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09 julho 2026

Blind Dumb Deaf

Blind Dumb Deaf é um fanzine de Rita Mota elaborado no decurso da 4.ª Feira Autónoma realizada em finais de Novembro de 2025 em Almada. O programa da Feira incluía um workshop dinamizado por O Gato Mariano, cuja proposta consistia em realizar um exercício de abordagem autoral à banda desenhada a partir da sobreposição de elementos musicais, literários e gráficos.
Rita Mota assumiu a música 'Blind Dumb Deaf' inserida no álbum 'Garlands' dos Cocteau Twins, como ponto de partida para a sua abordagem pessoal ao estrépito das guitarras e à reverberação comovente da voz de Liz Fraser.
Rita Mota já tinha dado nota de possuir um requintado gosto musical, confirmado agora com a escolha desta canção sublime (especialmente a versão registada na Peel Sesssion).
Blind Dumb Deaf, Janeiro de 2026, 8 págs, impresso a preto sobre papel salmão, 14,9x21cm.

25 fevereiro 2026

Hourly Comics Day

 
Em Hourly Comics Day de Rita Mota, vamos acompanhando um dia na vida da personagem / autora, começando pelo acordar de manhã, ainda sob os efeitos da noite anterior. Um quadradinho / vinheta isolado em cada página para cada hora do dia. Tudo escrito em inglês. O fundo laranja entorpece os desenhos e os textos. Os filmes (e as séries), uma cinefilia que julgávamos fora de moda, são um dos eixos à volta dos quais se "organiza" e encara o dia.
As refeições rápidas ou improvisadas, um certo desleixo exibido sem vergonha, a mãe e o instável equilíbrio das relações familiares.
Os estados de alma que se convocam para acicatar a criatividade. O trabalho procrastinação. A música... Cocteau Twins e Harold Budd?!? os jovens ainda escutam isto? O fantasma de Laura Dern a pairar incessantemente.
Hourly Comics Day, Março de 2025, 24 págs, impresso a preto sobre papel laranja; capa em papel branco, 13x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Goteira. Porto.

14 dezembro 2025

O Som da Música

O Som da Música abre com duas citações em inglês: - a primeira, extraída do filme musical "The Sound of Music" de Robert Wise; e a segunda retirada do livro "Genesis" de Michel Serres. A partir daqui, Rita Mota apresenta uma sequência de banda desenhada experimental, discorrendo sobre o ruído, o silêncio, a música, os concertos, as sensações e as memórias disso tudo.
Sobre esta publicação, Sofia Belém escreveu que "a história em quadrinho inicia separando a realidade da música. Interessante que a realidade se caracteriza como vazio, como o silêncio, em contraposto com a música que é o que ocupa o espaço e nos anima. A percepção da realidade aqui é singular porque não é entendida como o presente, a música que é o momento presente por estar ativamente a ocupar um sítio. Ela se distancia então da memória, recordação de uma imagem do passado, território então de um tempo que já não existe, a ausência.
A autora questiona “Quando paramos de ouvir música? E quando começa a memória?”. Portanto, quando há esse regresso à realidade? A ausência corporizada pelo silêncio é ultrapassada pela percepção não sensível do mundo através da música. Talvez fosse necessário aqui a sensibilidade para a percepção dar fruto nomeadamente à realidade, mas a música é uma linguagem mágica que incorpora entidades fora da nossa percepção.
Considerando as citações feitas no início, a música, o som, a vibração, o canto são ancestrais, fazem parte do nosso passado onomatopaico, são a origem da nossa faculdade mimética que nos deu a linguagem. Mas já estamos demasiado distanciados da origem de nosso instinto para a imitação, para o similar, para a representação do nosso meio através de nossos corpos para entender essas instâncias. O passado também tem sua magia.
Talvez a real verdade seja a música, o que nos faz agir. Só há histórias com ações. Só há História com ações e rememorações. O silêncio é um vácuo, portal aberto que nada funda. Precisamos dar atenção às suas engrenagens e então ouvir que talvez não haja contradições. A realidade, a sua monotonia e quietude, é somente mais um aspecto da música."
O Som da Música, Junho de 2024, 20 págs, impresso a preto sobre papel salmão; capa em papel branco silk, 13x20,2cm. Porto.

16 agosto 2023

Lesma Vida

Fanzine escrito em inglês, tendo apenas o título e no final, a palavra "Fim" em português. Teria preferido que todo o  texto fosse em português. O intuito da internacionalização não será muito plausível com uma tiragem tão escassa, pelo que se não forem os autores nacionais a criarem em português, quem será?
Lesma Vida (Slug Life) da autoria de Rita Mota, traça um percurso metamórfico de um corpo que se perceciona como viscoso, estranho e ainda num estado de incompletude. Por outro lado, o mesmo ser também é capaz de assumir-se radiante debaixo da luz adequada, ou de ofuscar-se noutras circunstâncias.
Os momentos decepcionantes e a inevitabilidade de ter que seguir adiante, os sussurros, a autorreflexão crítica. A vida como ela é, repleta de sensações, sonhos, desilusões e algumas contradições.

Lesma Vida, Julho de 2023, 24 págs, risografia a cores, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Porto.

17 junho 2023

JáQi, O Homem das Máscaras

Jáqi, o Homem das Máscaras, é um fanzine produzido por Rita Mota, percorrendo uma digressão mental que vai oscilando entre diversos estados emocionais de Jáqi. O personagem vai assumindo diversas máscaras - máscara do medo, máscara da vergonha, máscara de plástico, etc., de acordo com a situação com que está confrontado num determinado contexto - seja em locais públicos ou na intimidade da casa.
Não se vislumbra uma linha narrativa sequencial e clara, os ambientes são apresentados de forma difusa e onírica, recorrendo a traços esboçados e indefinidos, de modo a deixar que as lacunas sejam preenchidas pelo leitor. 
JáQi, O Homem das Máscaras, Novembro de 2019, 36 págs, fotocópia a preto & branco, capa em cartolina colorida, 14,9x21cm. Tiragem: 25 exemplares. Edição: Erva Daninha.

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