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01 abril 2026

Comic Cala-te

Primeiro número do fanzine Comic Cala-te, produzido pelos estudantes do antigo Liceu Gil Vicente em Lisboa, reunidos em torno do recém-criado Núcleo de Banda Desenhada.
Excelentes trabalhos de promissores jovens autores como Rui Lacas, João Tércio, Ricardo Tércio, Sérgio Sousa Pinto, Rui Mendes e Daniel Tércio.
Todas as páginas deste fanzine podem ser visualizadas no blogue Sítio dos Fanzines.
Comic Cala-te #1, Janeiro de 1990, 24 págs., fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Núcleo de Banda Desenhada da Associação de Estudantes do Gil Vicente. Lisboa.

18 julho 2025

Mesinha de Cabeceira

Mesinha de Cabeceira #0
O fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) começou a ser editado em 1992 por Marcos Farrajota e Pedro Brito, pelo que comemorou 30 anos de existência em 2022.
Este número inaugural, apresentava como temas o Outono e as aulas, pois a estação era o Outono e a malta do fanzine era jovem e com o fim das férias de Verão ia regressar às aulas. O MdC pretendia adoptar um tema para cada edição, mas ia logo avisando que havia flexibilidade relativamente a esta matéria, o que foi bastante sensato - eles eram jovens, mas não eram tontos!
São apresentadas bd de Marte e Pedro Brito, de Rui Lacas e de Miguel Falcato.
Na vertente de divulgação musical, é publicada uma entrevista a uma banda completamente desconhecida com o nome de "Coca Cola Mentol & Conflitos".
Na rúbrica "Críticas Crípticas", Arlindo Horta escreve uma resenha sobre a novela gráfica "Arkham Asylum" de Dave McKean.
Na secção de notícias curtas "Rapidinhas", uma vez que não se consegue alinhavar nada sobre os The Smiths e sobre o filme "Naked Lunch" de David Cronenberg, falam sobre a morte iminente de um super-herói da DC Comics e também sobre o concurso de cartoon Amadora/92.
Também são publicados textos "incoerentes e marados" da amiga Ana.
Conheço o MdC praticamente desde o início e é um fanzine muito especial para mim, uma vez que acompanhou em simultâneo o meu crescente interesse por publicações amadoras. Fui assistido às suas diversas mutações: fanzine colectivo, outras vezes monográfico; da fotocópia à serigrafia; do preto & branco à impressão a cores; os vários tamanhos e formatos, os diversos tipos de papel, autores portugueses e estrangeiros... Ao longo de mais de 40 edições, o MdC apresentou-se sempre diferente, mas com uma notória evolução no trabalho de edição e publicação a cada novo número.
Muito mais haveria a dizer sobre o MdC, mas a melhor homenagem que lhe posso prestar é voltar a pegar nas suas edições, rever e ir deixando aqui algumas notas pessoais.
Julgo que me faltam alguns dos números iniciais, uma vez que o Marcos sempre recusou fazer reedições... O que faz algum sentido, quando se acredita que o melhor é o que está para vir!...
Mesinha de Cabeceira #0, Outubro de 1992, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel cor laranja, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix.

Mesinha de Cabeceira #2 / #3
Número duplo editado por Pedro Brito e Marcos Farrajota, em estilo split-zine. A capa exterior é da autoria do artista Pedro Proença. Na capa da parte "Algumas Estórias Absurdas" (#2) surge uma colagem de Ana Dionísio, seguindo-se a bd "A Maldição do Pénis" de Arlindo, uma bizarra história negra, muito bem desenhada e ainda melhor escrita. Depois, duas pranchas de Guima (Ricardo Tércio), com muita confusão e cabeças mutantes. "Abuso de Menores" é uma bd de Lacas, envolvendo relações incestuosas e depravação.
Na parte "New Kids on the Bollocks" (#3), apresentam-se novos personagens e colaboradores a debutar nas páginas do MdC. Há uma prancha de "Alice - The Real Girl" com argumento de Marte e arte de Pedro Brito (também autor da capa desta parte). Depois um Folhetim Interactivo por Arlindo. Pelo meio, surgem umas tiras envolvendo complexos de Édipo, soldados bósnios e Joseph Volverin, por Miguel Falcato e Marcos Farrajota.
Nas "Críticas Crípticas" procede-se a uma recuperação engendrada por Marcos Farrajota de um texto de Domingos Isabelinho recolhendo uma série de "pérolas" encontradas nos escritos sobre bd publicados na imprensa nacional, atribuindo-lhes um galardão e tudo!
Antes de terminar, há ainda espaço para "Play Rats" de João Tércio.
Mesinha de Cabeceira #2/3, Setembro de 1993, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Kómix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #4
O tema deste quarto número "sangue novo", pretende dar visibilidade a novos autores ainda por publicar. A capa e contracapa são assinadas por Sandro. A primeira banda desenhada, intitulada "Folhetim - Parte 5" começa sempre com o mesmo pressuposto, derivando para desfechos diferentes. Segue-se "Lisboa Dá à Luz" por Vitor Santos, uma cidade em processo de transformação, parindo novos edifícios.
Na rúbrica "Criticas Crípticas", Marcos Farrajota relata os principais eventos do 7.º Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. Depois, Deo apresenta a prancha "A Companhia dos Monstros". Logo de seguida, somos surpreendidos com a primeira bd de Gregório, às voltas com a sagrada trilogia do sexo, drogas e morte, que assombra a existência de muitos artistas.
Novo capítulo de "Criticas Crípticas", com Marcos Farrajota a insistir na banda Coca Cola Mentol & Conflitos (ver MdC #0).
Pedro Brito apresenta "Tédio!" bd sobre a falta de inspiração e de algo interessante para fazer. Antes da nova secção de correio dos leitores, é publicada uma ilustração de Pedro Proença. Nas páginas centrais, duas pranchas por Maria João.
Mira apresenta uma "bd montagem", sequenciando uma série de vinhetas de proveniências e estilos diversos, procurando uma possível narratividade. Depois, vem "Playrats" por João Tércio e uma nova bd de Gregório, desta vez, com guitarras distorcidas e multidões em delírio.
"Inadaptados" marca a estreia de Nunsky, com a bd mais extensa, exibindo todo o catálogo de criaturas que habitam o submundo da grande selva urbana: drogados, vagabundos, prostitutas e inadaptados. Quando os skinheads se cruzam no caminho, segue-se uma orgia de sangue e vísceras de carecas nazis, arrancadas a golpes de motosserra.
Mesinha de Cabeceira #4, Janeiro de 1994, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 115 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #6
A capa é da responsabilidade de Pedro Brito, que também desenha a bd "Homem-Transferidor", baseada no argumento de Marcos Farrajota. Segue-se a prancha "Ovelhas" de José Carlos Fernandes e também "Uma História de Amor" de Marcelão, editor do fanzine Over-12.
Destaque para a publicação de uma entrevista com Estrompa, responsável pelos fanzines Shock e Café no Park.
"Loverboy - O Empatas Industrial" da autoria de Marte, com o Loverboy a recorrer a todo o tipo de expedientes para tentar safar-se das suas responsabilidades "conjugais".
As últimas páginas são dedicadas a trabalhos rejeitados e à divulgação de prémios e concursos.  
Mesinha de Cabeceira #6 (1.ª edição), Outubro de 1994, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Cerca de meio ano após a edição original, surge a 2.ª edição "aumentada e melhorada". Relativamente à primeira edição, desaparece o Loverboy e em contrapartida, entram novas bd: um cão americano tipo Pluto a mimetizar cenas do filme "Apocalypse Now"; "Playrats" de João Tércio; uma prancha humorística da dupla Geral & Derradé e também alguma bd autobiográfica de Marcos Farrajota. Há uma melhoria nítida na qualidade de reprodução das fotos do Estrompa a acompanhar a respetiva entrevista - era uma pena umas fotos tão boas estarem tão mal impressas!
Nesta nova edição há também mais texto como as "Críticas Crípticas" que versam sobre várias edições da responsabilidade de José Carlos Fernandes e também curtas resenhas sobre os novos números dos fanzines Classe Média e do BadSummerBoys. Outra novidade é a publicação da "Lista de Ódio" do Marcos e uma lista de nomes brasileiros muito bizarros.
Mesinha de Cabeceira #6 (2.ª edição), Fevereiro de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #10
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, em colaboração com a Associação Chili Com Carne, conta com capa e bandas desenhadas de Marcos Farrajota. A primeira parte deste número é preenchida com "Histórias de Noitadas, Deprês & Bubas", num estilo diarístico, algumas vezes escorregando na irrelevância, outras vezes (os melhores momentos) num estilo autobiográfico, que nos suscita a dúvida se o autor não estará a divagar e a ficcionar a sua vida e intimidade.
Segue-se a rúbrica "Críticas Crípticas" comentando diversas publicações alternativas como "Malus" de Christopher Webster e "Sourball Prodigy" de Mike Diana, ambas posteriormente editadas por M. Farrajota. No tocante aos fanzines nacionais, notas sobre Sub #1, Shock #19, Aardvark #3 e Atelier de Técnicas Narrativas - Curso de Banda Desenhada.
Daniel D. (Dias) apresenta uma bd sanguinolenta em duas pranchas. De seguida, um extenso artigo "Tolerância Zero" escrito por Mike Diana, narrando o seu caso com o sistema judicial americano devido ao seu fanzine "Boiled Angel".
Na última página, o "Rejeitados #8", com um desenho da Mariazinha por Rui Lacas, feito para um poster que nunca chegou a ser impresso.
Mesinha de Cabeceira #10, Novembro de 1996, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #11


Mesinha de Cabeceira #11, Março de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #12


Mesinha de Cabeceira #12, Julho de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

20 novembro 2024

Comtrastes

Comtrastes #1
Comtrastes #1, Outubro de 1993, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

Comtrastes #2
Excelente fanzine colectivo coordenado por João Fazenda, contendo banda desenhada, textos, fotografias e ilustrações.
A primeira banda desenhada é "O Seio Nú" da autoria de Vitor Santos, baseando-se no conto homónimo de Italo Calvino. Segue-se outra bd, intitulada "O Disco" desenhada a tinta-da-china aplicada em pinceladas soltas por Mir.Ra.
"Fuel Moon" de José Carlos Fernandes, ou como uma sequência banal de acontecimentos domésticos espoleta uma reacção incendiária.
José Luis Peixoto, Alice P. e  Tozé Lopes contribuem com pequenos textos poéticos. "Fragmentos Checos" é o título de um conjunto de fotografias de Maria Cerdeira captadas no período pós-comunismo.
Reunidos sob o título "Sentimentos", três autores discorrem, cada um à sua maneira, sobre a 'Melancolia' (Rui Lacas), 'Raiva' (Guima - Ricardo Tércio) e 'Vergonha' (Arlindo).
Duas páginas "Anda Ground" com um pequeno texto sobre a indústria discográfica nacional e resenhas ao disco de estreia de Bizarra Locomotiva e à compilação "Art of Life". Apesar de não estarem assinados, diria que foram escritos por Marcos Farrajota.
"Parece Ela" de Pedro Brito é um mergulho nas recordações de infância confundidos com uma tentativa falhada de engate.
João Fazenda apresenta a bd "O Ganso", adaptando livremente a crónica "Lidoro Silva, dito o Ganso" de José Cardoso Pires.
A fechar, o texto "Uma página nula para completar as 40 páginas do fanzine" de Marcos Farrajota. Depois de um inicio com as habituais diatribes ajustando contas com o meio bedéfilo nacional, Farrajota vai disparando em todas as direcções, reflectindo sobre a inutilidade da maior parte dos fanzines colectivos portugueses e propondo diferentes abordagens, como a edição de fanzines temáticos (ou com um conceito) e de fanzines com trabalhos de apenas um autor. Termina questionado "fanzines não-coerentes porque é que vocês existem?"
Comtrastes #2, Novembro de 1994, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

28 junho 2023

Banda

 
Banda - Fanzine aperiódico de estudo e divulgação de B.D., apresenta-se neste número num formato mais encolhido relativamente ao habitual A4.
Além desta alteração do formato, a grande novidade é a inclusão de um suplemento de quatro páginas em papel reciclado, dedicado às letras, com "Escritos - Osvaldo Rocha", um texto de Nuno V. Martins e ilustrações de Luís B. Tinoco.
Participam Rui Lacas com 'Soc. Protectora', uma banda desenhada onde a defesa exacerbada dos animais provoca um motim dos humanos.
'Ajuste de Contas' de António Campelo e Nuno Varandas, começa com uma prometedora noite escaldante e acaba com um personagem a querer tirar satisfações do seu desenhador.
É publicada a segunda parte de uma entrevista a Tózé Simões, argumentista de Jim del Mónaco, Roques e Folque, etc., conduzida pelo editor Rui Brito.
Guima (Ricardo Tércio) apresenta as Aventuras de Rafa L em 'O Eterno Caçador'. De seguida, surge um excerto de 'Piratininga 4' do brasileiro Arthur Garcia.
Na rúbrica 'Dar a Conhecer' são introduzidos novos autores, como o francês Alain Bethune e o italiano Silvio Cadelo.
A bd 'Banda Sonora' com desenho de Nuno Tuna e argumento de Nuno Varandas, encerra este número do Banda, com um prelúdio de concerto musical que tem tudo para dar errado, mas que acaba por não defraudar a assistência.
Banda #14, Janeiro de 1991, 28 págs, offset a preto & branco; capa com 2 cores, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Lisboa.

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