18 outubro 2026

Modernista

Modernista #0
Curioso fanzine dedicado exclusivamente à cena mod, editado por Leonel Ventorim e José Felix Mourinho. Modernista procura abranger tudo o que rodeia a cultura mod desde o vestuário, estilo de vida, filmes, música, etc. O fanzine tinha distribuição gratuita nos eventos e festas mod.
Luís Oliveira escreveu o seguinte no Underworld - Entulho Informativo #26: "numa altura de estreias e abertura de portas em Portugal, surge também Modernista, que se apresenta como sendo o primeiro fanzine direccionado para a cultura mod em terras lusas. Este número zero acaba por ser uma apresentação do movimento mod - culto nascido nos anos 50 entre os jovens da classe operária inglesa com seu próprio estilo de vida e fascínio pela moda - num País onde nunca teve o seu espaço e a sua explosão é muito recente.
Encontramos aqui um resumo da história mod que omite não se entende porquê a fase hard-Mod (69-72), dicas sobre estética e música, uma passagem pelo mundo do scootering e diversas reviews e notícias. Dispensável era o artigo com as premissas, tipo mandamentos sagrados, de como nos devemos comportar numa festa... para quem diz ter tanto "andamento" soa um bocado mal. A vida Moderna também tem disto."
Modernista #0, Setembro de 2007, 16 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

Modernista #1
Este número surge mais estruturado e com mais colaboradores a escrever. No editorial, definem-se como urbanos, bem parecidos, animados e diferentes das outras pessoas. Seguem-se breves apontamentos acompanhados de fotografias sobre festa mod realizadas em Lisboa.
Miguel Ângelo escreve sobre o "Mod Revival em Portugal" com enfoque na zona de Cascais. O tema do revivalismo em torno do mod continua nas páginas seguintes, enquadrando a vertente musical, o estilo e o contexto social onde se desenvolve o movimento.
O Rapaz do Chapéu escreve sobre a Chess Records, uma editora de referência para os mods. Nas páginas centrais é apresentado um poster da banda The Poppers fotografados por Rita Carmo. Há também uma entrevista aos membros da banda, na sequência do lançamento do álbum "Boys Keep Swimming".
Depois de uma página dedicada a sugestões de livros, filmes e discos, o destaque vai para o estilo, moda e roupa, com várias páginas dedicadas a fornecer todas as pistas para vestir a rigor mod. As motorizadas Vespa também são uma imagem de marca do movimento mod e há muitos conselhos e sugestões para os respectivos fãs.
Modernista #1, Novembro/Dezembro de 2007, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

Modernista #2
O editorial é premonitório e certeiro relativamente à gentrificação dos centros das grandes cidades. Segue-se a crónica ao concerto dos The Poppers no Music Box e depois um relato sobre a digressão dos editores aos bares modclubbing lisboetas, discutindo-se ao mesmo tempo a nova lei que proíbe o consumo de tabaco nos locais de diversão nocturna.
Há também uma entrevista a Merton, autor do blogue Rock no Liceu, que partilha igualmente uma selecção de edições portuguesas da era revival. As páginas centrais são dedicadas em exclusivo a Brian Jones, fundador dos The Rolling Stones.
Podem encontrar-se também múltiplas sugestões de leitura e discográficas dentro do espectro do mod. As páginas finais são dedicadas ao estilo e ao guarda-roupa, com destaque para as parka e os crombie, finalizando com as motorizadas de marca Vespa.
Modernista #2, Janeiro/Fevereiro de 2008, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Lisboa.

17 outubro 2026

Haunted Screen

Fanzine de pequeno formato constítuido por imagens capturadas no ecrã do telemóvel de Matilde Feitor, organizadas sem grande critério (segundo a autora). Algumas páginas do fanzine mimetizam o ecrã de telemóvel, com os ícones de interacção e as barras de tarefas.
Na primeira página, surge um texto em inglês, inspirado na obra "Fantasmas da Minha Vida - Escritos sobre Depressão, Hantologia e Futuros Perdidos" de Mark Fisher, perscrutando os sintomas da zombificação cultural do nosso tempo.
Nas restantes páginas, são apresentadas imagens aleatórias, umas com divertidas legendas em inglês, outras com o telemóvel em plano de destaque, seja como máquina que tudo regista a todo o momento, mesmo qualquer insignificância, ou então utilizado como arma que aponta letalmente.
Haunted Screen, Dezembro de 2025, 16 págs, fotocópia a preto & branco, 9,2x13,5cm.

14 outubro 2026

Nemo (1.ª Série)

Nemo #1

Depois de feitas as apresentações do Nemo e demonstradas as motivações no editorial, traça-se uma breve biografia de Windsor McCay, apresentado como o primeiro génio da banda desenhada. São apresentadas diversas facetas do trabalho criativo de McCay e reproduzidas algumas sequências de 'The Little Nemo in Slumberland', que pecam apenas pelo pequeno formato deste fanzine.
'Como se Traduz Banda Desenhada em Portugal' refere as vicissitudes da tradução, como a alteração dos nomes dos personagens e o pouco cuidado com a integridade da obra traduzida.
Há duas páginas dedicadas a curiosidades sobre a banda desenhada, como sejam desenhos copiados, incongruências entre vinhetas sequenciais, etc.
Segue-se um destaque à reedição de 'O Caminho do Oriente', da autoria de Raul Correia e de Eduardo Teixeira Coelho, considerada como a mais monumental banda desenhada portuguesa, tendo sido relançada em seis volumes pela Editorial Futura em 1983-84.
A capa do Nemo foi colorida manualmente pelo editor Manuel Caldas.

Nemo #1 (1.ª Série), Março de 1986, 28 págs, offset a preto & branco, 14,9x21cm. Póvoa de Varzim.

Nemo #3

No terceiro número do Nemo, destaca-se a publicação de uma extensa biografia e de diversas pranchas do autor norte-americano de banda desenhada humorística Cliff Sterrett. Considerado por alguns como um dos autores mais relevantes entre os pioneiros da bd, Cliff Sterrett mantem-se afastado do reconhecimento generalizado do grande público.
Na rubrica "Alguns Comentários a Algumas Edições Portuguesas de BD" são analisados diversos álbuns como "Aventuras de Dick", "O Regresso de Mafalda", "Fátima" e "A Descoberta do Mundo". Como se pode verificar por esta amostra, a publicação de banda desenhada em Portugal nesta época era bastante clássica e até conservadora.
M. Nöel Hantonio (pseudónimo de Manuel Caldas) publica um artigo sobre Lucky Luke, referenciando a liberdade ansiada por Morris e a deriva para o infantilismo assumido. 
Segue-se uma página dedicada a curiosidades encontradas em várias vinhetas como sejam diferenças entre diversas edições, pés com seis dedos, etc.
As páginas restantes deste terceiro Nemo, são dedicadas a The Spirit, célebre personagem criado por Will Eisner em 1940.

Nemo #3 (1.ª Série), Outubro de 1986, 24 págs, offset a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 151 exemplares, Póvoa de Varzim.

Nemo #5
Com o subtítulo "Fanzine sobre bd", o Nemo é bastante abrangente, destacando a bd mais clássica, mas também lançando um olhar atento à bd contemporânea. Este número cinco, representa o final da 1.ª série, pois o director e editor Manuel Caldas, assume que não tem conseguido cumprir a periodicidade que se comprometeu e que outros projectos exigem a sua disponibilidade e atenção.
Na rubrica "Na Infância da Banda Desenhada" é apresentada uma prancha de A. Gary, datada de 1891, mas modernamente estruturada.
"Gaston Lagaffe" é o destaque deste número, merecendo um extenso texto assinado por M. Nöel Hantonio (pseudónimo de Manuel Caldas). O personagem criado por Franquin surge na capa, colorido manualmente pelo editor.
Nas páginas dedicadas às curiosidades sobre a bd, são analisadas diversas vinhetas e diferentes edições da mesma obra, realçando as influências, a censura pudica, o esboço e a arte final, etc.
Robert McCay, filho Winsor McCay, é reabilitado, na medida em que Manuel Caldas havia afirmado precipitadamente que se tratava de um autor medíocre, mas avaliando as pranchas posteriores, revelar-se-ia um autor muito melhor do que faziam prever os seus trabalhos iniciais.
As páginas centrais são ocupadas com o correio dos leitores e respetiva resposta do editor. Seguem-se algumas páginas dedicadas a comentar recentes edições de bd lançadas no mercado nacional, como "A Balada do Mar Salgado" de Hugo Pratt ou "A Febre de Urbicanda" de Schuiten e Peeters.
Jorge Guerra publica o texto "Conan e as Noites do Tempo" sobre o herói musculado criado por Robert E. Howard.
Para terminar, Manuel Caldas escreve o texto "As Tribulações de Eternus 9 e de Victor Mesquita", concluindo com a publicação de uma prancha inédita no álbum e na Visão e que tinha sido publicada no jornal Expresso.
Outro Nemo estaria para vir.
Nemo #5 (1.ª Série), Janeiro de 1988, 24 págs, offset a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 200 exemplares, Póvoa de Varzim.

13 outubro 2026

Lusitânia

Lusitânia #3
Lusitânia #3, Novembro de 2020, 40 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 66 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #5
Lusitânia #5, Janeiro de 2022, 40 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 66 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #11
O tema deste número 'Em Nome Próprio' é idêntico ao de uma rubrica da revista, dedicada a divulgar a biografia de uma banda. Para esta edição, foi lançado o desafio a 257 bandas para enviarem a sua biografia, tendo obtido 41 respostas. Como era impraticável publicar todo este manancial na revista, foi criado um suplemento de 40 páginas para compilar as biografias enviadas pelas bandas.
No interior, publicam-se as habituais notícias breves sobre novos registos discográficos e concertos, entrevistas às bandas The Bateleurs e aos Damn Sessions. Os cartoons 'Metalicões' de Daniel Lucas, animam duas páginas. A rubrica 'Perdidos no Sotão' recorda os discos 'Circo de Feras' dos Xutos & Pontapés, o disco homónimo dos Ibéria, e por fim, 'Amantes e Mortais' de Adelaide Ferreira.
A acompanhar esta edição, era oferecida uma base para copos impressa com a chancela da Ethereal Sound Works.
Lusitânia #11, Julho de 2021, 20+40 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 66 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #12
Um ano de revista. Ensaio de balanço. As 211 bandas divulgadas no website de Lusitânia.

Lusitânia #12, Agosto de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia
 #13
O tema em destaque neste número de Lusitânia é 'Os Filhos do Rock' e são entrevistados diversos músicos que são filhos de outros músicos - uns mais conhecidos; outros mais anónimos. Na capa surge António Corte-Real, filho de António Manuel Ribeiro dos UHF.
As bandas e artistas Decayed, Dúbia, Rui Gaio, Ser, The Voynich Code e Mauro Ramos, são entrevistados na sequência do lançamento de novos registos discográficos.
Há também textos como "Exórdios" sobre os filhos e os bastardos do rock. A rubrica "Perdidos no Sótão" repesca um conjunto de discos clássicos do metal nacional.
As últimas páginas são dedicadas a notícias sobre os lançamentos do mês e à publicação da agenda de concertos e eventos musicais.
Lusitânia #13, Setembro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #14

Lusitânia #14, Outubro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #15
Lusitânia #15, Novembro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #16
O tema desta edição é 'Fora da Banda' projectando alguma luz para todos aqueles que gravitam à volta das bandas, de forma remunerada ou voluntária, e que contribuem decisivamente para as bandas serem aquilo que conhecemos. Tânia Fidalgo apresenta um pequeno ensaio fotográfico sobre o tema de capa.
As bandas em destaque com entrevistas e novos discos são: Cobra ao Pescoço, Cold and Deceased, Ionezed, Murro, Never End, The New Geometry e OZ.
Os 'Exórdios' debruçam-se sobre os ecossistemas musicais incidindo nas áreas do rock e do metal. Na rubrica 'Perdidos no Sotão' faz-se uma digressão sobre os discos editados na década de 80 no contexto do boom do rock português.
Com o título 'Tudo Isto é Fixe, Tudo Isto é Rock' ensaia-se uma divagação escrita sobre a potencial criação de um circuito alternativo nacional de concertos.
Para terminar, é apresentado o roteiro mensal dos concertos e novos lançamentos discográficos.
Lusitânia #16, Dezembro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #17
Lusitânia #17, Janeiro de 2022, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #18
Lusitânia #18, Fevereiro de 2022, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #19
Lusitânia #19, Março de 2022, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #20
Lusitânia #20, Abril de 2022, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #21
Lusitânia #21, Maio de 2022, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

12 outubro 2026

Aqui, à Terra

Com argumento de Paulo Patrício e desenho de Mário Moura, o volume Aqui, à Terra revela-nos uma história de amor impossível entre um pescador e uma sereia, que o encanta. Para consumar esse amor, o jovem tem que abdicar da sua alma. A sua obsessão sem limites vai levá-lo a perder a sua humanidade.
No jornal Expresso, João Paiva Boléo referiu que Aqui, à Terra é uma obra de acentuado sentido "poético e onírico, entre o psicológico e o fantástico, com opções estéticas e narrativas que se integram, com uma acentuada maturidade, em correntes contemporâneas representadas, por exemplo, pela colecção de BD da Autrement.”
Aqui, à Terra [Quadradinho #6], Abril de 1997, 28 págs, offset preto & branco; capa e sobrecapa a duas cores, 10,5x14,8cm., Edição: Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.

11 outubro 2026

My Home is a Logo

O título desta publicação My Home is a Logo, é também o título de uma canção do álbum 'Loudcloud' (Lux Records, 1996) da dupla António Olaio & João Taborda. Foi adoptado também para título de uma exposição realizada no Círculo de Artes Plásticas (Coimbra, 1998), sendo por isso um tópico recorrente na obra de António Olaio.
Em todas as páginas desta publicação surge o desenho de um rosto, com a palavra My Home is a Logo manuscrita sob a boca, assumindo que o rosto é a parte física que mais individualiza cada um de nós, podemos entender cada pessoa como um lar; cada pessoa como o seu próprio lar. 
"My Home is a Logo é uma frase aparentemente tão superficial quanto os slogans publicitários - com aqueles rostos ávidos, felizes por reconhecerem como o seu lar e, consequentemente, as suas individualidades, podem ser reduzidos a uma marca... A opção de interpretá-la literalmente permite-nos vislumbrar a possibilidade de que um lar possa ser algo tão absoluto quanto um logotipo.
Logotipos sintetizam muitas coisas numa imagem, e até mesmo numa marca. "My home is a logo": um lar que é o logotipo de um lar. Será que ele representa todo lar? Ou isso significa transformar o lar (aquele lugar acolhedor para cada indivíduo, aquele lugar confortável, moldado pela nossa subjectividade e que molda a nossa subjectividade) em abstracção e num mero símbolo?
Visto que a palavra "logo", na sua origem grega, significava tanto 'conhecimento' quanto 'palavra' (numa época em que a palavra 'palavra' também significava 'conhecimento'), a ideia de 'logo' pode também ter a qualidade de nos remeter para um tempo em que as coisas eram aparentemente mais simples e precisávamos de menos palavras para transmitir um significado mais amplo. Ao mesmo tempo, é importante notar que podemos achar estranho o facto de termos tido, outrora, uma única palavra para ambos os significados. 
Nos desenhos que representam rostos, acrescentam-se variações caligráficas às variações morfológicas presentes em cada face e, consequentemente, criam-se variações composicionais decorrentes da consciência do efeito que cada gesto exerce em relação aos demais e à sua posição no desenho. A frase 'My home is a logo', escrita sobre cada boca, remete não apenas para os rostos retratados, mas também para a forma como são desenhados. Esse modo de representação integra a identidade dessas pessoas que são, simultaneamente, artefactos. Trata-se, naturalmente, de uma história fictícia; uma metáfora para a possibilidade de uma conexão mais estreita entre o eu e o espaço — uma conexão tão imaterial quanto uma casa de palha, especialmente quando o vento sopra e ela não passa de uma memória.
De facto, pode transportar-nos para o momento em que as pessoas começaram a expandir os limites dos seus corpos ao construir lugares para habitar. A canção pretende despertar empatia em quem a ouve. A história narrada pode conduzir-nos a uma figura ancestral — o primeiro homem a construir um lar, o seu próprio lar — e, por fim, um sentimento de nostalgia pode invadir-nos ao colocarmo-nos no seu lugar."
My Home is a Logo, Outubro de 2023, 44 págs, impresso a preto sobre papel craft, 14x19cm. Edição: Paper View Publishing. Leiria

09 outubro 2026

Maniphestus

As páginas de Maniphestus ressoam o ar do tempo, um velho mundo a ser remoído implacavelmente por um admirável mundo novo, as profecias Nostradamus do apocalipse a digladiarem-se com o 'bug' do milénio,  a globalização triunfante e a decadência do humano. As promessas de manhãs que cantam transformadas em pesadelos distópicos.
Apresentam-se imagens geradas por programas informáticos, complementadas com frases ou pequenos textos que podem ser delirantes, filosóficos ou confessionais, com o código binário a intrometer-se ininterruptamente, infectando a composição e os grafismos.  
Apesar das variadas colaborações de autores como Luís Menezes, Gonçalo Bexiga, Nuno Silva, Marcus Brendão, Rui Santos, Sérgio e Paulo Vilela, com a direcção de J. Nestor, a publicação mantém uma surpreendente coerência visual, transmitindo uma tensão inquieta pré-milénio, progredindo em velocidade escaldante rumo ao ano 2000.
Maniphestus #30, Dezembro de 1999, 24 págs, offset a cores, 18x28cm.

08 outubro 2026

Damas que Matam

Damas Que Matam colige um conjunto de desenhos de Eva Nave retratando mulheres em poses libidinosas, mas sempre com uma carga de perigo e de violência latente.
A 2.ª edição de Damas Que Matam apresenta uma capa diferente da edição original, mas o restante conteúdo mantém a mesma carga erótica de travo sado-maso.
O lado oculto do voyeurismo, visões fetichistas de uma feminilidade toldada pela obsessão, as nádegas e os seios generosos, os saltos altos, mulheres exibindo enfáticos objectos que matam ou que fazem sofrer, expostas à erotização do olhar.
Mulheres poderosas e insubmissas, armadas com lingerie e unhas pontiagudas, prontas para estilhaçar os tabus mais empedernidos. 
Damas que Matam, Abril de 2026, 20 págs., impresso a preto sobre papel colorido, 14,9x21cm.

03 outubro 2026

BêDêzine

Por ocasião do 1º Salão de Banda Desenhada de Torres Vedras, foi editado o número único do BêDêzine, com uma excelente capa da autoria de Arlindo Fagundes.
Herdeiro do histórico fanzine torrense Impulso, juntando outros colaboradores como João Sarzedas, outros autores torrienses e alguns participantes no Salão de BD.
Destaque para a publicação de um depoimento manuscrito de José Ruy sobre a condição de autor de banda desenhada em Portugal, acrescido de um desenho original do capitão Batávias, personagem de 'Porto Bomvento'.
As bd publicadas são de jovens autores como Ruca (Rui Cardoso), com a bd 'Ukêbango', Humberto Leonardo com a bd 'Nadar e Afogar?' e na última página, publica-se um trabalho humorístico de José de Sousa Bastos.
Esta publicação pode ser apreciada na íntegra no blogue Sítio dos Fanzines de Geraldes Lino.
BêDêzine #0, Novembro de 1985, 26 págs., fotocópia a preto & branco; capa em cartolina branca, 21x29,7cm. Edição: Cooperativa de Comunicação e Cultura. Torres Vedras.

01 outubro 2026

O Estrupício

O Estrupício #1
Fanzine de pequeno formato da autoria de Amadeu Escórcio. Neste primeiro número, somos apresentados aos diversos interlocutores que assumem um determinado tipo característico da sociedade portuguesa.
Temos o tipo que é do contra, o marialva defensor das touradas, o racista não assumido, o irascível ao volante, o moralista que tudo critica, mas que se gaba de não pagar impostos, o velhote que acha que no seu tempo é que era bom. Enfim, o tuga no seu verdadeiro esplendor!!
O Estrupício #1, Outubro de 2023, 12 págs., fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 15x10,5cm.

O Estrupício #2
No segundo número de O Estrupício, regressam as tiras triplas de Amadeu Escórcio. Reincidem os seus personagens típicos da sociedade portuguesa. O esquerdista do contra, o macho misógino, o bom cidadão que afinal só quer mesmo que o seu clube de futebol ganhe, o somítico oportunista, o crítico da política e do governo, mas que não passa recibo dos serviços que presta.
Amadeu Escórcio retrata com fino humor as características intrínsecas da matriz do português comum, onde debaixo de uma superficial civilidade, acaba sempre por sobressair o espírito mais soez.
O Estrupício #2, Dezembro de 2023, 12 págs., fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 15x10,5cm.

O Estrupício #3
O Estrupício deixa de ser uma pequena brochura agrafada e passa a ser uma folha amarela de tamanho A4 dobrada em quatro partes. Mantém-se os habituais personagens característicos da sociedade lusitana. Amadeu Escórcio desenha uma série de 'apanhados' do quotidiano, seja nos transportes públicos, no café ou em simples convívio, com as pessoas a pronunciarem algumas tiradas que tão bem nos definem.
O Estrupício #3, Fevereiro de 2024, 8 págs., fotocópia a preto em papel colorido, 15x10,5cm.

O Estrupício #4
O quarto Estrupício apresenta-se novamente numa folha A4 dobrada em quatro partes. Reincidem as habituais tiras triplas de Amadeu Escórcio, reproduzindo os paradoxos da adolescência, as gabarolices, algumas alarvidades, os dichotes  racistas e misóginos, tudo num registo em modo português suave.
O Estrupício #4, Abril de 2024, 8 págs., fotocópia a preto em papel colorido, 15x10,5cm.

O Estrupício #5
O Estrupício volta a mudar de formato: - mantem-se numa folha A4 amarela, mas agora apresenta-se na vertical, dobrado em três parte. O que se mantem inalterado, é o olhar atento de Amadeu Escórcio às contradições tradicionais do povo português. Reclama-se um pouco, critica-se toda a gente, mas poucos se chegam à frente para fazer alguma coisa, seja uma greve, ou para apresentar uma candidatura. Assim, é muito difícil esperar que alguma coisa mude para melhor.
O Estrupício #5, 2025, 6 págs., fotocópia a preto em papel colorido, 15x10,5cm.

30 setembro 2026

Tão Longe, Tão Perto

Tão Longe, Tão Perto #6
E entretanto, já passaram trinta anos! Tão Longe, Tão Perto consistia numa folha A3 dobrada em quatro, formando um desdobrável com conteúdo muito diverso.
Poesia oferecida para fruir ao crepúsculo, notícias e eventos realizados na região do Algarve, divulgação de edições discográficas e livros, passatempos e textos criativos, apontamentos quotidianos.
Memórias de um tempo que corria lento e a informação rareava, tão longe da velocidade vertiginosa e da sensação de impermanência dos dias de hoje. 
Tão Longe, Tão Perto #6, Primavera de 1995, 8 págs., impressão a preto sobre papel craft, 14,9x21cm., Faro.

Tão Longe, Tão Perto #7
Grande foco de atenção ao que se passa no Algarve, designadamente através do artigo 'Repensar a Cidade' onde se procura fazer sobressair a preponderância dos elementos endógenos no processo de revitalização do centro da cidade de Olhão. O texto realça que mais importante do que a delapidação dos elementos arquitectónicos, é mais dramática a destruição de todo o ecossistema social e cultural presente nas ruas mais tradicionais do centro histórico de Olhão.
Nas páginas centrais são publicados breves poemas de Fernando Cabrita, António José Ventura, Manuel Neto dos Santos e de João de Deus.
Nota ainda para o apoio à cena musical local com a divulgação da nova maqueta dos Imune, uma banda rock pesado formada em Faro.
Tão Longe, Tão Perto #7, Outubro de 1996, 8 págs., impressão a preto sobre papel azul, 14,9x21cm., Faro.

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