05 julho 2026

Bizarro

Bizarro #1
No editorial, Bruno Campos refere que o Bizarra representa uma evolução no seu percurso de faneditor e autor. Refere igualmente que o nome adoptado é uma homenagem a John Willies e à sua revista 'Bizarre' publicada entre 1946 e 1959.
No Bizarro, os fetiches não serão só sexuais, serão também bedéfilos, cinematográficos, musicais e literários.
Nas primeiras páginas apresenta-se 'Fragmentos I' uma divagação gráfica erótica desenhada por Bruno Campos. Logo depois, a 'Marca' de Pitchu com Arnaldo e o seu rafeiro de marca.
Ana Branco publica 'Narciso', uma excelente bd conjugada em tom de poesia divagante e com grande elegância gráfica.
'O Sentido da Vida' é uma viagem no túnel da existência, onde o destino das gerações é traçado por Daniel Baptista.
Derradé apresenta 'The BadSummer Boys Band' destilando as agruras da vida moderna em 'Stress' em ritmo de musical punk.
As últimas páginas são preenchidas com uma prancha de Pepedelrey e uma prancha repleta de brutais desenhos pornográficos de J. Coelho.
Bizarro #1, Julho de 1997, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 16,8x23,8cm, Edição: Phetysh Komix. Vila Franca de Xira.

Bizarro #2
As primeiras páginas são dedicadas às diatribes "Os meus inimigos da bd" de Marcos Farrajota, cuja primeira parte já havia sido publicada no fanzine Aardvark, anteriormente editado por Bruno Campos. Republica-se o texto sobre Fernando Vieira / Bedelho, e acrescenta-se novo texto corrosivo sobre M.A.L.S.
No tocante à banda desenhada, Janus apresenta "Toinho e Maria", um jovem casal ardendo de desejo. Segue-se o Boletim da Oficina Insana com diversos apontamentos sobre álbuns, fanzines, editoras e distribuidoras independentes.
Segue-se "Dark City III", baseada na música "Dentro da Cidade", da banda punk Caos Social, e desenhada por Law num estilo sado-maso cyberpunk.
Bruno Campos publica a bd "Nominion" e escreve também uma radiografia detalhada  sobre "The Invisibles" criada por Grant Morrison.
O autor brasileiro Edgar Franco contribui com a bd "A Estagnação" num desenho de estilo fantasista cósmico-psicadélico, com criaturas alienígenas levemente inspiradas por H. R. Giger, e texto poético filosófico, a lembrar os trabalhos do português Nuno Nisa.
A terminar, uma secção de recortes de imprensa e de cartas dos leitores. Na última página, é inserida uma citação de Edgar Allan Poe.
Bizarro #2, Novembro de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 16,8x23,8cm, Edição: Oficina Insana. Vila Franca de Xira.

Bizarro #21 (5)

Originalmente previsto para sair em Dezembro de 1998, o Bizarro #21 apenas vê a luz do dia no novo milénio e com uma numeração não sequencial, uma vez que esta é apenas a quinta edição do fanzine. E saiu em Agosto de 2000, e não em Maio de 2000, como consta na capa. 
Este número está com muito boa apresentação e conta com a colaboração de Derradé (com a prancha "Bizarro" e com a bd "Panfleto"), de Janus (+ Piadas Estúpidas), Melvin, Gamito com "Poesia de Merda", a bd "E Nunca Mais se Ouviram Gritos...", o brasileiro Law Tissot com três excelentes pranchas, Daniel Silva com a bd "Macabro" datada de 1996, Pitchu com a prancha "Selva", uma ilustração de Borel datada de 1787, várias tiras de Jorge Coelho, Peter Kuper com "It's Obscene!!" narrando o caso da condenação em tribunal de Mike Diana pela publicação de "Boiled Angel".
Na rúbrica "Caldeirada", Bruno Campos referencia o aparecimento do fanzine Gambuzine, a continuação do Terminal, um novo tomo do "Macaco Tó Zé" de Janus e a publicação do splitzine "Haraquiri n.º 1/Os Positivos".
Participam também neste número, com desenhos, banda desenhada ou texto os seguintes autores: Absinto, Cria2, JB, Pepedelrey, Pr. Pereira e Rémi.

Bizarro #21 (5), Maio de 2000, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 16,5x24cm, Edição: Oficina Insana. Vila Franca de Xira.

Bizarro #6
O editor Bruno Campos refere a dificuldade de manter alguma regularidade na edição do fanzine e promete apenas mais um número do Bizarro.
A primeira prancha é "Uma Linha Ténue" com texto de Rohke Vorne e desenho de Elma Dias. Seguem-se três tiras de 'Bad Summer Boys Band' da dupla Geral et Derradé.
Sara Costa publica o ensaio "De Duas Artes Surge Uma Nova" sobre o que é a banda desenhada e as suas possibilidades.
Com texto de Cláudio M.S.M. e arte de Law Tissot "The Sex Machine" é um desfile de figurações sado-maso estáticas e exibicionistas.
"Pilgramage" é uma nova bd escrita em inglês de Elina Dias, baseada numa música dos R.E.M.
O conflito de gerações entre mãe e filha e as expectativas goradas são o pano de fundo de "O do Costume" de R. Vorne e desenho de Fermad.
Um trabalho académico é o mote para ressuscitar a mitologia e os "Contos de Fadas" numa história de Dinis Vale.
Tendo por cenário uma América desolada e destruída, Lena S. Diva propõe a prancha "Nova Prole". Ao lado, outra prancha "Metropunks" de Lisa Vale, numa viagem atribulada no metro com a entrada em cena de um grupo de punks.
Seguem-se "Ovo ou Galinha" e "Cuecas em Fogo", duas histórias negras com muito sexo e devassidão  assinadas por Janus. Entre as duas bd, surge o texto "Um Exemplo de Surrealismo na Banda Desenhada: A Literatura e a Pintura de Mãos Dadas", da autoria de Teresa Costa. A banda desenhada "Kabuki: Skindeep" de David Mack é explorada e enquadrada na temática do ensaio. 
As duas últimas páginas servem para breves aparições em jeito publicitário de "Os Positivos" de Valter Matos e do "Tornado" por Estrompa.
Bizarro #6, Setembro de 2001, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 19x27,5cm, Edição: Tesos e Falidos, SA. Vila Franca de Xira.

Bizarro #7
Decorridos cinco anos e cinco meses após o lançamento do número inaugural, o Bizarro anunciava a sua partida para a net, abandonando a edição em papel. Mas a despedida é feita em grande estilo, com excelentes BD. Logo a abrir 'A Culpa é do Músico' de Rohke Vorne (argumento) e Janus (desenho), história muito negra e sórdida passada em contexto familiar, onde a violência e todo o tipo de abusos imperam e acabam por se reproduzir geracionalmente.
David Soares apresenta 'Reprogramar a Alma', belíssima narrativa onde sobressaem os sentimentos e um grande sentido de humanidade.
De seguida 'Um Estranho Prazer', com argumento de Rohke Vorne, agora com o desenho a cargo de Marta Soares, para uma história carregada de sedução, atração irresistível e vampirismo.
Por fim, 'Com o Mal dos Outros', novamente com argumento de Rohke Vorne, desta vez com desenho de João Mascarenhas, reentrando no universo doméstico, na defesa dos bons costumes, nos falsos moralismos e sobretudo no cultivo da maledicência, negligenciando os podres próprios.
Bizarro #7, Dezembro de 2002, 36 págs, impressão a preto & branco, 21x29,7cm, Tiragem: 75 exemplares. Vila Franca de Xira.

03 julho 2026

Mal-Cheirosa

Mal-Cheirosa  apresenta uma delirante conversa entre uma protagonista a atravessar uma crise existencial com o seu próprio pivete. A protagonista tem um acesso de raiva (temper tantrum) uma explosão emocional intensa, exprimindo sentimentos fortes como frustração, fome ou cansaço, resultando numa espécie de birra, que vai ser debatida com o seu duplo/mau-cheiro.
Os desenhos de Amargo (Margarida Ferreira) são muito orgânicos e femininos, utilizando marcadores de feltro, para definir os contornos das suas personagens e dos diálogos, que consistem em divagações e pensamentos sobre o acto de (não) tomar banho e as coisas que se podem fazer em alternativa.
A protagonista procura convencer-se que tomar banho é uma perda de tempo e que pode utilizar esse tempo de modo mais eficiente e produtivo, considera até que abdicar do banho é uma atitude subversiva e de afirmação da sua própria identidade.
O seu pivete/mau-cheiro acaba por funcionar como a voz da sua consciência, procurando convencê-la a adoptar uma atitude mais sensata e razoável.
Esta publicação teve uma nova versão lançada em inglês com o título Stinky
Mal-Cheirosa, Fevereiro de 2025, 20 págs, fotocópia a preto em papel reciclado; capa em cartolina verde, 14,5x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Porto.

01 julho 2026

Cadernos Ultra-Periféricos

Cadernos Ultra-Periféricos #6

Agora sediados em Porto da Espada, envolvidos pelo silêncio das montanhas, os Cadernos Ultra-Periféricos trazem textos poéticos de Vasco Câmara Pestana (editor) e desenhos de Teresa Câmara Pestana, Diana Waldschreck, João Jantes, Paula Silva, Xana e Axel Blotevogel.
Por vezes, há poemas imbuídos nos desenhos, embora na maioria das páginas o texto surja apartado da ilustração - lado a lado, cada um na sua página.
'Pensamentos... Diversos...' de Sandro Kappa é o único texto publicado que não é da autoria do editor.
Nas páginas centrais, apresentam-se dois desenhos de Axel Blotevogel, impregnados de uma indómita força telúrica, uma desolação selvagem e misteriosa.
A montagem gráfica é assumidamente sóbria, arejada, sem qualquer vestígio de design, mas com notável equilíbrio entre os textos e os desenhos, fornecendo a necessária amplitude para ambos respirarem desafogadamente.

Cadernos Ultra-Periféricos #6, Verão de 2006, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Porto da Espada.

Cadernos Ultra-Periféricos #7
Os Cadernos Ultra-Periféricos com o subtítulo 'fanzine d'Arte e Poesia' constituíram uma muito agradável surpresa. Este número apresenta poemas de Carlos Baptista, acompanhados pelos desenhos de Teresa Câmara Pestana, Axel Blotevogel, Carlos Baptista e do editor Vasco Câmara Pestana.
sNa abertura, Vasco Câmara Pestana refere que "levámos o poeta a reconhecer as vantagens de publicar. Convencemo-lo a aparecer como Aparição. E da possibilidade (ainda que remota) de voltar a Ser no acto solitário de ser lido. Conseguimos que entregasse o mapa exemplar, o «roteiro paralelo». Enfim que nos disponibilizasse os poemas que dão acesso à antecâmara subterrânea onde se encontra em plena combustão o alambique representado na capa."
Cadernos Ultra-Periféricos #7, Outono de 2006, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Porto da Espada.

29 junho 2026

Úcua, 29-03-1964

"Os aerogramas militares foram implementados em 1961 e permitiam a troca de correspondência com soldados expedicionários no Ultramar, sendo isentos de portes. Tratava-se de uma folha de papel que, dobrada, assumia o formato de envelope." (in ensina.rtp.pt).
Esta brevíssima bd de Sandro Ferreira baseia-se num aerograma real, enviado pelo soldado José António para outro soldado. A data assinalava o período da Páscoa e o soldado estava destacado no aquartelamento de Úcua em Angola. As amêndoas eram bem amargas, as saudades dos bailes e das gajas eram mais que muitas, assim como um crescente ressentimento pelos que ficaram no bem bom na metrópole.
Um instantâneo breve, mas muito nítido, dos sentimentos que se vão interiorizando e silenciando, vidas em suspenso, 'em cada homem um rio que não corre. Um tempo longo, um tempo onde a palavra vida rima com a palavra morte.'
Úcua, 29-03-1964, 2022, 8 págs, fotocópia a preto & branco, 14x20cm.

26 junho 2026

Almada BD Fanzine

Almada BD Fanzine #1
Luiz Beira explica no editorial que o Almada BD Fanzine nasce de uma dissidência que lhe foi imposta pelo 'caso François Craenhals" (a par do de Derib). Pelos vistos, um jovem desenhador 'maltratou' a obra de Craenhals nas páginas do fanzine Shock e para compensar, Luiz Beira dedica este número inaugural ao autor belga. O cisma foi tal que vários desenhadores 'largaram' o Shock para integrarem as fileiras desta nova publicação!!
Não obstante, este primeiro Almada BD Fanzine é praticamente idêntico à fase inicial do Shock: um autor famoso em destaque; um leque alargado de desenhadores nacionais a homenagearem o autor glosando o seu estilo e personagens famosos. Cada um com direito a uma prancha!
Participam nesta homenagem ao criador do Cavaleiro Ardent os seguintes autores: Rá, Fernando Jorge Correia, José Ruy, Carlos Laranjeira, Artur Madeira, Pedro Dias, José Carlos Fernandes, Artur Correia, Ilídio Morganiço, Augusto Trigo, Ruka Rebello da Silva, Vassalo de Miranda, José Paulo Marques, Vítor Teodósio, Hélder Carrilho, João Neves e José Garcês.
Há algumas pranchas bem conseguidas, embora a maioria seja incipiente (inclui-se, com surpresa, José Carlos Fernandes neste lote).
Nas páginas finais, Luiz Beira escreve uma pequena biografia de François Craenhals, referindo várias visitas a Portugal, bem como trabalhos publicados.
Depois, divulgam-se as principais 'Conclusões do 1.º Encontro Nacional de Bedéfilos' organizado pelo GICAV em Viseu. Que dizer sobre isto?... - Quatro páginas consecutivas sobre o estado da bedefilia no início dos anos noventa. Uma sequência interminável de banalidades e de palavras estéreis.
Salva-se a recomendação unânime para tornar Viseu a Capital portuguesa da BD;)
Almada BD Fanzine #1, Maio de 1990, 28 págs, offset a preto & branco; capa violeta, 21x29,7cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Câmara Municipal de Almada.

Almada BD Fanzine #2

O editorial de Luiz Beira enquadra o Almada BD Fanzine no panorama fanzinístico nacional e almadense. O destaque deste número vai para Armando Servais Tiago, criador do personagem Barnabé, uma figura do povo, ingénuo e divertido. São publicadas várias pranchas de "Barnabé em Viagem" por terras portuguesas.
Armando Servais Tiago entrevistado por Luiz Beira, vai abordando o seu percurso na banda desenhada e a sua profissionalização no âmbito do filme de animação publicitário. Na entrevista, há uma curiosa a referência à série de 10 filmes de animação da "Heloísa", feita em conjunto com Sam para a RTC e que se "perdeu".
Carlos Pessoa escreve o artigo "A Difícil Função da Critica". Nas páginas centrais, apresentam-se breves biografias e fotos dos colaboradores do Almada BD Fanzine.
Há ainda pranchas de "Tiroliro" de Vítor Teodósio e "Azia Matinal" de Ilídio Morganiço. De Manuela Torres são publicadas três páginas de "A Avó Maria - Uma Lisboeta do Principio do Século" uma jovem moderna e decidida a tentar sobreviver no meio da turbulência política no inicio do século XX.
A terminar, a onírica banda desenhada "Constantino" de Hélder Carrilho.

Almada BD Fanzine #2, Julho de 1990, 28 págs, offset a preto & branco; capa em azul, 21x29,7cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Câmara Municipal de Almada.

Almada BD Fanzine #3
No editorial, Fernando Vieira refere-se a um problema recorrente - a encruzilhada da banda desenhada portuguesa, encolhida entre as dificuldades de edição, profissionalização e a escassez de público.
A primeira bd é "Flipade, O Guia Turístico" da autoria de RÁ (Rui Alves), à volta de uma excursão multinacional a umas ruínas musealizadas que acabam desfeitas em escombros.
Ilídio Morganiço apresenta a "Véspera de Eleições na Real República das Bananas", com políticos a prometerem este mundo e o outro.
Segue-se uma entrevista conduzida por Luis Beira a Fernando Bento. Depois, a sua bd "O Pequeno Tambor" sobre um heroico jovem soldado que, com a sua coragem e persistência, salva os companheiros sitiados de morte pelo inimigo.
Partindo de um contexto infantil "A Mancha" de Mara Andrade, denuncia a poluição nos oceanos e a morte dos ecossistemas marítimos, apresentando uma bd com uma forte mensagem ecologista.
Almada BD Fanzine #3, Setembro de 1990, 28 págs, offset a preto & branco; capa em magenta, 21x29,7cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Câmara Municipal de Almada.

Almada BD Fanzine #4

Almada BD Fanzine #4, Dezembro de 1990, 28 págs, offset a preto & branco; capa em laranja, 21x29,7cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Câmara Municipal de Almada.

Colagens

Recolha de colagens da autoria de Isa Bruno, muitas delas publicadas anteriormente no extinto fanzine O Apókrifo, mas agora republicadas no esplendor das suas cores.
As colagens podem assumir um carácter mais cartoonesco ou então revestir-se de uma miríade de cores e tonalidades de características mais abstractas e pictóricas.
As figurações, sempre presentes, assumem apenas os traços essenciais, predominando os gestos corporais e as expressões faciais.
Os recortes de textos nunca compõem uma narrativa óbvia, sobressaindo somente as suas características gráficas e texturas.
Nota-se um processo de continuidade, mas também de evolução. Talvez este balanço do trabalho realizado até aqui, sirva como ponto de partida para uma nova fase que ainda virá.
Colagens, Maio de 2026, 32 págs., impressão a cores, 14,5x20cm. Edição: O Apókrifo.

24 junho 2026

Mehr Licht!

Mehr Licht! #4
As coisas eram bem diferentes em finais da década de 90 do século passado!... Luis Oliveira escrevia o seguinte no editorial: "No Verão de 93 houve uma enxurrada de concertos para todos os gostos e em vários pontos do país mas depois disso pouco ou nada mais aconteceu e então tem-se que questionar:
Porque é que tudo se tem que passar em Lisboa? Porque é que desde Setembro de 1995 (Young Gods no Porto, Coliseu) não há um concerto de jeito no norte? Como é possível fazer-se um concerto dos DEATH IN JUNE (Non, Kapo, Strength Through Joy e Scorpion Wind) em Lisboa e passar quase despercebido? Ainda por cima um concerto limitado aos amigos e que quando se tenta comprar bilhete já tudo está esgotado? Qual é o direito essa gente tem de nos privar de um espectáculo desses? Ou de qualquer outro espectáculo semelhante? Teremos nós que ir viver para Lisboa para usufruir daquilo a que, noutros países, qualquer pessoa tem direito? Sendo assim mais vale emigrar..."
Neste número, são apresentadas entrevistas ao autor de banda desenhada Jhonen C. Vasquez e às bandas The Garden of Delight, Midnight Call, e aos alemães Passion Noire.
Reportagem sobre as edições de 1996 dos festivais 
de Vilar de Mouros e de Reading.
É apresentado um extenso artigo sobre os Virgin Prunes, cobrindo toda a sua existência e também artigos sobre as bandas The Shroud e The Prophetess.
Nos registos discográficos, são apresentadas críticas aos trabalhos de The Garden Of Delight, Love Spirals Downwards, Black Tape For A Blue Girl, Vidna Obmana, The Merry Thoughts, Abcess, Umbra Et Imago e o sublinhado especial ao primeiro registo dos The Astonishing Urbana Fall.
Na rúbrica 'Filmes Maiores que a Vida' assinada por Vítor Ribeiro, é destacado o filme "O Acossado" realizado por Jean-Luc Godard em 1959.
Mehr Licht! #4, Março de 1997, 40 págs, fotocopiado a preto & branco, 14,9x21cm. Póvoa de Varzim.

Mehr Licht! #5
Uma detalhada biografia dos primeiros anos de Mão Morta preenche a primeira dezena de páginas. Depois, fala-se num concerto dos Clockwork, acompanhados pelos Orange e Parkinson. Nota também para o lançamento dos disco homónimo dos Clockwork pela Lowfly Records, com entrevista à banda.
Logo a seguir, surgem diversas resenhas críticas a novas edições discográficas, com destaque para Caspar Brötzman Massaker e Impressions Of Winter.
Nas páginas centrais, lê-se uma crónica sobre o festival poveiro Cais do Rock 97, que desiludiu um pouco.
Os americanos Man...Or Astro-Man? merecem um olhar atento de Luís Oliveira, bem como a listagem da sua discografia detalhada. Um pouco abaixo surge uma curiosa referência para a edição de uma demo dos Bildmeister.
A banda de metal vimaranense Kormoss merece uma referência de Paulo Martins. O mesmo colaborador referencia o projecto Moyaghem / NoyAghem.
Nas páginas seguintes , ainda há espaço para a divulgação da Sociedade Internacional da Terra Plana, para a edição da demos dos This Isn't Luxury pela Deixe de Ser Duro de Ouvido, e também para o concerto dos Astonishing Urbana Fall e respectiva entrevista conduzida por Paulo Martins.
Para finalizar, na rúbrica 'Filmes Maiores que a Vida' destaque para 'Os 400 Golpes' de François Truffaut e 'Hiroshima Meu Amor' de Alain Resnais.
Sem dúvida, um excelente fanzine, que peca apenas pela escolha de alguns tipos de letra que embaraçam muito a leitura.
Mehr Licht! #5, Julho de 1997, 40 págs, fotocopiado a preto & branco, 14,9x21cm. Póvoa de Varzim.

Mehr Licht! #6
Este número, inicia com a publicação da primeira parte de um longo artigo sobre os Death In June, assinado por Luis Oliveira. Seguem-se, pelo mesmo autor, uma resenha sobre o Festival Sacrosanct 97, realizado em Londres. Depois os suecos Funhouse também são destacados. Há também duas páginas dedicadas à análise e criticas de novas edições.
Paulo Martins divulga as novas maquetas das bandas nacionais The IDS e Love And The Will. O mesmo autor apresenta um artigo intitulado "Breves apontamentos sobre alguns aspectos esotéricos do III Reich - Subsídios para a compreensão de um fenómeno".
Regressa depois a vertente musical, com um artigo sobre os ingleses The Venus Fly Trap.
Para terminar, são transcritos alguns textos e diálogos do filme "Paris, Texas" de Wim Wenders. Na rúbrica "Filmes Maiores que a Vida", Vítor Ribeiro destaca a obra do realizador americano John Cassavetes. 
Mehr Licht! #6, Janeiro de 1998, 28 págs, fotocopiado a preto & branco, 21x29,7cm. Póvoa de Varzim.

Mehr Licht! #7

Neste número, é publicada a segunda parte do artigo dedicado aos Death In June e conclui-se também  o artigo intitulado "Breves apontamentos sobre alguns aspectos esotéricos do III Reich - Subsídios para a compreensão de um fenómeno". É transcrita uma entrevista transmitida no programa "Nova Vaga" da Rádio Fundação aos mentores da editora discográfica independente "Deixe de Ser Duro de Ouvido".
Na rúbrica "Filmes Maiores que a Vida", destaca-se o realizador norte-americano Martin Scorsese.
Os germânicos Still Patient? são entrevistados por Luis Oliveira, que também perspetiva o que será o Festival Wave Gotik Treffen 1998.
A cena de Manchester é radiografada, destacando-se as suas principais bandas e discografias.
O fanzine termina com duas páginas dedicadas à crítica e divulgação das novas edições discográficas nacionais (Kola!, Sadcow, Desire e Cais do Rock Vol. 2) e internacionais (Love Like Blood, Clan Of Xymox, Raison D'Être, etc.).
À semelhança do número anterior, o arranjo gráfico de algumas páginas dificulta sobremaneira a leitura dos textos devido à sua sobreposição com imagens.
Mehr Licht! #7, Abril de 1998, 28 págs, fotocopiado a preto & branco, 21x29,7cm. Póvoa de Varzim.

Mehr Licht! #8
Neste número, a banda em destaque são os americanos The Cramps. Seguem-se algumas entrevistas: - a primeira, a Adolfo Luxuria Canibal, por altura da edição do disco dos Mão Morta "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável"; - depois, aos barcelenses The Astonishing Urbana Fall e aos leirienses Phase.
Nas páginas centrais, surge a cobertura ao Festival Cais do Rock '98 na Póvoa de Varzim. Depois mais umas entrevistas às bandas nacionais Plus, Raindogs e Simplex, The Boozman.
Paulo Martins publica um texto "Considerações sobre a Swastika" onde discorre sobre a persistência deste símbolo ao longo do tempo.
Na rúbrica "Filmes Maiores que a Vida", continua o destaque ao realizador norte-americano Martin Scorsese.
O fanzine conclui com duas páginas de críticas e classificações a novas edições discográficas.
Uma nota final para a melhoria do grafismo e da paginação, tudo muito mais limpo e legível.
Mehr Licht! #8, Setembro de 1998, 28 págs, fotocopiado a preto & branco, 21x29,7cm. Póvoa de Varzim.

22 junho 2026

Another Zine About Depression

Pequeno fanzine lançado por Ana Arsénio abordando a sua experiência pessoal vivida durante os períodos de crise emocional e depressão.
A saúde mental é um tema muito negligenciado comparativamente com os outros temas relacionados com a saúde e o bem estar. No entanto, capitalismo tardio, os problemas de saúde mental são cada vez mais preocupantes e generalizados, potenciados pela desregulação do trabalho, pela competitividade desenfreada, formas de consumo e de organização social.
A autora referiu que concebeu o fanzine "durante um período de crise emocional, fiz alguns rabiscos e escrevi os meus pensamentos... Sinceramente, foi muito bom transformar os meus pensamentos de merda em algo de que me posso orgulhar (mesmo com as suas muitas falhas)."
Num contexto de despolitização da dor, transtornos como a depressão e a ansiedade passam a ser tratados apenas com intervenções químicas e terapias focadas na resiliência individual, ignorando fatores como a precariedade laboral, baixos salários e ausência total de perspectivas de futuro.
Mais do que nunca, é vital falar abertamente sobre estes temas e partilhar experiências. Porque ninguém está sozinho.
Another Zine About Depression, 2024, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 10,5x14,8cm. Edição: Awful Ana.

21 junho 2026

Praga

Como é habitual nos fanzines colectivos produzidos nos inícios dos anos 2000 pelos alunos da ESAD das Caldas da Rainha, a informação é escassa ou praticamente inexistente, desconhecendo-se a identidade dos autores dos trabalhos publicados neste Praga. O conteúdo incluído é constituído maioritariamente por desenhos a tinta-da-china, pequenos textos inventivos, esboços, ilustrações, montagens gráficas e colagens.
Na capa surge a famosa estampa do séc. XIX 'Baphamet' da autoria do ocultista Éliphas Lévi. A figura da cabra sabática traz a palavra 'Solve' inscrita no braço direito (apontando para cima) e 'Coagula' no braço esquerdo (apontando para baixo). Partindo do axioma central da alquimia medieval, talvez os participantes no fanzine perseguissem um processo de desconstrução, quebrar velhos hábitos e costumes (académicos e artísticos), para depois assumirem um novo processo de reconstrução que fosse transformador.
Apesar de não existir ficha técnica, nem índice de trabalhos, identificam-se contributos de João 'Moca' Martins, Nelop, Nuno Valério, entre outros.
Praga #0, 2004, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Caldas da Rainha.

19 junho 2026

Desenhos Circun.S.tanciais e Cenas

Publicação de Migvel Tepes reunindo um conjunto de ilustrações desencadeadas pela convocatória / convite para participar no fanzine cir.cuns.tan.cial. O desafio para participar no fanzine serviu de gatilho para recuperar processos de criação que estavam pausados, e retomar o uso dos materiais de pintura e desenho, o stencil, colagens, altos contrastes, algumas experiências com grafismos, tipos de letras e textos.
A exploração de toda a gama cromática do preto e branco contribuiu para dar forma a um mundo fantasioso e um pouco melancólico, onde a presença humana pressente-se, mas não se evidencia.
Desenhos Circun.S.tanciais e Cenas, Setembro de 2021, 20 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 21x29,7cm. Tiragem: 40 exemplares, Edição: Chicoispertoedições. Póvoa de Varzim.

18 junho 2026

Franco, O Trolha

Pedro Brito escreveu a seguinte nota de edição: "certo dia, mexia eu no arquivo, e eis que deparo com as minhas primeiras BD's publicadas em revista. Eram as pranchas do Franco, o Trolha, o meu anti-herói. Tinham sido publicadas na extinta revista Art Nove no longínquo ano de 1994.
Reli-as enquanto relembrava o quanto eu ainda estava verde. Mas como eu me ri! As histórias eram bem porreiras!
Mostrei-as ao Rui Brito, que propôs a sua reedição, compilando-as. De início, não achei boa ideia, mas depois reflecti e talvez não fosse mal pensado, já que a revista não teve muita visibilidade e pouca gente conhece este meu lado policial 'cómico-xunga'.
E pronto, aqui têm o Trolha. Com um cheirinho a nostalgia."
As duas histórias compiladas são 'Sexo, violência, dinheiro, mentiras e vídeo' e 'Franco 2' e foram originalmente publicadas nos números 04 e 05 (Setembro e Outubro de 1994) da revista Art Nove.
Franco, O Trolha [Primata Comix #26], Março de 2002, 20 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 15,5x23cm. Edição: Polvo. Lisboa.

17 junho 2026

Setembro 23

Pequena brochura com desenhos de Matilde Feitor, fixando mulheres em posições tântricas, meditativas ou relaxadas. Vislumbram-se Vénus púdicas, cobrindo-se com as mãos. Animália diversa vigilante ou apenas de passagem. Algumas frases em inglês.
Um pequeno breviário tingido pelas dúvidas existenciais, as escolhas e os caminhos que se estreitam. 
Setembro 23, Setembro de 2023, 8 págs, fotocópia a preto em papel colorido, 10,5x14,8cm. Edição: Bancarrota.

16 junho 2026

Senti-a no Braço

A dupla Vale da Silva (argumento) e de Pedro Pires (desenho) estreia-se na bd com Senti-a no Braço, ambientada numa tranquila manhã quente de Verão passada no café habitual, um mundo de sensações, os reflexos nos vidros, o Sol na cara, uma estranha dormência apoquenta o braço.
De súbito, entra no café um homem de aparência jovem, que se junta a outro mais velho que o esperava, conversam e na mesa ao lado não se consegue escapar à indiscrição de escutar as conversas alheias.
A morte paira implacável e com hora pré-determinada, mas a força da vontade pessoal sobrepõe-se à razão das coisas. A estranha sensação no braço persiste, premonitoriamente.
Senti-a no Braço [Quadradinho #11], Outubro de 1997, 28 págs, offset preto & branco; capa e sobrecapa a duas cores, 10,5x14,8cm., Edição: Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.

15 junho 2026

Kuti - Contemporary Portuguese Comics

A revista finlandesa Kuti, editada por Tommi Musturi, dedicou este número à banda desenhada portuguesa, tendo como co-editores Pedro Moura e Marcos Farrajota.
A revista impressa a cores num papel reciclado baço, apresenta os textos em finlandês com tradução no rodapé para o inglês.
Na capa surge um desenho de André Ruivo, depois um breve ensaio da autoria de Pedro Moura 'The Contemporary Scene of Portuguese Comics' sobrevoando a história e evolução da bd nacional desde Bordalo Pinheiro até à actualidade, focando os constrangimentos editoriais e económicos com que se debatem os autores nacionais.
Os trabalhos publicados oscilam entre uma e as quatro páginas, apresentando estilos bastante diferenciados, denotando uma qualidade assinalável enquadrada no espectro da banda desenhada mais contemporânea e experimental, com linguagens assumidamente distintivas e autorais.
Participam autores com extenso percurso criativo como Pedro Burgos, André Ruivo e Daniel Lima. Autores cujo trabalho intersecta de diversos modos a bd, como Tiago Manuel, Ricardo Paião Oliveira, Hetamoé e Cátia Serrão.
Outros mais novos, mas com significativa produção, como Ana Biscaia, Amanda Baeza, Rudolfo Mariano e Rudolfo, e outros ainda emergentes como Sara Boiça, Ema Gaspar, Ana Maçã, Rui Moura e Alexandra Saldanha.
Uma selecção de autores de grande qualidade, alguns dos melhores que temos, e que sem dúvida, constituí um excelente cartão de apresentação, prestigiando a criação nacional contemporânea mais alternativa.
Kuti #65, Outono de 2022, 64 págs, offset a cores, 19,5x29,5cm. Tiragem: 5500 exemplares. Edição: Kutikuti. Finlândia.

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