16 fevereiro 2026

Non Serviam

A história da luta de classes no Reino de Cemitéria é narrada por uma caveira. A Tasca de Cervantes é o local de conspiração onde três proletários expropriados, se reúnem para beberem um copo no final da jornada de trabalho.
As nuances semânticas que transformam trabalhadores em recursos humanos, flexibilidade em facilidade de despedir, acumulação de funções, e sempre com a redução de custos e de salários como objectivo a atingir, espoletam um crescente mal-estar e a assunção de consciência de classe dos seus habitantes.
O que começa como simples desabafos enquanto se bebem uns copos, vai crescendo e suscitando novas alianças e apoios, para desencadear uma greve geral ou até para ser a semente de uma revolução proletária.
O desenho de Rodolfo Mariano, negro como a alma penada dos carcereiros, adquire a dimensão e a densidade ideal para desenvolver a decomposição social de Cemitéria e a luta de classes que clandestinamente vai fermentando  - Não Serviremos!
Non Serviam [Colecção Toupeira #14], Maio de 2022, 24 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 17x24cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

15 fevereiro 2026

Shock

Shock #0
Primeiro número (experimental) do fanzine Shock, subordinado ao tema "O Chapéu" e os desenhos e bandas desenhadas têm como denominador comum a inclusão de chapéus.
Luis Beira dá o mote, escrevendo sobre os diversos tipos de chapéu e a sua utilização. Seguem-se diversas ilustrações por Luis Costa, Luis Nunes, Pedro Morais, Augusto Trigo, João Neves, Luvi, Artur Correia, José Ruy, Estrompa e Eugénio Silva e bandas desenhadas por Francisco Lança, José Abrantes, Hervé Chételat, Fernando Bento, Mitsushirato, Edgar Marcelo.
O fanzine encerra com textos de Geraldes Lino sobre o Festival de BD de Lisboa 83 e também sobre as actividades desenvolvidas pelo Centro Português de Banda Desenhada (CPBD).
Shock #0, Julho de 1983, 24 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 500 exemplares. Lisboa.

Shock #2
Neste número dedicado ao belga Edgar-Pierre Jacobs, a Tertúlia é aberta por Luiz Beira. Os célebres personagens Blake, Mortimer, Olrik são parodiados pelos seguintes desenhadores: Augusto Trigo, Artur Correia, Luis Louro, Vassalo Miranda, Estrompa, José Paulo, Luis Diferr, Rá, Renato Abreu, H. Carrilho e Rebelo da Silva.
Há também uma página com notícias breves sobre alguns acontecimentos relacionados com a banda desenhada nacional.
Segue-se uma entrevista (um questionário, mais propriamente) superficial e desinteressante ao Dr. Chaves Ferreira.
Termina com um artigo biográfico sobre Edgar-Pierre Jacobs escrito por António José Simões.
Shock #2, Novembro de 1989, 18 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm.,  Lisboa.

Shock #5
O quinto número do Shock surge renovado com um novo grupo de editores, constituído por Estrompa, António Simões, Luis Louro, Gisélia Lourenço e José Paulo. Este número é dedicado à dupla René Goscinny e Albert Uderzo e os diversos participantes homenageiam a sua principal criação - Astérix e Obélix. Há uma mescla de autores consagrados e de jovens que acabam de surgir.
Os autores dos desenhos e pranchas inspiradas na dupla de irredutíveis gauleses, são: Augusto Trigo, José Abrantes, Victor Borges, João Cabrita, José Pedro Costa, João Cabrita, Diniz Conefrey, Manuel Brum, Pepedelrey, Rui Lacas, Luis Louro, Francisco Legatheaux, Renato Abreu, José Paulo Marques, Hélder Carrilho, José Ruy e Estrompa.
Há também uma secção de notícias, referenciando a realização da Feira do Livro de Lisboa e principalmente o lançamento do primeiro número de LX Comics.
Segue-se um entrevista de perguntas e respostas directas a José Ruy e para finalizar, um texto assinado por Luis Filipe Sebastião, homenageando a dupla de criadores de Astérix.
Shock #5, Maio de 1990, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 120 exemplares. Lisboa.

Shock #13
Em véspera de comemorar uma década de existência, este número é inteiramente dedicado a homenagear o autor Enki Bilal. Participam com desenhos e bd, inspirados na obra do autor nascido na antiga Jugoslávia, os seguintes autores: Deodato, Estrompa, João Fazenda, Manuel Brum, José Ramalho, Pepedelrey, Miguel, Pedro Brito, Ricardo Blanco, Tozé e Rui Abrantes. Maré participa com uma pequena biobibliografia de Bilal.
O desenho inserido na capa é da autoria de Miguel, a maqueta e o arranjo gráfico é de Estrompa. A composição ficou a cargo de Sofia Cruz e de Ana d'Almeida.
Shock #13, Fevereiro de 1993, 20 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #18
No editorial, Estrompa assinala que o Shock venceu o prémio de melhor fanzine no Festival Amadora BD pelo segundo ano consecutivo. Jorge Margarido é o autor de duas bd, ambas em tons negros e desfechos trágicos. 
"Breve História dos Heróis de Banda Desenhada no Cinema", é um breve apanhado de filmes protagonizados por personagens de bd. Por seu lado, Tozé Lopes publica o quarto tomo da série "A BD e a Música".
Rui Gamito assina "Dente por Dente" um bailado ao ritmo de tiros e execuções sumárias, em estilo Cães Danados anos 20. "A Sede do Mal" é outra aparição de Gamito em estilo gangster performativo.
Nas páginas centrais, surge o suplemento "Café no Park", em papel tipo jornal, publicando uma crónica de M.A.L.S., e pranchas de Amadeu Pinto, Estrompa, M. Jorge com uma história de Leopoldo já publicada em O Piolho #2.
Ana Branco retoma uma bd com gaivotas, Tejo e ponte ao fundo, publicada anteriormente no Boom #2.
Carlos Gonçalves disponibiliza um detalhado artigo sobre o famoso detective Dick Tracy, também transposto para o cinema.
Nas últimas páginas, é publicada 
"Fraternidade" um episódio de guerra em bd muda e negra, da autoria de Vitor Borges e Paulo Moreiras.
Shock #18, Fevereiro de 1996, 36 págs, impresso a preto & branco, 20,5x27,5cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #27
O Shock completamente mergulhado em estilo noir, pelas mãos de Estrompa e de José Lopes. O cenário é a América mitificada dos gangsters e das mulheres fatais, gente ambiciosa e gananciosa sem escrúpulos ou moral.
São publicadas as bandas desenhadas "Ciúme" e "Vingança Macabra" e "O Destino Escreve-se Por Linhas Tortas", por Estrompa e José Lopes.
Há ainda o texto "Balada para 3 Defuntos" escrito por Arold Rubins, "Mulheres nu Shock" por Apolinário S. e "Pesadelo" por Pérce Vactiv.
Shock #27, Dezembro de 2007, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 19,6x27,2cm. Lisboa.

13 fevereiro 2026

Shithole


Shithole é um regresso ao passado, anunciado como uma colecção de desenhos e rascunhos antigos (feitos entre 2009 e 2011), encontrados perdidos numa gaveta. De facto, é evidente a linha de continuidade entre Shithole e o Carneiro Mal Morto, mas neste novo fanzine a parte textual assume um relevo muito mais evidente, e os desenhos, embora bastante expressivos, funcionam como complemento e ilustração.
As primeiras páginas são dedicadas a uma pretensa nota de aviso dos editores e subsequente resposta do autor. Depois "The Garden", um local perigoso e amaldiçoado, onde acontecem inexplicáveis fenómenos.
Continua no mesmo registo em "Cedric: A Short Story", narrando o misterioso desaparecimento de Cedric, cocainómano e irritante. Pelo meio, surge um par de coelhos muito na onda Donnie Darko.
A metáfora do "trabalho perdido na gaveta" serve de pretexto para celebrar o café Estádio, encerrado em 2016, enquanto se vai desfiando a história de amor não correspondido entre Manel e Maria da Fé.
Entretanto, as personagens de "The Garden" regressam para a alucinação final, com promessas de novas edições. Tudo escrito em inglês e algum português.
Shithole #1, Dezembro de 2023, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Dead Cat Publishers / The International Fanzine Front. Lisboa - Berlim.

12 fevereiro 2026

Ars Moriendi

Ars Moriendi #0
Enquanto Portugal inteiro andava entretido com o Euro 2004 e a rezar à Nossa Senhora do Caravaggio, um pequeno grupo de jovens portuenses decide lançar um singelo fanzine que recupera o nome de um tipo de publicação que circulou no século XV e que se destinada a ensinar como viver de modo a assegurar uma boa morte e a vida eterna.
A cultura nas suas diversas cambiantes era o tema assumido para este número inaugural com distribuição gratuita. André F. Martins, realizador de cinema a dar os primeiros passos, é entrevistado na sequência da exibição do seu filme no FantasPorto. O cinema é ainda o mote para falar sobre o filme a "Paixão de Cristo" realizado por Mel Gibson.
Na rúbrica "Aenimatografo" assinala-se a edição integral em DVD da obra do falecido realizador João César Monteiro.
Na secção "Os Discos da Moda" pretendem referenciar discos e músicos esquecidos ou desvalorizados e que merecem melhor atenção. Os dois primeiros discos sinalizados são "Transformer" de Lou Reed e "The Second Annual Report" dos Throbbing Gristle.
Para finalizar, Sérgio Gonçalves escreve uma breve apresentação da obra "A Origem da Tragédia" de F. Nietzsche.
Ars Moriendi #0, Junho de 2004, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Porto.

Ars Moriendi #1
Afirmando periodicidade trimestral, Ars Moriendi regressa com renovada apresentação e com mais páginas. Foram introduzidas novas rubricas (“Já ouviu falar de…” – neste número dedicada ao anatomista André Vesálio, autor do magnifico “De Humanis Corporis Fabrica”, obra da qual foram retiradas a maior parte das ilustrações da presente edição), bem como foram incrementadas outras que transitaram da edição anterior como “Os Discos da Moda” com notas sobre "Radio Ethiopia" de Patti Smith, "Amiux" de Merzbow e "The Lost Tapes From Dr. Frankenstein's Lab" dos Dr. Frankenstein.
A rubrica “Guerra” passou a estar mais desenvolvida, foram acrescentados os espaços “Informação ao Consumidor” e “O Homem na Sombra”.
A bd satírica “Duas Palavras”, da autoria de Valium, é seguida pela secção de crítica literária “Biblos”  ao “Pela Estrada Fora” de Jack Kerouac e ao cinema, “Ænimatografo” (“Negros Hábitos”, de Pedro Almodovar).
Neste número, o destaque total vai para a entrevista realizada com os Telectu.
Ars Moriendi #1, Setembro de 2004, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Porto.

11 fevereiro 2026

Desejos de Mulher

Ao longo das páginas desta publicação vai sendo desfiado em estilo manuscrito (utilizando a fonte Robin Shooler), um manifesto contra o patriarcado escrito por Elisa Sousa.
"O Patriarcado não aguenta os desejos de uma Mulher" é o mote para um texto virulento contra o poder, a autoridade e o privilégio dos homens, relegando as mulheres para um papel submisso e dependente.
O arranjo gráfico de Bia Kosta é bastante sóbrio, utilizando esparsamente molduras e elementos clássicos. Apresenta-se com cosedura de linha vermelha.  
Desejos de Mulher, Dezembro de 2024, 20 págs, impresso a vermelho sobre papel cor de rosa, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Goteira.

10 fevereiro 2026

Piolho

"A revista Piolho é uma publicação dedicada à poesia desalinhada que conta actualmente com mais de uma dezena de números. É uma edição conjunta das Edições Mortas e da Black Sun, coordenada pelo poeta e editor António Oliveira (A. Dasilva O.). A Piolho inspira-se nas publicações refractárias dos anos 60 e 70, feitas em stencil, que circulavam debaixo das mesas nos cafés, pelo seu carácter conspirativo e clandestino, trazendo para o presente o espírito combativo desses tempos. A revista é, assim, um reduto de sobrevivência da poesia insubmissa."
Neste quinto número, coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O. e a colaboração especial de Érica Zingano, facilitando a conexão brasileira.
Participam os seguintes autores: Humberto Rocha, Luciane Godinho da Silva, Soraia Martins, Fernando Guerreiro, Mário Pinto, Zarelleci, Pedro S. Martins, Marcos Farrajota (ilustrações), Francisco Félix, Teixeira Moita, BiXinho, Miguel Sá Marques, Georges Bataille, Pedro Jofre, Paulo Themudo, Oliveira Martins Roxo, Rui Tinoco, Theódore Franckael, Roberta Ferraz, Maiara Gouveia, Érica Zingano, Renan Nuernberger, Rafael Rocha Daud, Andréa Catrópa, Danilo Bueno, Rui Azevedo Ribeiro, Raúl Simões Pinto e António S. Oliveira.
Piolho #5, Maio de 2011, 52 págs, impresso a preto & branco, 14,5x20,8cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Black Sun Editores.

09 fevereiro 2026

Fora de Campo

Fora de Campo #0
O amor é o tema central do número inaugural do Fora de Campo, um fanzine muito cinéfilo editado por Matilde Feitor.
O amor nas mais variadas cambiantes, é decantado através das suas múltiplas representações cinematográficas.
Composto por textos escritos Sofia Belém, Carolina Ramos, João Ruy Faustino, José Feitor e Matilde Feitor sobre filmes marcantes como "Good Bye Lenin!" (2003, Wolgang Becker), "Aloha Bobby and Rose" (1975, Floyd Mutrux), os seis filmes da série "Comédias e Provérbios" (1981-1987) de Eric Rohmer, "Kids Return" (Takeshi Kitano, 1996) e Mad Detective (Johnnie To, 2007).
Além dos textos publicados na sua forma manuscrita, cada um dos filmes é objecto de um desenho criado por Sofia Belém, Ariana Barros, Ema Caetano, Amália Bragança, Matilde Feitor e José Feitor.
O "tio" Farrajota contribui com uma banda desenhada metendo churrascão, "Perseguindo Amy" (Kevin Smith, 1997), "Até ao Amanhecer" (Richard Linklater, 1995), e finalizando com o romance excessivo lynchiano "Wild at Heart".
Outros filmes igualmente marcantes são referenciados através de ilustrações, como "Paterson" (Jim Jarmush, 2016), "Blue" (Hiroshi Ando, 2002), "Domicile Conjugal" (François Truffaut, 1970), "Rashomon" (Akira Kurosawa, 1950), entre outros.
Os inevitáveis "Trás-os-Montes" (António Reis / Margarida Cordeiro, 1976) e "A Desaparecida" (John Ford, 1956), também são representados por quatro fotogramas, encimando uns versos de Manuel Guerra.
Fora de Campo #0, Verão de 2022, 36 págs, impresso a preto & branco; capa em cartolina craft, 14,9x21,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Bancarrota.

Fora de Campo #2
Além da editora Matilde Feitor, contribuem para este número do Fora de Campo, dedicado à presença feminina no cinema, os seguintes autores: Emília Silva, Sofia Belém, Amália Bragança, João Salvador, Feno Dias, Leonor Pupo, Micaela e Marco Almeida.
A 2.ª edição, apresentando uma capa diferente, teve uma tiragem de 20 exemplares.
Marcos Farrajota referiu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "Uma grupeta com a Matilde Feitor à cabeça celebra o Cinema em forma de fanzine A5, assim "old-school", escrito à mão, tecnofobista e com razão nos tempos saturados de digital. Gostei tanto de participar no primeiro número que nunca mais fiz BD até hoje. Neste novo número dedicado "à presença feminina no Cinema" topa-se a quase ausência de textos. Um problema que parece estar a afectar todas as publicações amadoras ou semi-profissionais. Se antes as "redes sociais" eram espaços de escrita - os blogspots e wordpress - com os "Fezesbook" & "Insgrana" parece que as pessoas desabituaram-se a escrever. Se por um lado há os académicos que cagam cinco "papers" por semana com o jargão científico todo certinho, por outro estes deixaram de saber escrever para leitores leigos. E o pior são esses mesmo leigos, escritores em potencial, que não se sentem à vontade para o fazer e que desistiram, preferindo meter fotos sobre um concerto (e do "brunch") invés de uma resenha escrita. Se as pessoas desistirem de escrever, estamos fodidos, nem é preciso Trumps para acabarem com ministérios da educação para voltarmos à barbárie. Pode-se até dizer que as novas gerações são mais visuais. Sim é verdade mas além de isso ser uma desculpa fácil para não se tentar escrever também não é uma grande vantagem porque olhando para as colaborações deste fanzine sente-se uma homogeneidade de estilos gráficos, sem haver alguém que faça algo de "profundamente errado" para destacar. Saiam da casca, sff. Ah, sim, destaque pra BD de Sofia Belém apenas por ser isso mesmo, uma BD!"
Fora de Campo #2, Janeiro de 2025, 36 págs, impresso a preto & branco; capa em cartolina de cor, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares (1.ª edição). Edição: Bancarrota.

07 fevereiro 2026

Noite de Chuva

A chuva que começa a cair durante o passeio nocturno serve de pretexto para entrar no café que há muito se deixou de frequentar. Lá dentro, a loira oxigenada atrás do balcão continua boa como o milho. Enquanto beberica um café quente, as fantasias eróticas desencadeiam vários devaneios que misturam o sonho molhado e a realidade fria.
As fantasias eróticas com a loira do café são recorrentes, mas sempre interrompidas abruptamente. Os desastres sucedem-se e o perigo espreita em todo o lado, numa espiral entrecortada por refrões de temas musicais pop conhecidos por todos.
Nesta Noite de Chuva, imaginada por Amadeu Escórcio, o mergulho forçado no mar de Neptuno, desencadeia uma improvável homenagem a Luiz de Camões.
Noite de Chuva, Setembro de 2025, 32 págs, fotocópia digital a preto & branco; capa a cores, 14,5x20cm. Edição: O Gato Que Mia.

06 fevereiro 2026

Comicarte

Comicarte #2
Fanzine coordenado por Paulo Oliveira e Paulo Amorim. A primeira banda desenhada de Tozé e de Paulo Oliveira, intitulada "A Selva" aborda questões ligadas ao colonialismo, exploração de recursos naturais e morte de animais selvagens. A história decorre como se estivesse situada num estúdio de cinema, durante a rodagem de um filme.
De seguida, a BD "O Monstro Ataca" de Rui Real. O monstro é uma enorme serpente que penetra numa habitação através da sanita e dizima todas as pessoas que estão em casa.
Na sequência da morte de Hergé, Paulo Amorim escreve uma elegia e epitáfio ao criador de Tintin.
Paulo Oliveira apresenta duas bandas desenhadas curtas: "Colonatos" e "La Fille".
"Presunto para Hitler" é título de uma história de Paulo Jorge envolvendo dirigíveis, ressurgências de cruzes suásticas e novas invenções de bombas voadoras que se activam ao som da palavra presunto!
Depois os autores Oliveira e Inácio apresentam as partes 1 e 2 da banda desenhada "Nilmark": - na primeira, uns energúmenos espancam violentamente um homem. Na segunda parte, assiste-se à vingança servida em perseguição automóvel, que acaba em despiste fatal.
Oliveira publica também a prancha "E Tiveram N Meninos". A terminar, a prancha "A Cidade" de Manuel Gantes.
Comicarte #2, Maio / Junho de 1983, 30 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 417 exemplares. Porto.

Comicarte #3
A primeira história "Sede Provisória de Absurdo" com texto de Tozé e desenho de Paulo Oliveira, começa como escrita diarística e prossegue em tom intimista e sonhador.
Os "Extras..." de José Cândido segue a perspetiva dos E.T. perante a visão de uma nave a aterrar num planeta distante.
"Duplo Confronto em Congar Armtor" por Manuel Joachim revela uma luta titânica entre deuses e demónios, com algumas pranchas muito inventivas e de grande dinamismo.
Manuel Gantes publica "Eu", uma banda desenhada em estilo bastante livre e cheia de questões retóricas e existenciais.
Segue-se um novo capítulo de "Presunto para Hitler" onde Paulo Jorge convoca os personagens para uma reunião comemorativa, mas que tem alguns convidados inesperados.
Pelo meio, são apresentadas algumas páginas mais divertidas como "Gags" por Luva e "Primitivos" por Oli.
Comicarte #3, Julho / Setembro de 1983, 30 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 500 exemplares. Porto.

Comicarte #10
O editorial refere as esperanças relativamente frustradas sobre a evolução da bd nacional. Segue-se a história de "João Morto" concebida por Lucas, às voltas com uma cabeça falante 
decepada, à procura do seu corpo perdido.
"A Descoberta dos Gu-Gús" leva-nos a acompanhar uma intrépida expedição para descobrir o incidente que atormenta os Gús.
Diversas notas sobre o 2.º Salão de Banda Desenhada do Porto, organizado pelos mesmos promotores do fanzine Comicarte.
É apresentada a banda desenhada "A Caridade e a Justiça" baseada no poema de Guerra Junqueiro, com notáveis desenhos de Pedro Nogueira e legendagem de José Lourenço.
As últimas páginas são dedicadas à divulgação por Pedro Cleto de notícias diversas e breves resenhas sobre os fanzines publicados.
"As Aventuras do Palinhas", tiras humorísticas da autoria de Paulo Oliveira fecham este número que antecedeu o Natal de 1986 e que correspondeu ao último número desta publicação.
Comicarte #10, Novembro de 1986, 26 págs, pequeno offset a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Comissão Jovens Ramalde. Tiragem: 500 exemplares. Porto.

05 fevereiro 2026

Último Capítulo

Atravessado por uma persistente melancolia citadina Um desajustamento existencial, que perpassa a vida pessoal, indefinida e solitária As erupções cutâneas a sinalizarem o instante definitivo para largar o emprego trabalho odiado.
O desenho ora minucioso ora evanescente Primoroso e detalhado flirtando com o desenho técnico e o estilo japonês Uma forte trovoada mas sem chuva.
Assistindo impotente ao seu próprio desespero A metamorfose Os gatinhos fofinhos O Tigre insinuante e implacável Parece que o tempo irá melhorar amanhã.
Último Capítulo de Ana Maçã recebe uma entrada directa na Fanzineteca Ideal.
Último Capítulo, 2021, 40 págs., impresso a preto sobre papel colorido, 13x19cm. Edição: Marca Branca.

04 fevereiro 2026

O Mundo em Quadrinhos

O Mundo em Quadrinhos #6
O fanzine O Mundo em Quadrinhos constituiu-se como uma publicação aperiódica, de distribuição gratuita, dirigida e editada por J. Oliva da Mata Arthur. Na capa apresenta um desenho original de Carlos Rocha e Nélson Rocha.
Neste número, é reeditada a bd "Colt: Uma Lenda Americana" da autoria de José Pires, que havia sido anteriormente publicada em finais de 1997, nos números 10 a 12 do inforzine Tertúlia BDzine. Além da referida banda desenhada, é também disponibilizada uma breve súmula biográfica sobre o autor.
A fechar, uma página da responsabilidade de Geraldes Lino, que em vésperas de Natal, recorda como eram as capas das revistas portuguesas de bd há 50 anos atrás, designadamente as capas das edições de Natal de "O Papagaio", "O Pluto" e "Lusitas".
O Mundo em Quadrinhos #6, Dezembro de 2002, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 180 exemplares. Olhão.

O Mundo em Quadrinhos #8
Neste oitavo número de O Mundo em Quadrinhos, destaca-se a publicação da banda desenhada "Cássima" da autoria de Luis Pires. A primeira página constitui uma sinopse da história situada no ano de 1249, em Loulé, durante a ocupação pelos mouros do sul de Portugal.
Cássima era uma das três filhas do governador Abu-Hassan. Durante a reconquista cristã da região e para proteger as suas filhas, o governador decide convocar um encantamento e esconde-las no fundo de um poço até ser possível resgatá-las.
Seguem-se seis pranchas desenhadas sem qualquer texto, num preto e branco bastante expressivo.
A última página anuncia uma colaboração entre este fanzine e o jornal "O Olhanense", que se materializará em evocações e homenagens a pessoas ilustres da cidade de Olhão. O primeiro homenageado foi o Dr. Francisco Fernandes Lopes.
A fechar, é publicado um cartoon alusivo à Páscoa da autoria de Wilson Rocha.
O Mundo em Quadrinhos #8, Abril de 2003, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 200 exemplares. Olhão.

O Mundo em Quadrinhos #12
Homenagem a Jayme Cortez, com a reprodução na capa de uma vinheta da banda desenhada "Os Espíritos Assassinos" publicada originalmente em 1947 no Mosquito.
De resto, o conteúdo resume-se a quatro páginas de estreia da bd "Igor - O Valente" protagonizada pelo novo herói criado por Carlos Rocha.
O Mundo em Quadrinhos #12, Março / Abril de 2005, 8 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Olhão.

03 fevereiro 2026

Bonkers

Bonkers reúne um conjunto de sete "episódios" sobre a estadia de Gonçalo Duarte nos Estados Unidos da América (EUA). Os títulos estão escritos em inglês, mas os diálogos estão redigidos em português. Tudo começa com "Flux Factory", designação de uma residência artística comunitária em Queens, onde o autor permaneceu com a companheira durante seis meses.
Seguem-se outras histórias do quotidiano do casal, com várias viagens de permeio, muitas idiossincrasias dos americanos e a perplexidade de quem assiste ao vivo a certas peculiaridades dos EUA.
O último episódio "Election Night", acompanha as últimas eleições presidenciais em casa de amigos em Portland, rodeados por insegurança, criminalidade e os Proud Boys nas ruas. Para variar, nova excentricidade com a vitória de Donald Trump!
Bonkers, Dezembro de 2024, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em cartolina colorido, 14,9x21cm.

02 fevereiro 2026

BUUH!'zine

Depois de ter editado anteriormente Atitude Alternativa e Escarro Social, Marujo regressa aos fanzines com este BUUH!'zine.
As primeiras páginas abordam a desigualdade entre homens e mulheres. Segue-se um texto sobre as prisões, as condições de vida dos reclusos e a relevância das penas prisionais como medida correctiva e a reinserção social. Apesar de bem-intencionado, o artigo é demasiado ingénuo e simplista.
Pedro Prata escreve um libelo contra o dinheiro. Nota positiva para "...Que Feio..." um curto texto bastante cru e directo.
Os desconhecidos Skazoomba, praticantes de um "skazinho pipoca" são entrevistados e desvendam todos os seus segredos e planos para o futuro.
Alguns textos sobre a violência exercida sobre os animais e sobre os ouriços mortos nas estradas nacionais.
Pedro Vindeirinho escreve sobre o que caracteriza o povo português, os políticos, chefes e manifestações inócuas.
Há ainda espaço para falar sobre a violência no desporto e a sua transmissão televisiva, os Serviços de Informação e Segurança, diversas ilustrações avulsas, alguns textos mais ou menos poéticos e uma bd gamada de Bob Cuspe.
BUUH!'zine #1, Maio de 1999, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Samora Correia.

01 fevereiro 2026

História da Fome

Excertos do texto da autoria de Sara Figueiredo Costa publicado na revista Blimunda n.º 123, de dezembro de 2022: "Esta História da Fome percorre momentos fundamentais na cronologia da nossa relação com os alimentos, como a sedentarização e a agricultura, o domínio e o uso do fogo e a industrialização, mas mais do que historiográfica, a sua abordagem é ensaística, algo que já acontecia em trabalhos anteriores de Feitor, e relaciona a ingestão de alimentos, necessidade fisiológica, com a vontade de acumulação que foi definindo as nossas sociedades. À Blimunda, o autor explicou o percurso que este livro foi fazendo antes de existir materialmente: «Sempre me intrigou a maneira como usamos a palavra, que tanto nos serve para falar de carência fisiológica como se presta a nomear todo o tipo de apetites e inclinações, muitas delas estruturantes e obsessivas. Assim que a ideia me surgiu, surgiu de imediato o título, por predisposição para tentar fazer desta narrativa uma análise que trespassasse o tempo. Contudo, a ideia sempre foi focar-me naquilo a que estes apetites nos conduziram, à situação actual, como fiz noutros textos. A ideia de História, aqui, é a isso que se presta: olhar com horror para trás para compreender a forma em que nos encontramos, a degradação a que os nossos apetites conduzem. É óbvia a colagem entre a ideia de querer comer, apesar de não se sentir qualquer carência, com a ideia de possuir, mesmo que tal não sirva para satisfazer nenhuma necessidade concreta.»
Pelas páginas vão desfilando figuras pantagruélicas em devoração opípara, carantonhas que por vezes remetem para máscaras do Nordeste transmontano (e que já surgiram noutros trabalhos do autor) ou para certas iluminuras satíricas medievais, esqueletos numa dança da morte feita ao ritmo da ingestão de acepipes vários. Há símbolos – maçónicos, religiosos, mitológicos, políticos – e remissões, textuais e visuais, para as classes dominantes ao longo dos tempos, da Igreja ao grande capital. História da Fome é uma reflexão que cruza política, cultura e sociedade, e é também um libelo com ecos novecentistas, lembrando folhetos saídos de imprensas mais ou menos clandestinas, um J’Accuse, de Émile Zola cruzando-se com as gravuras de William Blake (também ele impressor), os rostos e as imagens densamente povoadas de Brueghel com a sátira desbragada de certos folhetos de cordel, toda uma herança por onde passam textos, momentos históricos, máquinas de imprimir movidas a braços e alguma raiva.
Texto e imagem dialogam, mas têm um potencial de existência autónoma que não é comum em livros ilustrados. O texto sobreviveria como breve ensaio sobre a relação dos alimentos com o consumo, da fome com a acumulação, da voracidade com a manutenção de privilégios. Por outro lado, a força visual e simbólica das páginas ilustradas é, por si só, um espaço autónomo, capaz de gritar as suas angústias, dúvidas e inquietações sem necessidade de outras imagens ou de texto (e também por isso a exposição, que prescinde do texto e junta às imagens do livro algumas outras, é uma outra criação, não dependente deste objecto impresso). Ainda assim, como nos contou o autor, foi das palavras que nasceu esta História da Fome: «Desta vez o texto surgiu primeiro, apesar de em modo embrionário (refiz o texto muitas vezes, à medida que o processo decorria). A primeira versão foi escrita de uma penada. Depois limei tudo, lentamente, embora não tenha conseguido dar-lhe uma forma coerente e organizada. Reconheço alguma tendência para a repetição e muita desordem. Os desenhos, como quase sempre, resultaram de aturadas pesquisas. Comecei na Idade Média, com as representações da gula enquanto pecado capital, e nessa fase o Brueghel velho serviu-me de guia. Muitos elementos que surgem no livro, como os caracóis, vieram daí. Depois percorri outras referências, nomeadamente gravura satírica dos séculos XVIII e XIX, com Doré e o seu Pantagruel à cabeça, claro. Quem conhecer estas fontes vai reconhecê-las nos desenhos. Não há qualquer relação de complementaridade ou afinidade entre os desenhos e os textos, salvo raras exceções, como a representação do Génesis ou a ilustração para a imposição dos cereais na dieta humana. Mas, mesmo nessas, se calhar apenas eu vejo as conexões.»
São dois os capítulos que compõem este livro. O primeiro, intitulado “Hiperfagia”, dedica-se a esta análise histórica que nos traz dos excedentes agrícolas ao consumo transformado em desejo, divindade, mecanismo de controlo social. Por esse capítulo passam o Génesis bíblico e a Loba do Capitólio, as práticas religiosas mais antigas e a instituição da religião como mais um mecanismo de poder, a morte e o grande capital. No segundo, “Filogafia”, o foco está na reflexão sobre como o apetite pelo consumo e os seus diversos graus, definidos em função de uma escala social, se relaciona com o modo como vivemos em sociedade e com as escolhas políticas que fazemos (ou não fazemos, por vezes). Sobre isso, diz José Feitor: «Parece-me que este desejo de acumular, mas também de esbanjar e desperdiçar, é típico das sociedades massificadas, em que a maioria silenciosa se presta a ser governada por uma elite, desde que mantenha uma ligeira ilusão de que os pode emular. Foi esta ideia que eu levei para o livro. Somos todos consumidores com tendência para a engorda, porque assumimos colectivamente esta fantasia, a de querer imitar os que tudo têm e podem. E esses não passam de uma versão de nós próprios, apenas com outros meios para se sentar à mesa e encher o bandulho.»
Entre o excesso e o amor ao excesso, andamos há séculos a alimentar deglutições épicas. Está por saber se podia ter sido de outra maneira, mas como se descreve em História da Fome, basta passar algum tempo numa dessas «lanchonetes babilónicas» que se instalam no piso superior de algum centro comercial, e onde a corrida desenfreada ao ketchup e à possibilidade de o levar para casa é um dos desportos praticados, para perceber que talvez tudo isto faça parte do nosso devir colectivo. Entre ketchup em pacotinhos gratuitos e descartáveis e telemóveis que têm de ser sempre da última geração, é possível que se tenha esgotado o espaço e o tempo para outros modos de viver. Curiosamente, tudo indica que esse espaço e esse tempo estão a esgotar-se também para este modo, pelo que resta almejar que o futuro não seja parco em gente que nos conte o que vê em textos, imagens e o resto, e que reflicta sobre que se vai construindo para chamarmos de mundo."
História da Fome, Dezembro de 2022, 48 págs, capa e encarte impressos em serigrafia; miolo impresso em offset a duas cores, 21x29,7cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #028).

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