02 fevereiro 2026

BUUH!'zine

Depois de ter editado anteriormente Atitude Alternativa e Escarro Social, Marujo regressa aos fanzines com esta nova publicação.
As primeiras páginas abordam a desigualdade entre homens e mulheres. Segue-se um texto sobre as prisões, as condições de vida dos reclusos e a relevância das penas prisionais como medida correctiva e a reinserção social. Apesar de bem-intencionado, o artigo é demasiado ingénuo e simplista.
Pedro Prata escreve um libelo contra o dinheiro. Nota positiva para "...Que Feio..." um curto texto bastante cru e directo.
Os desconhecidos Skazoomba, praticantes de um "skazinho pipoca" são entrevistados e desvendam todos os seus segredos e planos para o futuro.
Alguns textos sobre a violência exercida sobre os animais e sobre os ouriços mortos nas estradas nacionais.
Pedro Vindeirinho escreve sobre o que caracteriza o povo português, os políticos, chefes e manifestações inócuas.
Há ainda espaço para falar sobre a violência no desporto e a sua transmissão televisiva, os Serviços de Informação e Segurança, diversas ilustrações avulsas, alguns textos mais ou menos poéticos e uma bd gamada de Bob Cuspe.
BUUH!'zine #1, Maio de 1999, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Samora Correia.

01 fevereiro 2026

História da Fome

Excertos do texto da autoria de Sara Figueiredo Costa publicado na revista Blimunda n.º 123, de dezembro de 2022: "Esta História da Fome percorre momentos fundamentais na cronologia da nossa relação com os alimentos, como a sedentarização e a agricultura, o domínio e o uso do fogo e a industrialização, mas mais do que historiográfica, a sua abordagem é ensaística, algo que já acontecia em trabalhos anteriores de Feitor, e relaciona a ingestão de alimentos, necessidade fisiológica, com a vontade de acumulação que foi definindo as nossas sociedades. À Blimunda, o autor explicou o percurso que este livro foi fazendo antes de existir materialmente: «Sempre me intrigou a maneira como usamos a palavra, que tanto nos serve para falar de carência fisiológica como se presta a nomear todo o tipo de apetites e inclinações, muitas delas estruturantes e obsessivas. Assim que a ideia me surgiu, surgiu de imediato o título, por predisposição para tentar fazer desta narrativa uma análise que trespassasse o tempo. Contudo, a ideia sempre foi focar-me naquilo a que estes apetites nos conduziram, à situação actual, como fiz noutros textos. A ideia de História, aqui, é a isso que se presta: olhar com horror para trás para compreender a forma em que nos encontramos, a degradação a que os nossos apetites conduzem. É óbvia a colagem entre a ideia de querer comer, apesar de não se sentir qualquer carência, com a ideia de possuir, mesmo que tal não sirva para satisfazer nenhuma necessidade concreta.»
Pelas páginas vão desfilando figuras pantagruélicas em devoração opípara, carantonhas que por vezes remetem para máscaras do Nordeste transmontano (e que já surgiram noutros trabalhos do autor) ou para certas iluminuras satíricas medievais, esqueletos numa dança da morte feita ao ritmo da ingestão de acepipes vários. Há símbolos – maçónicos, religiosos, mitológicos, políticos – e remissões, textuais e visuais, para as classes dominantes ao longo dos tempos, da Igreja ao grande capital. História da Fome é uma reflexão que cruza política, cultura e sociedade, e é também um libelo com ecos novecentistas, lembrando folhetos saídos de imprensas mais ou menos clandestinas, um J’Accuse, de Émile Zola cruzando-se com as gravuras de William Blake (também ele impressor), os rostos e as imagens densamente povoadas de Brueghel com a sátira desbragada de certos folhetos de cordel, toda uma herança por onde passam textos, momentos históricos, máquinas de imprimir movidas a braços e alguma raiva.
Texto e imagem dialogam, mas têm um potencial de existência autónoma que não é comum em livros ilustrados. O texto sobreviveria como breve ensaio sobre a relação dos alimentos com o consumo, da fome com a acumulação, da voracidade com a manutenção de privilégios. Por outro lado, a força visual e simbólica das páginas ilustradas é, por si só, um espaço autónomo, capaz de gritar as suas angústias, dúvidas e inquietações sem necessidade de outras imagens ou de texto (e também por isso a exposição, que prescinde do texto e junta às imagens do livro algumas outras, é uma outra criação, não dependente deste objecto impresso). Ainda assim, como nos contou o autor, foi das palavras que nasceu esta História da Fome: «Desta vez o texto surgiu primeiro, apesar de em modo embrionário (refiz o texto muitas vezes, à medida que o processo decorria). A primeira versão foi escrita de uma penada. Depois limei tudo, lentamente, embora não tenha conseguido dar-lhe uma forma coerente e organizada. Reconheço alguma tendência para a repetição e muita desordem. Os desenhos, como quase sempre, resultaram de aturadas pesquisas. Comecei na Idade Média, com as representações da gula enquanto pecado capital, e nessa fase o Brueghel velho serviu-me de guia. Muitos elementos que surgem no livro, como os caracóis, vieram daí. Depois percorri outras referências, nomeadamente gravura satírica dos séculos XVIII e XIX, com Doré e o seu Pantagruel à cabeça, claro. Quem conhecer estas fontes vai reconhecê-las nos desenhos. Não há qualquer relação de complementaridade ou afinidade entre os desenhos e os textos, salvo raras exceções, como a representação do Génesis ou a ilustração para a imposição dos cereais na dieta humana. Mas, mesmo nessas, se calhar apenas eu vejo as conexões.»
São dois os capítulos que compõem este livro. O primeiro, intitulado “Hiperfagia”, dedica-se a esta análise histórica que nos traz dos excedentes agrícolas ao consumo transformado em desejo, divindade, mecanismo de controlo social. Por esse capítulo passam o Génesis bíblico e a Loba do Capitólio, as práticas religiosas mais antigas e a instituição da religião como mais um mecanismo de poder, a morte e o grande capital. No segundo, “Filogafia”, o foco está na reflexão sobre como o apetite pelo consumo e os seus diversos graus, definidos em função de uma escala social, se relaciona com o modo como vivemos em sociedade e com as escolhas políticas que fazemos (ou não fazemos, por vezes). Sobre isso, diz José Feitor: «Parece-me que este desejo de acumular, mas também de esbanjar e desperdiçar, é típico das sociedades massificadas, em que a maioria silenciosa se presta a ser governada por uma elite, desde que mantenha uma ligeira ilusão de que os pode emular. Foi esta ideia que eu levei para o livro. Somos todos consumidores com tendência para a engorda, porque assumimos colectivamente esta fantasia, a de querer imitar os que tudo têm e podem. E esses não passam de uma versão de nós próprios, apenas com outros meios para se sentar à mesa e encher o bandulho.»
Entre o excesso e o amor ao excesso, andamos há séculos a alimentar deglutições épicas. Está por saber se podia ter sido de outra maneira, mas como se descreve em História da Fome, basta passar algum tempo numa dessas «lanchonetes babilónicas» que se instalam no piso superior de algum centro comercial, e onde a corrida desenfreada ao ketchup e à possibilidade de o levar para casa é um dos desportos praticados, para perceber que talvez tudo isto faça parte do nosso devir colectivo. Entre ketchup em pacotinhos gratuitos e descartáveis e telemóveis que têm de ser sempre da última geração, é possível que se tenha esgotado o espaço e o tempo para outros modos de viver. Curiosamente, tudo indica que esse espaço e esse tempo estão a esgotar-se também para este modo, pelo que resta almejar que o futuro não seja parco em gente que nos conte o que vê em textos, imagens e o resto, e que reflicta sobre que se vai construindo para chamarmos de mundo."
História da Fome, Dezembro de 2022, 48 págs, capa e encarte impressos em serigrafia; miolo impresso em offset a duas cores, 21x29,7cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #028).

30 janeiro 2026

Anim'arte

Anim'arte #1

Anim'arte pretende dar a conhecer o trabalho realizado pelos animadores culturais e também divulgar o vasto património cultural e humano da região Dão-Lafões.
Referência para a polémica em torno da publicação de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" escrito por José Saramago.
"Religião de Sábado à Noite" é um artigo sobre a vida nocturna, os destaques musicais do ano anterior, concluindo com uma avaliação bastante severa acerca da produção musical nacional, destacando apenas o surgimento dos Resistência.
Entrevista muito pertinente a José Arimateia dinamizador da danceteria "The Day After" em Viseu.
No espaço associativo divulga-se a actividade e história do Centro Cultural de Currelos.
As oito páginas centrais, em jeito de encarte impresso em papel colorido, são dedicadas ao Caderno Técnico "Teatro", com entrevistas, um glossário sobre o tema e a divulgação do teatro de fantoches.
Segue-se uma reportagem com memórias, lendas e segredos sobre a tradicional Aldeia da Pena. O percurso prossegue depois em direcção à cidade de Tondela.
Na rúbrica dedicada ao cinema e video, Joaquim Andrade explora os psicodramas do género trash que podem ser encomendados nos videoclubes.
As últimas páginas são dedicadas à divulgação de textos literários e também a referências biográficas sobre Aquilino Ribeiro.

Anim'arte #1, Março de 1992, 32 págs, offset a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: GICAV. Viseu.

Anim'arte #2
Assumindo-se como uma revista de animação sócio-cultural, a Anim'arte abre espaço para diversas temáticas de cariz cultural e de identidade regional.
A indefinição do estatuto profissional do animador cultural ocupa o editorial. A crónica de Pedro Martins incide sobre a série televisiva "Os Simpsons". Alagoa (dos Lucretia Divina), escreve sobre as tribos urbanas, destacando as tribos associadas a sonoridades mais pesadas e metaleiras.
Na entrevista ao artista Pedro Albuquerque, sobressai uma panorâmica sobre a sua carreira e a vivência artística na cidade de Viseu.
Segue-se uma reportagem sobre as "Cavalhadas de Vildemoinhos", uma tradição secular com mais de 370 anos de existência.
Como encarte, impresso em papel azul, surge o "Caderno Técnico de Banda Desenhada" com muita informação específica e também diversos artigos de opinião, referências ao Salão de BD de Viseu organizado pelo GICAV, que ia na quarta edição, bem como aos autores homenageados: Fernando Bento (1991), Artur Correia (1992) e os autores revelação: os irmãos Carlos Santos e Fernando Santos.
Os primórdios do cinema, os filmes mudos projectados ao ar livre no meio da praça central, espalhando sonhos e magia. Noutro registo completamente diferente, Joaquim Alexandre escreve sobre "Os Anti-Sociais", um filme trash holandês alugado num videoclube.
Mais alguns textos sobre associativismo juvenil, animação cultural e regionalismos preenchem as restantes páginas desta publicação viseense.
Anim'arte #2, Junho de 1992, 32 págs, offset a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 1000 exemplares. Edição: GICAV. Viseu.

29 janeiro 2026

Aspirina

Aspirina é uma colectânea de seis histórias curtas desenhadas por Filipe Duarte e publicadas anteriormente em várias edições da revista H-Alt.
Sobressai uma grande diversidade gráfica e narrativa, que vai do terror ao sobrenatural, da ficção científica a histórias de relações homossexuais.
A primeira banda desenhada é "O Relojoeiro", com argumento de Carlos Silva e cores de Nádia Carmo, uma história misteriosa e sobrenatural, onde uma vida desesperada procura a salvação, mas acaba na perdição.
Segue-se "Imortal", escrita por André Mateus, sobre um homem que se debate com os problemas da sua própria imortalidade.
Num registo mais futurista o "Soldado", com argumento de Carlos Silva, debruça-se sobre um ciborgue que não consegue adaptar-se à vida normal em sociedade depois da guerra.
Com argumento e cores de Edgar Ascensão, "Paixão Liquidada" acompanha um homem a atravessar uma crise, que está a procurar uma nova casa para alugar, mas que acaba num submerso num mar de lágrimas.
As duas histórias finais são de temática homossexual: - na primeira "Love, Amor", um homem entrega-se incondicionalmente ao seu amante, correspondendo a todas as suas exigências. O preço foi pago com um pedaço do seu corpo a seguir ao outro, até ser abandonado e trocado por novo amante.
Já "Saindo do Armário dos Monstros", com argumento de Kurt Belcher, é uma divertida história onde dois fantoches marretas saem do armário, assumindo a sua longa relação homossexual, com toda a Rua Sésamo a reagir à extraordinária revelação.
As últimas páginas são preenchidas com vários desenhos e ilustrações. 
Aspirina, Junho de 2023, 60 págs, impresso a cores, 14,9x21cm. Edição: H-Alt / Associação Tentáculo.

28 janeiro 2026

O Piolho

O Piolho #1
Fanzine dirigido por Manuel Jorge, abre com uma prancha assinada do próprio, intitulada "BD Shop" glosando o estilo televendas, para anunciar um champô revolucionário para todo o tipo de cabeleira.
Depois Derradê explica "O Sentido da Vida" de um adolescente todo certinho, chamado Barnabé e a sua subsequente revolução hormonal e o mergulho de cabeça no mundo da droga, sexo e estroinice.
"Conde para o Almoço" da autoria de Manuel Jorge acompanha a jornada de um colono no interior de África até cair no caldeirão de uma tribo canibal.
A terminar, uma prancha do brasileiro Jerry Souza de cariz satírico à autoridade policial.
O Piolho #1, Outubro de 1994, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: 
Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #2
Neste segundo número de O Piolho, C. Rocha apresenta uma prancha humorística em estilo cartoonesco. Depois, M. Jorge coloca Leopoldo a comprar uma boneca insuflável numa sex shop.
Segue-se um "Assalto à Fantasia" da autoria de Angelo, onde um bando familiar de ladrões decide roubar os convidados de um baile de máscaras.
No velho estilo de histórias de cowboys e xerifes, M. Jorge traça o plano para libertar "O Condenado" da cadeia.
Para finalizar, o brasileiro Jerry publica uma tira onde "O Gostoso" acaba morto com sida.
O Piolho #2, Setembro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #3

O Piolho, auto-intitulado mini fanzine artesanal, apresenta na capa um desenho do canadiano Joe Matt. Em "Panacea" de Flavio Calazins, vemos pequenas fadas a serem capturadas para se transformarem no ingrediente principal de poções mágicas confeccionadas no caldeirão da bruxa má.
"MAT - A Angústia de um Detective" de M. Jorge, uma história de corrupção, arrependimento e má consciência, bebedeira e confissão expiadora (também publicada no Café no Park #5).
M. Jorge publica ainda mais duas pranchas: a primeira, com um plano falhado de fuga da prisão; a segunda, uma promissora carreira de actor, que é abortada ainda antes de começar...
Jerry Souza apresenta a banda desenhada "O Papa Inseto", narrando a criação no laboratório de 3 cientistas loucos, da solução para o problema da alimentação da humanidade. No entanto, a coisa começa a descambar quando criam também os predadores para a suposta solução milagrosa...
O Piolho #3,
 Outubro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #4
O desenho inserido na capa de O Piolho #4 é do canadiano Chester Brown. As restantes participações são de autores portugueses e brasileiros. A abrir, uma prancha de Angelo, onde um apanhado para a TV no supermercado provoca um ataque cardíaco numa cliente. Absinto apresenta uma tira humorística sobre as voltas da vida. 
O editor M. Jorge apresenta a banda desenhada "Uma Boa Acção", onde um polícia acaba roubado.
Segue-se uma prancha do brasileiro Laudo, intitulada "A Voz do Louco". Participam igualmente os brasileiros Flavio Calazans e Jerry Souza.
O Piolho #4, Novembro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #5
Quando toda a gente pensava que O Piolho já tinha encerrado as suas actividades, eis que passados cerca de 4 anos surge um novo número, com capa desenhada por Absinto.
A primeira banda desenhada é sobre uma disputa entre um leão e um elefante para aferirem quem é o verdadeiro "rei da selva".
"Mat - Perseguição" de Manuel Jorge, numa história com polícias atrás de ladrões.
"Uma Palavra Para a Eternidade" é uma prancha da autoria de P. Nogueira e J. Lourenço. A terminar, duas tiras do brasileiro Jerry Souza e mais uma prancha de M. Jorge com um pai muito forreta, a esmifrar a semanada do filho. 
O Piolho #5, Março de 1999, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

Joga Forte

Excelente fanzine dedicado ao mundo dos jogos, sejam jogos de tabuleiro, videojogos a emular jogos de tabuleiro, jogos de guerra, de dados, cartas, etc.
Esta edição contou com a capa desenhada por Sara Pinto e apresenta um excelente arranjo gráfico, muita informação pormenorizada sobre novos jogos, destacando os jogos e os eventos realizados em Portugal.
Sem dúvida, que Joga Forte é um dos melhores fanzines temáticos e funcionais que se publicam actualmente.
Joga Forte #11, Dezembro / Janeiro de 2026, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Edição: Artmatriz. Viana do Castelo.

26 janeiro 2026

Christiania

Caderno publicado por Xavier Almeida no âmbito de uma residência artística realizada durante o mês de Agosto de 2011 em Christiania. Uma espécie de diário de bordo ilustrado sobre a chegada e a estadia na localidade, que funciona como pólo de cultura e de vida alternativa de Copenhaga, na Dinamarca.
Xavier Almeida refere a experiência social vivida em Christiania, da autogestão, da partilha comunitária e da livre participação, onde as regras formais e o espaço privado praticamente não existem.
Menciona igualmente as interacções e os projectos que desenvolveu durante a sua estadia, designadamente um conjunto de seis cartazes, onde cada cartaz continha uma mensagem escrita pela população local, à qual Xavier Almeida acrescentou um desenho que ilustrasse o sentido da mensagem.
Christiania, 2011, 12 págs, fotocópia a preto sobre papel azul, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares (edição 2023).

24 janeiro 2026

Facada Mortal

O fanzine Facada Mortal é um projecto de A Vaca que Veio do Espaço, colectivo fundado por Alice Geirinhas, José Fonseca e João Fonte Santa durante a sua frequência da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O terceiro número do fanzine apresentava o subtítulo "O Enigma da Facada", em referência ao "Enigma da Atlântida" de E.P. Jacobs deslocalizado para as ilhas açorianas. A capa é da autoria de João Fonte Santa.
Os trabalhos publicados são "Sete Cidades" de T.T., "Férias nas 7 Cidades" de Alice Geirinhas, "Um Verão do Caraças" de Rui Silvares, "Originais Histórias" de José da Fonseca, "O Submarino Perdido" de João Fonte Santa e "Cadáver Esquisito nº 5."
"No terceiro número deste zine de culto — Facada Mortal — o corte ganha novas lâminas e o enigma acende-se no corpo gráfico da revolta. O Enigma da Facada reúne textos, desenhos e bandas-desenhadas de cinco nomes fundamentais da criação inquieta e marginal: T.T., Alice Geirinhas, Rui Silvares, José da Fonseca e João Fonte Santa.
É aqui que a BD se funde com o ensaio gráfico e o desenho com o gesto político. Entre a ironia ácida e o desconcerto visual, esta publicação faz da página um campo de combate, herdeira da estética do punk, do surrealismo e do grafismo sujo das cidades desfiguradas.
Alice Geirinhas intervém com o seu olhar feminista, sarcástico e profundamente artístico; João Fonte Santa e José da Fonseca rasgam os limites da banda-desenhada como quem inscreve um diário apocalíptico. Rui Silvares e T.T. fazem do traço uma coreografia entre o nonsense e o manifesto. Juntos, desenham uma crónica visual da estranheza contemporânea.
Um zine-objecto, urgente e precioso, que desafia os circuitos da edição convencional e afirma-se como arte-ruptura."
Facada Mortal #3, Setembro de 1987, 28 págs, offset a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 500 exemplares. Edição: A Vaca que Veio do Espaço. Lisboa.

23 janeiro 2026

Solar - The Obsidian Whale

Dando continuidade ao universo dos Solar Sailors, o livro-jogo Solar: The Obsidian Whale é um jogo de ficção científica criado por Daniel da Silva Lopes, onde cada escolha determina o destino imediato.
Neste livro-jogo propõe-se uma exploração pela nave espacial The Obsidian Whale abandonada, descobrir os seus segredos, mergulhar na sua escuridão e enfrentar desafios surpreendentes. Cada caminho conduzirá a um resultado diferente. 
A arte da capa é da autoria de Pedro Potier, definindo a ambiência que iremos encontrar ao longo do jogo. No interior, desenvolve-se uma mecânica de jogo que combina um baralho de cartas com os clássicos dados D6, abrindo uma espécie de portal de entrada para um universo editorial e criativo em permanente expansão.
Solar - The Obsidian Whale, Maio de 2025, 48 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 15,7x23,8cm, Tiragem: 200 exemplares. Edição: Gorila Sentado. Porto.

22 janeiro 2026

666 Hardware

Até aquele momento, 666 Hardware constituiu a publicação mais extensa de Rudolfo, apresentando uma capa em papel brilhante e uma sobrecapa envolvente em papel vermelho, com um desenho de André Coelho no seu interior. Apesar de todo este cuidado, 666 Hardware acabou por ser renegado pelo seu autor, tendo este referido que "Agora odeio-o."
No blogue LerBd foi referido que 666 Hardware "parece começar a meio de uma aventura, mas desconhecemos se pertence de facto a um épico maior. Uma personagem que se parece muito com o avatar da banda desenhada do próprio Rudolfo noutros trabalhos, mas armado de dois cornos e chamado de Satan, penetra num mundo diabólico com o seu imenso companheiro diabo Catumba, o qual se pode transformar numa espada, obviamente demoníaca, empunhada pelo mestre. Ambos procuram um skate que pertenceu a um legendário Natas Slayer. Lutam contra hordas de demónios, incluindo um gigantesco Vaginoroth, até conquistarem o seu prémio. E depois vão para casa.
Esta última frase pode parecer ridícula, e é-o sem dúvida na descrição, mas é justa. O que é curioso nisto tudo é que apesar de começar a meio, atravessar páginas de acção frenética, e morte, termina de uma maneira calmíssima, sem fanfarra, e Satan e Catumba volta para onde vieram… É como se tivéssemos atenção ao que acontece antes ou depois das cenas representadas nas capas de discos de metal. Um pormenor gráfico é que todos os “ts” são desenhados de maneira a parecerem cruzes invertidas, dando continuidade a toda uma série de clichés satânicos das capas de discos de heavy metal e derivados (mas para além da referência directa aos Slayer, a banda sonora só poderia ser mais frenética, talvez Anaal Nathrakh?).
Os modos de produção e desenho são algo diferenciados, com Hardware mostrando uma mais controlada arte final, provavelmente com tinta da china e artpen, uma maior cobertura dos fundos com preto, contornos mais grossos, e um trabalho de volumes e sombras com tramas mais consistente e paciente. A própria estruturação das páginas é cuidada, e regular, ainda que variada ao longo da história."
666 Hardware, Agosto de 2011, 40 págs, impresso a preto & branco; sobrecapa em papel vermelho, 14,8x20,8cm. Edição: Ruru Comix.

21 janeiro 2026

Filó

Filó nasceu em África, mas veio estudar para Portugal. Engravida, casa-se, perde o filho no parto e descasa-se. Volta a casar-se, mas a vida teima em não encarreirar. Arranja um amante, para tentar enganar a solidão e a tristeza. As escapadas sucedem-se semanalmente e Filó finge estar muito apaixonada, mas apenas tenta enganar o seu coração.
As pequenas histórias contadas por Isa Bruno, compostas com colagens e desenhos feitos usando marcador preto em traços ágeis, são singelas vinhetas arrancadas a um quotidiano de amargura e desgosto, pairando sempre a impossibilidade de alcançar a felicidade.
Filó, Setembro de 2025, 16 págs., impressão a cores; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: O Apókrifo.

20 janeiro 2026

O Hábito Faz o Monstro

O Hábito Faz o Monstro #5
Este número abre com os desenhos "O Hálito Faz o Monstro" de Flip Quaresma. Segue-se "O Vómito Desaparecido" uma apropriação de uma banda desenhada clássica onde João Alves oblitera o rosto dos personagens para uma massa viscosa e indistinguível. O texto e os diálogos também são modificados, retirando-lhes qualquer sentido lógico e verosímil. A desconexão dos diálogos com as imagens, reforça o carácter lúdico e delirante.
Lucas Almeida apresenta a banda desenhada "O Jovem Queria Dor", percorrendo as vicissitudes do processo criativo e artístico, e das "dores" que inquietam os jovens criadores.
O Hábito Faz o Monstro #5, Abril de 2006, 20 págs, fotocópia a preto & branco; capa pintada manualmente, 21x29,7cm. Tiragem: 20 exemplares. Porto.

O Hábito Faz o Monstro #7
O Hábito Faz o Monstro #7 é especialmente dedicado à temática amorosa, protagonizado por um jovem perdidamente apaixonado e que não consegue lidar com as suas emoções exacerbadas. Excessivo, enxurradas de palavras, torrentes de conceitos teóricos, misturados com violência, canibalismo e sodomia, e contando com um Diabo vigorosamente apostado em torturar o jovem criador com toda a teoria metafísica do amor.
Segundo Lucas Almeida, o discurso do Diabo baseia-se num trabalho académico realizado para a disciplina de "Teoria da Cultura" e nas leituras de textos de Georg Simmel, Peter Sloterdijk e Arthur Schopenhauer.
O desenho da capa corresponde a uma apropriação da imagem de um poster de concerto dos The Cramps.
O Hábito Faz o Monstro #7, Novembro de 2006, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Carcavelos.

O Hábito Faz o Monstro #11
As primeiras páginas do fanzine de Lucas Almeida são preenchidas com "A Necessidade Fisiológica de Dizer Não à Lógica" uma sequência de vinhetas surreais, cheias de movimento e organicidade, por vezes desenhadas com extremo pormenor, outras vezes apenas esboçadas.
Segue-se "Filosofias com o Tobias", uma banda desenhada onde o dono do cão Tobias, vai divagando filosoficamente sobre a acção guiada pela emoção ou pela razão, tudo escrito em verso rimado.
"Elvis - Aloha From Hell" é um encontro entre o Jovem e Elvis, facilitado por uma fada que vai compondo os cenários com uma vegetação extraordinária e luxuriante.
As páginas seguintes apresentam diversos esboços, pormenores de desenhos ampliados e a prancha "És um Vagabundo".
O Hábito Faz o Monstro #11,
 Junho de 2007, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: EL Prints.

O Hábito Faz o Monstro #15
Integralmente constituído por desenhos de Lucas Almeida realizados em 2009, durante uma viagem de comboio entre Nova Iorque e o Canadá. Na 
primeira parte da publicação, os desenhos reflectem uma vincada urbanidade, com todo o bulício citadino, gente de todas as cores e feitios num rodopio incessante.
No meio desta multidão, rodeados de ruído permanente, todos são estranhos e anónimos, ninguém se destaca e todos procuram singrar na cidade grande. Por vezes, de forma imprevista, acontece algo inesperado, uma epifania, uma mão estendida, um abraço. Alguém é colocado num pedestal, preparado para um instável jogo de equilíbrio, com queda garantida a qualquer instante.
Conforme a viagem progride, distanciamo-nos de uma bruma cinzenta que enovoa o horizonte que se afasta, penetrando-se nos subúrbios de cidades perdidas à margem da linha. Vislumbres de pequenos jardins e parques, um alpendre vazio...Uma paisagem que se vai alterando progressivamente - agora mais aberta e bucólica, mas mesmo assim de uma naturalidade desolada e invernosa. 
O Hábito Faz o Monstro #15, 2011, 28 págs, impressão digital a preto & branco sobre papel amarelo; capa em serigrafia, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares. Edição: Ossos do Ofício.

19 janeiro 2026

Radical

Radical é um pequeno fanzine de formato quadrado, sendo justificado pela autora, pois "sempre que expresso a minha opinião recebo sempre a resposta que estou a ser muito "RADICAL". Por isso decidi partilhar alguns dos meus "extremismos" com o mundo."
Ana Louro foi desenvolvendo estas tiras desde 2020, trazendo à colação tópicos polémicos como o feminismo, o racismo e o colonialismo, a objectificação do corpo da mulher, a sexualidade e o prazer sexual feminino, a pedofilia e a violência sexual, entre outros assuntos universais, mas com um enfoque especial nas idiossincrasias nacionais (o mito do bom colonizador, é um excelente exemplo).
Utilizando um dispositivo gráfico relativamente uniforme, vai introduzindo os diferentes assuntos através de vozes femininas assumindo um estilo visual punk e envergando t'shirts de bandas musicais como The Slits, X-Ray Spex, Blondie, Bikini Kill, L7, Vulpess e Amyl And The Sniffers.
Sobre os diferentes temas, Ana Louro expressa uma opinião consciente e fundamentada, tocando em muitos tópicos sensíveis para o pensamento "politicamente correcto", mas sem dúvida que são assuntos que ainda precisam muito de ser discutidos.
Radical, Abril de 2022, 36 págs., impresso a cores em papel de 160g. (capa) e 80g. (miolo), 9,8x9,8cm.

18 janeiro 2026

Não 'tavas lá?!

Não 'tavas lá?! é uma banda desenhada de Marcos Farrajota que acompanha o DVD documentário sobre a 15ª edição do SWR - Barroselas MetalFest. Não 'tavas lá?! é o nome de uma série de tiras de bd sobre crítica a concertos, publicadas ao longo do tempo em revistas como a Rocksound, Underworld: Entulho Informativo e também em vários fanzines.
Marcos Farrajota foi convidado pela organização do SWR para fazer a cobertura da 15.º edição do Festival e o resultado é bastante surpreendente, pois não temos um registo hagiográfico sobre os méritos e virtudes do Festival realizado em Barroselas, nem sobre as bandas participantes no mesmo.
A banda desenhada vai narrando as vicissitudes da viagem do autor para Barroselas, várias considerações sociológicas sobre os frequentadores de festivais, a logística e organização, o convívio à volta de um jogo de futebol e lá mesmo para o fim, como extra, surgem uns apontamentos telegráficos sobre alguns artistas e concertos realizados durante o Festival.
Estas bandas desenhadas foram posteriormente republicadas no livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology.
Não 'tavas lá?! , 2013, 24 págs, offset a preto & branco, 12,5x18cm. Edição: SWR Inc.

16 janeiro 2026

Tupilak / Cabina

Como vem sendo habitual nas publicações de Oscaralhinho, não existe qualquer traço identificativo: título, autor, data de publicação, nem qualquer tipo de texto que forneça alguma pista sobre o trabalho. Após questionar o autor, referiu que "não há nenhum título oficial para a publicação, mas tenho-a guardada digitalmente com 2 nomes: tupilak e cabina."
O papel craft confere uma tonalidade telúrica aos desenhos provindos de tempos e mundos antigos. Os elementos da natureza, os animais e as plantas, o campanário a ecoar as matinas e as trindades, pautando a jornada de trabalho, as preces e superstições, rodopiando lentamente em redor das montanhas cobertas por um manto de bruma e silêncio.
Os desenhos nunca são definidos nem reveladores, os pontos e traços velozes captando a impressão fugaz, conservam o mistério de outrora; as manchas indefinidas vão compondo um horizonte de tradição e ascensão espiritual, em confronto com a alienação do mundo moderno.
Tupilak / Cabina, 2024, 16 págs, impresso a preto sobre papel craft, 14x20cm. Porto.

15 janeiro 2026

Even Gravediggers Read Playboy

Even Gravediggers Read Playboy foi a publicação de estreia da chancela Opuntia Books de André Lemos, comemorando-se este mês os 20 anos passados desde a edição inaugural. 
Notou-se desde logo um  notável esmero artesanal na produção de cada exemplar, que será uma característica constante das edições da Opuntia. Além da numeração, da assinatura e do carimbo da editora, cada exemplar está "autenticado" com uma estampilha fiscal de inícios do séc. XX, tornado cada exemplar único e irrepetível (o meu é o #00030).
Nesta publicação, André Lemos utiliza como suporte o papel de 25 linhas, o epítome do formalismo burocrático nacional, subvertendo-o com humor e distorção, inscrevendo os seus idiossincráticos desenhos a tinta da china e as desconcertantes frases manuscritas em inglês.
Nas páginas centrais, é incluída uma folha de papel vegetal impressa com o que parecem ser os apontamentos sobre a planificação desta edição.
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD: "São desenhos soltos, que não obedecem a nenhum critério ou tema ou estruturação a não ser a plena vontade das mãos de André Lemos, que por vezes me parecem ser criaturas com vida própria. Para os fãs do seu trabalho, estes são desenhos já de si mesmo narrativos (com as costumeiras frases à la hasard mas que, queira o Santo Bourroughs, nos conduzirão a territórios de histórias submersas no absurdo e na estranheza de quem vive alerta ao mundo) e com as forças plásticas da sua tinta da china que se espalha em todas as direcções."
Após um longo hiato sem publicar nada entre 2011 e 2021, André Lemos reactivou a Opuntia Books, regressando mais determinado e activo do que nunca, projectando-a como uma das mais relevantes editoras fora da norma a nível mundial. Muitos parabéns!!
Even Gravediggers Read Playboy, Janeiro de 2006, 32 págs, fotocópia a preto sobre papel azul de 25 linhas; capa em cartolina; folha central fotocopiada a cores sobre papel vegetal, 14,5x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-001].

14 janeiro 2026

Morder a Mão que Dá de Comer

TETRATELES publicou este pequeno fanzine desdobrável em oito partes, que depois de completamente aberto, apresenta um poster com um desenho do cão com a mão decepada na boca.
Normalmente, a expressão "morder a mão que dá de comer" refere-se a um sinal de ingratidão com quem nos faz bem. Neste caso, o cão saliva e fantasia morder a mão do dono, mas tem que contentar-se com a ração seca. Até ao belo dia em que não conseguirá resistir à tentação da carne.
Morder a Mão que Dá de Comer, Dezembro de 2024, 8 págs, impresso a preto em papel amarelo, 10,5x14,5cm (aberto 28,5x42cm).

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