13 maio 2026

Revista Decadente

Revista Decadente #65
A abrir este número, Alice Geirinhas fala sobre "A Vaca que Veio do Espaço", editora de fanzines dos anos 80. Os dinamizadores da editora foram Alice Geirinhas, João Fonte Santa e José da Fonseca e entre 1986 e 1988, editaram os fanzines Facada Mortal, "Joe Indio", "Tom Sida Magazine" e "Grafpopzine".
"O Antropoceno é uma Moda?" é uma reflexão de Ana Cristina Cachola e Xavier Almeida.
Gonçalo Duarte fala dos passes sociais em Lisboa e do problema da habitação em Lisboa em "Conversas Vadias".
A perspectiva das novas amizades e o seu efeito nos velhos amigos, por Sreya em modo virtual em "Deixar a Música e Dedicar-me à Potaria".
Ana Menta aborda questões ligadas à administração da justiça e sobre o papel dos juízes.
Pete Sar avança com algumas "Ideias para a Neo-Decadência" e o uso de WC femininos por homens.
Em "Luxação", Xavier Almeida narra os primórdios da sua experiência ciclista em Lisboa.
Revista Decadente #65,
 Março de 2019, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 60 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #69
Para assinalar a 69ª edição da Revista Decadente, os participantes aproveitaram para explorar a temática de cariz sexual, com especial enfoque na posição kamasutriana associada ao número. A primeira prancha, assinada por SAR, apresenta a sua fixação e predilecção pelo 69. Depois, Sreya referencia a mutação para duas pernas em vez de uma, de modo a ajustar-se à posição 69.
Na rúbrica "Mulheres na B.D.", Alice Geirinhas destaca "QCDA #2000 - 4 Cavaleiras do Apocalipse", edição que reúne trabalhos de Hetamoé, Sofia Neto, Sílvia Rodrigues e Amanda Baeza.
Depois, mais um capítulo de "Luxação" série desenvolvida por Xavier Almeida sobre andar de bicicleta em Lisboa.
"O Evangelho Segundo Santa Vulva" é uma elegia ao lesbianismo e feminismo, anti-machismo e depilação, por Carolina Elis.
Ana Cachola e Xavier Almeida baseiam a bd "Artista Sem Trabalho a Pensar no Trabalho da Arte" na obsessão de António Caramelo pelo número 69.
Ana Menta aproveita o número 69 para reflectir sobre a importância dos preliminares nas relações sexuais  e também na episiotomia, também conhecida como "O Ponto do Marido".
Este número especial conta ainda com a participação de Aimé Pedezert, João Gabriel Pereira, Filipe Felizardo e André Trindade.
Revista Decadente #69, Agosto de 2019, 16 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 69 exemplares (2.ª edição). Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #73
A primeira prancha de bd é da autoria de Odete. Depois, Rod apresenta uma cena de fist fucking.
Ana Cristina Cachola e Xavier Almeida baseiam a bd "Artista Sem Trabalho a Pensar no Trabalho da Arte", numa troca de mensagens através do Tinder, que descamba na reflexão sobre a pertinência da curadoria na Arte.
"ACAB" de Ana Menta é uma conversa de surdos sobre racismo e violência policial. Sintonizada na mesma temática, Carolina Elis comenta a afirmação "Em Portugal não há racismo". 
Na rúbrica "Mulheres na B.D.", Alice Geirinhas publica uma breve apresentação de Isabel Carvalho, fundadora do Colectivo A Língua e do Satélite Internacional e também autora e editora de muitas outras publicações.
Sreya relata as dificuldades da feitura do seu segundo disco e da catarse que representou. Difícil também está encontrar salas para apresentar o trabalho ao vivo.
Depois, o oitavo capítulo de "Luxação", série desenvolvida por Xavier Almeida sobre andar de bicicleta em Lisboa.
"Quando for Grande" novamente uma história de racismo e violência policial, escrita por Gisela Casimiro.
EU, UE, EU, um ego do tamanho do umbigo por Filipe Felizardo. A terminar, mais uma sequência de "Envuelto em Llamas" por Santi. 
Revista Decadente #73, Agosto de 2020, 12 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #75
Em tempos de pandemia e confinamentos, a Revista Decadente ressurge com um vigor inesperado. André Lemos contribui com trabalhos da fase DEKOMIKONSTRUTIVISMUSSegue-se uma prancha de Carlos Santola, e uma sequência de Muriel Bellini recapitulando os melhores momentos musicais e outros do ano 2020.
Alice Geirinhas continua a sua saga, destacando o trabalho das mulheres na bd. Desta vez, o foco incide no fanzine Your Mouth is a Guillotine. Mais à frente, o destaque vai para Teresa Câmara Pestana, editora do excelente Gambuzine.
Por seu lado, Xavier Almeida apresenta um novo capítulo de 'Luxação' sobre andar de bicicleta em Lisboa.
Ana Margarida Matos ensaia uma nova perspectiva sobre o eu e outro (estrangeiro), decantando signos e grafismos que reconhecemos dos programas e plataformas virtuais.
Este número conta também banda desenhada de Ana Menta, Sreya, Santi Z, Carla Protozoo, Sweevill e um tutorial para confeccionar uma projéctil de arremesso por Bedbug.
Na contracapa, Nuno Saraiva é surpreendido pelo vírus.
Revista Decadente #75, Fevereiro de 2021, 20 págs, fotocópia digital a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 35 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #77
Nas primeiras páginas deste número da Revista Decadente, Pachiclon apresenta uma banda desenhada que parte de um caçador de Pokemons para expor todo o sistema de alienação virtual. Depois vem uma história incendiária de Santi, que acaba com a sorte grande a esfumar-se entre os dedos.
Segue-se uma prancha de Bedbug e proletarização do mundo. Depois, Sar explica muito detalhadamente tudo o que precisamos de saber sobre a blockchain e os NTF.
Nas páginas centrais, um trabalho misteriosos de Hetamoé, carregado de noise, com texto em inglês, muitas vezes ilegível, mas onde os sentimentos reverberam com toda a violência.
Fazendo uma aproximação à banda desenhada em tons negros petrolíferos, André Lemos convoca as magias invertidas, sob os auspícios fantasmáticos de Julião Sarmento.
"Virus for Promotional Use Only", é uma sequência cadenciada dos efeitos do vírus mais conhecido dos últimos tempos, pela mão de Muriel Bellini.
Alice Geirinhas, apresenta "Mulheres na B.D." destacando individualmente as autoras Joana Estrela e Júlia Barata.
Para terminar uma ilustração intrincada de José Haz e a banda desenhada "Luxação" de Xavier Almeida expondo as perplexidades de um utilizador frequente de bicicleta na cidade de Lisboa.
Revista Decadente #77, Fevereiro de 2022, 16 págs, fotocópia digital a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #79
A abrir este número, Sara Chitas reflecte sobre a incapacidade do ser humano aprender com a História e com os erros do passado. Depois temos Santi em mais um momento "Envolto em Chamas", desta vez à beira de cair no precipício.
Se Basquiat fosse vivo e fizesse banda desenhada com ferramentas digitais, certamente não seria muito diferente das duas pranchas apresentadas por Hetamoé.
Em "Positividade Above it Halls" Maria Quintas parte de um fenómeno observado no mundo animal para fazer uma analogia com a vida quotidiana.
A vida bipolar de um artista retratada por R.I.P., protagonizada por um personagem com um sorriso sempre estampado no rosto.
Xavier Almeida apresenta mais um capítulo de "Luxação" com temática ciclista citadina.
Na rúbrica "Mulheres na B.D." Alice Geirinhas destaca o trabalho de Ana Matilde Sousa (Hetamoé).
A terminar, as bestialidades de André Lemos eivadas de tons bíblicos muito negros.
Revista Decadente #79, Setembro de 2022, 20 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

12 maio 2026

Cadernos Ultra-Periféricos

Os Cadernos Ultra-Periféricos com o subtítulo 'fanzine d'Arte e Poesia' constituíram uma muito agradável surpresa. Este número apresenta poemas de Carlos Baptista, acompanhados pelos desenhos de Teresa Câmara Pestana, Axel Blotevogel, Carlos Baptista e do editor Vasco Câmara Pestana.
A montagem gráfica é soberbamente sóbria, arejada, sem qualquer vestígio de design, mas com notável equilíbrio entre os textos e os desenhos, fornecendo a necessária amplitude para ambos respirarem desafogadamente.
Na abertura, Vasco Câmara Pestana refere que "levámos o poeta a reconhecer as vantagens de publicar. Convencemo-lo a aparecer como Aparição. E da possibilidade (ainda que remota) de voltar a Ser no acto solitário de ser lido. Conseguimos que entregasse o mapa exemplar, o «roteiro paralelo». Enfim que nos disponibilizasse os poemas que dão acesso à antecâmara subterrânea onde se encontra em plena combustão o alambique representado na capa."
Cadernos Ultra-Periféricos #7, Outono de 2006, 36 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Porto da Espada.

10 maio 2026

Piratininga

Piratininga foi publicado no Brasil pelas revistas Porrada Special e Pau-Brasil e em Portugal começou a ser publicado em capítulos no fanzine Banda, sendo depois recompilada neste álbum.
Acompanhamos as desventuras de um grupo de criminosos foragidos da prisão, num Brasil futurista ocupado pelos norte-americanos, exercendo rigorosa segurança e vigilância, com sistemas militares robotizados.
Sobre esta série em 10 episódios, criada pelo autor brasileiro Arthur Garcia, parece que se foi desenvolvendo conforme ia sendo criada. Quando o autor "pousou os olhos sobre os sete criminosos e o policial que preenchiam a primeira aventura encheu-se de dúvidas. Quem eram eles? De onde vinham? Para onde iam? Daí por diante tudo foi diferente, com o aparecimento de inúmeros motivos para novas histórias.
Piratininga passou a ser uma série de crónicas sobre tudo o que aborrecia o Arthur, adquirindo para ele uma nova dimensão, a de registar o quotidiano brasileiro.
Piratininga é o nome indígena de um rio no sudeste do Brasil e de uma vila a ele próxima. Piratininga é S. Paulo."
Piratininga, 1993, 36 págs, offset a preto & branco, 21x27,5cm, Tiragem: 500 exemplares. Edição: Jogo de Imagens. Amadora.

08 maio 2026

Não Faltes ao Jantar

Não Faltes ao Jantar reúne duas bandas desenhadas da autoria de Saulo Oliveira, ambas com a refeição nocturna a moldar a narrativa. A primeira, 'Hetericida' é bastante surpreendente, desenvolvendo-se numa espécie de ensaio de crime psicológico, sob o efeito da inveja ou dos vapores etílicos. Apesar da desenvoltura sequencial, a história permanece ainda assim misteriosa e indecifrável, entre o devaneio etereo-policial e o real indeterminado.
A segunda história, intitulada 'Hora de Jantar' apresenta um ambiente mais fantasioso, num estranho encontro nocturno no meio do deserto. Enquanto se aguarda pela chegada do jantar à volta da fogueira, o convidado inesperado poderá transformar-se no banquete daquela noite.
Não Faltes ao Jantar, 2026, 24 págs, impresso a preto & branco., 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Studio Phoenix.

06 maio 2026

O Mouco

Meio Mouco # 4 e 1/2
O primeiro artigo intitulado 'O Inverno Não Podia Ter Sido Mais Frio' parte à descoberta das novas bandas canadianas. Impulsionados pela descoberta dos GYBE!, exploram as sonoridades de outras bandas como Do Make Say Think, Exhaust, A Silver Mt. Zion e 1 Speed Bike.
Depois, algo completamente diferente: - a noticia do regresso de Battlestar Galáctica! 
Continuando a surpreender, um texto que mistura dores de cabeça, medicamento Panadol e o primeiro disco dos suecos Eskobar.
As páginas seguintes são preenchidas com textos sobre os Karate, o concerto de PJ Harvey no Rivoli, o disco de estreia dos Clinic e o concerto de Los Planetas
De rompante, 'Jimmy, The Little Bastard', irrompe alucinado numa bd assinada por Pedro Carvalho.
Notas sobre concertos de Shannon Wright e Calexico, sobre a banda Cop Shoot Cop e sobre os The (International) Noise Conspiracy.
O Meio Mouco servia como cartão de apresentação das bandas integrantes do CD que acompanhava esta edição.
Meio Mouco #4 e 1/2, Maio de 2001, 32 págs, impresso a preto & branco; capa em azul, 12x12cm. Porto.

O Mouco Bob
No editorial refere-se que esta edição do Mouco deveria ter saído um ano antes, mas apesar desse atraso, não se nota que o conteúdo esteja minimamente desactualizado. A abrir, comenta-se a programação e as bandas incluídas no cartaz do Festival do Porto, e divulga-se o trabalho dos norte-americanos Elk City, na sequência do lançamento do seu segundo disco.
Referência também para os The New Year e para o seu disco "Newness Ends". Recupera-se o surpreendente trabalho de Spike Jones nos anos 40/50 e a sua influência em muita produção musical posterior.
Segue-se uma banda desenhada cruzando ovni's e castigos divinos desenhada por Tiago Lourenço e escrita por João Lourenço.
Na senda da invasão musical nórdica, são destacados os suecos Logh, logo seguido por um pequeno artigo assinalando o vigésimo aniversário da editora Dischord.
Referência também para o concerto dos Karate no bar portuense O Meu Mercedes é Maior Que o Teu.
De seguida, um exercício de futurologia sobre prováveis bandas em destaque naquele ano, nomeando The Raveonettes, Yeah Yeah Yeah's e The Kills, todas tendo em comum elementos do sexo feminino.
Para finalizar, aproveitam para relembrar os britânicos World Domination Entreprises e o seu disco "Let's Play Domination".
Como já vinha sendo habitual nas anteriores edições do Mouco, há um CD extra contendo uma compilação de 12 temas de bandas alternativas como os Hella, Picastro, Volta do Mar, Je Suis France, Murder By Death, The Microphones, Tha Allstar Project, Everybody Uh Oh, Young People, The Advantage e Red Shirt Brigade.
Mouco foi um dos melhores fanzines surgidos em Portugal na mudança de milénio, tendo direito a um lugar cativo na Fanzineteca Ideal.
O Mouco Bob, Junho de 2003, 20 págs, impresso a uma cor, 14x18cm. Porto.

05 maio 2026

Lusitânia

Lusitânia #13
O tema em destaque neste número de Lusitânia é 'Os Filhos do Rock' e são entrevistados diversos músicos que são filhos de outros músicos - uns mais conhecidos; outros mais anónimos. Na capa surge António Corte-Real, filho de António Manuel Ribeiro dos UHF.
As bandas e artistas Decayed, Dúbia, Rui Gaio, Ser, The Voynich Code e Mauro Ramos, são entrevistados na sequência do lançamento de novos registos discográficos.
Há também textos como "Exórdios" sobre os filhos e os bastardos do rock. A rubrica "Perdidos no Sótão" repesca um conjunto de discos clássicos do metal nacional.
As últimas páginas são dedicadas a notícias sobre os lançamentos do mês e à publicação da agenda de concertos e eventos musicais.
Lusitânia #13, Setembro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

Lusitânia #16
O tema desta edição é 'Fora da Banda' projectando alguma luz para todos aqueles que gravitam à volta das bandas, de forma remunerada ou voluntária, e que contribuem decisivamente para as bandas serem aquilo que conhecemos. Tânia Fidalgo apresenta um pequeno ensaio fotográfico sobre o tema de capa.
As bandas em destaque com entrevistas e novos discos são: Cobra ao Pescoço, Cold and Deceased, Ionezed, Murro, Never End, The New Geometry e OZ.
Os 'Exórdios' debruçam-se sobre os ecossistemas musicais incidindo nas áreas do rock e do metal. Na rúbrica 'Perdidos no Sotão' faz-se uma digressão sobre os discos editados na década de 80 no contexto do boom do rock português.
Com o título 'Tudo Isto é Fixe, Tudo Isto é Rock' ensaia-se uma divagação escrita sobre a potencial criação de um circuito alternativo nacional de concertos.
Para terminar, é apresentado o roteiro mensal dos concertos e novos lançamentos discográficos.
Lusitânia #16, Dezembro de 2021, 48 págs, impresso a cores em papel couché 135g., 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

04 maio 2026

Salao Coboi

Publicação criada por Salao Coboi (José Cardoso) contendo 24 figuras totémicas desenhadas minuciosamente a preto e branco. Segundo o autor são 24 possibilidades de nos salvar ou proteger das forças do mal. A edição numerada e limitada inclui um cartaz de dimensões generosas (48x68cm).
"A relação que encontro entre os Moai e os desenhos de José Cardoso resulta, em primeiro lugar, do poder empático de ambos e, ao mesmo tempo, da facilidade com que nos conduzem a um território onde nos envolvemos na criação de histórias e hipóteses narrativas. Tal como as estátuas da Ilha da Páscoa favorecem a construção de narrativas intrincadas que transitam transversalmente entre o universo do mito, da especulação e das preocupações ecológicas ou arqueológicas, os totens de José Cardoso funcionam como xamãs, ajudando-nos a entrar num mundo povoado por criaturas antropomórficas.
Estes seres representam um mundo que desconhecemos, onde a protecção e o sobrenatural são uma unidade única que lhes dá razão de existir, e constituem um passaporte para um buraco negro.
A única coisa certa nesta jornada é o ponto de partida e não a linha de chegada, uma vez que, tal como nos 24 desenhos aqui apresentados, quando pensamos ter encontrado um caminho para a sua compreensão geral, surge um novo desenho e surgem novas dúvidas, o que implica uma reformulação dos mecanismos de compreensão. Este regresso constante ao ponto de partida existe porque podemos encontrar qualidades comuns, que se repetem ou se transformam em novas situações. Talvez a essência seja que, tal como os Moai, os totens de José Cardoso representam um universo reconhecido por todos, impregnado de um peso simbólico que apenas se vislumbra se nos entregarmos a um rito de passagem, no reconhecimento dos elementos secundários que nos conduzem à compreensão do todo.
Estes elementos podem parecer secundários, mas são, na realidade, a chave para compreender as criaturas. As tatuagens, os répteis, os ícones da cultura pop ou as mandalas representadas funcionam como objetos sagrados ou como santuários.
No fim, os totens e os Moai perpetuam uma das condições humanas: a criação de longas narrativas."
(Tradução livre do inglês de excerto da introdução escrita por Rui Vitorino Santos).

Salao Coboi, Fevereiro de 2010, 28 págs., Monotone offset, 16,8x24cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Plana Press. Porto.

02 maio 2026

Petit Bourgeois

>>>>Publicação<<de<<Hetamoé>>>produzida com>gráficos;;;;;computadorizados_-_ressoando><uma solidão desencantada que se..distendeee..ao longo dos circuitos.....do complexo da rede....neuronal;.:_..uma desesperança inapelavelmente fria e (((| |))) infinita na humanidade. ## A __juventude__em colapso iminente. 
Petit Bourgeois, Outono de 2023, 36 págs., impresso a cores sobre papel amarelo, 14x17,7cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Massacre. Lisboa.

30 abril 2026

SUB

SUB #1
 
Fanzine dirigido por Pitchu que inclui diversas bandas desenhadas originais de Nuno Costa, Hugo O'Neill, Jorge Lopes, Mona, Agostinho Marques, Marta, Ana Carvalho, Ivo Batista, entre outros. Há também uma bd de Sergio Aragones e outra extraída dos "Piratas do Tietê". Ao longo do fanzine, vão surgindo as mais diversas derivações de palavras contendo SUB, como subterfúgio, subúrbios, sub-raça, subespécie, submerso, subir, suborno, subcutaneo, sub...
Outra das especificidades da publicação, é a inclusão de diversos apontamentos de carácter técnico, como sejam manuais de utilização de diversos objectos, como ventoinhas, motosserra, rebobinar uma cassete, como produzir um fanzine.
Nas páginas centrais, é apresentado um trabalho de Loro, com o habitual nu feminino. Como musas inspiradoras para o primeiro número do SUB são apontadas as revistas Chiclete Com Banana, Piratas do Tietê, Animal, Vibora, Quadrado, KBD e TV Guia!
SUB #1, Maio de 1996, 40 págs., fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm.

SUB #5+3
Fanzine caótico editado Pitchu, integrando banda desenhada, fotografia, textos avulsos, grafismos, projectos artísticos e bastante pornografia.
A encimar todas as páginas do SUB, são publicadas tiras com fotografias, com sequências de luta greco-romana, com imagens de serial-killers, de anúncios publicitários ou de manuais de instruções.
"A História do Quadro que foi Destruído" da autoria de Margarida Alface, com cobertura fotográfica de Pitchu acompanha a execução de uma pintura desde os primeiros traços até á sua conclusão.
Segue-se uma bd de Agostinho Marques com violência sobre a mulher por via telepática.
Depois uma Daniel Baptista apresenta uma história em estilo manga com muita violência à mistura.
São publicados diversos textos de Lista S. em estilo e temática muito variada. Intercalados com os outros trabalhos surgem diversas bd de Pitchu
Várias fotografias de pessoas novas e velhas e algum texto informativo em inglês, representam o genocídio praticado pelos Khmer Vermelhos no Cambodja.
"Stressados Anónimos", por Marte, apresenta as reuniões do grupo que deixou de se sujeitar à ditadura do relógio.
Com desenho de Angela e textos de Cartilha, uma estranha bd em estilo on the road, com desfecho mortal.
Seguem-se várias páginas com anúncios de jovens colegiais japonesas, em poses eróticas ou com esgares de grande excitação.  
SUB #5+3, Outono de 1999, 80 págs., fotocópia a preto & branco e capa em linóleo serigrafado, 14,5x21cm, Tiragem: 100 exemplares.

SUB #9 (Necro)
SUB alinhado sob o tema da morte, assumindo o lema 'debmur morti nos nostraque' (devemos as nossas vidas à morte) e reunindo um manancial caótico de imagens fortes e reconhecíveis, com muita violência, sexo e manias. Imagens icónicas como a autoimolação dos monges budistas, a fotografia do vietnamita a ser executado no meio da rua, o assassinato de John Kennedy em Dallas, o rosto maquiavélico do Dr. Lecter no filme 'O Silêncio dos Inocentes, alguma pornografia rasurada, tudo reproduzido no limite da decomposição e da sujidade da fotocópia analógica.
A capa da primeira edição deste SUB era anunciada como sendo feita com pele humana (afinal, parece que era pele de porco!).
Há bd de Pitchú, e outras roubadas como o 'Necron' de Magnus e 'Tank Girl' de Alan Martin and Jamie Hewlett.
Os destaques são naturalmente as ilustrações do anatomista André Vesálio, autor do magistral “De Humanis Corporis Fabrica”, e os textos 'A Morte em Férias' de David Soares e 'A Autópsia de Adriana' de Rafael Dionísio.
SUB #9 (Necro), Julho de 2003, 72 págs., fotocópia a preto & branco, 10,5x15cm. Segunda tiragem: 200 exemplares.

29 abril 2026

Fernando Pessoa - 4 Poemas Ilustrados

José Lopes é um talentoso autor bastante subvalorizado e pouco publicado fora do âmbito dos fanzines. Tem agora oportunidade de publicar na Colecção Toupeira da Bedeteca de Beja, e apresenta o volume Fernando Pessoa - 4 Poemas Ilustrados.
Começa com 'Ai, Margarida' de Álvaro de Campos, numa linha clara e minimalista, realçando o burlesco romântico com toda a elegância.
'Eros e Psique' de Fernando Pessoa, é decantado num misterioso jogo de sombras com ecos medievais, com príncipes encantados e princesas adormecidas em castelos inertes.
O 'Demogorgon' com Álvaro de Campos a conectar a mitologia grega com a angústia citadina, um mistério por desvendar, que José Lopes vai compondo fugazmente num tom nocturno vagueando veloz entre o sonho e o real.
O último poema adaptado por José Lopes é 'Monstrengo' de Fernando Pessoa, onde o negrume marítimo tudo ofusca, emergindo apenas as palavras do homem do leme e a sua vontade indómita de cumprir um destino, vencendo o medo.
Fernando Pessoa - 4 Poemas Ilustrados [Colecção Toupeira #19], Maio de 2025, 24 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 18x26,5cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

28 abril 2026

Espiral

Espiral #1

Noé Touraldo anuncia que pretende apresentar uma publicação alternativa, descontraída e sem preconceitos.
As primeiras páginas são preenchidas com a rúbrica "Fikção vs Realidade" - de um lado, a Catwoman; do outro, o Al Capone. Depois, publica-se uma breve biografia do artista austríaco Egon Schiele.
"Fulipo", a primeira das bd da autoria de Noé Touraldo, é uma história passada numa loja de animais, onde um gato é desprezado por toda a gente, até que surge alguém que o adopta.
De seguida, uma apresentação das receitas e feitiços de "Valkizia".
Novas bandas desenhadas protagonizadas por felinos, com destaque para "T.S. O Gato". A fechar, são publicados alguns grafismos com sombras e recortes.

Espiral #1, 2002, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Porto.

Espiral #5

Na rúbrica "Fikção vs Realidade" - de um lado, Anne Frank; do outro, o 'Principezinho' de Saint-Exupéry. Segue-se uma intervenção gráfica de Martinho Mendes recuperando antigos anúncios que publicitavam artigos tão exóticos como 'truces para menino' e 'chales para recém-nascidos'!
Noé Touraldo publica 'Do Meu Quarto', 'Sheilla, A Princesa da Selva', 'Inquisição', 'T.S., O Gato em: Duas Caras', tudo bandas desenhadas curtas apresentadas em estilos bastante diferenciados.
O pintor austríaco Gustav Klimt é destacado na rúbrica 'Karater Extra'.
A 'Agenda Cooltural' é preenchida com diversas notas sobre filmes ('O Corvo'), livros ('As Horas' de Michael Cunningham), fanzines (Gambuzine), discos ('Greatest Hits' de Björk) e alguns sítios na internet.
As duas últimas páginas apresentam dois trabalhos de Teresa Câmara Pestana.

Espiral #5, Julho-Setembro de 2003, 36 págs, impressão digital a preto & branco, 13,5x13,5cm. Tiragem: 200 exemplares. Águas Santas - Maia.

Espiral #6
No editorial, Noé Touraldo refere que o Espiral tem progredido a cada nova edição, discorrendo também sobre a importância da publicação de fanzines.
Neste número, são apresentados trabalhos de Martinho Mendes, de Nestor Pestana e de Ana Ribeiro. No tocante à banda desenhada, Noé Touraldo apresenta duas histórias: a primeira "...e fez-se luz!" retratando o processo de perda de fé católica e outras vicissitudes religiosas. Segue-se "Sheilla em: um sonho reprimido", incidindo sobre a relação dos humanos com os seus animais de estimação. Num estilo mais experimental, Leonardo Dias apresenta a bd "Sex Without Body".
Na rúbrica "Karacter Extra" Moritz Stieffell, aborda o livro "O Medo" de Al Berto, e uma breve biografia do escritor falecido em 1997.
Na "Agenda Cooltural" são apresentadas breves críticas aos filmes "Eduardo Mãos de Tesoura", "As Horas" de Stephen Daldry, ao disco "Film" dos The Gift, à série televisiva "Sete Palmos de Terra", e ao lançamento do livro "Lunário: Poema Polifónico".
Surgem também breves referências aos fanzines "Durtykat" e ao "Gambuzine", bem como a algumas páginas da net e pontos de venda de fanzines na cidade do Porto.
Como muitas publicações desta época que optaram pela impressão / fotocópia digital, resultou que a qualidade gráfica saiu prejudicada devido à excessiva pixelização das imagens e ao predomínio das manchas cinzentas, nunca obtendo um preto sólido.
Espiral #6, Outubro-Dezembro de 2003, 40 págs, impressão digital a preto & branco, 14x14cm. Tiragem: 200 exemplares. Águas Santas - Maia.

Espiral #9
Fanzine integralmente composto por trabalhos e textos de Noé Touraldo, começando com uma sequência de desenhos a grafite, onde um Sol com bigode chinês faz o seu movimento habitual, mas acaba por chegar atrasado.
Depois vem "Encontro" juntando versos e fotografias. Segue-se uma banda desenhada sobre como prender um homem e alguns desenhos.
A parte final do fanzine é dedicada à "Agenda Cooltural" constituída maioritariamente por resenhas a filmes como "Raparigas de Sucesso" de Mike Leigh, "O Estranho Mundo de Jack" de Tim Burton, "O Sargento Negro" de John Ford e "Elena e os Homens" de Jean Renoir. A agenda inclui ainda uma breve referência à obra "Romance da Raposa" de Aquilino Ribeiro. 
Espiral #9, Julho-Setembro de 2004, 24 págs, impressão digital a preto & branco, 13,2x18,5cm. Tiragem: 200 exemplares.

27 abril 2026

Last Call

Last Call apresenta dois capítulos iniciais de duas histórias diferentes, mas ambas ambientadas naquele universo 'trash' tipicamente americano. A primeira história, 'Triple Threat Terror' decorre nos ringues do wrestling, com os combates envoltos em suor, saliva e muita fanfarronice. Pelo meio, os candidatos perdedores dos combates vão aparecendo misteriosamente mortos. Depois, a história evolui para um estilo policial, com o interrogatório a um suspeito dos crimes, deixando antever que a história terá contornos mais complexos.
A segunda história intitulada 'Land of The Free', criada por Gonçalo Fernandes em co-autoria com Mauricio Borges, inicia-se em velocidade furiosa numa perseguição automóvel pelas estradas e desfiladeiros poeirentos ao estilo 'Mad Max'. O motivo da perseguição é uma mala - o típico macguffin do filme americano, elevado ao expoente no filme 'Pulp Fiction' de Tarantino. Ficamos sem saber qual o segredo que esconde o mapa guardado na mala.
O desenho de Gonçalo Fernandes privilegia o dinamismo e a acção, pontuado pelas sombras cinematográficas do filme noir e do policial mais retorcido.
Ambas as histórias serão desenvolvidas em continuidade, cujos desfechos apenas descobriremos nos próximos capítulos.
Last Call #1, Maio de 2024, 39 págs, impresso a preto & branco; capa e algumas páginas a cores, 21x28cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Gorila Sentado. Porto.

24 abril 2026

O/velha Negra

O/velha Negra é uma publicação que junta quatro jovens autores de banda desenhada com estilos bastante diferenciados. Neste primeiro número, a temática unificadora é o sexo e a violência, sejam reais ou fantasiados.
A primeira bd é 'Askeroso' de David Atouguia, relatando as experiências sexuais num bordel com todos os serviços disponíveis.
Num estilo mais humorístico, Ricardo Andrade publica cinco pranchas misturando metaleiros cheios de boas intenções, libido juvenil exacerbada e balbúrdia no cemitério.
'A Vida Boémia do Sr. Mabongo' de Saul Santos, é uma delirante história africana, com leões, canibais, estilo colonial e negros decepados e metaleiros a servirem de churrasco.
Valdemar Costa apresenta 'O Caso V (E Todos os Casos V), uma sequência alucinante e insondável. Surpreendente e inquietante.
O/velha Negra#1, Fevereiro de 2003, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 15x28,5cm. Tiragem: 150 exemplares. Funchal.

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