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11 junho 2026

Canções Usadas

Canções Usadas é uma edição colectiva que junta a poesia e a ilustração. Trata-se de uma mini-antologia de nove poemas de José Miguel Silva, Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral, ilustrados por Jucifer, Bárbara Assis Pacheco, José Feitor, Luís Henriques, André Lemos, Piggy, Filipe Abranches, Maria João Worm, Daniela Gomes e Bruno Borges.
As ilustrações foram impressas em serigrafia e criadas pelo método directo (os ilustradores desenharam directamente na seda de impressão, em positivo).
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD "Em torno de um tema comum, precisamente as “canções” do título, para mais “usadas”, tecem-se poemas narrativos, de nostalgia por uma juventude violenta, perdida, drogada, ternurenta, sempre entrosando essa experiência na imagem desencadeada por um nome de uma canção ou de uma banda para chegar a um qualquer súbito descobrimento, em todos os sentidos da palavra. E, para mais, surgem outras imagens, estas reais, tangíveis, partilháveis, criadas por 10 ilustradores, num diálogo tanto individual entre cada imagem e poema como entre todos os elementos da publicação."
Canções Usadas, Dezembro de 2009, 24 págs, texto impresso em tipografia de chumbo; ilustrações em serigrafia sobre papel Accademia 200g.; capa impressa com tipos de madeira, a duas cores em cartolina castanha 300g., 24,5x20,5cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Oficina do Cego. Lisboa.

19 maio 2026

Gambuzine

Gambuzine #3
Marcüse assina a capa e também a banda desenhada "Eddie Brekel", narrando desde o nascimento da personagem com o mesmo nome, até ao seu internamento no colégio gerido por religiosos e todos os abusos sofridos no decurso da sua institucionalização.
O "Mundo de Etel" de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresenta uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, uma espécie de realidade alternativa pré-invasão alienígena em tons de preto e branco.
A "Corochinha" é mais uma história negra de Janus, ambientada nos sítios mais esconsos, onde o álcool e o sexo se misturam impiedosamente.
Teresa Câmara Pestana apresenta "Aqui Até ao Fim", que começa ao ar livre numa onda hippie, com montículos de merda em construção tipo templo budista, derivando para a modorra televisiva, as drogas, a violência, a educação e a escola, os putos e as mulheres portuguesas, os loucos condutores na estrada... Enfim, nada escapa ao olhar cortante da editora Teresa C. Pestana.
Gambuzine #3, Fevereiro de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #4
A conexão alemã da autora continua a dar boas publicações, destacando-se a dupla Katz e Max Goldt, com quatro bd curtas e um cartoon. Em continuação também a banda desenhada "O Mundo de Etel" de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresentando uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, um de jogo de realidade virtual, uma espécie de GTA a preto e branco.
Depois algumas pranchas de Teresa Câmara Prestana como "Água Suja" com texto de Robert Mitchell e também "Aqui até ao Fim", contando com texto de João Freak na parte da Marta Raposa, uma jornalista ex-agente dos serviços secretos.
Gambuzine #4, Maio de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #5
Neste Gambuzine, a banda desenhada "La Plaie Velue" de Marcüse, cheia de ratazanas infectas e um mundo em derrocada sem qualquer tipo de esperança, onde a raiva alastra e cada um tenta safar-se como pode. No final, parece que tudo não passou de um pesadelo, mas a sensação de pés frios pode indiciar que não será bem assim...
O 'Mundo de Etel' de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresenta uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, um de jogo de realidade virtual, uma espécie de GTA a preto e branco.
Na rúbrica 'Caixa Óssea & Os Podres...' Teresa Câmara Pestana narra em modo muito cáustico, pequenos acontecimentos e casos do ecossistema bedéfilo nacional.
Da mesma autora, a narrativa visual "Aqui Até ao Fim", num tom muito politizado, incidindo sobre a vida nas cidades e a violência policial exercida sobre as camadas sociais mais marginalizadas.
Também a denúncia da imigração ilegal e a sua exploração nos países capitalistas, a desigualdade social normalizada, a ganância, a pobreza...Ontem, como hoje, tudo na mesma... 
Gambuzine #5, Agosto de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #8
Neste número, publica-se a banda desenhada 'Bayeux' de José Feitor, onde um visitante da famosa tapeçaria, tem uma experiência imersiva no meio das cenas de batalha retratadas.
Levin Kurio, assina a capa, e também a bd 'Fertige Welt' (Mundo Lixado), sobre as desventuras de Quevis, as suas relações falhadas com as mulheres e a sua colecção de pornografia.
Isabel Kreitz, apresenta 3 bd: - a primeira intitulada "1946 Algures na Alemanha", a acenar com os fantasmas ainda bem presentes do nazismo; a segunda - "Horóscopo", de apenas uma prancha, onde depois de lidos os sinais, consuma-se um suicídio; a terceira "U-Boot-Melodie", uma melodia a marcar o destino funesto de um submarino alemão.
"Heimat" de Marcus Huber, onde o conceito de pátria é interiorizado e reflectido no quotidiano, marcando o destino de muitos, principalmente dos migrantes.
Teresa Câmara Pestana retoma a temática de "A Morte e a Donzela" de  Franz Schubert, partindo depois para temas mais sociais, políticos e mediáticos.
Gambuzine #8, Maio de 2001, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #10
A comemorar dois anos de existência, o Gambuzine continua a apresentar uma forte conexão alemã. A primeira banda desenhada intitulada "Nada de Importante", assinada por Makus Huber, desenrola-se em tom de balada de solidão e tristeza.
Seguem-se duas pranchas de Hendrick Dorgathen, ambas ao jeito do cinema mudo. Na primeira, um sonho nas alturas durante a 'Siesta'; e depois a vida louca ao estilo do 'Rock N' Roll'.
Em continuação dos episódios publicados anteriormente, "O Farol" de Till Lenecke, o avô e o neto, que saíram de barco para uma pescaria familiar, são surpreendidos por uma forte tempestade no meio do mar.
"Para Acabar" Teresa Câmara Pestana ironiza sobre artistas e subsídios públicos, sobre a subjetividade da arte e alguma intrujice. A chamada BD no feminino também não escapa ao olhar mordaz da autora. Para finalizar, uma banda desenhada ambientada numa cabana no meio da floresta, com cobras omnipresentes, mas relativamente inofensivas.
Gambuzine #10, Novembro de 2001, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #13
Este número do Gambuzine apresenta duas excelentes bandas desenhadas da autoria de Wittek, "The Attack of Comic- Zombie" e "Mouth Wide Shut". A primeira é uma digressão biográfica descrevendo as várias etapas da vida e das influências estilísticas de um autor de 
bandas desenhada. A segunda bd, é uma lista sequencial de alimentos incomestíveis, porque têm mau aspecto visual e são nojentos ao tacto, como chouriço de sangue com pedaços de veias e tendões, cubos de toucinho, pizzas-tostas, etc.
"Carovnik (The Magician)" do esloveno Ivan Mitrevski, apresenta um número de magia, onde o mágico aplica a varinha numa caixa contendo três pequenos animais e o resultado é uma grande mixórdia.
De seguida, Armin Parr publica a bd "Puzzle" onde um personagem desmontado em pedaços, luta ingloriosamente para conseguir levantar-se da cama depois do despertador tocar.
Depois, Teresa Câmara Pestana apresenta várias bd, algumas apenas com uma prancha, outras com maior profundidade. O sentido de humor muito negro e escatológico, ou um tom mais poético, como em 'O Morto'. O consumo de estupefacientes e os seus efeitos sensoriais e consequências na vida e nas relações com os outros.
Gambuzine #13, Agosto de 2002, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Lousã.

Gambuzine #15
Este número marca o ponto final neste formato do Gambuzine. A editora informa que devido às "pressões internacionais" o Gambuzine passará a ser publicado em inglês, iniciando com um número zero experimental.
Este derradeiro tomo, abre com 'Histórias de Quiosque' uma prancha desenhada por Aranha, eivada com as neuras urbanas. Seguem-se várias bandas desenhadas curtas de Armin Paar, num estilo muito livre, misturando estética punk com delírios vários cheios de humor desconcertante.
As quatro páginas centrais são preenchidas por cães de todos os géneros e feitios, desenhados por Wittek e Rainer Balderman. 
'Ein Traum' é uma incursão na ilha da Madeira conduzida por Wittek, em busca da casa perdida, assombrada por estranhas presenças, num sonho etílico, soberbamente composto.
As últimas páginas são da responsabilidade de Teresa Câmara Pestana, num registo reflexivo, 
autobiográfico, um pouco desiludido.
Os quinze números do Gambuzine assinalam uma notável regularidade de publicação trimestral e uma especial conexão internacional (principalmente alemã), publicando autores de grande qualidade, mas pouco divulgados em Portugal. Por tudo isto, e muito mais, o Gambuzine assume um lugar cativo na Fanzineteca Ideal.
Gambuzine #15, Fevereiro de 2003, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Lousã.

09 fevereiro 2026

Fora de Campo

Fora de Campo #0
O amor é o tema central do número inaugural do Fora de Campo, um fanzine muito cinéfilo editado por Matilde Feitor.
O amor nas mais variadas cambiantes, é decantado através das suas múltiplas representações cinematográficas.
Composto por textos escritos Sofia Belém, Carolina Ramos, João Ruy Faustino, José Feitor e Matilde Feitor sobre filmes marcantes como "Good Bye Lenin!" (2003, Wolgang Becker), "Aloha Bobby and Rose" (1975, Floyd Mutrux), os seis filmes da série "Comédias e Provérbios" (1981-1987) de Eric Rohmer, "Kids Return" (Takeshi Kitano, 1996) e Mad Detective (Johnnie To, 2007).
Além dos textos publicados na sua forma manuscrita, cada um dos filmes é objecto de um desenho criado por Sofia Belém, Ariana Barros, Ema Caetano, Amália Bragança, Matilde Feitor e José Feitor.
O "tio" Farrajota contribui com uma banda desenhada metendo churrascão, "Perseguindo Amy" (Kevin Smith, 1997), "Até ao Amanhecer" (Richard Linklater, 1995), e finalizando com o romance excessivo lynchiano "Wild at Heart".
Outros filmes igualmente marcantes são referenciados através de ilustrações, como "Paterson" (Jim Jarmush, 2016), "Blue" (Hiroshi Ando, 2002), "Domicile Conjugal" (François Truffaut, 1970), "Rashomon" (Akira Kurosawa, 1950), entre outros.
Os inevitáveis "Trás-os-Montes" (António Reis / Margarida Cordeiro, 1976) e "A Desaparecida" (John Ford, 1956), também são representados por quatro fotogramas, encimando uns versos de Manuel Guerra.
Fora de Campo #0, Verão de 2022, 36 págs, impresso a preto & branco; capa em cartolina craft, 14,9x21,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Bancarrota.

Fora de Campo #2
Além da editora Matilde Feitor, contribuem para este número do Fora de Campo, dedicado à presença feminina no cinema, os seguintes autores: Emília Silva, Sofia Belém, Amália Bragança, João Salvador, Feno Dias, Leonor Pupo, Micaela e Marco Almeida.
A 2.ª edição, apresentando uma capa diferente, teve uma tiragem de 20 exemplares.
Marcos Farrajota referiu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "Uma grupeta com a Matilde Feitor à cabeça celebra o Cinema em forma de fanzine A5, assim "old-school", escrito à mão, tecnofobista e com razão nos tempos saturados de digital. Gostei tanto de participar no primeiro número que nunca mais fiz BD até hoje. Neste novo número dedicado "à presença feminina no Cinema" topa-se a quase ausência de textos. Um problema que parece estar a afectar todas as publicações amadoras ou semi-profissionais. Se antes as "redes sociais" eram espaços de escrita - os blogspots e wordpress - com os "Fezesbook" & "Insgrana" parece que as pessoas desabituaram-se a escrever. Se por um lado há os académicos que cagam cinco "papers" por semana com o jargão científico todo certinho, por outro estes deixaram de saber escrever para leitores leigos. E o pior são esses mesmo leigos, escritores em potencial, que não se sentem à vontade para o fazer e que desistiram, preferindo meter fotos sobre um concerto (e do "brunch") invés de uma resenha escrita. Se as pessoas desistirem de escrever, estamos fodidos, nem é preciso Trumps para acabarem com ministérios da educação para voltarmos à barbárie. Pode-se até dizer que as novas gerações são mais visuais. Sim é verdade mas além de isso ser uma desculpa fácil para não se tentar escrever também não é uma grande vantagem porque olhando para as colaborações deste fanzine sente-se uma homogeneidade de estilos gráficos, sem haver alguém que faça algo de "profundamente errado" para destacar. Saiam da casca, sff. Ah, sim, destaque pra BD de Sofia Belém apenas por ser isso mesmo, uma BD!"
Fora de Campo #2, Janeiro de 2025, 36 págs, impresso a preto & branco; capa em cartolina de cor, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares (1.ª edição). Edição: Bancarrota.

01 fevereiro 2026

História da Fome

Excertos do texto da autoria de Sara Figueiredo Costa publicado na revista Blimunda n.º 123, de dezembro de 2022: "Esta História da Fome percorre momentos fundamentais na cronologia da nossa relação com os alimentos, como a sedentarização e a agricultura, o domínio e o uso do fogo e a industrialização, mas mais do que historiográfica, a sua abordagem é ensaística, algo que já acontecia em trabalhos anteriores de Feitor, e relaciona a ingestão de alimentos, necessidade fisiológica, com a vontade de acumulação que foi definindo as nossas sociedades. À Blimunda, o autor explicou o percurso que este livro foi fazendo antes de existir materialmente: «Sempre me intrigou a maneira como usamos a palavra, que tanto nos serve para falar de carência fisiológica como se presta a nomear todo o tipo de apetites e inclinações, muitas delas estruturantes e obsessivas. Assim que a ideia me surgiu, surgiu de imediato o título, por predisposição para tentar fazer desta narrativa uma análise que trespassasse o tempo. Contudo, a ideia sempre foi focar-me naquilo a que estes apetites nos conduziram, à situação actual, como fiz noutros textos. A ideia de História, aqui, é a isso que se presta: olhar com horror para trás para compreender a forma em que nos encontramos, a degradação a que os nossos apetites conduzem. É óbvia a colagem entre a ideia de querer comer, apesar de não se sentir qualquer carência, com a ideia de possuir, mesmo que tal não sirva para satisfazer nenhuma necessidade concreta.»
Pelas páginas vão desfilando figuras pantagruélicas em devoração opípara, carantonhas que por vezes remetem para máscaras do Nordeste transmontano (e que já surgiram noutros trabalhos do autor) ou para certas iluminuras satíricas medievais, esqueletos numa dança da morte feita ao ritmo da ingestão de acepipes vários. Há símbolos – maçónicos, religiosos, mitológicos, políticos – e remissões, textuais e visuais, para as classes dominantes ao longo dos tempos, da Igreja ao grande capital. História da Fome é uma reflexão que cruza política, cultura e sociedade, e é também um libelo com ecos novecentistas, lembrando folhetos saídos de imprensas mais ou menos clandestinas, um J’Accuse, de Émile Zola cruzando-se com as gravuras de William Blake (também ele impressor), os rostos e as imagens densamente povoadas de Brueghel com a sátira desbragada de certos folhetos de cordel, toda uma herança por onde passam textos, momentos históricos, máquinas de imprimir movidas a braços e alguma raiva.
Texto e imagem dialogam, mas têm um potencial de existência autónoma que não é comum em livros ilustrados. O texto sobreviveria como breve ensaio sobre a relação dos alimentos com o consumo, da fome com a acumulação, da voracidade com a manutenção de privilégios. Por outro lado, a força visual e simbólica das páginas ilustradas é, por si só, um espaço autónomo, capaz de gritar as suas angústias, dúvidas e inquietações sem necessidade de outras imagens ou de texto (e também por isso a exposição, que prescinde do texto e junta às imagens do livro algumas outras, é uma outra criação, não dependente deste objecto impresso). Ainda assim, como nos contou o autor, foi das palavras que nasceu esta História da Fome: «Desta vez o texto surgiu primeiro, apesar de em modo embrionário (refiz o texto muitas vezes, à medida que o processo decorria). A primeira versão foi escrita de uma penada. Depois limei tudo, lentamente, embora não tenha conseguido dar-lhe uma forma coerente e organizada. Reconheço alguma tendência para a repetição e muita desordem. Os desenhos, como quase sempre, resultaram de aturadas pesquisas. Comecei na Idade Média, com as representações da gula enquanto pecado capital, e nessa fase o Brueghel velho serviu-me de guia. Muitos elementos que surgem no livro, como os caracóis, vieram daí. Depois percorri outras referências, nomeadamente gravura satírica dos séculos XVIII e XIX, com Doré e o seu Pantagruel à cabeça, claro. Quem conhecer estas fontes vai reconhecê-las nos desenhos. Não há qualquer relação de complementaridade ou afinidade entre os desenhos e os textos, salvo raras exceções, como a representação do Génesis ou a ilustração para a imposição dos cereais na dieta humana. Mas, mesmo nessas, se calhar apenas eu vejo as conexões.»
São dois os capítulos que compõem este livro. O primeiro, intitulado “Hiperfagia”, dedica-se a esta análise histórica que nos traz dos excedentes agrícolas ao consumo transformado em desejo, divindade, mecanismo de controlo social. Por esse capítulo passam o Génesis bíblico e a Loba do Capitólio, as práticas religiosas mais antigas e a instituição da religião como mais um mecanismo de poder, a morte e o grande capital. No segundo, “Filogafia”, o foco está na reflexão sobre como o apetite pelo consumo e os seus diversos graus, definidos em função de uma escala social, se relaciona com o modo como vivemos em sociedade e com as escolhas políticas que fazemos (ou não fazemos, por vezes). Sobre isso, diz José Feitor: «Parece-me que este desejo de acumular, mas também de esbanjar e desperdiçar, é típico das sociedades massificadas, em que a maioria silenciosa se presta a ser governada por uma elite, desde que mantenha uma ligeira ilusão de que os pode emular. Foi esta ideia que eu levei para o livro. Somos todos consumidores com tendência para a engorda, porque assumimos colectivamente esta fantasia, a de querer imitar os que tudo têm e podem. E esses não passam de uma versão de nós próprios, apenas com outros meios para se sentar à mesa e encher o bandulho.»
Entre o excesso e o amor ao excesso, andamos há séculos a alimentar deglutições épicas. Está por saber se podia ter sido de outra maneira, mas como se descreve em História da Fome, basta passar algum tempo numa dessas «lanchonetes babilónicas» que se instalam no piso superior de algum centro comercial, e onde a corrida desenfreada ao ketchup e à possibilidade de o levar para casa é um dos desportos praticados, para perceber que talvez tudo isto faça parte do nosso devir colectivo. Entre ketchup em pacotinhos gratuitos e descartáveis e telemóveis que têm de ser sempre da última geração, é possível que se tenha esgotado o espaço e o tempo para outros modos de viver. Curiosamente, tudo indica que esse espaço e esse tempo estão a esgotar-se também para este modo, pelo que resta almejar que o futuro não seja parco em gente que nos conte o que vê em textos, imagens e o resto, e que reflicta sobre que se vai construindo para chamarmos de mundo."
História da Fome, Dezembro de 2022, 48 págs, capa e encarte impressos em serigrafia; miolo impresso em offset a duas cores, 21x29,7cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #028).

04 outubro 2025

Às Cegas

Às Cegas é uma publicação colectiva que contém cinco textos curtos de João Sebastian. Cada texto é acompanhado por um desenho diferente ilustrado por Alexandra Ramires, José Feitor, Ana Torrie e Paulo Vinhas.
Como é apanágio das edições da Oficina do Cego, há um cuidado excepcional com a manufactura desta publicação, apresentando uma capa impressa em serigrafia e tipografia de caractéres móveis sobre cartolina verde escura. O miolo foi impresso em serigrafia, a duas cores (vermelho e azul escuro). A encadernação é manual, com caderno cosido a fio branco. Todos os exemplares são numerados e carimbados com o selo próprio da Oficina do Cego.
Os texto de João Sebastian foram manuscritos por Luísa Bigode, e como extra é oferecido um ex-libris da autoria de Inês Cóias em linogravura sobre papel manufacturado pelo Papeleiro Doido.
Às Cegas, Abril de 2014, 16 págs, impressão do miolo em serigrafia; capa em tipografia, 17x17cm. Tiragem: 53 exemplares. Edição: Oficina do Cego.

07 maio 2025

Derby

Um Derby a juntar duas equipas de cinco autores de Lisboa e cinco do Porto, a contenda prometia acicatar rivalidades extra-futebolísticas. A cada autor competia entrar com dois desenhos, que se iriam defrontar directamente com os seus adversários.
Este projecto conjunto da Imprensa Canalha e do Atelier Mike Goes West, desafiava os autores a realizarem os desenhos directamente nos quadros de serigrafia, a pincel, implicando um gesto de grande espontaneidade.
Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: de Lisboa: André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques; os cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e José Cardoso. O texto de abertura é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.
Derby foi apresentado tendo "como objectivo a criação de uma publicação ilustrada inteiramente impressa em serigrafia de acordo com o Método Directo. Trata-se de um processo serigráfico que dispensa fotolitos e emulsões fotossensíveis, já que as imagens a imprimir são criadas directamente no quadro de serigrafia, a pincel, com um bloqueador à base de água. Para o ilustrador o desafio é enorme, pois este método obriga a um grande sentido de síntese e não permite grandes correcções. Deste processo resultam serigrafias originais, já que, após a lavagem do quadro onde se criou a imagem, o desenho que deu origem às impressões desaparece para sempre. Foram convidados a participar neste projecto inédito 10 ilustradores (cinco de Lisboa e cinco do Porto).
A primeira parte do projecto vai ter lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro, durante a "Feira Laica" no Porto, a decorrer nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criarão duas imagens cada, que corresponderão a uma dupla página da publicação. Simultaneamente, o técnico António Coelho, responsável pelo atelier Mike Goes West, fará demonstrações de impressão serigráfica. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.
Numa segunda fase, no atelier, as imagens serão impressas e a publicação dobrada e agrafada."
Derby, Junho de 2009, 28 págs, capa com impressão serigráfica em papel Vidia de 300g; miolo em serigrafia sobre papel Fabriano Academia de 160 g., 30x27cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #012).

10 março 2025

Zundap

Zundap #01
Apesar de estar identificado com o número #01, esta corresponde efectivamente à quarta edição do Zundap. Na época em que foi publicado, havia uma maluqueira com a numeração dos fanzines (veja-se os casos do Bizarro, O Hábito Faz o Monstro, Mesinha de Cabeceira, etc.) para dar cabo da cabeça dos coleccionadores e arquivistas.
O Zundap é absolutamente extraordinário, mantendo intacta a sua frescura e jovialidade apesar de já terem passado mais de 20 anos do seu lançamento. O design sóbrio e arejado de José Feitor, as escolhas editoriais, a qualidade das ilustrações e dos textos, fazem deste fanzine um caso singular na edição alternativa em Portugal.
Uma mistura certeira de temas que inclui música, literatura, design gráfico, humor e bizarrias várias. Neste número, há artigos sobre The Slits, Camper Van Beethoven, Robert Wyatt, Luiz Pacheco e Jim Flora. Ensaios sobre "música & democracia" e "liberdade & violência", iniciação à filosofia kantiana, uma selecção das notícias em 3 linhas publicadas por Félix Fénéon do género "Louis Lamarre não tinha trabalho nem casa, mas tinha uns trocos. Comprou, numa drogaria de Saint-Denis, um litro de petróleo e bebeu-o."
O suplemento juvenil "Zundapinho" pretende esclarecer e iludar todas as dúvidas existenciais da juventude mais precoce.
A lista do Top 50 dos nomes de empresas, onde constam a "Chupóleo" e o "Moisés dos Leitões" e as páginas da sebenta do Dr. Manel que explicam todos os passos a dar na criação de uma designação  empresarial apelativa e irresistível. Há também uma prancha de banda desenhada da autoria de Artur Varela.
Tudo isto e muito mais, compõe um conteúdo altamente surpreendente e exuberante!!
Zundap #1 [#4], 2001, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

Zundap #06
A numeração continua equívoca, pois este é o quinto número da mota sonora dos trolhas da minha terra. A linha editorial zundapiana está  consolidada, denotando uma atenção especial pelos artistas marginalizados e pelas curiosidades passadas.
A primeira metade é preenchida com textos sobre Gil Scott-Heron, Gram Parsons, Damien Jurado e Carlos Paredes.
As páginas centrais incluem o suplemento Zundapinho, que inclui o muito educativo artigo científico "A Pilinha em 7 Lições", versando desta vez sobre a terrível questão do tamanho da mesma. Publica-se também o poema pós-modernista "Bolsar Tia".
"As Aventuras do Dr. Manél", uma banda desenhada por Artur Varela, sobre o vazio opinativo estudantil.
Depois, o ensaio sócio-satírico "As Leituras de Ágata" sobre a cantora que celebrizou a "mãe solteira" e que abdicou da casa, do carro e da conta no banco, mas não do menino.
Nas páginas da sebenta do Dr. Manel, aprendemos como se pode insultar em bom português com toda a educação!
Nova selecção de notícias em 3 linhas publicadas por Félix Fénéon em 1905 no jornal "Le Matin" do calibre: "Num café, à Rue Fontaine, Vautour, Lenoir e Atanis trocaram, a propósito das suas mulheres ausentes, algumas balas entre si."
Termina com "O Sortilégio do Sexo" sobre as múltiplas derivações do mesmo, com incursão na vertente ciberespaço.
Os textos são acompanhados por diversas ilustrações de José Feitor, Bruno Borges, Nuno Neves, Artur Varela, entre outros.
Zundap #6 [#5], 2002, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 14,7x21cm. Lisboa.

28 novembro 2024

Chili Bean

Fanzine comemorativo da primeira década de existência da Associação Chili Com Carne (CCC). A capa é da autoria de André Lemos.
A nota de imprensa dizia o seguinte: "Chili Bean é um zine que serve para a Chili Com Carne comemorar os seus 10 anos de existência legal. É um zine fotocopiado – invés de edições luxuosas como a associação tem editado desde 2000 - de 44 páginas A5 e todo desenhado e escrito à mão no emprego do talento manual.
Não se trata de um exercício de nostalgia mas antes uma forma de promover a materialização de objectos artísticos urgentes com poucos recursos e com exposição pública garantida pela festa de comemoração que a CCC que promoveu no passado dia 21 de Abril de 2007 com os concertos dos Lacraus, shhh…vs Sci-Fi Industries e Lobster. O zine foi oferecido à entrada...
Os autores que participaram com trabalhos inéditos foram André Lemos, Rafael Dionísio, Claudio Parentela, Jucifer, Tommi Musturi, João Cabaço, Mário Augusto & Sílvia, Jakob Klemencic, Christopher Webster, Nunsky, Jorge Coelho, Pepedelrey, André Ruivo, João Louro, Ana Ribeiro, Afonso Cortez, José Feitor, Rafael Gouveia e Mike Diana.
No meio de uma verdadeira revolução digital dos meios de comunicação, a Chili volta a 1997 para relembrar os media DIY que usou para combater a apatia desses tempos - o zine até ofereceu uma k7 áudio surpresa às primeiras 100 pessoas que entraram na festa!"
Chili Bean, Abril de 2007, 44 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Chili Com Carne.

13 outubro 2024

Uma Perna Maior que a Outra

Uma Perna Maior que a Outra confirma, se dúvidas houvesse, que José Feitor além de ser um excelente ilustrador é também um escritor de grande calibre, dotado de um olhar acutilante e uma escrita depurada e certeira.
José Feitor possui uma estranha capacidade, uma sensibilidade extraordinária para captar os sinais mais subterrâneos que marcam indelevelmente a identidade nacional - os traços imemoriais que vão sendo transmitidos através de uma genética social que nos caracteriza, mas também que de alguma forma, nos envergonha. O radar de Feitor é altamente eficaz a captar as expressões idiomáticas e palavras inusitadas ou caídas em desuso e atira-nos com elas, após um longo processo de decantação, para nos recordar de onde vimos. Os textos que ladeiam as ilustrações configuram-se como aforismos desencantados.
Neste trabalho, José Feitor submerge nas memórias pessoais e o que sobrevem não é agradável, mas constitui uma obra rente ao osso, sincera e absolutamente essencial. 
A Imprensa Canalha apresentou este volume assim: "José Feitor ajusta contas com memórias que hoje lhe parecem tão assombrosas como as cenas de um filme de ficção. O confronto com esse passado foi desencadeado pelo primeiro contacto com o livro de fotografias de António Gonçalves Pedro, de Mora (ed. Câmara Municipal de Mora, Set. 2003). Muitas das imagens resultam de apropriações gráficas dessas fotografias. Deformação, vergonha e culpa no trabalho mais pessoal e pungente deste ilustrador."
Cada volume inclui um postal e uma reprodução de uma fotografia captada em 1977.
Uma Perna Maior que a Outra, Outubro de 2014, 52 págs, impressão a laser [Epson Aculaser] em papel Renova print reciclado de 120g.; capa serigrafada em papel Guarro de 185g., 14,5x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #019).

11 novembro 2023

Animais!

O quinto volume lançado pela Imprensa Canalha é uma nova investida de José Feitor no mundo animal, constitui a segunda parte de uma trilogia iniciada com O Mundo dos Insectos e terminada com As Raças Humanas, uma dissertação gráfica à volta da natureza humana, na sua interacção com os outros animais e consigo própria.
Os primeiros 34 exemplares, apresentavam a capa linogravada; os restantes exemplares tinham na capa uma impressão laser sobre papel Canson creme 200g, com um autocolante de 32 mm. No verso da contracapa, cada exemplar continha uma espécie de cromo com um animal (o meu é um okapi, com a respectiva legenda e descrição escrita em francês).
A acompanhar este volume, foi também incluído um postal carimbado com um dos motes para este trabalho: "Foi-se o instinto, ficou o apetite". Animais! foi integralmente produzido nos Ateliers de Santa Justa.
Este volume foi apresentado pela editora como "um conjunto de imagens e textos sem relação aparente entre si. Os textos são retirados de legendas de livros de divulgação científica destinados às famílias, populares nos anos 70, e abordam temas relacionados com a adolescência, alimentação ou velhice entre os humanos. Nas imagens surgem animais antropomórficos e humanos animalizados em constante interacção. Neste aparente caos, uma mensagem surge: Foi-se o instinto, ficou o apetite. O homem tenta a todo o custo afastar-se do resto do reino animal e nessa ânsia esquece o essencial: a sua própria natureza. Sim, nós também estamos nas tabelas de Lineu.
A abrir o volume, um texto retirado da obra de 1872, The Expression of the Emotions in Man and Animals, de Charles Darwin.
Em Animais!, José Feitor aprofunda o conceito de apropriação gráfica, utilizando indiscriminadamente imagens e textos alheios numa combinação única. Acaso e conceito coabitam neste projecto gráfico."
Animais!, Novembro de 2007, 36 págs, impressão a laser [Epson Aculaser] em papel de 90 g; capa linogravada (3 cores) em cartolina amarela de 200g, 14,8x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #005).

16 setembro 2023

Belo Cadáver

Este volume editado pela Imprensa Canalha, reúne um conjunto de desenhos em registo de cadavre exquis realizados por Filipe Abranches, José Feitor, Bruno Borges e André Lemos, com Marcos Farrajota e Joana Figueiredo e participação pontual de Miguel Coelho. Os desenhos foram realizados numa sessão única na madrugada do dia 02 de junho de 2006. O texto da autoria de Miguel Antunes assume uma perspectiva experimental e delirante, numa realidade paralela e aumentada por uma lente de ampliação que tudo distorce até à irrisão. 
A publicação foi apresentada pela editora como "fruto de um serão informal que começou com frango de churrasco e acabou com sakê, os desenhos do Belo Cadáver são resultado de um processo espontâneo, livre e compulsivo. As folhas foram passando de mão em mão e cada desenhador foi preenchendo o vazio, a partir das premissas já lançadas por outros. Desta labuta estonteante resultaram 32 desenhos, muito diferentes entre si. Entre composições que tanto têm de belo como perturbante, pastiches bem humorados, embriões de narrativas e bestiários, o espectro do belo cadáver é amplo. Desenho crú e bruto.
O texto que precede os desenhos, criado à posteriori por Miguel Antunes, é ele próprio um texto-frankenstein. Uma força externa dá unidade a um conjunto informe de pensamentos que se escapam da cabeça de um homem que caminha não se sabe para onde."
Cada exemplar contém uma gravura numerada, executada em impressão tipográfica numa máquina Heidelberg.
O Belo Cadáver foi lançado no dia 22 de julho, no evento Samizdata Club, realizado no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, em Braga.
Belo Cadáver, Julho de 2006, 32 págs, Impressão digital em papel de 100g; capa em cartolina branca de 200g, 14,6x21cm, Tiragem: 50 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #003).

25 junho 2023

Aforismos do Estádio

Aforismos do Estádioresulta de uma recolha, efetuada por Manuel de Freitas, de desabafos, frases, conversas, amores e desamores, e outras máximas, escutadas no café Estádio, situado no Bairro Alto.
Na introdução, Manuel de Freitas refere: "São esses outros «versos» - versos sem poema nem poeta - que decidi compilar neste volume atípico. Trata-se, em todos os casos, de uma espécie de aforismos involuntários, e invariavelmente alheios, que fui anotando neste café onde não consigo deixar de vir."
Os aforismos seleccionados, foram depois ilustrados por outros frequentadores habituais do referido café, designadamente: Bruno Borges, Maria das Dores / Pedro Moura / João Maio Pinto, Daniela Gomes, Manuel Diogo, Jucifer, André Lemos, Ana Menezes, Isabel Baraona e Tony Wood.
A ilustração da capa é da autoria de José Feitor. O grafismo, fotomontagem e composição ficaram sob a responsabilidade de Luís Henriques.
Aforismos do Estádio, Novembro de 2011, 32 págs, fotocópia digital a preto em papel azul (150 gr.); capa em serigrafia, 14,5x20,4cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Oficina do Cego.

12 abril 2023

As Raças Humanas

Partindo do texto "Les Races Humaines" dErnest Granger, publicado originalmente em França em 1924, José Feitor acrescenta-lhe novas camadas, através das suas extraordinárias ilustrações dispersas ao longo do texto. É inserida uma folha volante de cor laranja, com a tradução para inglês do texto de Granger.
A Imprensa Canalha apresentou assim esta edição: "O fanzine abre com uma banda desenhada de 2 pranchas inspirada numa história que surge relatada no livro Armas, Germes e Aço. O destino das sociedades humanas (ed. Relógio d'água), de Jared Diamond, sobre o encontro fatal entre maoris e morioris, nas ilhas Chatham, no século XIX, que funciona como uma lúcida metáfora sobre aquilo que, realmente, define a diversidade humana: a luta constante pelo domínio dos recursos.
Este volume constitui a última parte de uma trilogia iniciada com O Mundo dos Insectos e continuada com Animais!, uma dissertação gráfica à volta da natureza humana, na sua interacção com os outros animais e consigo própria."
As Raças Humanas, Maio de 2009, 32 págs, capa carimbada manualmente em papel de 300g, miolo impresso a laser em em papel reciclado de 80g, 14,6x21cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #011). 

07 dezembro 2022

Mundo dos Insectos

Mundo dos Insectos, é um fanzine com características, por um lado, de trabalho escolar e por outro lado, o resultado do trabalho de alguém com uma curiosidade ilimitada pela coisas do mundo animalesco ou humano, sempre aberto ao espanto e ao maravilhamento.
Este trabalho, na senda de outros que José Feitor vem fazendo com inspiração no mundo animal, explora, como um entomologista amador, a enorme diversidade morfológica dos insectos, e ao mesmo tempo vai espalhando textos com diversa informação avulsa, sobressaindo ainda mais a grande estranheza dos insectos.
O fanzine é apresentado assim pelo autor: "No Mundo dos Insectos, o carácter depredatório, voraz e agressivo da vida destes animais não deixa de nos fazer recordar aspectos da vida nas sociedades humanas. No entanto, ao passo que os insectos não podem fazer escolhas nem conhecem a ética, o que explica o seu comportamento guiado apenas por mecanismos instintivos relacionados com a sobrevivência e a reprodução, o comportamento do Homem é verdadeiramente insondável. A fêmea do Louva-a-deus devora por vezes o macho durante a cópula porque precisa de se nutrir para que o processo de reprodução decorra da melhor forma quando nem sempre é fácil conseguir comida.
Os desenhos da série Mundo dos Insectos foram realizados entre Março e Maio de 2006, a partir de livros científicos e educativos. Foram desenhados directamente (sem esboço prévio) em folhas de papel cavalinho com marcadores  Edding de várias espessuras."
Cada exemplar do Mundo dos Insectos vem acompanhado de uma fita apanha-moscas.
Mundo dos Insectos, Maio de 2006, 20 págs, impressão a laser em papel 100 g, capa em cartolina amarela 180 g., 21x29,7cm, Tiragem: 50 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #002).

08 novembro 2022

Rodrigues Palmtree Zine

 
Fanzine produzido como oferta / homenagem ao Sr. Rodrigues, empregado do Restaurante Palmeira, por altura da sua reforma, ao fim de 57 anos de trabalho. O Restaurante Palmeira, situado no Chiado em Lisboa, serviu de local de reunião de uma tertúlia mais ou menos variável, que se juntava às quintas-feiras, ao final da tarde, durante os meses mais frios do ano. Este fanzine reúne participações de alguns dos tertulianos: André Lemos, Bruno Borges, Diogo Tavares, Filipe Abranches, João Chambel, José Feitor, Jucifer, Luís Henriques, Marcos Farrajota, Miguel Frazão e Piggy.
Rodrigues Palmtree Zine, Dezembro de 2010, 24 págs, capa impressa em serigrafia pelo Atelier Mike Goes West, miolo impresso a laser em papel Navigator 90 gr/m2, 14,4x21cm. Tiragem: 30 exemplares, organizado e editado por André Lemos.

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