Mostrar mensagens com a etiqueta Oscaralhinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oscaralhinho. Mostrar todas as mensagens

16 janeiro 2026

Tupilak / Cabina

Como vem sendo habitual nas publicações de Oscaralhinho, não existe qualquer traço identificativo: título, autor, data de publicação, nem qualquer tipo de texto que forneça alguma pista sobre o trabalho. Após questionar o autor, referiu que "não há nenhum título oficial para a publicação, mas tenho-a guardada digitalmente com 2 nomes: tupilak e cabina."
O papel craft confere uma tonalidade telúrica aos desenhos provindos de tempos e mundos antigos. Os elementos da natureza, os animais e as plantas, o campanário a ecoar as matinas e as trindades, pautando a jornada de trabalho, as preces e superstições, rodopiando lentamente em redor das montanhas cobertas por um manto de bruma e silêncio.
Os desenhos nunca são definidos nem reveladores, os pontos e traços velozes captando a impressão fugaz, conservam o mistério de outrora; as manchas indefinidas vão compondo um horizonte de tradição e ascensão espiritual, em confronto com a alienação do mundo moderno.
Tupilak / Cabina, 2024, 16 págs, impresso a preto sobre papel craft, 14x20cm. Porto.

02 outubro 2025

Coisas Feias em Belas Artes

Fanzine lançado no decurso da edição de 2023 da Feira da Alegria realizada nos Jardins da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). Desenvolvido ao longo do mês de março no contexto da celebração do Dia do Estudante, a Associação da FBAUP esboçou um arco temporal de 30 anos (1993-2023), organizando e desenvolvendo este fanzine que reune diversos testemunhos e memórias de antigos dirigentes da Associação de Estudantes.
As memórias e os relatos dos antigos dirigentes estudantis foram absorvidos e trabalhados pelos novos alunos da Faculdade com recurso ao desenho e à banda desenhada. Participam no fanzine: Óscar Ferreira, António Pereira, Martim Novais, Rita Priscila, Sofia Chitas Gouveia, Pedro Evangelho, Ana Carolina Torrinha e Rita Vieira da Silva.
As memórias dispersas acabam por compor uma certa história do movimento associativo estudantil do ensino superior, "desde a luta contra as propinas, à História com h pequeno das belas artes. Memórias de uma FBAUP dos estudantes, interventiva e de forte pulsação criativa e cultural."
Excelente publicação, merecendo uma entrada directa na Fanzineteca Ideal.
Coisas Feias em Belas Artes, Junho de 2023, 36 págs, fotocópia a preto sobre papel colorido, 14,9x21cm. Porto.

15 julho 2024

sem título

À semelhança de Print Freud, obtive este fanzine na Feira da Alegria, realizada em 2023 nos jardins da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Tal como o anterior, este fanzine também não apresenta qualquer traço identificativo: título, autor, data de publicação, tiragem, cultivando um total anonimato reminiscente da cultura techno e rave de finais do século passado. 
A composição e a paginação não parecem obedecer a uma ordem estrita, podendo ser reconfiguradas sem perder coerência e adquirindo novos sentidos. Também nesta publicação sem título, impera a escuridão e a decadência, em contraste acentuado com a luz emanada dos desenhos esboçados em fundo claro. Perfis urbanos e ambientes domésticos, flashes de luz e de cor capturados aleatoriamente para compor um cenário de familiaridade e de desolação.
As imagens e os desenhos apresentam-se num estado de lenta desintegração, evanescentes, vaporosos e insinuantes. Pressente-se a influência das técnicas e da linguagem do cinema de animação, a manipulação brutalista e a reprodução abstratizante das imagens, saturando-as de sombras e negrume obtidos em fotocopiadoras xerox analógicas, intercaladas com manchas luminosas de cor a ilidirem um mundo submerso em sombras e matéria negra.
sem título, 2023, 24 págs, impressão caseira a preto & branco e cores, 14x20cm. Porto.

08 julho 2023

Print Freud

Adquiri o fanzine Print Freud na Feira da Alegria, realizada na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Não apresenta qualquer traço identificativo: título, autor, origem, data de publicação... nada, nem uma palavra. Uma resistência às condições de visibilidade omnipresentes impostas pela cultura digital. No entanto, não foi o anonimato, o apagamento de qualquer referencial autoral, que despertou a minha atenção. 
Foi a desolação que se intui a cada página, um negrume provocado por uma catástrofe que ainda não aconteceu, mas está iminente. Uma inquietação latente, palpitante...
Vemos espaços urbanos abandonados, que outrora abrigaram gentes e sonhos, que se estilhaçaram em mil desilusões e fracassos. As imagens surgem-nos em processo de lenta desintegração, reproduzidas, ampliadas, desfocadas até à abstração. Ao fundo, o som vai alternando entre Burial e The Disintegration Loops de William Basinski.
Sobrepostos às imagens fotográficas saturadas, surgem desenhos que são pequenos clarões, vinhetas lampejos num mundo privado de luz. São os fragmentos desenhados que abrem orifícios, janelas num mundo mergulhado em sombras e matéria negra.
Print Freud, 2021, 16 págs, fotocópia a preto & branco, 14x20cm. Porto.

  © Ourblogtemplates.com