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21 julho 2026

Shock

Shock #0
Primeiro número (experimental) do fanzine Shock, subordinado ao tema "O Chapéu" e os desenhos e bandas desenhadas têm como denominador comum a inclusão de chapéus.
Luis Beira dá o mote, escrevendo sobre os diversos tipos de chapéu e a sua utilização. Seguem-se diversas ilustrações por Luis Costa, Luis Nunes, Pedro Morais, Augusto Trigo, João Neves, Luvi, Artur Correia, José Ruy, Estrompa e Eugénio Silva e bandas desenhadas por Francisco Lança, José Abrantes, Hervé Chételat, Fernando Bento, Mitsushirato, Edgar Marcelo.
O fanzine encerra com textos de Geraldes Lino sobre o Festival de BD de Lisboa 83 e também sobre as actividades desenvolvidas pelo Centro Português de Banda Desenhada (CPBD).
Shock #0, Julho de 1983, 24 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 500 exemplares. Lisboa.

Shock #2
Neste número dedicado ao belga Edgar-Pierre Jacobs, a Tertúlia é aberta por Luiz Beira. Os célebres personagens Blake, Mortimer, Olrik são parodiados pelos seguintes desenhadores: Augusto Trigo, Artur Correia, Luis Louro, Vassalo Miranda, Estrompa, José Paulo, Luis Diferr, Rá, Renato Abreu, H. Carrilho e Rebelo da Silva.
Há também uma página com notícias breves sobre alguns acontecimentos relacionados com a banda desenhada nacional.
Segue-se uma entrevista (um questionário, mais propriamente) superficial e desinteressante ao Dr. Chaves Ferreira.
Termina com um artigo biográfico sobre Edgar-Pierre Jacobs escrito por António José Simões.
Shock #2, Novembro de 1989, 18 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm.,  Lisboa.

Shock #5
O quinto número do Shock surge renovado com um novo grupo de editores, constituído por Estrompa, António Simões, Luis Louro, Gisélia Lourenço e José Paulo. Este número é dedicado à dupla René Goscinny e Albert Uderzo e os diversos participantes homenageiam a sua principal criação - Astérix e Obélix. Há uma mescla de autores consagrados e de jovens emergentes.
Os autores dos desenhos e pranchas inspiradas na dupla de irredutíveis gauleses, são: Augusto Trigo, José Abrantes, Victor Borges, João Cabrita, José Pedro Costa, João Cabrita, Diniz Conefrey, Manuel Brum, Pepedelrey, Rui Lacas, Luis Louro, Francisco Legatheaux, Renato Abreu, José Paulo Marques, Hélder Carrilho, José Ruy e Estrompa.
Há também uma secção de notícias, referenciando a realização da Feira do Livro de Lisboa e principalmente o lançamento do primeiro número de LX Comics.
Segue-se um entrevista de perguntas e respostas directas a José Ruy e para finalizar, um texto assinado por Luis Filipe Sebastião, homenageando a dupla de criadores de Astérix.
Shock #5, Maio de 1990, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 120 exemplares. Lisboa.

Shock #9
O autor homenageado neste número é Hugo Pratt e o seu Corto Maltese. Contribuem com desenhos Augusto Trigo, Marina Palácio, Xanxa Cabrita, Guima, João Fazenda, Rui Lacas, Luís Louro e Ricardo Blanco.
Há também diversas banda desenhadas curtas como 'Balada do Ego Falhado' de Pepedelrey, 'Porto Maltês' de Brum, 'O Perfume do Sonho' de José Abrantes, uma crise de inspiração desenhada por Irene Trigo, a divertida 'Tosco Malteze' de Estrompa, e 'Histórias de Aventureiros por Lisboa' por José Paulo.
Depois dos cartoons e das bd, apresenta-se uma página com frases curtas, onde os autores expressam as suas opiniões pessoais sobre Hugo Pratt e a sua obra.
Segue-se uma entrevista rápida e incisiva a Vasco Granja. Para terminar, Pepedelrey pubica o texto 'Um Pratt Salgado, Por Favor'
Shock #9, Junho de 1991, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #13
Em véspera de comemorar uma década de existência, este número é inteiramente dedicado a homenagear o autor Enki Bilal. Participam com desenhos e bd, inspirados na obra do autor nascido na antiga Jugoslávia, os seguintes autores: Deodato, Estrompa, João Fazenda, Manuel Brum, José Ramalho, Pepedelrey, Miguel, Pedro Brito, Ricardo Blanco, Tozé e Rui Abrantes. Maré participa com uma pequena biobibliografia de Bilal.
O desenho inserido na capa é da autoria de Miguel, a maqueta e o arranjo gráfico é de Estrompa. A composição ficou a cargo de Sofia Cruz e de Ana d'Almeida.
Shock #13, Fevereiro de 1993, 20 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #18
No editorial, Estrompa assinala que o Shock venceu o prémio de melhor fanzine no Festival Amadora BD pelo segundo ano consecutivo. Jorge Margarido é o autor de duas bd, ambas em tons negros e desfechos trágicos. 
"Breve História dos Heróis de Banda Desenhada no Cinema", é um breve apanhado de filmes protagonizados por personagens de bd. Por seu lado, Tozé Lopes publica o quarto tomo da série "A BD e a Música".
Rui Gamito assina "Dente por Dente" um bailado ao ritmo de tiros e execuções sumárias, em estilo Cães Danados anos 20. "A Sede do Mal" é outra aparição de Gamito em estilo gangster performativo.
Nas páginas centrais, surge o suplemento "Café no Park", em papel tipo jornal, publicando uma crónica de M.A.L.S., e pranchas de Amadeu Pinto, Estrompa, M. Jorge com uma história de Leopoldo já publicada em O Piolho #2.
Ana Branco retoma uma bd com gaivotas, Tejo e ponte ao fundo, publicada anteriormente no Boom #2.
Carlos Gonçalves disponibiliza um detalhado artigo sobre o famoso detective Dick Tracy, também transposto para o cinema.
Nas últimas páginas, é publicada 
"Fraternidade" um episódio de guerra em bd muda e negra, da autoria de Vitor Borges e Paulo Moreiras.
Shock #18, Fevereiro de 1996, 36 págs, impresso a preto & branco, 20,5x27,5cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #27
O Shock completamente mergulhado em estilo noir, pelas mãos de Estrompa e de José Lopes. O cenário é a América mitificada dos gangsters e das mulheres fatais, gente ambiciosa e gananciosa sem escrúpulos ou moral.
São publicadas as bandas desenhadas "Ciúme" e "Vingança Macabra" e "O Destino Escreve-se Por Linhas Tortas", por Estrompa e José Lopes.
Há ainda o texto "Balada para 3 Defuntos" escrito por Arold Rubins, "Mulheres nu Shock" por Apolinário S. e "Pesadelo" por Pérce Vactiv.
Shock #27, Dezembro de 2007, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 19,6x27,2cm. Lisboa.

28 maio 2026

Simão

Um extraordinário desenho de Pedro Sousa Dias abrilhanta a capa do terceiro número do Simão. No editorial, Rui Pinto Garcia lamenta a perda de protagonismo do Porto em relação a Lisboa, referindo-se ao definhamento do Porto em variados sectores e com especial relevo na banda desenhada com o desaparecimento de publicações e eventos como o Salão Internacional de BD do Porto.
A primeira história é 'Santa Luzia' de Jorge Matos, narrando uma sequência de eventos trágicos que ocorrem numa aldeia. A culpa é atirada para um 'bruxo', que acaba por ser internado no Hospício Santa Luzia. Os doentes são sujeitos a todo o tipo de sevícias e acabam por revoltar-se contra quem os oprime.
Segue-se 'Night Trip' de Michaïl Doubos, uma viagem nocturna numa carruagem repleta de estranhas e perigosas criaturas.
A última página é entregue ao autor galego Andrés Garcia Fortes com o humor das freiras pinguim.
Simão #3, Agosto de 1993, 16 págs, offset a preto & branco; capa em papel colorido, 21x29,7cm. Tiragem: 200 exemplares. Edição: Associação Velho Pelicano. Porto.

10 maio 2026

Piratininga

Piratininga foi publicado no Brasil pelas revistas Porrada Special e Pau-Brasil e em Portugal começou a ser publicado em capítulos no fanzine Banda, sendo depois recompilada neste álbum.
Acompanhamos as desventuras de um grupo de criminosos foragidos da prisão, num Brasil futurista ocupado pelos norte-americanos, exercendo rigorosa segurança e vigilância, com sistemas militares robotizados.
Sobre esta série em 10 episódios, criada pelo autor brasileiro Arthur Garcia, parece que se foi desenvolvendo conforme ia sendo criada. Quando o autor "pousou os olhos sobre os sete criminosos e o policial que preenchiam a primeira aventura encheu-se de dúvidas. Quem eram eles? De onde vinham? Para onde iam? Daí por diante tudo foi diferente, com o aparecimento de inúmeros motivos para novas histórias.
Piratininga passou a ser uma série de crónicas sobre tudo o que aborrecia o Arthur, adquirindo para ele uma nova dimensão, a de registar o quotidiano brasileiro.
Piratininga é o nome indígena de um rio no sudeste do Brasil e de uma vila a ele próxima. Piratininga é S. Paulo."
Piratininga, 1993, 36 págs, offset a preto & branco, 21x27,5cm, Tiragem: 500 exemplares. Edição: Jogo de Imagens. Amadora.

16 março 2026

The Badsummerboys Fanzine

The Badsummerboys Fanzine #1

O primeiro The Badsummerboys Fanzine assumia que "não querendo ser igual aos outros corremos o risco de sermos diferentes. Melhores ou piores tanto faz, pois o nosso único objectivo é pormos cá fora aquilo que vai cá dentro... pretende tão somente ser um espelho do que é a filosofia BADSUMMERBOYANA - derivada da contestação dos 60, do psicadelismo dos 70, da revolta punk, do consumismo dos 80, da laranja amarga dos últimos 8 anos."
Movido pela força criativa de Geral (Mário Cavaco) encarregado dos textos e por Derradê (Dário Rui) responsável pelos desenhos, a dupla apresenta um concentrado de tiras humorísticas carregadas de acidez, sexo, bebedeira, misoginia e desafio ao puritanismo.
A politica, e principalmente o politicamente correcto, é alvo de corrosiva ironia e gozo. Directamente dos baixios de Alverca, sob o alto desígnio de Níquel Náusea, Piratas do Tietê, Chiclete com Banana e toda a galera de tipinhos inúteis, nada escapa ao riso escarninho dos BadSummerBoys.

The Badsummerboys Fanzine #1, Outubro de 1993, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Uma Produção de Marda. Alverca.

The Badsummerboys Fanzine #2



The Badsummerboys Fanzine #3
Fanzine editado pela dupla Geral et Derradé, com a capa pintada manualmente com lápis de cor. No interior, podemos encontrar muita banda desenhada de cariz humorístico, alguns textos sobre música e uma página dedicada à divulgação de fanzines. Este terceiro número, conta com diversas colaborações como Sérgio Feijão e  Rogério (ilustração), Paulo Gomes, Pedro "El Chaparro" Denis com um pequeno conto, Vera, Absinto e Claude.
Temos várias pranchas protagonizadas pelos Badsummerboys e pelo Esquadrão BSB de Geral et Derradé. A dupla apresenta também os personagens "Eléctrico", o velho "Tio Putinhas" e "Querido Narciso". Por seu lado, Valdemar apresenta a bd "O Fódósgas". O texto "Nova Era Sarcástica" por Gandayo descreve uma breve biografia da banda  Sarcastic Angel.
Em "Eramus Um Diem" Paulo Inácio escreve um pequeno delírio sobre Alverca, designadamente sobre algumas bandas desconhecidas como os Tequilla Pura, Karpe Diem, Miss Kiss e Maal.
Derradé apresenta algumas tiras de "JUVEntude Inquieta".
Na página dedicada à divulgação de fanzines, são referenciados os seguintes: Arkham, Banda Desejada, Mesinha de Cabeceira, Shock e Art 9.
Seguem quatro páginas repletas com "As Piadas do Geral", muito bem apanhadas e bem secas. "Bate Mal" de Jesus, é uma sátira cansada ao Batman. A última prancha é "Cu...lturismo" de M. Jorge.
The Badsummerboys Fanzine #3, Outubro de 1994, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Uma Produção de Marda. Alverca.

11 outubro 2025

Crack!

Crack! #2
Neste segundo Crack! há espaço e incentivo para o envio de correspondência, com críticas e sugestões, e troca de ideias com os leitores. O fanzine não pretende focar-se apenas na vertente musical, procurando analisar e reflectir sobre a situação política nacional e internacional. Neste contexto, os artigos "1992: Crise-Espetáculo" de Mutante Noé e "A História Deles" de Kraal Kobalt, são importantes reflexões sobre o contexto histórico vivido na época. Há também diversos reportes de ocupações em várias cidades europeias e de algumas actividades desenvolvidas pelo movimento anarco-punk em Portugal.
O texto "500 Anos de Resistência Índia" aborda os massacres e a violência exercida sobre as populações indígenas das Américas.
Mutante Noé entrevista membros do grupo "Hunt Saboteurs" de Edimburgo, célebre pela sua actuação em caçadas organizadas no Reino Unido.
A Comunidade Europeia e as suas regras restritivas para a entrada de estrangeiros e as normas rígidas do mercado único são criticadas veementemente.
Seguem-se diversas entrevistas: - à banda húngara Trottel, aos ingleses W.O.R.M., e a duas bandas de Lisboa: Corrosão Caótica e X-Acto; e duas bandas do Porto: Humor Cáustico e Kristo Era Gay.
Artigos sobre Ice-T, Pigface, Malhavoc, a anteceder as habituais páginas dedicadas a críticas a novas edições discográficas e também a fanzines e livros. Em suma, uma das melhores publicações dentro desta área.
Crack! #2,
 Outono de 1993, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

Crack! #3 

Fanzine libertário de excelente qualidade, produzido por Mutante Noé, Vasco Rodrigues e Luis Moreno. O Crack! é bastante sólido e bem escrito, com textos de temática política, tecnologia, modos de vida e divulgação de discos, livros e publicações alternativas. Nas primeiras páginas, são abordados os problemas habituais da acção libertária e a dificuldade verificadas para quebrar o imobilismo social. 
Referem o relativo fracasso das Jornadas Libertárias realizadas no Porto. Mencionam as casas ocupadas e divulgam diversas notícias e contactos internacionais.
Sob o título "New Age Travellers" são entrevistadas duas inglesas nómadas que passaram pelo Porto em finais de 1994. Depois é publicado um artigo sobre uma ocupação e reabilitação de uma velha escola pública abandonada no País Basco.
Ian McKaye dos norte-americanos Fugazi responde a algumas questões colocadas por escrito pela redacção do Crack! Segue-se nova entrevista aos membros da banda japonesa Zeni Geva e também aos Neurosis.
A secção dedicada à divulgação de fanzines inicia com um texto de reflexão sobre a feitura e publicação de fanzines (O Estado da Cena), seguida de um destaque ao fanzine "Naturanimal" e uma pequena entrevista à respetiva editora. Várias outras publicações nacionais como "ZWF", "Atitude Alternativa", "Morte à Censura", "Global Riot / Revolta" e "Kanibal", merecem destaque.
A parte dedicada à música começa com 3 perguntas a 3 bandas: Alcoore, Hud Sabão e aos Renegados de Boliqueime. A secção dedicada à crítica e divulgação de edições discográficas abrange um espectro que vai do punk / hardcore, hip hop, noise / grind, rock, até spoken word.
Este número termina com a divulgação de diversas publicações e livros e também a filmes e vídeos.
Crack! #3, Agosto de 1995, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

18 julho 2025

Mesinha de Cabeceira

Mesinha de Cabeceira #0
O fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) começou a ser editado em 1992 por Marcos Farrajota e Pedro Brito, pelo que comemorou 30 anos de existência em 2022.
Este número inaugural, apresentava como temas o Outono e as aulas, pois a estação era o Outono e a malta do fanzine era jovem e com o fim das férias de Verão ia regressar às aulas. O MdC pretendia adoptar um tema para cada edição, mas ia logo avisando que havia flexibilidade relativamente a esta matéria, o que foi bastante sensato - eles eram jovens, mas não eram tontos!
São apresentadas bd de Marte e Pedro Brito, de Rui Lacas e de Miguel Falcato.
Na vertente de divulgação musical, é publicada uma entrevista a uma banda completamente desconhecida com o nome de "Coca Cola Mentol & Conflitos".
Na rúbrica "Críticas Crípticas", Arlindo Horta escreve uma resenha sobre a novela gráfica "Arkham Asylum" de Dave McKean.
Na secção de notícias curtas "Rapidinhas", uma vez que não se consegue alinhavar nada sobre os The Smiths e sobre o filme "Naked Lunch" de David Cronenberg, falam sobre a morte iminente de um super-herói da DC Comics e também sobre o concurso de cartoon Amadora/92.
Também são publicados textos "incoerentes e marados" da amiga Ana.
Conheço o MdC praticamente desde o início e é um fanzine muito especial para mim, uma vez que acompanhou em simultâneo o meu crescente interesse por publicações amadoras. Fui assistido às suas diversas mutações: fanzine colectivo, outras vezes monográfico; da fotocópia à serigrafia; do preto & branco à impressão a cores; os vários tamanhos e formatos, os diversos tipos de papel, autores portugueses e estrangeiros... Ao longo de mais de 40 edições, o MdC apresentou-se sempre diferente, mas com uma notória evolução no trabalho de edição e publicação a cada novo número.
Muito mais haveria a dizer sobre o MdC, mas a melhor homenagem que lhe posso prestar é voltar a pegar nas suas edições, rever e ir deixando aqui algumas notas pessoais.
Julgo que me faltam alguns dos números iniciais, uma vez que o Marcos sempre recusou fazer reedições... O que faz algum sentido, quando se acredita que o melhor é o que está para vir!...
Mesinha de Cabeceira #0, Outubro de 1992, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel cor laranja, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix.

Mesinha de Cabeceira #2 / #3
Número duplo editado por Pedro Brito e Marcos Farrajota, em estilo split-zine. A capa exterior é da autoria do artista Pedro Proença. Na capa da parte "Algumas Estórias Absurdas" (#2) surge uma colagem de Ana Dionísio, seguindo-se a bd "A Maldição do Pénis" de Arlindo, uma bizarra história negra, muito bem desenhada e ainda melhor escrita. Depois, duas pranchas de Guima (Ricardo Tércio), com muita confusão e cabeças mutantes. "Abuso de Menores" é uma bd de Lacas, envolvendo relações incestuosas e depravação.
Na parte "New Kids on the Bollocks" (#3), apresentam-se novos personagens e colaboradores a debutar nas páginas do MdC. Há uma prancha de "Alice - The Real Girl" com argumento de Marte e arte de Pedro Brito (também autor da capa desta parte). Depois um Folhetim Interactivo por Arlindo. Pelo meio, surgem umas tiras envolvendo complexos de Édipo, soldados bósnios e Joseph Volverin, por Miguel Falcato e Marcos Farrajota.
Nas "Críticas Crípticas" procede-se a uma recuperação engendrada por Marcos Farrajota de um texto de Domingos Isabelinho recolhendo uma série de "pérolas" encontradas nos escritos sobre bd publicados na imprensa nacional, atribuindo-lhes um galardão e tudo!
Antes de terminar, há ainda espaço para "Play Rats" de João Tércio.
Mesinha de Cabeceira #2/3, Setembro de 1993, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Kómix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #4
O tema deste quarto número "sangue novo", pretende dar visibilidade a novos autores ainda por publicar. A capa e contracapa são assinadas por Sandro. A primeira banda desenhada, intitulada "Folhetim - Parte 5" começa sempre com o mesmo pressuposto, derivando para desfechos diferentes. Segue-se "Lisboa Dá à Luz" por Vitor Santos, uma cidade em processo de transformação, parindo novos edifícios.
Na rúbrica "Criticas Crípticas", Marcos Farrajota relata os principais eventos do 7.º Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. Depois, Deo apresenta a prancha "A Companhia dos Monstros". Logo de seguida, somos surpreendidos com a primeira bd de Gregório, às voltas com a sagrada trilogia do sexo, drogas e morte, que assombra a existência de muitos artistas.
Novo capítulo de "Criticas Crípticas", com Marcos Farrajota a insistir na banda Coca Cola Mentol & Conflitos (ver MdC #0).
Pedro Brito apresenta "Tédio!" bd sobre a falta de inspiração e de algo interessante para fazer. Antes da nova secção de correio dos leitores, é publicada uma ilustração de Pedro Proença. Nas páginas centrais, duas pranchas por Maria João.
Mira apresenta uma "bd montagem", sequenciando uma série de vinhetas de proveniências e estilos diversos, procurando uma possível narratividade. Depois, vem "Playrats" por João Tércio e uma nova bd de Gregório, desta vez, com guitarras distorcidas e multidões em delírio.
"Inadaptados" marca a estreia de Nunsky, com a bd mais extensa, exibindo todo o catálogo de criaturas que habitam o submundo da grande selva urbana: drogados, vagabundos, prostitutas e inadaptados. Quando os skinheads se cruzam no caminho, segue-se uma orgia de sangue e vísceras de carecas nazis, arrancadas a golpes de motosserra.
Mesinha de Cabeceira #4, Janeiro de 1994, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 115 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #6
A capa é da responsabilidade de Pedro Brito, que também desenha a bd "Homem-Transferidor", baseada no argumento de Marcos Farrajota. Segue-se a prancha "Ovelhas" de José Carlos Fernandes e também "Uma História de Amor" de Marcelão, editor do fanzine Over-12.
Destaque para a publicação de uma entrevista com Estrompa, responsável pelos fanzines Shock e Café no Park.
"Loverboy - O Empatas Industrial" da autoria de Marte, com o Loverboy a recorrer a todo o tipo de expedientes para tentar safar-se das suas responsabilidades "conjugais".
As últimas páginas são dedicadas a trabalhos rejeitados e à divulgação de prémios e concursos.  
Mesinha de Cabeceira #6 (1.ª edição), Outubro de 1994, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Cerca de meio ano após a edição original, surge a 2.ª edição "aumentada e melhorada". Relativamente à primeira edição, desaparece o Loverboy e em contrapartida, entram novas bd: um cão americano tipo Pluto a mimetizar cenas do filme "Apocalypse Now"; "Playrats" de João Tércio; uma prancha humorística da dupla Geral & Derradé e também alguma bd autobiográfica de Marcos Farrajota. Há uma melhoria nítida na qualidade de reprodução das fotos do Estrompa a acompanhar a respetiva entrevista - era uma pena umas fotos tão boas estarem tão mal impressas!
Nesta nova edição há também mais texto como as "Críticas Crípticas" que versam sobre várias edições da responsabilidade de José Carlos Fernandes e também curtas resenhas sobre os novos números dos fanzines Classe Média e do BadSummerBoys. Outra novidade é a publicação da "Lista de Ódio" do Marcos e uma lista de nomes brasileiros muito bizarros.
Mesinha de Cabeceira #6 (2.ª edição), Fevereiro de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #10
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, em colaboração com a Associação Chili Com Carne, conta com capa e bandas desenhadas de Marcos Farrajota. A primeira parte deste número é preenchida com "Histórias de Noitadas, Deprês & Bubas", num estilo diarístico, algumas vezes escorregando na irrelevância, outras vezes (os melhores momentos) num estilo autobiográfico, que nos suscita a dúvida se o autor não estará a divagar e a ficcionar a sua vida e intimidade.
Segue-se a rúbrica "Críticas Crípticas" comentando diversas publicações alternativas como "Malus" de Christopher Webster e "Sourball Prodigy" de Mike Diana, ambas posteriormente editadas por M. Farrajota. No tocante aos fanzines nacionais, notas sobre Sub #1, Shock #19, Aardvark #3 e Atelier de Técnicas Narrativas - Curso de Banda Desenhada.
Daniel D. (Dias) apresenta uma bd sanguinolenta em duas pranchas. De seguida, um extenso artigo "Tolerância Zero" escrito por Mike Diana, narrando o seu caso com o sistema judicial americano devido ao seu fanzine "Boiled Angel".
Na última página, o "Rejeitados #8", com um desenho da Mariazinha por Rui Lacas, feito para um poster que nunca chegou a ser impresso.
Mesinha de Cabeceira #10, Novembro de 1996, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #11


Mesinha de Cabeceira #11, Março de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #12


Mesinha de Cabeceira #12, Julho de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

14 dezembro 2024

WC Comics

Assumindo-se como um fanzine aperiódico de estudo e divulgação da nona arte, o WC Comics durou uns escassos dois números. Feito a partir da cidade de Castelo Branco e editado por Luís Costa, o WC Comics apresentava recensões criticas a livros de banda desenhada como "Maus" de Art Spiegelman, "Neuromante" de William Gibson, "Marshal Law" de Mills / O'Neill, "A Febre de Urbicanda" de Schuiten / Peeters e alguns tomos do viking "Hagar" por Dik Browne.
O primeiro projecto publicado é da autoria de EFE "Como Fazer uma BD Por Computador", constituindo um guia ilustrado sobre as novas possibilidades abertas pelas inovações tecnológicas que surgiam na época.
Há também textos assinados pelo editor sobre a situação da bd em Portugal e uma reportagem cobrindo o Salão Internacional de Barcelona de 1993.
São também publicadas as bd curtas "Você Sabe que Está em Castelo Branco Quando.." e "A Verdadeira História de Caim e Abel" ambas de EFE.
Há ainda mais uma bd intitulada "Algures entre -∞ e +∞" por Brettes, um colaborador habitual do conterrâneo fanzine Reator.
WC Comics #1, Outubro de 1993, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: White Castle Comics. Castelo Branco.

06 março 2024

Café no Park

Café no Park #3
Café no Park #3, Outubro de 1992, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #4

A capa deste Café no Park foi desenhada por Miguel. A primeira prancha "Animais" de Rui Abrantes, envolve um relacionamento inter-animal com galináceos gulosos e cães atrevidos. "Eroticidades" de Mário de Almeida, é um texto que versa sobre o erotismo visual na banda desenhada. A banda desenhada o "Troféu!" narra uma história macabra desenhada por Pedro Brito. Depois, surge a continuação vinda do número anterior de "Má Sorte Ter Sido Escolhido P. Diabo" de Rui Lacas, uma maldição diabólica apresentada com uma composição gráfica muito bem conseguida.
O que parecia um inocente passeio nocturno no parque, transforma-se num "Sórdido Assassínio" desvendado por José Ramalho.
Nas páginas centrais, o Suplemento "A Bica", que abre com um texto do Dr. Polémico a denunciar a crescente violência apresentada nos filmes e na bd, um pesadelo para aqueles fãs das imagens saudáveis dos anos 
40 e 50. Depois dos comentários à correspondência recebida no Park Postal, segue-se um texto bastante ilustrativo do que é publicar fanzines de banda desenhada.
O Tornado de Estrompa envolve-se com o Vaticano para resolver o "Crime" do Padre Amaro. No final do trabalhinho, ninguém fica a saber quem é o verdadeiro pai do rebento.
"José Justiça" de Manuel Jorge (Maré) irrompe em mais duas pranchas transbordantes de violência e raiva policial.
Estrompa regressa com 
numa história incestuosa no seio da "A Família Darling".
Este número termina com "Solidões Paranoicas" de Amadeu Pinto, um solilóquio no feminino. 
Café no Park #4, Abril de 1993, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #5
A capa do n.º 5 do Café no Park é desenhada por Maré. Na contracapa, uma prancha de Rui Abrantes intitulada "Animais". Depois, Pedro Brito apresenta "Encontro!!" entre o delírio acordado e a auto ilusão consciente.
"MAT - A Angústia de um Detective" de M. Jorge, uma história de corrupção, arrependimento e má consciência, bebedeira e confissão expiadora.
Maré apresenta "José Justiça" um policia que não olha a meios para impor a sua vontade e a sua lei.
O Tornado de Estrompa surge numa nova história de cowboys intitulada "Imperdoável", onde o seu herói é contratado para vingar uma prostituta maltratada, acabando por limpar o sebo a toda a pandilha do xerife lá do sítio. A missão para que foi contratado, foi coroada de êxito, e Tornado ganhou o carinho das girls e também uma doença venérea.
De seguida, Brum apresenta os preparativos de Spencer para realizar uma reportagem: "Na Cama com Mandona".
"A Violação" de José Ramalho, é uma história onde o violado é um homem, ou será apenas um estranho jogo sexual?
"É Só Rock'N'Roll (Mas Nós Curtimos)" de José Carlos Fernandes, sobre um concerto no Natal, que acabou por ser o melhor que a banda deu.
Há ainda o conto "Humphrey" de Maré e também o suplemento "A Bica" com 4 páginas. Começa com a bicada ao conservadorismo do Sobreda de Luis Beira. Depois, apresentam os novos colaboradores: Pedro Brito e M. Jorge. O conto "Metamorfoses" de Isabel Lopes e ilustração de Tozé Lopes. Ainda deste autor, um texto sobre a relação entre a bd e a pintura. 
Café no Park #5, Julho de 1993, 28 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 21x29,7cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

10 novembro 2023

Quadrado

Quadrado #1

Quadrado #1, Maio de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #2
O segundo número do Quadrado apresenta mudanças significativas relativamente à edição anterior. Desde logo, foi abandonado o tamanho comic-book e adoptado um formato maior, mais próximo do álbum de bd e revista.
A abrir, na rúbrica "Em busca de pérolas", que distingue uma obra / autor, foi seleccionada a capa do número 31 da revista Love & Rockets dos irmãos Jaime e Gilbert Hernandez. No editorial, José Rui Fernandes, rejubila com o inicio da distribuição nacional da revista Ray Gun, considerada na altura "Biblia da música e do estilo" e uma referência assumida pelos editores do Quadrado.
Seguem-se diversas notícias breves, abarcando os super-heróis americanos, a pretensa homossexualidade de Bugs Bunny, a revista escandinava Fahrenheit, a reedição dos primeiros álbuns de Bilal pela Meribérica e a preparação da 7.ª edição do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto (SIBDP).
Relativamente à divulgação e crítica, debruçam-se sobre algumas edições da Meribérica, da Fantagraphics, Epic, Tundra, Dupuis, Vertigo, a edição de "Controlo Remoto" de José Carlos Fernandes e diversos livros de "Calvin & Hobbes" de Bill Watterson, publicados pela Gradiva.
No tocante à banda desenhada, impressa em papel couché, são publicadas três curtas em crescendo, da autoria de  José Carlos Fernandes: - "E tudo o vento levou", "Life and how to live it", inspirada numa ideia de Albert Camus em "A Peste"; e "Dogfight", com o Barão Vermelho, o Snoopy, Roy Lichtenstein e Rilke à mistura.
Nuno Nisa apresenta mais um capítulo das suas derivas intergalácticas. O seu inconfundível estilo gráfico psicadélico e organicista, cruza-se com uma narrativa onde o choque de civilizações leva à aniquilação de ambos.
Há ainda banda desenhada por Mário Moura e por Ágata Moreira e Miguel Couto.
Regressando ao papel reciclado, um artigo sobre a nova colecção "Génération Dargaud" destinada a lançar novos valores e revitalizar o catálogo da editora.
No seguimento do artigo sobre a DC Comics publicado na edição anterior, desta vez é destacada a "Piranha Press", subsidiária da DC, com um perfil mais experimental e inovador.
Nesta edição também há espaço para a crítica e divulgação musical, sendo analisados os discos "Easter" dos Sugar, "Satyricon" dos Meat Beat Manifesto, o disco homónimo de estreia dos Red House Painters e por fim, o álbum "Feedlotloophole" dos Honey Barbara, editado pela Emigre.
Quadrado #2, Julho de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #3

Quadrado #3, Setembro de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #4

Quadrado #4, Junho de 1994, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

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