Musicalíssimo Freak
Musicalíssimo Freak #1
Novo capítulo, em dose dupla, do laborioso trabalho de arqueologia gráfica desenvolvido por José António Moura, lançando um outro olhar sobre sobre publicações perdidas nas brumas do tempo. Agora, o foco são as ilustrações impressas nas páginas do Musicalíssimo. Os desenhos são contribuições criadas pelos leitores e enviadas para o jornal, tendo sido publicadas entre os anos de 1980 e 1982. "Esta janela temporal assinala o segundo arco de vida do jornal. O presente destaque a estas ilustrações resulta de um olhar atento às margens e entrelinhas, uma prática que ajuda a iluminar outros momentos na História, outros projectos e ideias que, não sendo necessariamente os mais impactantes ou populares (aliás, quase nunca o são), desfazem a noção de consenso e narrativa oficial transmitida e divulgada. São ilustrações que revelam relacionamentos íntimos com a música, geralmente apegados a formas de escape ou comentário sócio-político. sintonia de dois pólos no universo da música popular: por um lado, o niilismo punk; por outro, rock mais clássico, prog, 60s, 70s, dieta habitual do freak português.
Se um dos pólos sugere acção, o outro sugere sobretudo um enredo de revolta processado na mente e solto num mapa surrealista sem linhas definidas. São também ilustrações próprias do seu tempo e do contexto português, fantasias artísticas cujo valor estético intrínseco não pode ser desligado dessas circunstâncias mas que, ainda assim, ingénuo ou mais esclarecido, básico ou mais elaborado, figurativo ou abstracto, estimulam e questionam."
Musicalíssimo Freak 1980-82 #1, Março de 2026, 28 págs, impresso a preto sobre papel texturado creme de 120g., 14,2x20,2cm. Tiragem: 25 exemplares. Edição: Marte Instantânea / Holuzam. Lisboa.
"E rock como veículo simultâneo de encontro colectivo e espaço pessoal de navegação na mente. Juntavam-se, por fim, as paisagens visuais de muita BD fantástica ou de ficção científica - lá fora, a Heavy Metal e a Metal Hurlant, cá dentro a Visão, por exemplo - e os mundos sugeridos por inúmeras capas de rock progressivo. Tudo junto numa palavra talvez resulte Escapismo.
Estas últimas vertentes diluem-se numa tendência mais internacional própria da época, composições abstractas e arquitectónicas, algumas inspirações surrealistas que também se manifestam noutra das tendências principais, neste conjunto de ilustrações, observada num traço mais líquido e rabiscado a fazer lembrar o underground norte-americano da Zap Comix e afins.
Consideração final e especulativa: o desencanto generalizado (talvez evidente num tipo de pessoas mais vocacionadas para as artes) com a experiência abortada da Revolução Socialista, as possibilidades que aí se perderam, a ideia de liberdade "libertária" que se consumiu, o poder aos jovens, uma nova sociedade e mais etceteras sonhados durante o PREC. A frustração tinha de sair por algum lado. Foi isto, também?"
Musicalíssimo Freak 1980-82 #2, Março de 2026, 28 págs, impresso a preto sobre papel texturado creme de 120g., 14,2x20,2cm. Tiragem: 25 exemplares. Edição: Marte Instantânea / Holuzam. Lisboa.



























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