09 março 2026

Flirt

Flirt #14
Guia mensal de actividades culturais realizadas em Lisboa, com destaque para a programação cinematográfica (Cinemateca Portuguesa, 3.º Festival de Cinema Gay e Lésbico e filmes em estreia). Referência também para os Encontros Acarte 99 sob o tema "Paraísos, Viagens, Utopias" e para a Experimentadesign '99.
Mário Cameira escreve sobre experiências virtuais com simuladores de voo. 
Entrevista ao sociólogo francês Pierre Bourdieu, abordando questões como as relações de poder e de dominação e sobre o papel dos jornalistas e da comunicação social.
Na rúbrica "Comix" Pedro Moura destaca a edição de "A Minha Vida é um Esgoto" de Ana Cortesão.
Flirt #14, Setembro de 1999, 28 págs., offset a preto & branco; capa a cores, 20,6x27,7cm. Tiragem: 7500 exemplares. Edição: Zé dos Bois. Lisboa.

Flirt #15
O destaque desta edição vai todo para o 3.º Festival Atlântico, com o tema genérico "Sensibilidade Apocalíptica" e reunindo um conjunto multidisciplinar de participantes e de eventos.
Além do habitual roteiro mensal da programação cultural a decorrer principalmente em Lisboa, e referência também para os certames dedicados à banda desenhada no Porto e na Amadora.
No tocante ao cinema, são referidos os filmes em estreia e os ciclos de cinema em exibição na Cinemateca.
A crítica aos discos de DJ Vadim, Dino Saluzzi/Rosamunde Quartett, Peggy Lee & Benny Goodman, Mika Vainio e Giustino Di Gregorio fica a cargo de José António Moura, José Eduardo Ferreira e Pedro Santos.
No âmbito da vinda de Roy Ascott ao Festival Atlântico '99, é publicado um glossário com 100 termos e definições para a era pós-biológica cunhados pelo autor.
"The Hacker Attitude" é um texto elucidativo assinado por Mário Cameira. A terminar, a tira de bd "Red Meat" de Max Cannon.
Flirt #15, Outubro de 1999, 36 págs., offset a preto & branco; capa a cores, 20,6x27,7cm. Tiragem: 7500 exemplares. Edição: Zé dos Bois. Lisboa.

Flirt #17
Número editado a queimar a mudança de milénio e a assinalar a passagem a edição bimensal. O primeiro artigo refere que o filme Super 8 não está morto e são deixadas várias dicas para a revelação caseira das películas.
Segue-se uma entrevista conduzida por António Pocinho a Guillermo Gomez Peña, Roberto Sifuentes e Juan Ibarra.
Depois, ao longo de várias páginas, é apresentado um roteiro de eventos de cinema, música e performativos para o mês de Dezembro. Nas páginas centrais, um poster / calendário lunar para o ano 2000.
Na rúbrica "Comix", assiste-se a uma vigorosa masturbação ao ego de Marcos Farrajota. Na rúbrica "Cine" são indicadas as estreias cinematográficas.
Na vertente das artes visuais, destaque para o evento "Contaminações" organizado pela Ópio, também responsável pela edição da revista Número. Outro destaque é a exposição colectiva "Espaço 1999", a decorrer no Museu de História Natural.
No tocante à música, são analisados diversos discos de bandas como Os Mutantes, Fennesz, Louie Austen, Benge, Karma, Neon Phusion, etc.
Nas últimas páginas, é apresentado um texto de Mário Cameira pendurado ao telefone, delirarando com concursos que dão prémios milionários ao primeiro toque. Nas "Viagens na Minha Terra", António Pocinho demonstra que Portugal não é um país pobre, ao contrário do que muita gente pensa.
A finalizar, e como é Dezembro, são deixadas diversas sugestões para o Reveillon  do milénio.
Flirt #17, Dezembro de 1999, 28 págs., offset a preto & branco; capa a cores, 20,6x27,7cm. Tiragem: 7500 exemplares. Edição: Zé dos Bois. Lisboa.

Flirt #23
Revista urbana de distribuição gratuita editada pela Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. O grafismo arejado e bem sintonizado com o ar do tempo, era da responsabilidade de barbara says...
Este número abre com "Le Weekend", crónica de Pedro Gadanho sobre uma viagem com destino a Bordéus para assistir ao evento "Mutations", com a cidade contemporânea como tema incontornável, explorado por arquitectos, sociólogos e filósofos, entre outros.
Em notícias breves, são anunciados diversos eventos de artes plásticas. Há também uma rúbrica de crítica sobre novas edições discográficas.
António Pocinho escreve um extenso ensaio intitulado "Os Hereges da SIDA", expondo a polémica relativamente à relação do vírus HIV com a SIDA.
Depois é apresentado um "Glossário da Conspiração" onde de A a Z são enunciados termos e siglas com humor conspirativo.
A série "The Invisibles" escrita por Grant Morrison e desenhada por diversos artistas, é divulgada por Pedro Moura.
Anuncia-se que a Chili Com Carne e o Comando Operacional da Frente Fanzinista Internacional estão à procura de trabalhos para incluir num mega fanzine, de proporções bíblicas!!
Na última página, é destacada a recente editora "Nova Comix" e o lançamento de Eat & Spit de Isabel Carvalho.
Flirt #23, Novembro de 2000, 36 págs., offset a cores, 16,3x23cm. Tiragem: 7500 exemplares. Edição: Zé dos Bois. Lisboa.

Flirt #25
A capa é ilustrada com um grafismo baseado numa foto de Angela Davis, dando o mote para uma edição dedicada ao activismo e que se anuncia também como a última com distribuição gratuita.
No interior, podemos ler uma interessante entrevista a Kalle Lash, um dos fundadores da Media Foundation e da Adbusters.
A reprodução do Manifesto original "First Things First", escrito em
 1964 por Ken Garland.
Segue-se "Ao volante com Manuel João Ramos" presidente da ONG "Cidadãos Auto-Mobilizados". Depois, "Na Palmeira com José Sá Fernandes", encontra o conhecido jurista na cervejaria Palmeira, em pleno coração do Chiado.
José António Moura escreve "666 rpm#2" cruzando os Coil, com elementos subversivos da arte, capitalismo e maldições genuínas.
Ainda no campo da música, encontramos breves resenhas sobre novo discos de Electric Ladyland, Jim O'Rourke, Peaches e David Byrne.
Em "O Condomínio Amoral" Luís Ribeiro discorre sobre a degenerescência da economia e o seu afastamento da cultura, da História, enfim do social.
"Violação entre Casais" é o inquietante tema desenvolvido por Duarte Barrilaro Ruas.
A fechar esta edição, breves referências a livros de arte, e a rúbrica "Comiex" de Pedro Moura, debruçando-se sobre a obra 'Portraits From Life' de David Collier.
Flirt #25, Dezembro de 2001, 60 págs., offset a cores, 16,3x23cm. Tiragem: 5000 exemplares. Edição: Zé dos Bois. Lisboa.

07 março 2026

Todo o Amor Para o Mal-Amado

"Todo o Amor Para o Mal-Amado apresenta um roteiro de filmes malditos trilhado por Miguel Arsénio. O zine tece, numa só penada, várias das descobertas feitas pelo autor nas suas deambulações cinematográficas, feitas numa era em que o número limitado (mas crescente) de canais e sistemas peer-to-peer permitia ao espectador fascinar-se com o que de mais estranho se filmava por esse mundo fora. Com esta sua primeira obra em BD, Arsénio dá-nos a mão e convida-nos a irmos com ele numa apreciação de vários objectos relegados para horas menos próprias da grelha de programação ou para canais mais subterrâneos da internet; amemos, então, com ele." (nota de lançamento da Erva Daninha).
Todo o Amor Para o Mal-Amado, Outubro de 2024, 28 págs, impressão a preto sobre papel reciclado; capa em cartolina amarela, 14,2x20cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Erva Daninha.

06 março 2026

Flanzine

"2013 - Portugal
Um primeiro-ministro a incentivar os jovens portugueses a pegar nas malas e a fazerem-se à oportunidade da crise económica. Estranha forma de promoção da Família.
Enquanto professor, assisti, ao desinteresse mais profundo e legítimo de uma geração que, sem voto na matéria, via a ideia de Futuro desvanecer-se. Estranha forma de promoção da Família.
A Flanzine foi a minha reacção perante a fatalidade. Criada num tempo onde as redes sociais ainda não estavam contaminadas pelo ódio, inveja, amargura. A maré era de feição. Apesar da feiura da realidade, era possível sonhar com a luta, por mais ingénua que fosse.
Hoje, já pouco estranho. Desde a falta de memória de uns, à sede de poder e protagonismo de outros. O circo dos horrores está montado sobre a ignorância de demasiados de nós. É claro que isto não vai lá com poesia. Mas sem ela, só nos resta a longa e fria noite. E, enquanto houver um filho da puta a tentar apagar a luz, hei-de lhe morder os calcanhares com esta insolência que me resta. E a gula por um mundo mais doce." (João Pedro Azul - editor de Flanzine).
Flanzine #1, Setembro de 2013, 48 págs, offset a preto & branco; páginas centrais a cores, 15,6x22,5cm. Tiragem: 300 exemplares.

05 março 2026

Pregões e Declarações

Pregões e Declarações: Amor, Partilha e Ódio antes da vida online, Ano 1 - 1985, recupera uma extensa selecção realizada por José António Moura de anúncios publicados em 1985 na secção "Pregões e Declarações" do Jornal Blitz. Não deixa de ser nostálgico e curioso reler estas páginas para quem leu na altura em que foram originalmente publicados. Por outro lado, é penoso, pois a esmagadora maioria dos pregões é bastante básica e repetitiva (ódio aos Wham, rivalidade norte/sul; Lisboa/Porto, etc.). Há também bocas racistas dirigidas aos pretos, que hoje, jamais seriam publicadas.
Na introdução, conhecem-se os testemunhos de alguns dos responsáveis pelo jornal (Manuel Falcão, Teresa Ruivo), das suas influências e acasos técnicos que acabaram por dar forma ao Blitz.
O texto de apresentação desta publicação, intitulado "Irreal Social" refere que "magnífico exemplo das paixões tribalistas em torno da música, a secção Pregões e Declarações no jornal Blitz revolucionou, em Portugal, a comunicação informal entre pessoas maioritariamente sem acesso aos media. Num tempo agora cronologicamente longínquo mas psicologicamente mais ainda, exerceu-se assim o direito de opinião e desabafo num espaço alargado e muito diferente das páginas de anúncios ou correspondência de leitores.
Já descrita como "a primeira rede social da juventude portuguesa", aquando das comemorações dos 40 anos do Blitz, a secção manteve-se durante 16 anos entre Fevereiro de 1985 e Fevereiro de 2001. A longevidade revela que o jornal não podia abdicar dos Pregões sob pena de uma quebra nas vendas, mas também revela a continuada necessidade de um tal fórum de expressão.
Formar bandas e vender instrumentos e discos; evidências da economia paralela das gravações pirata em cassete; polémicas fogosas em relação a artistas e seus respectivos fãs; defesas e ataques a personalidades da rádio (demonstra a relevância que o meio ainda tinha); drogas e alienação; comentário político e social; focos dispersos de homofobia, misoginia e racismo, mais frequentes de bairrismo e clubismo; misantropia; mas também moderação e declarações de amor; muita solidão e poesia; utopias.
Grelhas com 250 caracteres para preencher e enviar por correio, nenhuma garantia de publicação. Registo em papel do espectro de características humanas mais tarde transferidas para as caixas de comentários e fóruns online. Trolls, paladinos, idealistas, haters, moderados. Escolheu-se o ano de estabelecimento dos Pregões e Declarações e dele seleccionámos exemplos que podem ajudar a formar um retrato da juventude portuguesa no ano de 1985. Incompleto, sim, e parcial, filtrado a partir da quantidade esmagadora de mensagens e da crescente vulgarização de muitas delas. Mas esclarecedor."
Pregões e Declarações, Dezembro de 2025, 68 págs, risografia a preto sobre papel texturado de 120g., 14,8x20,8cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Holuzam. Lisboa.

04 março 2026

All-Girlz Banzai!

Apresentado no 20.º Festival Amadora BD, All-Girlz Banzai! é o terceiro tomo da iniciativa "All-Girlz" dinamizada por Daniel Maia. Este All-Girlz Banzai! é exclusivamente dedicado ao manga criado por autoras portuguesas.
A publicação junta três bd assinadas por Joana Lafuente e Selma Pimentel. Os trabalhos publicados foram objecto de exposição no V Festival Internacional de BD de Beja, e também nas XVI Xorñadas de Banda Deseñada de Ourense.
Joana Lafuente, autora da ilustração da capa, é a responsável por “Dream Machine 2.1”, a continuação da viagem extradimensional iniciada no All-Girlzine publicado em 2006. A autora desenha a história do miúdo Billy num estilo manga muito seguro e de linha clássica. Supostamente, esta história deveria concluir num futuro (nunca publicado) fanzine All-Girlz Sayonara.
Segue-se “Green is Dead” de Selma Pimentel, que se estreia na publicação, com uma banda desenhada situada numa Coimbra aterrorizada por um lagarto gigante que destrói tudo em seu redor. Um grupo de três heroínas intrépidas irrompe através dos céus para salvar a situação.
Da mesma autora, é publicada “Samira – parte 1” (que também concluiria no All-Girlz Sayonara), uma história bastante mais desenvolvida e num registo bem composto de época histórica atravessada por acontecimentos paranormais, transcendendo o estilo de bd japonesa.
All-Girlz Banzai!, Novembro de 2009, 40 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 16x23cm. Tiragem: 200 exemplares. Edição: Arga Warga. Montijo.

02 março 2026

Dois Bailarinos Ensaiam Le Parc

"Le Parc" foi criado em 1994 pelo coreógrafo Angelin Preljocaj para o Ballet da Ópera de Paris. O bailado, distendendo-se em três actos, explora os jogos e os códigos do amor com leveza e sensualidade, ao som da música de Mozart.
A sinopse da peça de bailado insinua que "num jardim de estilo francês, quatro cupidos modernos ditam o ritmo das conquistas românticas. As pessoas procuram-se, flirtam, observam, desejam e rejeitam, mas o orgulho acaba por ceder e as paixões há muito reprimidas são finalmente libertadas."
Segundo o coreógrafo o que é fascinante em "Le Parc" é o facto de "cada geração lhe trazer a sua própria sensibilidade, sublinhando a forma como os jovens bailarinos da Ópera, muitos deles a descobrir estes papéis pela primeira vez, redefinem as relações homem-mulher representadas em palco: "um ballet que é simultaneamente sensual, travesso e profundamente humano".
Os desenhos de Matilde Feitor, esboçados e elegantes, capturando com sensualidade os jogos de sedução, enquanto os bailarinos (par amoroso) rodopiam enleados em intermináveis pas de deux.
Dois Bailarinos Ensaiam Le Parc, Junho de 2025, 8 págs, impresso a preto sobre papel reciclado, 13,8x21cm.

28 fevereiro 2026

SubCave

Tendo começado em Fevereiro de 1996 como SUB-CAVE de Letras, publicação criada por estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dinamizada pelos co-fundadores Filipe Mateus Pedro e José Maria Vieira Mendes, e diversos outros que se juntaram desde a primeira hora, passou a conhecer no ano seguinte, uma nova vida independente da Faculdade de Letras.
Perdeu o hífen e passou a denominar-se SubCave, impulsionada pelo instigador principal Filipe Mateus Pedro com ambição de se transformar numa revista relevante na área das artes e do espectáculo.
Este número inicial da segunda vida de SubCave apresentava especial enfoque na vertente musical coordenada por João Carlos Callixto. O conteúdo incluía notícias breves, notas sobre concertos em Portugal de bandas como Babybird, Nada Surf, Morphine, Body Count, Tricky, dEUS, etc. Foram publicadas entrevistas a Marta Dias, Cool Hipnoise, Carlos Maria Trindade, In Darkness, Depeche Mode e Anger.
Para inaugurar o espaço dedicado ao cinema, escolheram um conjunto de filmes clássicos: 'Regra do Jogo', 'Ladrões de Bicicletas', 'O Mundo a Seus Pés', 'Serenata à Chuva'. Nos filmes que estreavam, foram destacados 'Toda a Gente Diz que te Amo' de Woody Allen e 'Romeu e Julieta' de Baz Luhrmann.
Havia também artigos mais desenvolvidos sobre os Radiohead, The Prodigy, Depeche Mode, Pulp e The Smashing Pumpkins.
As críticas às novas edições discográficas ocupam diversas páginas e atribuem pontuações de 1 a 10. Para terminar, há duas páginas de banda desenhada por Rui Fazenda numa estranha entrada dos Delfins num capítulo dos 'X-Files' de Mulder e Scully!
SubCave #1 (Volume 2), Agosto de 1997, 64 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 3000 exemplares. Edição: Personae. Lisboa.

26 fevereiro 2026

CVTHVUS

CVTHVUS #1
Fanzine realizado por Sérgio Neves, tendo a participação do convidado Tiago Martins para criarem em conjunto um mundo especial dedicado aos gatos. Neste mundo de sonhos e fantasia, os grafismos criados por Sérgio Neves são mecanizados e procedentes de uma tecnologia informática aparentemente arcaica do tipo 1-Bit, gerando imagens binárias, algumas vezes combinando imagem e texto.
É apresentada uma história curta com texto em inglês, onde a cidade dos gatos sofre uma ameaça de destruição, mas que acaba por fracassar.
Nas páginas centrais, impresso em papel de cor salmão surge uma composição mesclando os grafismos computadorizados de Sérgio Neves com o desenho mais orgânico e natural de Tiago Martins.
Surgem também algumas imagens a cores, sobressaindo uma artificialidade computadorizada. Há também uma ilustração multicolorida com uma figura humana mas com cara de gato (tipo Blacksad).
A encerrar em estilo kitsch psicadélico, surge uma ilustração de um gato rechonchudo e sorridente, com a via láctea como pano de fundo.  
CVTHVUS #1, Setembro de 2012, 24 págs., fotocópia a preto & branco e a cores, 14,9x21cm. Lisboa.

CVTHVUS #2
Este segundo número do CVTHVUS foi lançado no espaço "O das Joanas" e contou com a participação musical dos AbztrQt Sir Q e de Nѳva.
Chaz The Cat (aliás, Sérgio Neves) convidou Gonçalo Duarte e "fazem duas BDs em honra ao felino, ou melhor, à capacidade de um bicho destes ter-se transformado no Deus do século XXI. Neves tem um estilo mais digital, frio e rígido seja em desenho seja em narrativa, mas apanhou bem a psicopatologia de se amar os gatos em demasiado.
Duarte mudou o registo gráfico a que assistimos no passado nas antologias Destruição e Futuro Primitivo, está mais "felino" de acordo com a trágico-comédia que conta sobre os excessos de idolatria sobre a gataria e a tecnologia - não misturar as duas, nunca!" (Marcos Farrajota no blogue da Chili Com Carne).
CVTHVUS #2, Junho de 2013, 16 págs., impresso a preto & branco; capa a cores, 14x20cm. Lisboa.

25 fevereiro 2026

Hourly Comics Day

 
Em Hourly Comics Day de Rita Mota, vamos acompanhando um dia na vida da personagem / autora, começando pelo acordar de manhã, ainda sob os efeitos da noite anterior. Um quadradinho / vinheta isolado em cada página para cada hora do dia. Tudo escrito em inglês. O fundo laranja entorpece os desenhos e os textos. Os filmes (e as séries), uma cinefilia que julgávamos fora de moda, são um dos eixos à volta dos quais se "organiza" e encara o dia.
As refeições rápidas ou improvisadas, um certo desleixo exibido sem vergonha, a mãe e o instável equilíbrio das relações familiares.
Os estados de alma que se convocam para acicatar a criatividade. O trabalho procrastinação. A música... Cocteau Twins e Harold Budd?!? os jovens ainda escutam isto? O fantasma de Laura Dern a pairar incessantemente.
Hourly Comics Day, Março de 2025, 24 págs, impresso a preto sobre papel laranja; capa em papel branco, 13x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Goteira. Porto.

24 fevereiro 2026

Lusitânia

O tema em destaque neste número de Lusitânia é "Os Filhos do Rock" e são entrevistados diversos músicos que são filhos de outros músicos - uns mais conhecidos; outros mais anónimos. Na capa surge António Corte-Real, filho de António Manuel Ribeiro dos UHF.
As bandas e artistas Decayed, Dúbia, Rui Gaio, Ser, The Voynich Code e Mauro Ramos, são entrevistados na sequência do lançamento de novos registos discográficos.
Há também textos como "Exórdios" sobre os filhos e os bastardos do rock. A rubrica "Perdidos no Sótão" repesca um conjunto de discos clássicos do metal nacional.
As últimas páginas são dedicadas a notícias sobre os lançamentos do mês e à publicação da agenda de concertos e eventos musicais.
Lusitânia #13, Setembro de 2021, 48 págs, impresso a cores, 14,9x21cm. Tiragem: 99 exemplares. Edição: Ethereal Sound Works. Lisboa.

23 fevereiro 2026

Cru

Fanzine a meio caminho da revista, com bastante ambição e bazófia, mas também saber-fazer e excelente grafismo.
A capa foi desenhada por Rui Ricardo e Esgar Acelerado e esta notável edição era acompanhada por um disco de vinil 7'' contendo dois temas de Bonnie Prince Billy a interpretar versões de "Sun Shines Down On Me" e "I Confess" originais de Kevin Coyne. A edição de 1000 exemplares apresentava três capas alternativas desenhadas por Rui Ricardo, Fátima Fonte e Paulo Patrício.
No interior, são publicadas crónicas sobre o concerto de Jad Fair na Póvoa de Varzim, banda desenhada de Esgar Acelerado, de John Porcellino, e "Um Dia Destes" com texto de Paulo Patrício e desenhos de Rui Ricardo, em ante-estreia de "Jogos Humanos".
A rúbrica "Almanaque" convida diversas pessoas a falarem sobre coisas que gostam - responderam Marcos Farrajota, Jorge Manuel Lopes, David Berman (Silver Jews), Luís Oliveira e dois membros da redacção.
Segue-se "Understatements" uma intrigante bd da autoria de Mário Moura. As páginas seguintes são preenchidas com diversos apontamentos de Paulo Patrício sobre as mais interessantes revistas internacionais. Depois são as maquetes e as edições discográficas que são objecto da atenção de Esgar Acelerado.
Há ainda espaço para a prancha "A Vingança" de Emerenciano Osga, e também alguns apontamentos sobre a ida ao Salão de BD de Ourense. Para terminar em beleza, surge "Pica e Cedilha" a bd de Paulo Patrício com os personagens a fazerem experiências introduzindo bolinhas de gel nos seus orifícios.
Esta edição justifica a atribuição de um livre-trânsito para a Fanzineteca Ideal!
Cru #11, Julho de 1998, 56 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 19x27cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: EIA! Editores Independentes Associados!. Póvoa de Varzim.

22 fevereiro 2026

Zinescopia

Zinescopia #1

Primeiro percurso temporal e visual, disfuncional e errático, sobre a actividade da associação Sonoscopia durante os meses de Dezembro de 2021 e Janeiro de 2022, com diversas imagens captadas no espaço do Carvalhido no Porto.
O registo dos concertos, das exposições e instalações artísticas, bem como do jardim selvagem da casa e como é habitual nas actividades dinamizadas pela Sonoscopia, há sempre refeições vegetarianas confeccionadas pelo "chef" Gustavo Costa para toda a comunidade.

Zinescopia #1, Fevereiro de 2022, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,2x20,1cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

Zinescopia #2
Este número assinala o segundo percurso temporal e visual, disfuncional e errático, sobre a actividade da associação Sonoscopia durante os meses de Fevereiro e Março de 2022.
Nesse período, realizaram-se três sessões de Microvolumes com Sara Persico, Will Guthrie e de Emilie Skrijelj & Tom Malmendier.
Assinalam-se também as gravações perto de Pedroso durante a residência de Henrique Fernandes na Associação Fogo Lento. Em finais de Fevereiro, realizou-se o workshop de construção dos sintetizadores analógicos e digitais.
Destaque total para o concerto de Fred Frith & Susana Santos Silva e a oficina "Tuning People Birds and Flowers", ambas no âmbito da iniciativa "Cultura em Expansão".
As últimas páginas são dedicadas à culinária comunitária, com receitas e refeições confeccionadas pela cozinheira Catarina Lopes.
Zinescopia #2, Abril de 2022, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,2x20,1cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

Zinescopia #9
O Zinescopia é o fanzine da associação portuense Sonoscopia, que se assume como um espaço de reflexão e criação, onde vários artistas relacionados com a música experimental, improvisada e electroacústica cruzam ideias e desenvolvem trabalhos consistentes num espaço físico com condições técnicas e humanas dignas. A Sonoscopia pretende criar uma dinâmica inclusiva tanto para o colectivo criativo da Sonoscopia, como para outros criadores locais e nacionais, facilitando as experiências internacionais.
O nono volume do Zinescopia procura traçar um percurso visual e temporal sobre alguma da actividade desenvolvida pela Sonoscopia durante os meses de Maio e Junho de 2023.
Com uma cuidada impressão gráfica, temos a oportunidade de rememorar os diversos eventos onde participaram os artistas ligados à Sonoscopia, bem como o registo fotográfico das actividades organizadas pela Associação, como concertos, edições, workshop, residências artísticas, etc.
Zinescopia #9, Julho de 2023, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,2x20,1cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

Zinescopia #10
O décimo número do Zinescopia cobre as actividades realizadas pela Associação Sonoscopia no período compreendido entre 01 de Julho e 20 de Setembro de 2023. Nesse espaço temporal estiveram em residência os  artistas Inês Luzio e Beatriz Rola e também Eric Mattson.
Realizaram-se diversos concertos e apresentações ao vivo de Stereoboy, Ece Canli, Heroins of Sound c/ Angélica Salvi, Ikue Mori e diversos eventos Microvolumes.
Como é habitual nos eventos organizados pela Sonoscopia, o convívio, a interacção e também a gastronomia assumem sempre um lugar de destaque.
Zinescopia #10, Outubro de 2023, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,2x20,1cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

Zinescopia #13
Digressão visual sobre as principais actividades desenvolvidas pela Sonoscopia entre os meses de Abril e Junho de 2024.
Este Zinescopia foi construído por Vicente Mateus e foi impresso em risografia no Estúdio Arco Ignis, apresentando um poster comemorativo dos 25 anos do colectivo, dobrado nas páginas centrais.
Referências para os eventos "Microvolumes", "Infantário Revolucionário", séries de workshops "Sound Adventures" com Wouter Jaspers, transmissão rádio e várias residências artísticas.
Zinescopia #13, Julho de 2024, 24 págs, impresso em risografia, 13,7x,19,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

Zinescopia #14
Nova actualização sobre a actividade da Sonoscopia referente ao período entre Julho e Setembro de 2024 e novamente com grafismo de Vicente Mateus e impresso em risografia no Estúdio Arco Ignis.
Destaque para o evento colectivo "No Noise" com a participação de diversos artistas nacionais e internacionais e para a inauguração nas instalações da Sonoscopia da "Rua Biblioteca", graças à doação de centenas de livros por Vítor Rua.
Zinescopia #14, Outubro de 2024, 24 págs, impresso em risografia, 13,7x,19,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Sonoscopia. Porto.

18 fevereiro 2026

Música Portuguesa Sonoplasmática

Música Portuguesa Sonoplasmática #1
Esta é a primeira compilação de música sonoplasmática portuguesa, disponibilizada numa pen-drive, acompanhada por um folhetim ilustrado com as capas dos discos e uma breve apresentação do artista.
No prefácio, o editor Dr. Urânio, explica tudo o que é preciso saber sobre o assunto: “Inventei a palavra sonoplasmática para contextualizar um conceito tão amplo e pessoal: Sono exprime a noção de som; sonoplas remete-nos para sonoplastia, a manipulação do som; plasmática é o sufixo de plasma, um estado distinto da matéria, algo etéreo, a ideia surgiu de ectoplasma. Sonoplasmático é portanto algo incomum, difícil de perceber onde se insere mas bem percepcionado através de um certo tipo de sensibilidade. Algo anómalo, excepcional, invulgar, raro, estranho, improvável. Isto levanta uma questão problemática, qual a fronteira entre o normal e o extraordinário?
Qualquer categoria é válida para encontrarmos o ‘som sonoplasmático’ numa história infantil, numa música de metal com história macabra, numa canção tocada ao contrário com mensagens subliminares, num discurso para meditação acompanhado de ‘new age’, num imitador que copia os trejeitos de cantores famosos. Por vezes temos, também o caso de uma banda ou artista do circuito comercial que teve um desvio momentâneo…”
Os 14 temas seleccionados apresentam uma grande abrangência temporal (o mais antigo é de 1920 e o mais recente de 2020) e estilística, documentando e divulgando diversos artistas e temas esquecidos ou com muito pouca visibilidade mediática.
Estão representados na colectânea os seguintes artistas: Natália Andrade, Blusões Negros, Tó Neto, Orlando e Vitinho, Mendes Harmónica Trio, Agricultor Debaixo do Tractor, José Freixo & Donaltim, Golpe de Estado, Comunidade de Deus, Poke, Grupo Musical Cliper's, Isidro Baptista, Joaquim Roque e Luís Cangueiro. 
Este volume é, sem dúvida, umas das boas surpresas de 2025! - Procurem, que vale muito a pena.
Música Portuguesa Sonoplasmática #1, 2014, 20 págs, fotocópia a cores, 13,8x17cm.

Música Portuguesa Sonoplasmática #2
No prefácio, Marcos Farrajota referiu que "...são aqui colecionadas produções musicais feitas em Portugal que de alguma forma são "erradas" para o esquema normal da indústria da música Pop. E "Pop" aqui é entendido como "Popular", feito por qualquer membro da nossa sociedade que não faça parte de um "Star System" mas que tenha um universo próprio por mais absurdo que nos pareça aos nossos ouvidos - embora nesta colectânea participem nomes sonantes como Carlos Paião, Hermínia Silva, Kalu dos Xutos, Tó Trips e Vitorino de Almeida.
No melhor espírito da revista espanhola estudiosa de fenómenos Pop estranhos Mondo Brutto (1993-2009), ou dos dois livros acompanhados de CD Incredibly Strange Music (1993-95) ou dos dois discos Only in America (1995-2003), esta selecção metida numa pen USB (muito moderno!), está bastante bem documentada sobre o que foi possível encontrar sobre os artistas ou os respectivos objectos fonográficos."
Para o segundo volume de Música Portuguesa Sonoplasmática, Dr. Urânio seleccionou temas de: Colectivo Sonoro de Cercima, Frei Jacinto do Sacramento, Paulo Carrasco, Hermínia Silva, RZ, Maestro Vitorino de Almeida, Ninfa Artemis, Manuel do Carmo Farinha, Jardim Jaleco, Carlos Paião, Tony Lopes, Embaixadores do Rei, Hesskhe Yadalanah e Odette de Saint-Maurice."
Música Portuguesa Sonoplasmática #2, Março de 2024, 20 págs, fotocópia a cores, 13,8x17cm.

17 fevereiro 2026

O Menino Triste

O Menino Triste
João Mascarenhas dedica O Menino Triste a Peter Pan, notando que "Quando uma criança não tem a oportunidade de poder crescer nos braços da sua mãe, ou vê os seus sonhos serem interrompidos por algo que lhe é estranho, corre o risco de se tornar uma criança triste!
O Menino Triste é a história de uma dessas crianças. Um menino que, tal como Peter Pan, não tinha querido crescer. Até ao dia em que achou que o devia fazer e entrar então no mundo dos crescidos...
Contudo, o seu imaginário de criança, as suas crenças individuais, que continuava a conservar, faziam-no descrente desse mundo que um dia ele tinha decidido conhecer..." 
O Menino Triste, 2001, 20 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 16x24cm. Edição: Extractus.

O Menino Triste - Os Livros
José de Matos-Cruz escreve no texto de apresentação que "através do vínculo prodigalizado entre João Mascarenhas e o Menino Triste, criador e criatura, contrasta-se um subtil jogo de espelhos e de ressonâncias cujos reflexos ou retornos formatam a generosidade de uma obra aberta, a propensão de um retrato alternativo sobre cada destinatário."
O Menino Triste constrói-se e identifica-se com os livros que o acompanham desde sempre, mesmo antes de saber ler e ficar apenas encantado com as imagens e ilustrações.
Depois, com a aprendizagem da leitura, expande-se infinitamente o prazer retirado dos livros, descobrindo novas aventuras, relatos e intrigas, personagens da sua idade e que ficavam crianças para sempre.
A entrada para a escola, as aulas e os amigos, a descoberta e o maravilhamento do cinema, a catequese, o medo de crescer e de perder as memórias e recordações tão queridas. A forma de não ser apagado da memória das pessoas foi tornar-se um personagem de banda desenhada. 
Os Livros, Outubro de 2005, 24 págs, impresso a preto & branco; capa a duas cores, 16x24cm. Edição: Extractus.

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