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07 maio 2025

Derby

Um Derby a juntar duas equipas de cinco autores de Lisboa e cinco do Porto, a contenda prometia acicatar rivalidades extra-futebolísticas. A cada autor competia entrar com dois desenhos, que se iriam defrontar directamente com os seus adversários.
Este projecto conjunto da Imprensa Canalha e do Atelier Mike Goes West, desafiava os autores a realizarem os desenhos directamente nos quadros de serigrafia, a pincel, implicando um gesto de grande espontaneidade.
Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: de Lisboa: André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques; os cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e José Cardoso. O texto de abertura é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.
Derby foi apresentado tendo "como objectivo a criação de uma publicação ilustrada inteiramente impressa em serigrafia de acordo com o Método Directo. Trata-se de um processo serigráfico que dispensa fotolitos e emulsões fotossensíveis, já que as imagens a imprimir são criadas directamente no quadro de serigrafia, a pincel, com um bloqueador à base de água. Para o ilustrador o desafio é enorme, pois este método obriga a um grande sentido de síntese e não permite grandes correcções. Deste processo resultam serigrafias originais, já que, após a lavagem do quadro onde se criou a imagem, o desenho que deu origem às impressões desaparece para sempre. Foram convidados a participar neste projecto inédito 10 ilustradores (cinco de Lisboa e cinco do Porto).
A primeira parte do projecto vai ter lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro, durante a "Feira Laica" no Porto, a decorrer nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criarão duas imagens cada, que corresponderão a uma dupla página da publicação. Simultaneamente, o técnico António Coelho, responsável pelo atelier Mike Goes West, fará demonstrações de impressão serigráfica. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.
Numa segunda fase, no atelier, as imagens serão impressas e a publicação dobrada e agrafada."
Derby, Junho de 2009, 28 págs, capa com impressão serigráfica em papel Vidia de 300g; miolo em serigrafia sobre papel Fabriano Academia de 160 g., 30x27cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #012).

24 março 2025

Time Life Life Time

Júlio Dolbeth referiu o seguinte ao jornal Público sobre Time Life Life Time: "um conjunto de capas das revistas "Time" e "Life" filtradas pelo imaginário gráfico do autor, Luís Henriques. Impressa a duas cores, preto e vermelho, aponta para as semelhanças gráficas das capas das duas revistas, alternando página a página uma ou outra capa. As revistas são usadas metaforicamente como um arquivo da memória dos tempos onde revemos uma história possível da sociedade contemporânea. No caso particular da revista Life onde a ilustração sempre figurou em lugar de destaque, grande parte a cargo de Norman Rockwell, um dos mais importantes ilustradores norte-americanos de sempre. Não será por acaso a escolha das duas revistas como matéria prima de referência. O desenho intrincado e misterioso remete para uma imagem ambígua onde se reconhecem algumas das capas mais emblemáticas que monitorizam parte da história da sociedade contemporânea."
Também Pedro Moura referenciou no blogue LerBD que em Time Life Life Time, Luís Henriques "recria capas de ambas as famosas revistas norte-americanas numa técnica de pontilhados, linhas, tramas, manchas, que parecem “traduções” do material original através de uma maquinaria qualquer defeituosa, talvez um pantógrafo perro, ou uma lente distorcida e embaciante... Mas como me conta o artista, "no fundo a mão está lá sempre, um tanto autista, um pouco cega, um pouco hábil, um pouco bruta, um pouco subtil, entre uma coisa e outra". As suas re-interpretações remetem a uma espécie de interrogação ontológica sobre a validade do mundo que é veiculado por aquelas revistas, dúvida que acaba por escoar para o próprio mundo, levando a uma sua eventual dissolução. Algumas das superfícies criadas por Henriques recordam como que doenças possíveis do papel ou da visão. Perturbante."
Time Life Life Time, Junho de 2009, 36 págs, capa impressa a laser sobre papel Guarro Gris Plomo 185 gr.; miolo impresso a laser sobre papel branco 100 gr., 14,6x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0014].

25 junho 2023

Aforismos do Estádio

Aforismos do Estádioresulta de uma recolha, efetuada por Manuel de Freitas, de desabafos, frases, conversas, amores e desamores, e outras máximas, escutadas no café Estádio, situado no Bairro Alto.
Na introdução, Manuel de Freitas refere: "São esses outros «versos» - versos sem poema nem poeta - que decidi compilar neste volume atípico. Trata-se, em todos os casos, de uma espécie de aforismos involuntários, e invariavelmente alheios, que fui anotando neste café onde não consigo deixar de vir."
Os aforismos seleccionados, foram depois ilustrados por outros frequentadores habituais do referido café, designadamente: Bruno Borges, Maria das Dores / Pedro Moura / João Maio Pinto, Daniela Gomes, Manuel Diogo, Jucifer, André Lemos, Ana Menezes, Isabel Baraona e Tony Wood.
A ilustração da capa é da autoria de José Feitor. O grafismo, fotomontagem e composição ficaram sob a responsabilidade de Luís Henriques.
Aforismos do Estádio, Novembro de 2011, 32 págs, fotocópia digital a preto em papel azul (150 gr.); capa em serigrafia, 14,5x20,4cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Oficina do Cego.

03 janeiro 2023

Isilda ou a mudez dos códigos de barras

Nesta obra de Manuel de Freitas, Isilda, empregada de caixa num supermercado vai radiografando os clientes enquanto vai passando o scanner nos produtos que adquirem. Pelas compras que fazem, vai especulando sobre as vidas que levam, os momentos que atravessam, as desgraças alheias, mas também as próprias.
A vontade de exteriorizar o que pensa e o que sente, sempre reprimida porque não pode ser despedida agora. Os gestos mecanizados, os salários miseráveis, a complexidade das interacções sociais, as conversas de circunstância, a vida a correr diante dos olhos e uma sensação de perda e de falhanço.
Como é habitual nas edições da Oficina do Cego, há um grande esmero na composição e arranjo gráfico. Neste trabalho, os textos de Manuel de Freitas são impressos nas páginas pares (esquerda), enquanto na outra página surge um trabalho gráfico envolvendo a imagem do código de barras com algum elemento que o relacione com o texto. 
Isilda ou a Mudez dos Códigos de Barras, Abril de 2010, 36 págs, impressão em tipografia de caracteres móveis preto & branco, 10,3x14,5cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: Oficina do Cego.

08 novembro 2022

Rodrigues Palmtree Zine

 
Fanzine produzido como oferta / homenagem ao Sr. Rodrigues, empregado do Restaurante Palmeira, por altura da sua reforma, ao fim de 57 anos de trabalho. O Restaurante Palmeira, situado no Chiado em Lisboa, serviu de local de reunião de uma tertúlia mais ou menos variável, que se juntava às quintas-feiras, ao final da tarde, durante os meses mais frios do ano. Este fanzine reúne participações de alguns dos tertulianos: André Lemos, Bruno Borges, Diogo Tavares, Filipe Abranches, João Chambel, José Feitor, Jucifer, Luís Henriques, Marcos Farrajota, Miguel Frazão e Piggy.
Rodrigues Palmtree Zine, Dezembro de 2010, 24 págs, capa impressa em serigrafia pelo Atelier Mike Goes West, miolo impresso a laser em papel Navigator 90 gr/m2, 14,4x21cm. Tiragem: 30 exemplares, organizado e editado por André Lemos.

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