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01 fevereiro 2026

História da Fome

Excertos do texto da autoria de Sara Figueiredo Costa publicado na revista Blimunda n.º 123, de dezembro de 2022: "Esta História da Fome percorre momentos fundamentais na cronologia da nossa relação com os alimentos, como a sedentarização e a agricultura, o domínio e o uso do fogo e a industrialização, mas mais do que historiográfica, a sua abordagem é ensaística, algo que já acontecia em trabalhos anteriores de Feitor, e relaciona a ingestão de alimentos, necessidade fisiológica, com a vontade de acumulação que foi definindo as nossas sociedades. À Blimunda, o autor explicou o percurso que este livro foi fazendo antes de existir materialmente: «Sempre me intrigou a maneira como usamos a palavra, que tanto nos serve para falar de carência fisiológica como se presta a nomear todo o tipo de apetites e inclinações, muitas delas estruturantes e obsessivas. Assim que a ideia me surgiu, surgiu de imediato o título, por predisposição para tentar fazer desta narrativa uma análise que trespassasse o tempo. Contudo, a ideia sempre foi focar-me naquilo a que estes apetites nos conduziram, à situação actual, como fiz noutros textos. A ideia de História, aqui, é a isso que se presta: olhar com horror para trás para compreender a forma em que nos encontramos, a degradação a que os nossos apetites conduzem. É óbvia a colagem entre a ideia de querer comer, apesar de não se sentir qualquer carência, com a ideia de possuir, mesmo que tal não sirva para satisfazer nenhuma necessidade concreta.»
Pelas páginas vão desfilando figuras pantagruélicas em devoração opípara, carantonhas que por vezes remetem para máscaras do Nordeste transmontano (e que já surgiram noutros trabalhos do autor) ou para certas iluminuras satíricas medievais, esqueletos numa dança da morte feita ao ritmo da ingestão de acepipes vários. Há símbolos – maçónicos, religiosos, mitológicos, políticos – e remissões, textuais e visuais, para as classes dominantes ao longo dos tempos, da Igreja ao grande capital. História da Fome é uma reflexão que cruza política, cultura e sociedade, e é também um libelo com ecos novecentistas, lembrando folhetos saídos de imprensas mais ou menos clandestinas, um J’Accuse, de Émile Zola cruzando-se com as gravuras de William Blake (também ele impressor), os rostos e as imagens densamente povoadas de Brueghel com a sátira desbragada de certos folhetos de cordel, toda uma herança por onde passam textos, momentos históricos, máquinas de imprimir movidas a braços e alguma raiva.
Texto e imagem dialogam, mas têm um potencial de existência autónoma que não é comum em livros ilustrados. O texto sobreviveria como breve ensaio sobre a relação dos alimentos com o consumo, da fome com a acumulação, da voracidade com a manutenção de privilégios. Por outro lado, a força visual e simbólica das páginas ilustradas é, por si só, um espaço autónomo, capaz de gritar as suas angústias, dúvidas e inquietações sem necessidade de outras imagens ou de texto (e também por isso a exposição, que prescinde do texto e junta às imagens do livro algumas outras, é uma outra criação, não dependente deste objecto impresso). Ainda assim, como nos contou o autor, foi das palavras que nasceu esta História da Fome: «Desta vez o texto surgiu primeiro, apesar de em modo embrionário (refiz o texto muitas vezes, à medida que o processo decorria). A primeira versão foi escrita de uma penada. Depois limei tudo, lentamente, embora não tenha conseguido dar-lhe uma forma coerente e organizada. Reconheço alguma tendência para a repetição e muita desordem. Os desenhos, como quase sempre, resultaram de aturadas pesquisas. Comecei na Idade Média, com as representações da gula enquanto pecado capital, e nessa fase o Brueghel velho serviu-me de guia. Muitos elementos que surgem no livro, como os caracóis, vieram daí. Depois percorri outras referências, nomeadamente gravura satírica dos séculos XVIII e XIX, com Doré e o seu Pantagruel à cabeça, claro. Quem conhecer estas fontes vai reconhecê-las nos desenhos. Não há qualquer relação de complementaridade ou afinidade entre os desenhos e os textos, salvo raras exceções, como a representação do Génesis ou a ilustração para a imposição dos cereais na dieta humana. Mas, mesmo nessas, se calhar apenas eu vejo as conexões.»
São dois os capítulos que compõem este livro. O primeiro, intitulado “Hiperfagia”, dedica-se a esta análise histórica que nos traz dos excedentes agrícolas ao consumo transformado em desejo, divindade, mecanismo de controlo social. Por esse capítulo passam o Génesis bíblico e a Loba do Capitólio, as práticas religiosas mais antigas e a instituição da religião como mais um mecanismo de poder, a morte e o grande capital. No segundo, “Filogafia”, o foco está na reflexão sobre como o apetite pelo consumo e os seus diversos graus, definidos em função de uma escala social, se relaciona com o modo como vivemos em sociedade e com as escolhas políticas que fazemos (ou não fazemos, por vezes). Sobre isso, diz José Feitor: «Parece-me que este desejo de acumular, mas também de esbanjar e desperdiçar, é típico das sociedades massificadas, em que a maioria silenciosa se presta a ser governada por uma elite, desde que mantenha uma ligeira ilusão de que os pode emular. Foi esta ideia que eu levei para o livro. Somos todos consumidores com tendência para a engorda, porque assumimos colectivamente esta fantasia, a de querer imitar os que tudo têm e podem. E esses não passam de uma versão de nós próprios, apenas com outros meios para se sentar à mesa e encher o bandulho.»
Entre o excesso e o amor ao excesso, andamos há séculos a alimentar deglutições épicas. Está por saber se podia ter sido de outra maneira, mas como se descreve em História da Fome, basta passar algum tempo numa dessas «lanchonetes babilónicas» que se instalam no piso superior de algum centro comercial, e onde a corrida desenfreada ao ketchup e à possibilidade de o levar para casa é um dos desportos praticados, para perceber que talvez tudo isto faça parte do nosso devir colectivo. Entre ketchup em pacotinhos gratuitos e descartáveis e telemóveis que têm de ser sempre da última geração, é possível que se tenha esgotado o espaço e o tempo para outros modos de viver. Curiosamente, tudo indica que esse espaço e esse tempo estão a esgotar-se também para este modo, pelo que resta almejar que o futuro não seja parco em gente que nos conte o que vê em textos, imagens e o resto, e que reflicta sobre que se vai construindo para chamarmos de mundo."
História da Fome, Dezembro de 2022, 48 págs, capa e encarte impressos em serigrafia; miolo impresso em offset a duas cores, 21x29,7cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #028).

15 junho 2025

Sobrevida

Sobrevida é uma publicação feita a meias entre Carlos Pinheiro e Nuno Sousa. A primeira parte, da responsabilidade de Carlos Pinheiro, apresenta-se em vinhetas a preto e branco, num desenho cheio de pormenores e de violência latente. A segunda parte, da autoria de Nuno Sousa, é composta por sequências desenhadas a lápis de cor. As relações entre as duas histórias são ambíguas e ricas em leituras a vários níveis. Sobrevida foi apresentado assim:
"Dizem que a Sobrevida é a existência - ou coisa parecida - de quem já não vive neste mundo, mas ainda não encontrou o seu rumo. Da vida real apenas conserva a semelhança. Alimenta-se das suas imagens (venera-as, são o seu amuleto), ronda-as em círculos a cada volta mais distantes do centro.
A Sobrevida, diz-se, é uma espécie de revivescência - sensação de vida.
Espíritos, espectros, almas penadas perseguem aquilo que já foram, podiam ter sido ou virão a ser (para sempre, nunca mais).
Diz-se que da Sobrevida apenas podemos conhecer aquilo que se conta. Diz-se muita coisa e tudo é insuficiente (ainda).
De qualquer forma, já cá não está quem falou."
Sobrevida, Junho de 2012, 60 págs, capa impressa a cores em cartolina Trucrad 240gr. com plástico mate; miolo impresso em offset sobre papel Munken Lynx/Pure 130gr., 16,5x23cm. Edição: Imprensa Canalha (IC #016).

07 maio 2025

Derby

Um Derby a juntar duas equipas de cinco autores de Lisboa e cinco do Porto, a contenda prometia acicatar rivalidades extra-futebolísticas. A cada autor competia entrar com dois desenhos, que se iriam defrontar directamente com os seus adversários.
Este projecto conjunto da Imprensa Canalha e do Atelier Mike Goes West, desafiava os autores a realizarem os desenhos directamente nos quadros de serigrafia, a pincel, implicando um gesto de grande espontaneidade.
Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: de Lisboa: André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques; os cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e José Cardoso. O texto de abertura é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.
Derby foi apresentado tendo "como objectivo a criação de uma publicação ilustrada inteiramente impressa em serigrafia de acordo com o Método Directo. Trata-se de um processo serigráfico que dispensa fotolitos e emulsões fotossensíveis, já que as imagens a imprimir são criadas directamente no quadro de serigrafia, a pincel, com um bloqueador à base de água. Para o ilustrador o desafio é enorme, pois este método obriga a um grande sentido de síntese e não permite grandes correcções. Deste processo resultam serigrafias originais, já que, após a lavagem do quadro onde se criou a imagem, o desenho que deu origem às impressões desaparece para sempre. Foram convidados a participar neste projecto inédito 10 ilustradores (cinco de Lisboa e cinco do Porto).
A primeira parte do projecto vai ter lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro, durante a "Feira Laica" no Porto, a decorrer nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criarão duas imagens cada, que corresponderão a uma dupla página da publicação. Simultaneamente, o técnico António Coelho, responsável pelo atelier Mike Goes West, fará demonstrações de impressão serigráfica. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.
Numa segunda fase, no atelier, as imagens serão impressas e a publicação dobrada e agrafada."
Derby, Junho de 2009, 28 págs, capa com impressão serigráfica em papel Vidia de 300g; miolo em serigrafia sobre papel Fabriano Academia de 160 g., 30x27cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #012).

20 dezembro 2024

Satanic Holidays / Days Of Celebration

A Imprensa Canalha apresentou a sua décima terceira edição assim: "Depois de Pedro Lourenço, com Blues Control, a bola passa para José Cardoso (membro do colectivo Salao Coboi): Satanic Holidays / Days of Celebration é um verdadeiro exercício de deboche gráfico: uma longa série de estampas coloridas e tramadas em que a apropriação gráfica, alimentada por sobreposições, distorções e pelos inimitáveis apontamentos gráficos do José Cardoso (Fafe, 1984), nos remete para imagens cuja familiaridade é apenas aparente. Neste all-colour zine, o Grande Satã vai de férias ao Hawaii!"
Por seu turno, Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD:
"Uma colecção de imagens heteróclitas, a maioria aparentemente roubadas de postais do Hawai, com belas raparigas, locais e da middle America, nos seus trajes sensuais e rodeadas das luxuriantes paisagens tropicais. Cenas de oferenda, alohas, festas, surf e camisas estampadas. Aqui ali, o decote generoso faz promessas de prazeres mais íntimos, aproxima-se de outros tons. Cada imagem mínima e digitalmente retocada, retorcendo, distorcendo obscurecendo e embrutecendo os rostos das raparigas. Ao ponto em que se parecem com monstros, ou daqueles espíritos mal capturados por fotografias de longa exposição. Misturadas por entre estes retratos, objectos vários, de canecas a ídolos, estátuas e totems, a maioria deles de uma família mais ou menos coesa de culturas antigas, violentas, ritualistas e sangrentas. Aos poucos, o sentido geral da publicação forma-se. Quase todas as imagens têm ainda uma outra camada de intervenção, sob a forma de pequenas estruturas gráficas, manchas, símbolos e elementos coloridos, alguns deles como rostos de criaturas queridas, típicas de um certo merchandising. Uns poucos parecem gatos, mas os outros são fantasmas, monstros, sóis e chamas. Numa imagem vemos um double whopper sorrindo, noutra um casal de storm troopers do Star Wars, de camisas floridas. A última imagem, um símbolo satânico, por sobre uma cena idílica na ilha vulcânica. O vulcão. Agora é que nos apercebemos que sob o solo desta paragem aparentemente paradisíaca existe uma história da violência da terra. Que se expressa nestas imagens como se José Cardoso tivesse tido acesso ou tivesse inventado uma câmara à la Nikola Tesla, e capturasse os demónios que se escondem na dobra dos raios de sol. Esta é uma brochura que se distribui numa agência de viagens que leva a sério a ideia do “Culto ao sol”."
Satanic Holidays / Days Of Celebration, Dezembro de 2009, 32 págs, impressão a laser CMYK [Epson Aculaser] em papel branco de 100g.; capa impressa a preto sobre cartolina Guarro preto de 160g., 14x20cm, Tiragem: 99 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #013).

13 outubro 2024

Uma Perna Maior que a Outra

Uma Perna Maior que a Outra confirma, se dúvidas houvesse, que José Feitor além de ser um excelente ilustrador é também um escritor de grande calibre, dotado de um olhar acutilante e uma escrita depurada e certeira.
José Feitor possui uma estranha capacidade, uma sensibilidade extraordinária para captar os sinais mais subterrâneos que marcam indelevelmente a identidade nacional - os traços imemoriais que vão sendo transmitidos através de uma genética social que nos caracteriza, mas também que de alguma forma, nos envergonha. O radar de Feitor é altamente eficaz a captar as expressões idiomáticas e palavras inusitadas ou caídas em desuso e atira-nos com elas, após um longo processo de decantação, para nos recordar de onde vimos. Os textos que ladeiam as ilustrações configuram-se como aforismos desencantados.
Neste trabalho, José Feitor submerge nas memórias pessoais e o que sobrevem não é agradável, mas constitui uma obra rente ao osso, sincera e absolutamente essencial. 
A Imprensa Canalha apresentou este volume assim: "José Feitor ajusta contas com memórias que hoje lhe parecem tão assombrosas como as cenas de um filme de ficção. O confronto com esse passado foi desencadeado pelo primeiro contacto com o livro de fotografias de António Gonçalves Pedro, de Mora (ed. Câmara Municipal de Mora, Set. 2003). Muitas das imagens resultam de apropriações gráficas dessas fotografias. Deformação, vergonha e culpa no trabalho mais pessoal e pungente deste ilustrador."
Cada volume inclui um postal e uma reprodução de uma fotografia captada em 1977.
Uma Perna Maior que a Outra, Outubro de 2014, 52 págs, impressão a laser [Epson Aculaser] em papel Renova print reciclado de 120g.; capa serigrafada em papel Guarro de 185g., 14,5x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #019).

13 maio 2024

Estátua Falsa

Estátua Falsa de Tiago Baptista foi lançado no decurso da 20.ª Feira Laica, realizada em Campolide em finais de Junho de 2012, estando também em exposição os originais desta publicação. Segundo Pedro Vieira de Moura, no blogue LerBD, os originais "Não seguiam, de forma alguma, a ordem pela qual surgem no “espaço folheado” do fanzine, o qual insufla sobre a ordem dos desenhos uma estruturação mais nítida, pelo menos na relação que cada “bloco” opera no seu interior (a que poderíamos chamar “o homem que escava”, “estátuas”, “comboio suburbano” e “diálogos agónicos”) e, quem sabe, entre uns e outros. Formas de desenhar, temas, materiais, estruturações compositivas, e até mesmo preocupações de tom e humor apresentam-se de maneiras distintas, em diversidade. Encontramos aqui mais uma vez, tal como em Fábricas, baldios, algumas constantes preocupações: a relação com a história de arte, uma taxonomia livre, a inscrição oblíqua da autobiografia do autor, da sua tarefa de criação, ou notas sobre reflexão, sob a forma de vinhetas gráficas, que terão maior ou menor grau de simbolismo. A citação de elementos naturais, como a lama, o barro, a água como matérias-primas e plasmáveis, para criar obras. E a flutuação entre uma abordagem virtuosa, multímoda, controlada da arte do desenho, e uma gestualidade mais sumária, de esquisso, não vá a ideia evolar-se."
Estátua Falsa, Junho de 2012, 32 págs, impressão a laser grayscale [Epson Aculaser] em papel Renova print RPC de 120g.; capa impressa em serigrafia sobre cartolina do Prado, 14,5x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #017).

20 janeiro 2024

Blues Control

Blues Control reúne um conjunto de desenhos realizados por Pedro Lourenço entre Janeiro e Novembro de 2008. Os desenhos altamente pormenorizados, potenciados pela excelente impressão e pelo efeito contrastante do cinzento prateado, apresentam-nos animais diversos em contexto selvagem, mas também inseridos em cenários urbanos pós-apocalípticos, no meio de ruínas e destroços, movendo-se com grande desenvoltura, como se esse fosse o seu habitat natural. 
Surgem também jovens criaturas élficas com corpos nus e cabeças animalescas, sejam cabeças / máscaras de veado ou urso. De repente, irrompem hordas animalescas reunindo rinocerontes, tigres e leões e um macaco disc jockey montado num elefante.
Terra em ebulição, vulcões em erupção soltando nuvens de fumo, fósseis de aves, criaturas aladas e novas esfinges, rodopiando com antigos soldados com a cabeça fumegante. As estranhas paradas encenadas por Pedro Lourenço não cessam de nos surpreender e aprisionar no seu mistério.
Esta edição foi lançada durante a 12ª Feira Laica, integrada no evento Furacão Mitra, que decorreu na Interpress, no Bairro Alto.
Blues Control, Dezembro de 2008, 32 págs, impressão a laser grayscale [Epson Aculaser] em papel branco de 100g; capa em cartolina Guarro de 160g, 14,2x20cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #010).

11 novembro 2023

Animais!

O quinto volume lançado pela Imprensa Canalha é uma nova investida de José Feitor no mundo animal, constitui a segunda parte de uma trilogia iniciada com O Mundo dos Insectos e terminada com As Raças Humanas, uma dissertação gráfica à volta da natureza humana, na sua interacção com os outros animais e consigo própria.
Os primeiros 34 exemplares, apresentavam a capa linogravada; os restantes exemplares tinham na capa uma impressão laser sobre papel Canson creme 200g, com um autocolante de 32 mm. No verso da contracapa, cada exemplar continha uma espécie de cromo com um animal (o meu é um okapi, com a respectiva legenda e descrição escrita em francês).
A acompanhar este volume, foi também incluído um postal carimbado com um dos motes para este trabalho: "Foi-se o instinto, ficou o apetite". Animais! foi integralmente produzido nos Ateliers de Santa Justa.
Este volume foi apresentado pela editora como "um conjunto de imagens e textos sem relação aparente entre si. Os textos são retirados de legendas de livros de divulgação científica destinados às famílias, populares nos anos 70, e abordam temas relacionados com a adolescência, alimentação ou velhice entre os humanos. Nas imagens surgem animais antropomórficos e humanos animalizados em constante interacção. Neste aparente caos, uma mensagem surge: Foi-se o instinto, ficou o apetite. O homem tenta a todo o custo afastar-se do resto do reino animal e nessa ânsia esquece o essencial: a sua própria natureza. Sim, nós também estamos nas tabelas de Lineu.
A abrir o volume, um texto retirado da obra de 1872, The Expression of the Emotions in Man and Animals, de Charles Darwin.
Em Animais!, José Feitor aprofunda o conceito de apropriação gráfica, utilizando indiscriminadamente imagens e textos alheios numa combinação única. Acaso e conceito coabitam neste projecto gráfico."
Animais!, Novembro de 2007, 36 págs, impressão a laser [Epson Aculaser] em papel de 90 g; capa linogravada (3 cores) em cartolina amarela de 200g, 14,8x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #005).

16 setembro 2023

Belo Cadáver

Este volume editado pela Imprensa Canalha, reúne um conjunto de desenhos em registo de cadavre exquis realizados por Filipe Abranches, José Feitor, Bruno Borges e André Lemos, com Marcos Farrajota e Joana Figueiredo e participação pontual de Miguel Coelho. Os desenhos foram realizados numa sessão única na madrugada do dia 02 de junho de 2006. O texto da autoria de Miguel Antunes assume uma perspectiva experimental e delirante, numa realidade paralela e aumentada por uma lente de ampliação que tudo distorce até à irrisão. 
A publicação foi apresentada pela editora como "fruto de um serão informal que começou com frango de churrasco e acabou com sakê, os desenhos do Belo Cadáver são resultado de um processo espontâneo, livre e compulsivo. As folhas foram passando de mão em mão e cada desenhador foi preenchendo o vazio, a partir das premissas já lançadas por outros. Desta labuta estonteante resultaram 32 desenhos, muito diferentes entre si. Entre composições que tanto têm de belo como perturbante, pastiches bem humorados, embriões de narrativas e bestiários, o espectro do belo cadáver é amplo. Desenho crú e bruto.
O texto que precede os desenhos, criado à posteriori por Miguel Antunes, é ele próprio um texto-frankenstein. Uma força externa dá unidade a um conjunto informe de pensamentos que se escapam da cabeça de um homem que caminha não se sabe para onde."
Cada exemplar contém uma gravura numerada, executada em impressão tipográfica numa máquina Heidelberg.
O Belo Cadáver foi lançado no dia 22 de julho, no evento Samizdata Club, realizado no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, em Braga.
Belo Cadáver, Julho de 2006, 32 págs, Impressão digital em papel de 100g; capa em cartolina branca de 200g, 14,6x21cm, Tiragem: 50 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #003).

12 abril 2023

As Raças Humanas

Partindo do texto "Les Races Humaines" dErnest Granger, publicado originalmente em França em 1924, José Feitor acrescenta-lhe novas camadas, através das suas extraordinárias ilustrações dispersas ao longo do texto. É inserida uma folha volante de cor laranja, com a tradução para inglês do texto de Granger.
A Imprensa Canalha apresentou assim esta edição: "O fanzine abre com uma banda desenhada de 2 pranchas inspirada numa história que surge relatada no livro Armas, Germes e Aço. O destino das sociedades humanas (ed. Relógio d'água), de Jared Diamond, sobre o encontro fatal entre maoris e morioris, nas ilhas Chatham, no século XIX, que funciona como uma lúcida metáfora sobre aquilo que, realmente, define a diversidade humana: a luta constante pelo domínio dos recursos.
Este volume constitui a última parte de uma trilogia iniciada com O Mundo dos Insectos e continuada com Animais!, uma dissertação gráfica à volta da natureza humana, na sua interacção com os outros animais e consigo própria."
As Raças Humanas, Maio de 2009, 32 págs, capa carimbada manualmente em papel de 300g, miolo impresso a laser em em papel reciclado de 80g, 14,6x21cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #011). 

29 janeiro 2023

Uma Mesa são Tábuas

Micro livro da autoria de Ana Mendes, com conceito gráfico, paginação e execução artesanal de José Feitor e integralmente produzido nos Ateliers de Santa Justa. A Imprensa Canalha apresentou assim este volume:
"O livro Uma mesa são tábuas é composto por 11 histórias criadas a partir de carimbos antigos com imagens de frutos – cerejas, morangos, maçã e figos, entre outros. Todas as histórias versam sobre relações – amorosas, de amizade, cumplicidade ou altruísmo – estabelecendo-se uma relação com o fruto (exemplo: figo/maturidade).
O conjunto é formado por uma imagem, acompanhada da respectiva história. As narrativas são pequenas, acompanhando a dimensão do livro (10X10 cm) e com o objectivo de funcionarem como pequenas sinopses, que podem dar origem a histórias maiores, criadas pelos leitores.
O objectivo deste livro visa, por um lado, contar histórias, e, por outro, recuperar os carimbos antigos, bem como o acto de imprimir manualmente. Os carimbos que se usavam na escola primária, cumpriam objectivos didácticos, sendo muito “tácteis”. A par do desenho, existia a relação que o aluno criava com o papel, com o carimbo e a fantasia que surgia a partir daí – o redigir, o pintar, o ordenar, o cortar.
Aparte a impressão, o livro foi concebido de forma artesanal, com impressão manual dos carimbos e montagem, como forma de recuperar o ritual que existia de concepção dos livros e agendas pelos alunos nas oficinas de trabalhos manuais."
Uma Mesa são Tábuas, Maio de 2008, 28 págs, capa dura artesanal, miolo impresso a laser e carimbagem manual em papel cavalinho, 10x10cm, Tiragem: 50 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #008).

07 dezembro 2022

Mundo dos Insectos

Mundo dos Insectos, é um fanzine com características, por um lado, de trabalho escolar e por outro lado, o resultado do trabalho de alguém com uma curiosidade ilimitada pela coisas do mundo animalesco ou humano, sempre aberto ao espanto e ao maravilhamento.
Este trabalho, na senda de outros que José Feitor vem fazendo com inspiração no mundo animal, explora, como um entomologista amador, a enorme diversidade morfológica dos insectos, e ao mesmo tempo vai espalhando textos com diversa informação avulsa, sobressaindo ainda mais a grande estranheza dos insectos.
O fanzine é apresentado assim pelo autor: "No Mundo dos Insectos, o carácter depredatório, voraz e agressivo da vida destes animais não deixa de nos fazer recordar aspectos da vida nas sociedades humanas. No entanto, ao passo que os insectos não podem fazer escolhas nem conhecem a ética, o que explica o seu comportamento guiado apenas por mecanismos instintivos relacionados com a sobrevivência e a reprodução, o comportamento do Homem é verdadeiramente insondável. A fêmea do Louva-a-deus devora por vezes o macho durante a cópula porque precisa de se nutrir para que o processo de reprodução decorra da melhor forma quando nem sempre é fácil conseguir comida.
Os desenhos da série Mundo dos Insectos foram realizados entre Março e Maio de 2006, a partir de livros científicos e educativos. Foram desenhados directamente (sem esboço prévio) em folhas de papel cavalinho com marcadores  Edding de várias espessuras."
Cada exemplar do Mundo dos Insectos vem acompanhado de uma fita apanha-moscas.
Mundo dos Insectos, Maio de 2006, 20 págs, impressão a laser em papel 100 g, capa em cartolina amarela 180 g., 21x29,7cm, Tiragem: 50 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #002).

14 novembro 2022

War is Hoover

 
War is Hoover... War is Over...as batalhas navais e aéreas travadas na II Guerra Mundial cristalizadas pelos códigos da BD clássica, mas também os pequenos soldados, veículos blindados e os aviões com que toda uma geração brincou noutros tempos. Filipe Abranches ressuscita estes velhos brinquedos para os insuflar com uma nova vida, uma espécie de "Toy Story" com metralhadoras e bombardeiros, mas mesmo assim lúdica e com sentido de humor, expondo a banalização da morte e da destruição em contexto de guerra.
Uma excelente edição da Imprensa Canalha, num trabalho estruturado com mestria por Filipe Abranches, num dispositivo gráfico utilizando apenas uma vinheta por página.
A edição inclui 2 pequenos postais, reproduzindo páginas de BD em estilo clássico americano.
War is Hoover, Setembro de 2014, 32 págs, impressão a laser em papel Xerox reciclado 80 g, capa em serigrafia sobre cartolina craft de 240 g, 14,8x21cm, Tiragem: 75 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #018).

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