08 junho 2026

Joga Forte

Joga Forte #11
Excelente fanzine dedicado ao mundo dos jogos, sejam jogos de tabuleiro, videojogos a emular jogos de tabuleiro, jogos de guerra, de dados, cartas, etc.
Esta edição contou com a capa desenhada por Sara Pinto e apresenta um excelente arranjo gráfico, muita informação pormenorizada sobre novos jogos, destacando os jogos e os eventos realizados em Portugal.
Sem dúvida, que Joga Forte é um dos melhores fanzines temáticos e funcionais que se publicam actualmente.
Joga Forte #11, Dezembro / Janeiro de 2026, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Edição: Artmatriz. Viana do Castelo.

Joga Forte #12
A comemorar dois anos de publicação, a ideia consolida-se e começa a ganhar ambição. Na capa, um trabalho de Hugo Maciel, inspirado no filme 'The Thing' de John Carpenter, que deu também origem a um jogo de tabuleiro.
Na rúbrica 'Anatomia do Jogo' Pedro Santos Silva conta-nos como foi criado e desenvolvido o jogo '12 Monks'.
As páginas centrais apresentam a quarta entrada explorando o nicho dos wargames de tabuleiro.
Os membros da comunidade são também convidados a apresentar parte da sua colecção de jogos, comentando os seus favoritos, fomentando o gosto pelos jogos principalmente na sua vertente lúdica e de convívio.
Joga Forte #12, Fevereiro / Março de 2026, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Edição: Artmatriz. Viana do Castelo.

07 junho 2026

Musclechoo

No blogue LerBD, Pedro Moura referiu que este Musclechoo "é também uma espécie de festa rija de violência, utilizando uma espécie de Pikachoo schwarzenggeriano como personagem principal, lutando contra um exército de lutadores mexicanos (com as costumeiras máscaras), a soldo de um demónio. A missão é salvar a sua namorada, e apercebemo-nos de que a história vem de longe, como se este número fosse parte de uma série maior (uma estratégia análoga à de Alan Moore e companhia com 1963). Essa missão é cumprida, não sem um preço grande pago. Depois disso, Musclechoo dirige-se no seu jipe para uma fortaleza muito parecida com aquela de Hardware.
Se a descrição pode parecer muito idêntica à de 666 Hardware é porque a cultura de que o trabalho de Rudolfo emerge está menos preocupada com explorações de originalidade e psicologismos do que por uma dedicação quase exclusiva à conquista de pontos, à superação da prova, à chegada ao fim da missão. Desde os primeiros Game Boys dos anos 1980 às X-Box e ao que se seguirá, pode haver transformações de memória, capacidade de informação, velocidade de acção, número de níveis, de personagens, de habilidades, de cores, etc. mas as instruções serão sempre as mesmas: os modos de produção e desenho são algo diferenciados, com Hardware mostrando uma mais controlada arte final, provavelmente com tinta da china e artpen, uma maior cobertura dos fundos com preto, contornos mais grossos, e um trabalho de volumes e sombras com tramas mais consistente e paciente. A própria estruturação das páginas é cuidada, e regular, ainda que variada ao longo da história. Musclechoo parece ser feito mais depressa e mais despreocupadamente, talvez a esferográfica ou com uma caneta fina, as tramas criadas mais ao acaso, todos e quaisquer “erros” gráficos incorporados no desenho final, e apesar de haver uma idêntica variedade na composição de página e das vinhetas, estas são desenhadas à mão."
Musclechoo #1, Dezembro de 2011, 20 págs, impresso a preto sobre papel amarelo, 14,9x21cm. Edição: Ruru Comix.

05 junho 2026

Script

Não deixa de ser surpreendente o surgimento na Covilhã de uma revista dedicada ao cinema!... Depois das apresentações, é publicada uma entrevista ao realizador João Botelho. Segue-se uma recensão crítica bastante contundente ao filme 'Tráfico' escrita por Rui Pelejão.
São publicadas notas de análise aos filmes 'Elizabeth' realizado por Shekkar Kapur, 'Gato Preto, Gato Branco' de Emir Kusturica e a adaptação de 'Psycho' por Gus Van Sant.
Os filmes 'O Jogo' de David Fincher, 'Dark City' de Alex Proyas e 'Truman Show' de Peter Weir constituem o pretexto perfeito para discorrer sobre as várias dimensões do que se convencionou chamar de realidade.
O grande plano desta edição é dirigido para o actor e realizador italiano Roberto Benigni.
Na rúbrica 'Mafioteca' destacam-se alguns filmes do género mafioso, com enfoque na trilogia 'O Padrinho' de Francis Ford Coppola.
Há também espaço para as referências musicais, com apontamentos sobre discos de Mercury Rev, Belle and Sebastian e Beck. Nota também para os novos lançamentos no mercado videográfico, com destaque para 'Gattaca', que não estreou em sala e foi directo para o vídeo...
Há rúbricas deliciosas como 'Net Café' onde se referem sitíos na net onde pesquisar e ver tópicos variados sobre cinema, desde o Dogma 95, à t-shirt oficial do 'Titanic'.
Script #1, Mar / Abril de 1999, 32 págs, offset a preto & branco, 16x23cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: Cineclube Universitário da Beira Interior. Covilhã.

03 junho 2026

Shithole

Shithole #1

Shithole é um regresso ao passado, anunciado como uma colecção de desenhos e rascunhos antigos (feitos entre 2009 e 2011), encontrados perdidos numa gaveta. De facto, é evidente a linha de continuidade entre Shithole e o Carneiro Mal Morto, mas neste novo fanzine a parte textual assume um relevo muito mais evidente, e os desenhos, embora bastante expressivos, funcionam como complemento e ilustração.
As primeiras páginas são dedicadas a uma pretensa nota de aviso dos editores e subsequente resposta do autor. Depois "The Garden", um local perigoso e amaldiçoado, onde acontecem inexplicáveis fenómenos.
Continua no mesmo registo em "Cedric: A Short Story", narrando o misterioso desaparecimento de Cedric, cocainómano e irritante. Pelo meio, surge um par de coelhos muito na onda Donnie Darko.
A metáfora do "trabalho perdido na gaveta" serve de pretexto para celebrar o café Estádio, encerrado em 2016, enquanto se vai desfiando a história de amor não correspondido entre Manel e Maria da Fé.
Entretanto, as personagens de "The Garden" regressam para a alucinação final, com promessas de novas edições. Tudo escrito em inglês e algum português.
Shithole #1, Dezembro de 2023, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Dead Cat Publishers / The International Fanzine Front. Lisboa - Berlim.

Shithole #2
O segundo volume de Shithole retoma o dispositivo anteriormente experimentado de apresentar uma nota de aviso dos editores sobre a qualidade do material contido no fanzine e a subsequente resposta do autor.
A primeira bd é 'The Three Witches' subintitulada 'a bedtime story by the author formerly know as Rafael Gouveia, e o trio dá azo aos seus instintos incendiários.
Segue-se uma digressão pelo bairro mais podre que se possa imaginar, descrevendo a miséria humana e a sujidade que grassa por todo lado. Mas apesar disso tudo, é essa imundice geral que afasta o turista, o visto gold, a gentrificação e a especulação imobiliária. Vivemos tempos desesperados...
As páginas finais são dedicadas a 'Insurrection through Psychogeography (Part 1)' uma bd muda, acompanhando o personagem através de uma paisagem citadina em estilo japonês cheia de neons publicitários.

Shithole #2, Fevereiro de 2024, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Dead Cat Publishers / The International Fanzine Front. Lisboa - Berlim.

02 junho 2026

Suicide Reporté

Suicide Reporté conjuga um manancial extraordinário de trabalhos do francês Sylvain Gérand. Os desenhos são definidos até ao mais ínfimo pormenor, impregnados de um dinamismo frenético muito devedor dos desenhos animados clássicos, cuja estética subverte, exibindo despudoradamente o reverso do maravilhamento que diverte, mas que também aliena.
O estilo visual irreverente e alucinante contrasta muita vezes com as palavras (sida), frases (va te faire foutre) ou simbologia (cruz suástica) impressas no meio de imagens, relativizando e descontextualizando os referenciais gráficos e narrativos.
As imagens e a iconografia aparentemente idílicas são sabotadas e exploradas até à irrisão demencial. 
Todas as emoções e traumas reprimidos são expiados por Sylvain Gérand através de uma poção mágica saturada de humor negro, que corrompe os recalcamentos e a simbologia pop, regurgitando tudo num caldo corrosivo que não deixa pedra sobre pedra.
Suicide Reporté, Março de 2007, 36 págs, capa serigrafada a duas cores sobre papel Elefantenhaut 190 g.; miolo fotocopiado a preto sobre papel branco 80 g. (4 páginas a cores fotocopiadas a laser), 15,3x21,4cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0005].

01 junho 2026

Quatro Histórias de Camilo

Amadeu Escórcio adaptou quatro episódios retirados de dois livros de Camilo Castelo Branco. 'Um Veríssimo Rei' e 'A Morte de um Guerreiro' foram retirados da obra 'A Brasileira de Prazins'. O primeiro, é o mais desenvolvido, e relata um logro Miguelista passado numa aldeia minhota, com muitos pretendentes a obterem as mercês de um falso el-rei D. Miguel, com a bênção da Igreja.
Inspirado no mesmo livro, segue-se um breve episódio intitulado 'A Morte dum Guerreiro', sobre um coronel miguelista acometido por um fatal coma alcoólico provocado pelo consumo excessivo de genebra numa noite fria.
As duas breves histórias seguintes são adaptadas do livro 'Memórias do Cárcere' escrito por Camilo enquanto esteve detido na cadeia da Relação do Porto devido ao caso de adultério com Ana Plácido.
'Uma Flauta na Noite' é uma recordação suicida de Camilo enquanto mirava o Tâmega sob a ponte de Amarante, escutando o som de uma flauta, vindo de uma janela entreaberta do antigo convento de S. Gonçalo.
O último episódio é 'Camilo e o Barbeiro', passado também em Amarante, sendo o escritor convidado para escrever uns versos divertidos para as cavalhadas do Coração de Maria.
Quatro Histórias de Camilo, 2017, 24 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 14,5x20,5cm. Edição: Visconde de Seide.

30 maio 2026

Blood Oath

Blood Oath foi originalmente criado em 2021 para a convenção online Fujocon e depois reimpresso para a Y/CON 2024 realizada em Paris, a maior convenção europeia dedicada às homo-ficções. Esta 10.ª edição foi especial para os fãs de SK8 the Infinity, constituindo um ponto de encontro privilegiado para os criadores de fanzines inspirados na série nipónica.
Daniela Viçoso, com mestria, explora os primórdios da relação entre Tadashi e Ainosuke (par TadaAi), o filho dos criados, um pouco mais velho, e o filho dos senhores.
O substracto da história reside nos laços romanescos que os envolvem, com pactos de sangue e promessas de amor eterno, num contexto latente de tensão de classes (patrão / empregado).
Blood Oath, Novembro de 2024, 16 págs, impresso a cores, 14,5x21cm.

29 maio 2026

Montezines

Montezines é uma pequena publicação artesanal da responsabilidade de Pedro Moura, constituída por uma folha A4, dobrada duas vezes, incluindo um conto curto escrito por Pedro Moura e com ilustrações de Amanda Baeza. Apresenta uma capa em cartolina preta com cantos arredondados e uns cortes oblíquos onde encaixa no interior a folha dobrada.
O conto apresentado neste primeiro Montezines é 'Ir embora' e desenrola-se ao longo de três páginas, com um primeiro parágrafo fortíssimo em assombro cinematográfico.
Depois, a escrita vai derivando livremente, com a música a pontuar a ausência, que se adivinha inevitável.
No verso da folha surge uma ilustração de Amanda Baeza retratando um casal deitado a contemplar as estrelas ou o azul do céu...
Montezines #1, 2015, 4 págs., impresso a preto & branco, 12,5x16cm.

28 maio 2026

DiplomaCio

DiplomaCio é apresentado por Bia Kosta como "uma curta crónica ilustrada sobre o (não) discurso com a extrema direita.
Especialmente em conversas sobre *se há realmente um genocídio* ou se *a flotilha está ou não a "provocar" Israel*... esta Gata fica sem palavras. Um lembrete de poupar o nosso latim e dirigir a nossa ação, a nossa raiva e a energia da nossa vontade (e do nosso Cio) para o que realmente importa."
A gata vai narrando, de forma muito desenvolta e expressiva, a sua evolução enquanto interveniente em conversas ou discussões - mudando de um inicial discurso refilão e irascível, para um estilo mais descontraído e leve - em suma, assumindo uma atitude mais diplomata.
No entanto, quando são ultrapassadas certas linhas vermelhas, a diplomacia não funciona de todo. Nestes casos, a gata não está com contemplações e vira fera novamente!
DiplomaCio, Outubro de 2025, 8 págs., impresso a preto & branco, 14,3x18cm. Tiragem: 69 exemplares.

Simão

Um extraordinário desenho de Pedro Sousa Dias abrilhanta a capa do terceiro número do Simão. No editorial, Rui Pinto Garcia lamenta a perda de protagonismo do Porto em relação a Lisboa, referindo-se ao definhamento do Porto em variados sectores e com especial relevo na banda desenhada com o desaparecimento de publicações e eventos como o Salão Internacional de BD do Porto.
A primeira história é 'Santa Luzia' de Jorge Matos, narrando uma sequência de eventos trágicos que ocorrem numa aldeia. A culpa é atirada para um 'bruxo', que acaba por ser internado no Hospício Santa Luzia. Os doentes são sujeitos a todo o tipo de sevícias e acabam por revoltar-se contra quem os oprime.
Segue-se 'Night Trip' de Michaïl Doubos, uma viagem nocturna numa carruagem repleta de estranhas e perigosas criaturas.
A última página é entregue ao autor galego Andrés Garcia Fortes com o humor das freiras pinguim.
Simão #3, Agosto de 1993, 16 págs, offset a preto & branco; capa em papel colorido, 21x29,7cm. Tiragem: 200 exemplares. Edição: Associação Velho Pelicano. Porto.

24 maio 2026

Terminal

Terminal #0
O número inaugural do Terminal teve o formato de uma folha A3 dobrada em tamanho A5. Na apresentação do programa do fanzine, constava a vontade de constituir um espaço de divulgação de banda desenhada, ilustrações, caricaturas, textos, poemas e também alguma informação e entrevistas.
A ilustração da capa é da autoria de José Carlos Fernandes. Também é publicada "A Noite de Núpcias", um pequeno storyboard de Fernando Madeira para uma campanha antitabagismo.
Abrindo totalmente a folha, surgia um poster a anunciar a bd "De Trute Ise Aute Der.", uma história de Cris Carteiro e desenhos de Fernando Madeira.
Terminal #0, Verão de 1998, 4 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #14
No seguimento das edições anteriores, também este número é dedicado ao Caos. A abrir, um desenho de Phermad, seguido de uma banda desenhada de Teresa Câmara Pestana, discorrendo sobre as vantagens da solidão, comparativamente com a companhia de certos amigos.
A banda desenhada mais extensa é "My Name is..." de Oljaca Mladen sobre um repórter farto do bulício da grande cidade, que parte em direcção à província, à procura de ser surpreendido por novas histórias.
O brasileiro Laerçon apresenta uma prancha preenchida com uma história de violência gratuita.
As páginas centrais são preenchidas com um desenho / poster de José Carlos Fernandes, que é altamente prejudicado pela digitalização, que pixelizou exageradamente todos os traços do desenho.
Serafim assina o desenho da capa e também um cartoon. Depois, o autor macedónio Zlatko Krstevski publica três pranchas, exibindo cada uma delas um estilo gráfico diferenciado.
"This is Generation" e "Desacontecimentos" são vislumbres dos problemas candentes no virar do século, apresentados por Aranha. A terminar, um desenho de Marcuse. 
Terminal #14, 2002, 20 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #15
Nesta fase, o Terminal estava já convertido em publicação anual e este número é composto maioritariamente por trabalhos relativamente antigos dos participantes. A capa e algumas páginas do interior são da responsabilidade de Vitor Hugo.
A conexão alemã de Teresa Câmara Pestana continua a valer pontos, pois alguns dos melhores trabalhos são de autores germânicos, destacando-se Wittek com duas excelentes bandas desenhadas - uma envolvendo extraterrestres que querem conquistar a Terra com feixes de raios transformadores, nazis zombies e turistas japonesas em trajes menores, tudo em delirante balbúrdia.
Mas há mais: desenhos avulsos de Maurício Tadeu e de Leonel Perna, bonecos Transformers de Luis Correia e vários textos de Clai.
Por seu lado, Teresa Câmara Pestana contribui com quatro pranchas, enquanto Diogo Carvalho disponibiliza uma prancha do seu "Herói Lusitano" em estado de necessidade.
O brasileiro Laerçon publica duas bd divertidas. No mesmo registo, Serafim também acrescenta duas páginas de bd e cartoon com bom humor.
As últimas páginas são compostas com desenhos de José Carlos Fernandes.
Terminal #15, 2004, 44 págs., fotocópia a preto & branco, 13,5x18,8cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

T25A
Edição comemorativa dos 25 anos de existência do Terminal. Lançado inicialmente no Verão de 1998 por Terminal Studios - Núcleo de BD e Animação do Algarve, com o apoio da Delegação de Faro do IPJ, após um longo interregno, o fanzine de BD Terminal regressa em 2023 para assinalar o seu quarto de século, convidando 49 participantes oriundos de Portugal, Alemanha, Bélgica, Espanha e Marrocos.
Sob os temas Festa / Liberdade Criativa, este número é dedicado ao grande entusiasta da BD, Geraldes Lino, falecido em 2019. T25A foi coordenado por Terminal Studios e Drmakete, incluindo trabalhos de texto, desenho e ilustração da autoria de: Miguel Saial, Jorge Oliveira, Nuno Beato, Paulo Monteiro, Sara Glória, Daniel Maia, Vitor Hugo Rocha, Tiago da Silva, Maria João Levita, Ruben Botelho, Paulo José Martins / Paulo Viegas, Alexandra Pratas, Alice Magalhães, Luci, Leonel Perna, Marta Castro, Ana Lu, Suse, Bruno Boto da Cruz, José Carlos Fernandes, Nuno Murta, Serafim, Filipe Coelho.
As bd apresentadas neste número comemorativo foram criadas por: Phermad, Axel Blotevogel, Xavier Almeida, Martina Meier, João Pinto, Diogo Carvalho, Paulo D'Alva, Andreia Rechena, Paulo Montes, Carlos Rocha, Teresa Câmara Pestana, Joana Dias, Markus, Luís Guerreiro, João Mascarenhas, Oli Gfeller, Paulo Silva / Rui Alex, Marco Fraga da Silva / Rafael Antunes, Guifo, Hugo Vieira da Silva, Wittek, Inocência Dias, Inês Alecrim.
Como seria expectável numa publicação com estas características e com esta dimensão, os trabalhos são muito variados e alguns perdem alguma da sua força, devido à impressão a preto & branco, uma vez que originalmente foram elaborados a cores. Destaque especial para a excelente bd "Chocas" de Teresa C. Pestana. Com nota elevada também para "Uma Linda Quadra" de Luis Guerreiro, para "A Festa" da dupla  Marco Fraga da Silva (texto) e Rafael Antunes (desenho) e "Mandamentos Canalhas" de Guifo.
T25A, Junho de 2023, 124 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #T24E
Esta edição compila um conjunto de bandas desenhadas anteriormente publicadas no BDjornal #27 lançado em Maio de 2011, onde o Terminal foi o fanzine convidado. Esta reedição constitui também uma homenagem ao editor Jorge Machado-Dias (1953-2020) responsável pelo 
BDjornal e editor da Pedranocharco.
São publicadas seis bd curtas de Xavier Almeida, com argumento de Kaja Sirok, sobre o Sr. Kovac e o seu estranho emprego na empresa Missed Calls Center. Filipe Coelho apresenta 'Era uma vez...' um mergulho nos mistérios edílicos e insinuantes da floresta pouco encantada. Phermad elabora uma história de cariz mais político, incidindo sobre o acesso ao ensino, os vícios do funcionalismo público e as atitudes ditatoriais. Diogo Carvalho transporta-nos para um futuro próximo onde o papel foi banido e a sua utilização criminalizada.
'Bobi' é um cão protector de uma criança, numa história de mistério e suspense composta  em 3D por Rodrigo Machado (argumento), Filipe Messias (escultura) e Luís Correia (fotografia).
A última bd é 'As Crónicas de Martim Nunes' por Nuno Sarabando, uma fábula de matriz histórica da época da fundação de Portugal.
Terminal #T24E, Outubro de 2024, 20 págs., impresso a preto & branco, 14x20cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Drmakete / Terminal Studios. Faro.

21 maio 2026

Feedback

Publicação gratuita dedicada à divulgação das sonoridades mais pesadas, com bastantes afinidades estéticas e editoriais com Underworld - Entulho Informativo, mas menos eclética e diversificada. Na capa surgem os noruegueses The Kovenant, por altura do lançamento do disco 'Seti' que marca uma viragem na sua música.
São publicadas entrevistas aos portugueses Squad, e também uma extensa conversa com os suecos Nightingale. As páginas seguintes são todas dedicadas à divulgação e crítica de novas edições discográficas. Na rúbrica 'Sub-Cave', dedicada às maquetes/demos são referenciadas gravações das bandas portuguesas Fear The Name, Invoke e Stream.
Seguem-se umas largas dezenas de resenhas sobre discos de metal (e todas as suas variantes), destacando-se os discos 'Souvenirs' de The Gathering e 'Damnation' de Opeth.
Feedback #3, Abril de 2003, 16 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm.

20 maio 2026

Borda Fora


Borda Fora assinala a estreia de Marta Espírito Santo, narrando diversos episódios da vida de Madame Poppy. A autora refere que criou esta personagem para projectar o seu mau humor, falta de paciência, e também memórias das suas bisavós.
Partindo de um conjunto de personagens antropomórficos que orbitam em torno da casa de Madame Poppy, uma mulher sempre de lenço na cabeça e avental à cintura, à moda antiga, que prepara umas mezinhas para as maleitas do corpo e da alma dos habitantes da aldeia, num ambiente marcado por um arreigado atavismo.
Apesar de as histórias serem apresentadas por capítulos distintos, há uma certa continuidade narrativa e das personagens, algumas algo tipificadas, e facilmente reconhecíveis, outras desenvolvidas com bastante  profundidade. Tudo temperado com um insinuante sarcasmo e o humor seco de Madame Poppy.
Bastante prometedor. Venham os próximos episódios!
Borda Fora, Novembro de 2025, 24 págs, impresso a preto & branco, 14,5x20,5cm. Tiragem: 30 exemplares. Porto.

19 maio 2026

Gambuzine

Gambuzine #3
Marcüse assina a capa e também a banda desenhada "Eddie Brekel", narrando desde o nascimento da personagem com o mesmo nome, até ao seu internamento no colégio gerido por religiosos e todos os abusos sofridos no decurso da sua institucionalização.
O "Mundo de Etel" de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresenta uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, uma espécie de realidade alternativa pré-invasão alienígena em tons de preto e branco.
A "Corochinha" é mais uma história negra de Janus, ambientada nos sítios mais esconsos, onde o álcool e o sexo se misturam impiedosamente.
Teresa Câmara Pestana apresenta "Aqui Até ao Fim", que começa ao ar livre numa onda hippie, com montículos de merda em construção tipo templo budista, derivando para a modorra televisiva, as drogas, a violência, a educação e a escola, os putos e as mulheres portuguesas, os loucos condutores na estrada... Enfim, nada escapa ao olhar cortante da editora Teresa C. Pestana.
Gambuzine #3, Fevereiro de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #4
A conexão alemã da autora continua a dar boas publicações, destacando-se a dupla Katz e Max Goldt, com quatro bd curtas e um cartoon. Em continuação também a banda desenhada "O Mundo de Etel" de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresentando uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, um de jogo de realidade virtual, uma espécie de GTA a preto e branco.
Depois algumas pranchas de Teresa Câmara Prestana como "Água Suja" com texto de Robert Mitchell e também "Aqui até ao Fim", contando com texto de João Freak na parte da Marta Raposa, uma jornalista ex-agente dos serviços secretos.
Gambuzine #4, Maio de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #5
Neste Gambuzine, a banda desenhada "La Plaie Velue" de Marcüse, cheia de ratazanas infectas e um mundo em derrocada sem qualquer tipo de esperança, onde a raiva alastra e cada um tenta safar-se como pode. No final, parece que tudo não passou de um pesadelo, mas a sensação de pés frios pode indiciar que não será bem assim...
O 'Mundo de Etel' de Axel Blotvogel (desenho) e Marianne Wesch (escrita), apresenta uma narrativa a decorrer num estranho mundo paralelo, um de jogo de realidade virtual, uma espécie de GTA a preto e branco.
Na rúbrica 'Caixa Óssea & Os Podres...' Teresa Câmara Pestana narra em modo muito cáustico, pequenos acontecimentos e casos do ecossistema bedéfilo nacional.
Da mesma autora, a narrativa visual "Aqui Até ao Fim", num tom muito politizado, incidindo sobre a vida nas cidades e a violência policial exercida sobre as camadas sociais mais marginalizadas.
Também a denúncia da imigração ilegal e a sua exploração nos países capitalistas, a desigualdade social normalizada, a ganância, a pobreza...Ontem, como hoje, tudo na mesma... 
Gambuzine #5, Agosto de 2000, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #8
Neste número, publica-se a banda desenhada 'Bayeux' de José Feitor, onde um visitante da famosa tapeçaria, tem uma experiência imersiva no meio das cenas de batalha retratadas.
Levin Kurio, assina a capa, e também a bd 'Fertige Welt' (Mundo Lixado), sobre as desventuras de Quevis, as suas relações falhadas com as mulheres e a sua colecção de pornografia.
Isabel Kreitz, apresenta 3 bd: - a primeira intitulada "1946 Algures na Alemanha", a acenar com os fantasmas ainda bem presentes do nazismo; a segunda - "Horóscopo", de apenas uma prancha, onde depois de lidos os sinais, consuma-se um suicídio; a terceira "U-Boot-Melodie", uma melodia a marcar o destino funesto de um submarino alemão.
"Heimat" de Marcus Huber, onde o conceito de pátria é interiorizado e reflectido no quotidiano, marcando o destino de muitos, principalmente dos migrantes.
Teresa Câmara Pestana retoma a temática de "A Morte e a Donzela" de  Franz Schubert, partindo depois para temas mais sociais, políticos e mediáticos.
Gambuzine #8, Maio de 2001, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #10
A comemorar dois anos de existência, o Gambuzine continua a apresentar uma forte conexão alemã. A primeira banda desenhada intitulada "Nada de Importante", assinada por Makus Huber, desenrola-se em tom de balada de solidão e tristeza.
Seguem-se duas pranchas de Hendrick Dorgathen, ambas ao jeito do cinema mudo. Na primeira, um sonho nas alturas durante a 'Siesta'; e depois a vida louca ao estilo do 'Rock N' Roll'.
Em continuação dos episódios publicados anteriormente, "O Farol" de Till Lenecke, o avô e o neto, que saíram de barco para uma pescaria familiar, são surpreendidos por uma forte tempestade no meio do mar.
"Para Acabar" Teresa Câmara Pestana ironiza sobre artistas e subsídios públicos, sobre a subjetividade da arte e alguma intrujice. A chamada BD no feminino também não escapa ao olhar mordaz da autora. Para finalizar, uma banda desenhada ambientada numa cabana no meio da floresta, com cobras omnipresentes, mas relativamente inofensivas.
Gambuzine #10, Novembro de 2001, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Edição: Caixa Óssea, Edições Infectas, Porto.

Gambuzine #13
Este número do Gambuzine apresenta duas excelentes bandas desenhadas da autoria de Wittek, "The Attack of Comic- Zombie" e "Mouth Wide Shut". A primeira é uma digressão biográfica descrevendo as várias etapas da vida e das influências estilísticas de um autor de 
bandas desenhada. A segunda bd, é uma lista sequencial de alimentos incomestíveis, porque têm mau aspecto visual e são nojentos ao tacto, como chouriço de sangue com pedaços de veias e tendões, cubos de toucinho, pizzas-tostas, etc.
"Carovnik (The Magician)" do esloveno Ivan Mitrevski, apresenta um número de magia, onde o mágico aplica a varinha numa caixa contendo três pequenos animais e o resultado é uma grande mixórdia.
De seguida, Armin Parr publica a bd "Puzzle" onde um personagem desmontado em pedaços, luta ingloriosamente para conseguir levantar-se da cama depois do despertador tocar.
Depois, Teresa Câmara Pestana apresenta várias bd, algumas apenas com uma prancha, outras com maior profundidade. O sentido de humor muito negro e escatológico, ou um tom mais poético, como em 'O Morto'. O consumo de estupefacientes e os seus efeitos sensoriais e consequências na vida e nas relações com os outros.
Gambuzine #13, Agosto de 2002, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Lousã.

Gambuzine #15
Este número marca o ponto final neste formato do Gambuzine. A editora informa que devido às "pressões internacionais" o Gambuzine passará a ser publicado em inglês, iniciando com um número zero experimental.
Este derradeiro tomo, abre com 'Histórias de Quiosque' uma prancha desenhada por Aranha, eivada com as neuras urbanas. Seguem-se várias bandas desenhadas curtas de Armin Paar, num estilo muito livre, misturando estética punk com delírios vários cheios de humor desconcertante.
As quatro páginas centrais são preenchidas por cães de todos os géneros e feitios, desenhados por Wittek e Rainer Balderman. 
'Ein Traum' é uma incursão na ilha da Madeira conduzida por Wittek, em busca da casa perdida, assombrada por estranhas presenças, num sonho etílico, soberbamente composto.
As últimas páginas são da responsabilidade de Teresa Câmara Pestana, num registo reflexivo, 
autobiográfico, um pouco desiludido.
Os quinze números do Gambuzine assinalam uma notável regularidade de publicação trimestral e uma especial conexão internacional (principalmente alemã), publicando autores de grande qualidade, mas pouco divulgados em Portugal. Por tudo isto, e muito mais, o Gambuzine assume um lugar cativo na Fanzineteca Ideal.
Gambuzine #15, Fevereiro de 2003, 32 págs, impresso a preto em papel amarelado, 21x29,7cm. Lousã.

  © Ourblogtemplates.com