2125
Num futuro ano 2125, a autora imagina uma espécie de distopia invertida, onde um agente completamente improvável, percebido inicialmente como o invasor, acaba depois por funcionar como principal agente de mudança benigna.
Partindo de um presente caracterizado pela exaustão emocional, isolamento, e desconexão provocados pelo ambiente urbano frenético e desumanizado, induzindo um ambiente de extermínio do invasor, do estrangeiro, visto como uma praga, mas que em vez de sucumbir, consegue adaptar-se melhor às circunstâncias e prosperar contra todas as probabilidades.
Matilde Basto utiliza um dispositivo relativamente convencional de quatro vinhetas por página, mas enquadra-as por molduras com diferentes formas e motivos figurativos, conferindo-lhes bastante organicidade.
À semelhança do anterior Casal de Santa Luzia a autora volta a compor uma fábula onde animais comuns (dantes os gatos, agora as baratas) coabitam com os humanos em espaços urbanos onde se intui um ameaçador mal-estar, uma sensação de desajustamento, de não pertencer à cidade.
Inicialmente, as baratas são representadas como espectros luminosos, em ambientes pontilhados por formas estrelares (idênticas à forma do símbolo do Gemini, talvez a simbolizar uma inteligência superior), e num processo gradual de alteridade, conforme os insectos vão sendo melhor conhecidos e integrados no quotidiano da cidade, vão adquirindo formas mais definidas e simpáticas.
2125 foi realizado para a exposição virtual da 'StoryTellers' no Parque Silva Porto, em Lisboa, que decorreu entre Setembro e Dezembro de 2025.
2125, Dezembro de 2025, 24 págs., impresso a preto & branco; capa em cartolina cinzenta, 17x22cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Chili Com Carne [MdC #44].









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