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04 maio 2026

Salao Coboi

Publicação criada por Salao Coboi (José Cardoso) contendo 24 figuras totémicas desenhadas minuciosamente a preto e branco. Segundo o autor são 24 possibilidades de nos salvar ou proteger das forças do mal. A edição numerada e limitada inclui um cartaz de dimensões generosas (48x68cm).
"A relação que encontro entre os Moai e os desenhos de José Cardoso resulta, em primeiro lugar, do poder empático de ambos e, ao mesmo tempo, da facilidade com que nos conduzem a um território onde nos envolvemos na criação de histórias e hipóteses narrativas. Tal como as estátuas da Ilha da Páscoa favorecem a construção de narrativas intrincadas que transitam transversalmente entre o universo do mito, da especulação e das preocupações ecológicas ou arqueológicas, os totens de José Cardoso funcionam como xamãs, ajudando-nos a entrar num mundo povoado por criaturas antropomórficas.
Estes seres representam um mundo que desconhecemos, onde a protecção e o sobrenatural são uma unidade única que lhes dá razão de existir, e constituem um passaporte para um buraco negro.
A única coisa certa nesta jornada é o ponto de partida e não a linha de chegada, uma vez que, tal como nos 24 desenhos aqui apresentados, quando pensamos ter encontrado um caminho para a sua compreensão geral, surge um novo desenho e surgem novas dúvidas, o que implica uma reformulação dos mecanismos de compreensão. Este regresso constante ao ponto de partida existe porque podemos encontrar qualidades comuns, que se repetem ou se transformam em novas situações. Talvez a essência seja que, tal como os Moai, os totens de José Cardoso representam um universo reconhecido por todos, impregnado de um peso simbólico que apenas se vislumbra se nos entregarmos a um rito de passagem, no reconhecimento dos elementos secundários que nos conduzem à compreensão do todo.
Estes elementos podem parecer secundários, mas são, na realidade, a chave para compreender as criaturas. As tatuagens, os répteis, os ícones da cultura pop ou as mandalas representadas funcionam como objetos sagrados ou como santuários.
No fim, os totens e os Moai perpetuam uma das condições humanas: a criação de longas narrativas."
(Tradução livre do inglês de excerto da introdução escrita por Rui Vitorino Santos).

Salao Coboi, Fevereiro de 2010, 28 págs., Monotone offset, 16,8x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana Press. Porto.

11 dezembro 2025

Cleópatra

Cleópatra #2
Fanzine de Tiago Baptista ao melhor estilo dos fanzines pessoais. O autor informa no editorial que o nome da publicação não tem nada a ver com o conteúdo. Seria uma homenagem às Cleópatras, mas que essa ideia trágico-romântica deixou de fazer sentido logo no primeiro número, tornando-se o fanzine numa complexa massa de informação aparentemente desconectada.
O Cleópatra tem ilustrações, pequenas bandas desenhadas, um texto / manifesto anti, intitulado "O Meu Portugal", que é uma excelente diatribe, ainda hoje plena de actualidade. A finalizar o fanzine, são apresentadas notas críticas a diversos fanzines e outras publicações e também a discos de música da preferência de Tiago Baptista.
Cleópatra #2, Agosto de 2007, 32 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Leiria.

Cleópatra #3
Passaram-se 17 meses desde a publicação do número anterior e Tiago Baptista questiona-se para que servirá editar um fanzine? "Vejo neste tipo de publicação uma espécie de pedra. Uma pedra num charco. Um charco lamacento, pantanoso este que é a sociedade, num sentido mais vasto o nosso mundo, isto em que vivemos".
O tom do fanzine é extremamente pessimista e desiludido com o sistema da arte e com a sociedade capitalista no geral. Os trabalhos publicados, sejam banda desenhada ou desenhos são todos excelentes.
A fechar este número, uma página dedicada à divulgação de diversas publicações alternativas.
Cleópatra #3, Dezembro de 2008, 16 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco; capa em cartolina serigrafada. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Lisboa / Leiria.

Cleópatra #4

As angústias, dúvidas e demais perplexidades com que se confronta o jovem artista, constituem um fio condutor deste Cleópatra. A primeira BD de 3 págs. "Artista Agarra a tua Oportunidade", constata que apesar do talento e do trabalho árduo, o artista pode facilmente cair no canto da sereia e acabar como uma atração de circo. A BD "The Titles of the Exhibition Still Sound Better in English", também reflecte sobre as questões que se colocam aos artistas nas suas exposições.
De forma bastante mais descontraída, a banda desenhada "Surrealist Adventure", apresenta um desvario com as personagens montadas em skates na berma de um vulcão em erupção e a acabarem a beber gasosa com tintura de iodo!
A finalizar o fanzine, são apresentadas críticas aos fanzines Cooltura, Phantastes, Lola Folga às Quartas e à publicação brasileira Chiclete Com Banana; na música, é destacado o álbum dos Swans "1983 - Filth/Body to Body, Job to Job 1982-85". 
Cleópatra #4, Abril/Maio de 2009, 20 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco; capa em stencil colorido. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Leiria.

Cleópatra #5
Na sequência de um período de cerca de ano e meio a trabalhar num cinema nas Caldas da Rainha, Tiago Baptista reflecte sobre as questões da precariedade laboral, dos salários miseráveis, enfim, da exploração capitalista do assalariado. No entanto, estando a trabalhar num cinema, o autor não poderia deixar de reflectir também sobre o modelo vigente de distribuição e exibição de cinema em Portugal. As bandas desenhadas apresentadas partem da premissa do autor estar a assistir aos filmes que são exibidos na sala onde trabalha, na companhia de alguns dos realizadores que mais admira. O autor , assumindo o alter-ego Zé Cabeludo, tem a companhia de François Truffaut, Manoel de Oliveira, Andrei Tarkovski e Ingmar Bergman. Nos três primeiros casos, a cena decorre no interior da sala de cinema e os personagens vão discorrendo sobre o filme em exibição. No caso de Bergman, a cena decorre na ida para o cinema e na escolha do filme a ver, que se revela infrutífera, uma vez que não há nada interessante para assistir. 
As 4 bandas desenhadas são intercaladas por imagens fotográficas de manequins de moda, a afirmarem as coisas mais improváveis, através da utilização da técnica do détournement.
Uma nota final para a excelente qualidade geral da impressão do fanzine.
Cleópatra #5, Dezembro de 2010, 32 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelo. Caldas da Rainha / Lisboa / Leiria.

Cleópatra #7
Sequências de fotografias pessoais e familiares, reproduções de obras de arte de diversas proveniências e épocas históricas, referências musicais expressas através das capas dos álbuns "The Burning World" dos Swans, "Moon Pix" de Cat Power e "Scott" de Scott Walker, ou uma imagem video de "The Third Reich 'N' Roll" dos The Residents.
A imagem da capa, uma pintura que reproduz uma fotografia que surge logo na primeira página protegida por um manto diáfano de papel vegetal. Praticamente não há legendas, nem qualquer texto, apenas uma natureza selvagem e indómita, associada ao poder xamânico da arte e da força de trabalho do homem, produzindo significado profundo e intemporal. A magia das imagens e das associações operadas por Tiago Baptista impõe-se com a força telúrica que sonda os mistérios nas profundezas da alma humana, dividida entre a tradição e a modernidade, entre o sagrado e o profano, entre a arte e o vernáculo.
"Que se devolva o segredo às imagens", eis a muito apropriada epígrafe deste Cleópatra.  
Cleópatra #7, Junho de 2012, 44 págs., 21x29,7cm., impressão laser a preto & branco; capa a cores. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos.

Cleópatra #8
Nesta edição, integralmente constituída por trabalhos de Tiago Baptista, os textos foram completamente abolidos e as bandas desenhadas também. Há muitos desenhos preparatórios para cartazes, para pinturas, e outros trabalhos. Este fanzine acaba por constituir um repositório de estudos, esboços, mas também de outros trabalhos mais desenvolvidos, tudo com excelente qualidade gráfica e uma identidade autoral muito vincada de Tiago Baptista.
Cleópatra #8, Dezembro de 2012, 40 págs., 20,5x28,3cm., fotocópia digital a preto & branco e cores. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos.

17 novembro 2025

I´m Open but I Follow my Heart

Fanzine bastante caótico de Ana Ribeiro, escrito maioritariamente em inglês, mas com frases em português à mistura. A composição gráfica das páginas lembra por vezes uma peça musical, como se a autora estivesse a compor, mas as notas musicais teimassem em fugir da pauta. O texto desenhado manuscrito e as composições gráficas espraiam-se livremente pelas páginas e por vezes colidem, num estado de ansiedade permanente prestes a rebentar numa ebulição descontrolada.
Marcos Farrajota referiu o seguinte na altura do lançamento: "nos 10 anos da MMMNNNRRRG Ana Ribeiro lançou dois novos zines I´m Open but I Follow my Heart e Mix + Remix ou à espera do bus na lua ou como Aristóteles me lixou, quebrando a tradição do Durtykat, título de Ribeiro de sempre (2001-06). Apesar da quebra nominal, mantêm-se as mesmas características: zines de bd em A5, impresso em papeis coloridos (amarelo e castanho, respectivamente), bd's de Ribeiro com um desenho naíf, narração confusa que mistura possíveis auto-biografias com ficções sociais, "anti-design" ou design DIY (zine à mão, cola e tesoura), tudo um bocado "fora de controle" em que nunca sabemos se estamos a ler bd's curtas ou uma longa... Um escape emocional em cada página? Talvez."
I´m Open but I Follow my Heart, Junho de 2010, 36 págs, fotocópia a preto em papel amarelo; capa em papel milimétrico intervencionado, 14,9x21,5cm.

25 setembro 2025

'Yoshi' - O Puto Dragão

'Yoshi' - O Puto Dragão é o nome de um projecto musical portuense surgido em 2006, muito influenciado pela cultura pop japonesa. O disco de estreia da banda foi um CD com 5 temas, acompanhado por uma banda desenhada em estilo manga, desenhada por Ana Quirino e por João Sousa.
Cada uma das músicas é a base para um capítulo da banda desenhada, assumindo ambientes bucólicos misturados com modernidade, acção e dramatização, a cultura japonesa a cruzar-se com a tradição portuguesa.
Quando esta peça discográfica foi lançada, Marcos Farrajota escreveu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "esta resenha crítica saiu em Julho - sobre uma edição de autor. Entretanto saiu uma nova edição pela Raging Planet e Raising Legends, que nada é mais do que uma versão industrializada da mesma edição. Mudou a capa, CD gravado em fábrica (invés no PC de uma membro da banda?), impressão offset do livro de bd e nada de novo. Agora tornou-se um produto popular, estava à espera de mais do que a edição original. Enquanto sofro com falta de novidades, ficam aqui as impressões de Julho:A Aldeia Global está cheia de híbridos e este Yoshi é mais um caso de estudo! Primeiro de tudo é um zine (pelo formato amador e distribuição restrita), tem o formato de comic (formato norte-americano de bd) mas é uma Manga (bd japonesa de vertente popular e globalmente reconhecida) que conta um estória qualquer (um puto, vingança, gajos maus, um poder extraordinário, uma paixão, já apanharam o esquema, certo?) que serve de mote para a banda... Sim, existe a banda Yoshi - O Puto Dragão que tocou na Festa dos 10 anos da MMMMMMRRRG, em Maio, daí este artefacto ter caído nas nossas mãos...
Ou será o contrário, existe a banda que se transforma em banda desenhada? Em teoria, o projecto é multidisciplinar e por isso ambas partes são unas, embora haja uma grande distância qualitativa entre o amadorismo de Ana Quirino e João Sousa (que desenham a bd) e a música bem tocada e bem gravada. Isto para não falar também na performance ao vivo, cheia de energia e diversão - a banda e público disfarçam-se das personagens da bd numa pura diversão Cosplay.
Musicalmente "Cosplay-Metal" parece uma boa definição prá banda que podemos comparar a System of a Down e Mr. Bungle pelas mudanças esquizofrénicas de estilos musicais (mas sempre com a guitarra metalizada de fundo) e... Evanescence e J-Pop pelas partes "cute" e melosas. Cantam em inglês, português, francês e japonês, o que torna a coisa também bastante rica vocalmente - já uma voz feminina e uma masculina, ambas interpretam vários papeis, o que significa berros, sussurros, guturais e tudo o mais necessário para uma dramatização "live Anime".
É a melhor banda Rock portuguesa para ver ao vivo em 2010! E em disco também é bastante bom, tanto que deverão lançar brevemente um disco oficial."
'Yoshi' - O Puto Dragão, Novembro de 2010, 36 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 16,8x26,5cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: Ragingplanet / Raising Legends.

07 março 2025

Dandy

Dandy foi uma exposição colectiva realizada entre 20 de Março e 17 de Abril de 2010, na Galeria Dama Aflita no Porto. Esta publicação serviu como catálogo para a exposição.
Os 45 autores participantes foram: Afonso Cruz, Ana Torrie, André Alves, André Lemos, Andrea Gomez, Bruno Pereira, Carlos Pinheiro, Craig Atkinson, El-Ed, Esgar Acelerado, Filipe Abranches, Francisco Eduardo, Gémeo Luís, Isabel Carvalho (por Cristiana Pinto e Patrícia Guerra), João Fazenda, João Maio Pinto, Jordi Ferreiro, José Feitor, Júlio Dolbeth, Leonor Zamith, Luis Dourado, Luis Urculo, Mafalda Santos, Marco Mendes, Mário Vitória, Marta Madureira, Marta Monteiro, Maxi Luchini, Miguel Arias, Miguel Carneiro, Nuno Sousa, Paulo Patrício, Pedro Lino, Pedro Lourenço, Pedro Zamith, Ricardo Abreu, Rita Carvalho, Rômolo, Rui Vitorino Santos, Salão Coboi, Sam Baron, Serge Against Bourg, Teresa Camara Pestana, Tiago Albuquerque.
Sobre a exposição, Mário Moura escreveu o seguinte: "Já não se fala muito do Dandy: a palavra sugere outros tempos, implicando que passou de moda – um paradoxo, sem dúvida (como pode um Dandy passar de moda?) –, mas talvez se possa concluir o oposto: que o Dandy venceu e que, na nossa sociedade, toda a gente é, ou aspira a ser, um. No entanto, isso também não é bem verdade: para se ser um Dandy, não basta uma preocupação por roupas, pelo corpo ou por cremes para a cara; um Dandy não é um metrossexual. Aquilo que distingue um do outro é o que separa um vulgar arruaceiro de um artista marcial: uma certa elegância espiritual, uma certa postura intelectual. O Dandy tem uma filosofia, uma política, embora raramente o reconheça e muitas vezes o negue.
É costume ouvir-se nas notícias que fulano de tal – apesar de ter roubado a empresa, enganado os clientes, acumulado conflitos de interesse, traído a mulher, fugido para o estrangeiro – lá bem no fundo até é boa pessoa. É a mesma coisa que dizer que não se deve julgar as pessoas pelas aparências. Mas quando é que uma coisa deixa de ser uma aparência e passa a ser verdade – e não serão as aparências, na sua variedade, outras tantas verdades? Oscar Wilde dizia que só as pessoas superficiais não julgavam pelas aparências, acrescentando que o mistério do mundo reside no que é aparente e não no que é essencial. O Dandy é alguém que julga o mundo pelas aparências. O aspecto do Dandy é o símbolo da sua mobilidade social; não interessa onde nasceu, não interessa quanto dinheiro tem; apenas aquilo que parece. É esta a politica transgressora do Dandy.
Espiritualmente, o Dandy usa o discurso da mesma maneira que se veste: não conta anedotas – que no fundo são apenas fórmulas genéricas, historietas pronto-a-vestir – mas reage em segundos a qualquer situação, resumindo-a num aforismo, desmontando-a num aparte. Socialmente, aterra sempre de pé, e tal como um gato, antes mesmo de chegar ao chão já recompôs a sua postura entediada. Adapta-se a qualquer ocasião, superando-a, tornando-a enfadonha por comparação a si mesmo. O objectivo do Dandy é, de certo modo, o seu próprio tédio. Surpreende, nunca se surpreendendo."
Dandy, Março de 2010, 56 págs, offset monotone sobre papel rosa, 16,5x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana. Porto.

21 dezembro 2024

O Cérebro

O Cérebro
Um pequeno livro de uma história pictórica, criada e ilustrada por Migvel Tepes, que vinha sendo pensada e experimentada há já alguns anos e agora passou ao exterior dos diários gráficos.
Ao longo de O Cérebro, vamos assistindo ao desenrolar das desventuras de um cérebro caído durante o seu transporte em camião e que depois de andar perdido e à procura de um rumo, acaba novamente enfiado dentro de um tubo de ensaio e exposto numa prateleira.
Esta publicação foi executada de modo artesanal e com edição limitada.
O Cérebro, Julho de 2010, 24 págs., impresso a preto & branco; capa em cartolina craft, 17,5x14cm. Tiragem: 99 exemplares, Edição: Atelier 01 & Chicoispertoedições. Póvoa de Varzim.

O Cérebro - Parte 2
Quem diria que passados mais de 13 anos, Migvel Tepes iria regressar com o segundo tomo de O Cérebro?
Continua o périplo do cérebro encapsulado, desconhecendo o que o destino lhe reserva. Aparentemente, o cérebro está numa nave espacial, enclausurado num laboratório hermético e mecanizado, onde decorrem misteriosas experiências com animais. Perdido neste estranho ambiente, o cérebro teme pelo seu futuro imediato.
O Cérebro - Parte 2, Novembro de 2023, 24 págs., impresso a preto & branco; capa craft, 21x14,6cm. Tiragem: 99 exemplares, Edição: Chicoispertoedições. Vila do Conde.

15 outubro 2024

Fonos-Síntese

Fanzine auto-editado por Hugo Oliveira sobre compositores de vanguarda e discos onde se podem ouvir alguns dos melhores exemplos do seu trabalho. Para cada compositor é apresentado um desenho do seu rosto e dados biográficos mínimos (nome, ano de nascimento e nacionalidade) e uma selecção das suas principais gravações discográficas.
Os dez compositores incluídos neste primeiro volume são (ordem cronológica de nascimento): Arnold Schoenberg, Edgard Varèse, Luigi Russolo, Raymond Scott, John Cage, Moondog, David Tudor, Karlheinz Stockhausen, Wolfgang Voigt e Alva Noto.
Foram utilizados cartões de diversas cores para a capa desta publicação, mantendo-se o miolo inalterado em risografia azul sobre um papel muito fino e de grande transparência.
Fonos-Síntese #1, 2010, 48 págs, miolo em risografia azul; capa em serigrafia sobre cartão colorido de 200g., 15,2x20,5cm. Tiragem: 95 exemplares. Edição: Sociedade Anónima.

10 setembro 2024

A Bela Adormecida

 
Fanzine editado pelo húngaro Tamás Lakos (também conhecido como Tomi Lakos), durante a sua estadia na cidade do Porto para frequentar estudos na Faculdade de Belas Artes. Partindo de uma edição do livro "A Bela Adormecida" editado na colecção "Contos Preferidos" das Edições Majora, Lakos rasura a história e sobrepõe novos desenhos e cores, deixando, no entanto, entrever a espaços, a história original.
Aparentemente, o livro foi descartado pela proprietária original (está inscrita uma dedicatória de oferta de uma professora para uma aluna) e depois terá sido encontrado por Tamás Lakos, que se apropriou do mesmo, sobrepondo-lhe novas camadas de tinta e de cor.
Ao redesenhar o conto A Bela Adormecida, Tamás Lakos manteve pequenos excertos do texto original, mas alterou totalmente as ilustrações, conferindo-lhes uma aparência bastante rude e muito menos pueril. Mas, no final, todos viveram felizes para sempre!  
A Bela Adormecida, 2010, 20 págs, impressão laser a cores, 13x18cm. Tiragem: 50 exemplares. Porto.

15 junho 2024

Big Hands, Small Mobile

Big Hands, Small Mobile reúne uma selecção de desenhos retirados de um caderno de esboços do autor. Os desenhos são pequenas vinhetas do quotidiano, às quais  Daniel Oliveira acrescenta um comentário escrito em inglês.
Na maioria das situações, nada de extraordinário se passa, são instantâneos captados em espaços interiores, sejam cafés, locais de trabalho ou ambientes domésticos. Os comentários manuscritos ajudam a compor o retrato, ou então abrem novas janelas de possibilidades inusitadas.  
Big Hands, Small Mobile, Junho de 2010, 28 págs, impresso preto & branco; capa com cor directa, 11,8x16,5cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana Press. Porto.

04 maio 2024

Random Screener

Random Screener #0

Na edição inaugural do fanzine Random Screener editado pelo galego Tayone, vemos plasmadas as linhas mestras da publicação: colectivo gráfico de ilustradores e artistas de diversas proveniências com interesses na poesia visual, barroquismo ilustrado, protosurrealismo, realidades impossíveis e outras idiossincrasias particulares.
Participam 30 autores, predominantemente espanhóis, mas também de outras latitudes, como o português Miguel Carneiro. 

Random Screener #0, Abril de 2010, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 14x20cm. Edição: Amalgama. Vigo. Galiza.

Random Screener #1
Random Screener foi editado pelo galego Tayone, compilando desenhos, grafismos e textos de diversos autores internacionais como: Riot, Berto Fojo, Betty Blue, Humberjumper, Krlos Bueu, Minia, Natalia Umpierrez, Paulo Mosca, Veronica Lario, Bernardo La Fleur, Laser 69, Arturo Mosquera, Alberto Ardid, Shoboshobo, Tamara Feijoo, Andres Magan, Yogur, Ibie, Tayone, Pablo Buogh Y Bara, Peri, Jacobo Diaz, Michael Swaney, Aratevaopia, Santi Zubizarreta e Silvia Chanelas. De Portugal, participam quatro autores: Rudolfo, André Lemos, Pepedelrey e Miguel Carneiro.
Sobre esta publicação, Marcos Farrojota escreveu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "Associado ao espaço colectivo Amalgama (em Vigo), o artista galego Tayone decidiu unir-se à grande consciência cósmica zinesca universal e por isso editou um graphzine. Este "ecrã aleatório" é mais um zine de A5 com colaborações internacionais de quem anda a fazer este tipo de publicações. De Portugal participam André Lemos, Rudolfo, Miguel Carneiro e Pepedelrey mas há mais gente do Mundo Ocidental que cuspa ácido-arco-íris, kitsch metal, geo-porno e radioactividade animal. Nada de outro mundo para quem fizer parte deste mundo."
Random Screener #1, Setembro de 2010, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 14,5x21cm. Edição: Amalgama. Vigo. Galiza.

16 março 2024

Zola Ivitch

Zola Ivitch é o nome artístico adoptado por Ivo Gonçalves e é também a designação deste fanzine, que reúne diversos desenhos, ilustrações e algumas pranchas de banda desenhada.
Influenciado desde cedo pelas manifestações de cultura urbana como o grafitti e o hip hop, Ivo Gonçalves desenvolveu depois a sua formação na ESAP em Guimarães e foi enquanto estudante que lançou esta publicação multifacetada.
O gosto pela música reflecte-se em diversos desenhos e bd. Nota-se que alguns trabalhos, principalmente os coloridos, são bastante prejudicados pela qualidade da digitalização e impressão. Ao lado de alguns desenhos esboçados, estudos preliminares de figura e movimento, são igualmente apresentadas algumas ilustrações realizadas digitalmente, com uma arte final bastante desenvolvida.
Zola Ivitch, na sua diversidade acaba por funcionar quase como um portefólio de trabalhos de Ivo Gonçalves.
Zola Ivitch, Fevereiro de 2010, 16 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm.

01 março 2024

Mix + Remix ou à espera do bus na Lua ou como Aristóteles me lixou

Fanzine artesanal de Ana Ribeiro (Durtykat) com uma narrativa rente ao osso, confessional e caótica como a vida sempre é. A composição, a disposição do texto e as letras desenhadas colocam entraves à leitura fluída, mas em contrapartida insinuam uma certa musicalidade, uma banda sonora de fundo, como se as letras e frases fossem notas a vogar numa pauta.
Predominam os sentimentos e os pensamentos exposto de forma crua, recalcando questões como a frustração ou as relações de dominação no âmbito profissional, social ou passional.
As sequências apresentadas não são lineares, parecem vinhetas soltas apanhadas no quotidiano, mas é sempre o sexo feminino que está em questão: as dúvidas, as angústias, a pressão, um turbilhão de emoções atiradas para o papel tingido de sangue. 
Mix + Remix ou à espera do bus na lua ou como Aristóteles me lixou, Junho de 2010, 24 págs, fotocópia a preto sobre papel vermelho; capa a cores, 14,9x21cm.

28 janeiro 2024

B74

Sobre esta misteriosa publicação, Marcos Farrajota escreveu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "Sem aviso apareceu o B74, graphzine de um ilustrador que não assina o trabalho deixando-nos em mistério e em expectativa que o título, obra, o sítio oficial e o autor sejam uma força una e indissociável.
Desenhos automáticos - rabiscos - juntam-se a representações a desenhos de origamis nas 20 páginas A5. Desenho limpo. Tem piada, o objecto editorial também é cuidado (escolha de papel da capa e miolo) para além de ser cosido invés do tradicional agrafo. Interessante!"
B74, Maio de 2010, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel craft, 15x21cm. Tiragem: 20 exemplares (2.ª edição).

16 janeiro 2024

Crossly Black

Fanzine editado pelo húngaro Tamás Lakos (também conhecido como Tomi Lakos), durante a sua estadia na cidade do Porto para frequentar estudos na Faculdade de Belas Artes. Surgem desenhos esboços, que funcionam como uma espécie de diário visual da sua experiência em solo português.
Com traço fino alternando com manchas mais densas e sobreposições, retratam-se as situações quotidianas, as emoções fortes e o absurdo disto tudo.
Os acontecimentos marcantes do noticiário diário como as erupções do vulcão islandês Eyjafjallajokull que provocaram em 2010, uma paralisação generalizada no transporte aéreo no espaço europeu e mundial, os jogos de futebol entre o Porto e Benfica, com toda a celeuma envolvida, os encontros e desencontros, os sentimentos vividos e partilhados, vistos pelo olhar penetrante e pleno de humor negro de Tamás Lakos.
Crossly Black, 2010, 16 págs, fotocopiado a preto & branco, 13x18,8cm. Tiragem: 15 exemplares. Porto.

02 dezembro 2023

Bomboca

Logo na primeira página, num balão que, curiosamente, não tem origem na boca da personagem, a afirmação - "I am a good girl". E nós acreditamos! Sabemos que o mundo pode ser uma lugar bastante cruel e que no jogo do amor nem todos ficam a ganhar.
Christina Casnellie vai desfiando um universo muito particular moldado por desenhos simples ou muito minuciosos, intercalados por frases em inglês, afirmações ou declarações desencantadas, inquietas, sentimentais, almejando um amor incondicional maior que a vida, sabendo de antemão que é um desejo impossível de satisfazer. Porque na vida real, aquilo com que se sonha, normalmente não acaba particularmente bem.
Alguns desenhos constituem quadros isolados, outras vezes apresentam uma determinada sequência narrativa ao jeito da banda desenhada.
As máscaras que se vão assumindo e trocando no plateau dos afectos e das relações, os sentimentos exacerbados. 
O tom geral de Bomboca é bastante confessional e desiludido, com a solidão a espreitar ao virar da página, mas sempre intuindo que depois da queda no fundo, vai subsistir um alento para recomeçar tudo de novo outra vez, de coração aberto.
Bomboca, Dezembro de 2010, 48 págs., offset a preto & branco; capa a 2 cores, 16,8x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana Press. Porto.

08 novembro 2023

Tarzan

Fanzine realizado por Patrícia João. Na capa, a palavra "Tarzan" está recortada, deixando entrever, por baixo, o contorno a preto sobre uma folha de papel milimétrico escolar.
Os desenhos apresentam um esboço de história envolvendo um herói praticante de lutas e artes marciais, depois ouvem-se tiros e uma mulher é atingida mortalmente.
O texto procura exceder a função meramente narrativa e expositiva, lançando ruídos, efeitos sonoros, pedaços de música, farrapos mínimos que não chegam a compor verdadeiramente uma história.
Tarzan, 2010, 12 págs, fotocópia a preto sobre papel amarelo; capa em papel lustro colorido, 14x20cm.

03 novembro 2023

Intro Espectro

Intro Espectro assinala a estreia na edição de Tiago Araújo. Com um desenho metamórfico em estilo gótico e num tom profundamente poético, romântico e nocturno. O conteúdo do fanzine pode ser visualizado no blogue de Tiago Araújo.
Segundo o autor, a "dimensão espectral refere-se o introspectivo espectro, o interior oceânico banhado na polaridade de pulsões freudianas. Ardes vinga-se dos seres decadentes humanos, desalmados tal como ele. A carnificina impulsiva é perda de tempo, sensações de êxtase natural era realmente o que estava em vigor, Ardes será salvo pela “Xerazade” inicialmente duvidosa e andrógina que lhe irá revelar a dolorosa verdade acerca da sua necrópole. As dimensões oceânicas resumem-se a puras e simples idealizações, flutuações desejadas e incorrespondidas, o corvo irá dilatar as minhas retinas e fazer o lobo nascer em mim, a pura e simples falta de conformismo."
Intro Espectro, Junho de 2010, 20 págs, fotocópia digital a preto & branco, 13x18,4cm. Tiragem: 10 exemplares (1.ª edição).

21 outubro 2023

Bul-Bol

Fanzine criado a meias entre Binau (Bernardo Coelho) e Beatriz Cóias. A metade realizada por Beatriz Cóias apresenta imagens vintage de mulheres desnudas, com os seios à mostra, em poses eróticas de estilo pin up. O fundo da imagem é eliminado, através de pinceladas com tinta branca e são inseridos diversos símbolos como raios, cruzes, algumas letras avulsas e onomatopeias. As mulheres são "tatuadas" com nomes de bandas como os G.B.H, Kiss, e outra simbologia como diamantes, facas e rosas.
A metade da responsabilidade de Binau exibe também diversas imagens intervencionadas com bigodes, cruzes, sacos enfiados na cabeça dos membros da banda Black Flag, um tatuador em acção a fumegar pelos olhos, uma parada de surfistas com formas geométricas a servir de cabeça. O autor vai desconstruindo as imagens originais, através de um processo de inscrição, de rasura e de acumulação de signos, que provoca um efeito de irrisão e descontextualização das imagens.
As partes de cada um dos autores são divididas através de uma página central em papel vegetal, com o símbolo de um raio ou runa.
Bul-Bol é um fanzine na mesma linha gráfica de Space Face.
Bul-Bol, 2010, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 13,8x19,7cm.

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