" e outros filmes necrófilos e escatológicos.
Os textos são virulentos, desencantados, cáusticos perante a realidade sócio-cultural da nação e do mundo. Atiram em muitas direcções, por vezes são algo erráticos, numa abordagem pouco convencional, despertos e pertinentes, sem perderem o sentido de humor.
Voz de Deus #3, Janeiro de 2009, 16 págs, offset a preto & branco, 17x23cm. Edição: Edições Mortas / Black Sun Editores.

11 abril 2024

Suburbano

O Suburbano é um fanzine que oferece uma compilação de artigos publicados na imprensa nacional na primeira metade do ano de 2001. Este número, dedicado às "Vanguardas", incide na análise da viragem do Partido Comunista Chinês e da China, para a economia de mercado. Sob o signo da afirmação imputada a Deng Xiao Ping - "Enriquecer é glorioso" apresentam-se diversos recortes com notícias e análises da situação política e económica da China.
A maior parte dos artigos foi extraída do jornal "Público", havendo também um obtido na edição de 30 de junho de 2001 do semanário "Expresso".
Na última página, é reproduzida a obra "La Légende des Siècles", de René Magritte com a legenda "Precipício da Vida"
Suburbano, 2001, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

Autointitulado "fanzine implicativo com a situação", o Suburbano é um  recompilatório de artigos publicados na imprensa nacional, com especial preponderância do jornal "Público", mas também com recortes de artigos publicados no "Expresso" e no "Diário de Notícias".
Os artigos seleccionados incidem sobre a crise do capitalismo, os movimentos antiglobalização, os violentos incidentes ocorridos em Génova durante o encontro do G8, o aumento das desigualdades no mundo e a cobertura mediática aos protestos anticapitalistas / antiglobalização.
Além da selecção e edição dos artigos e imagens da imprensa, não há praticamente qualquer intervenção do(s) autor(es) do fanzine, sendo apenas incluído um curto comentário a um editorial do jornal "Público" assinado por José Manuel Fernandes, no qual compara os activistas antiglobalização aos hooligans do futebol.
Suburbano, 2001, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

02 abril 2024

As Bruxas de Blergh

Confesso que tive algumas dúvidas em publicar este fanzine aqui, uma vez que o conteúdo é maioritariamente relacionado com o Brasil. A edição original lançada em 2017, também é originária desse país. No entanto, uma vez que houve uma edição "nacional" da responsabilidade da Sapata Press, acabei por decidir fazer esta publicação.
As Bruxas de Blergh é um fanzine de activismo feminista, no velho estilo corta e cola, com sentido de humor e algumas páginas bem conseguidas. Os pontos negativos são a fraca reprodução de certos grafismos e a excessiva pixelização dos textos, que em certos casos, os torna ilegíveis. Por vezes, o feminismo descamba para o lesbianismo militante e aí torna-se desinteressante.
Sara Figueiredo Costa, na revista Blimunda n.º 72, de Maio de 2018, escreveu o seguinte sobre esta publicação: "Poucos meses depois do impeachment que afastou Dilma Rousseff da presidência do Brasil, colocando Michel Temer no seu lugar – numa operação política que muitos cidadãos não hesitaram em chamar de golpe – , um colectivo de artistas, professoras e investigadoras reunia-se em Belo Horizonte. A vontade comum era a de encontrar modos de lutar contra a desigualdade de género, na política como na arte, e o momento político brasileiro parecia exigir uma atitude nesse sentido. As Bruxas de Blergh nascem, assim, em Setembro de 2017, no Bar Olympia, e dessa primeira reunião brotam muitas ideias que serão discutidas entre todas e levadas à prática num futuro próximo. Participantes activas nas manifestações contra Temer, bem como noutros movimentos sociais e culturais que vão marcando o presente no Brasil sem que os meios de comunicação social mais tradicionais vão dando notícia disso deste lado do Atlântico, as Bruxas de Blergh chegaram, ainda assim, a Portugal. A responsável foi a editora Sapata Press, projecto criado em Portugal por Cecília Silveira com o objectivo de editar trabalhos de mulheres, pessoas transsexuais e não-binárias, que em Março passado publicou o fanzine As Bruxas de Blergh, colocando o colectivo brasileiro em destaque na última edição da Raia, feira de edição independente e dando aos leitores portugueses a oportunidade de o conhecerem. E logo nas primeiras páginas, as decisões programáticas das Bruxas de Blergh afirmam-se sem manifesto nem hierarquia, numa dupla prancha que inclui a representação das suas integrantes (com cabeças de animais) e a expressão dos seus desejos: «Vamos fazer tudo o que a gente quiser»; «cada desejo»; «provocar medo, espanto, ser bem bruxa»; «o que cada uma quiser fazer, nós vamos fazer». A leitura do fanzine confirma esta vontade de total liberdade. As propostas que vão surgindo nas reuniões do colectivo incluem a colagem de imagens de vulvas pela cidade de Belo Horizonte, a apologia do prazer feminino, a discussão aberta sobre sexualidade, auto-determinação e desejo ou, naquela que talvez seja a mais plástica das intervenções do grupo, a incorporação dos gestos e das práticas do vudu na luta política, criando bonecos com o rosto de políticos ou outras personalidades que podem ser usados (inclusive, por encomenda) para exorcizar as acções destas pessoas e a sua interferência na vida quotidiana dos cidadãos."
As Bruxas de Blergh #1, Março de 2018, 40 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sapata Press. Lisboa.

17 fevereiro 2024

Decentemente

Excelente fanzine que acaba prejudicado pelas deficientes condições de produção, a nível técnico e gráfico, com perda de contraste na reprodução (preto acinzentado / branco sujo) devido à fotocópia de baixa qualidade.
O conteúdo inclui textos de Max Aub, Marian d'Arc, uma breve biografia sobre Dolores Ibarruri (A Pasionária). Ana Lima apresenta um texto repleto de ligações e reminiscências locais e pessoais. Por seu lado, Pedro Santos Costa escreve sobre a arte óptica (OP-ART), destacando o trabalho de Victor Vasarely.
Como é habitual nas páginas deste género de fanzine, são divulgados diversos contactos de outras publicações alternativas nacionais e não só. "Der Kosmik Kanibalismus" - tenho a certeza que já ouvi este nome há muitos anos atrás... não consigo recordar o contexto - aqui um anúncio apenas; e um número de telefone com indicativo de Lisboa... Uma publicidade ao Suburbano com Timor-Leste como pano de fundo.
Destaque à editora "Ars Moriendi" de Vila do Conde. Carlos Fernandes publica "Manifesto pelo CINEMA ESPELHO", reivindicando a morte do cinema ficção em prol do surgimento de um cinema ancorado na realidade quotidiana.
Decentemente #5, 1991, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

07 fevereiro 2024

Satanás

Com um desenho na capa de Nuno Amorim, este Satanás é um excelente fanzine de tendência anarquista, com diversos artigos sobre a sempiterna questão da crise do capitalismo, do desemprego provocado pelo desenvolvimento tecnológico e os relatos sobre as manifestações mais ou menos radicais da luta contra o sistema. Todas as páginas são pontuadas por diversos desenhos, ilustrações e umas poucas fotografias.
Também há pequenos textos de Raoul Vaneighem e de Arrabal, outros fazendo a apologia da objecção de consciência e a abolição das forças armadas, relatos de acidentes em centrais nucleares, denúncia da militarização das crianças.
Como reacção a um artigo publicado no número anterior sobre planeamento familiar, uma leitora tece diversas considerações sobre o tema. Outro leitor questiona as diferenças existentes entre o Satanás e o Voz Anarquista.
Uma curiosidade deste número do Satanás, é a publicação daquela que deverá ser a primeira entrevista efetuada aos conterrâneos UHF.
As lutas e as eleições do meio estudantil, são igualmente objecto de análise e crítica.  Na rúbrica "Notas Sobre Papel Impresso" discorre-se sobre o livro "O Sexo Bem Comportado" de Tony Duvert e também sobre "O Ladrão" de George Darien.
Termina com um texto intitulado "Charco".
Satanás #11, Junho de 1979, 22 págs, offset a preto & branco, 21x29,7cm. Almada.

03 dezembro 2023

Escarro Social

Após uma longa ausência, regressa o Escarro Social para mais uma dose de expectoração ácida, sob o lema do anarquismo e do punk hardcore. Os temas abordados vão da violação dos direitos humanos no mundo até ao aparente paradoxo que constitui a crise de natalidade no Ocidente.
Outros tópicos são a exposição excessiva à televisão, a concentração de riqueza numa minoria da população, a critica às cadeias de fast-food e a apologia de uma alimentação vegetariana, a caça excessiva e os maus-tratos a animais, as touradas, a poluição e o consumo excessivo e as praxes académicas.
Algumas páginas são dedicadas a divulgar contactos de distribuidoras e programas de rádio da área do punk / hardcore.
Os diversos artigos são redigidos num tipo de letra dactilografado e são intercalados com recortes, ilustrações e também por diversas bandas desenhadas pilhadas a Laerte, Bill Watterson (Calvin & Hobbes), Dik Browne (Hagar, o Terrível), em revistas de surf, etc.
A publicação dá por encerrada a sua actividade. Marujo publicará posteriormente o BUUH!'zine.
Escarro Social #3, Julho de 1997, 20 págs., fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Samora Correia.

17 julho 2023

Os Indesejáveis

Fanzine de tendência anarquista e de extrema-esquerda. Composto apenas por textos (há apenas duas ilustrações) bem estruturados e articulados. O enquadramento histórico dos problemas decorrentes do capitalismo, a exclusão crescente de homens e mulheres, a exploração laboral, a imigração, os guetos urbanos, os problemas ecológicos planetários, e por aí fora, são esmiuçados nesta publicação.
Em termos de arranjo gráfico e escolha do tipo de letra, é muito básico e esquemático, sem qualquer preocupação estética ou de legibilidade dos textos. O conteúdo escrito podia continuar a ser privilegiado, mas a leitura seria melhorada se os tipos de letra fossem mais adequados.
Apesar de já terem passado mais de duas décadas da sua edição, o conteúdo continua muito actual e pertinente, evidenciando que as condições de vida não têm melhorado (em muitos aspectos, as condições até se degradaram significativamente). Por tudo o que antecede, Os Indesejáveis podia ter sido publicado hoje. 
Os Indesejáveis, 2002, 16 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Os amigos do Siga. Queluz.

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