19 agosto 2026

Enfarta Brutos

Enfarta Brutos #0
Enfarta Brutos é um pequeno fanzine da autoria de Tetrateles, que começa com uma criativa divagação desenhada sobre os dilemas existenciais do artista / desenhador e as suas ansiedades e sentimentos de culpa: "ou por me isolar para desenhar ou por não desenhar!"
A reflexão sobre os momentos de desmotivação no desenho e na escrita e na constatação que para uma obra ter qualidade e obter reconhecimento público, implica esforço e preparação sobre o que se vai escrever e desenhar antes de começarmos a fazê-lo.
No final do fanzine são apresentadas duas pequenas histórias: - uma sobre a falta de vontade de ir para o ginásio e a aversão ao esforço físico e aos berros motivacionais dos treinadores. A outra, brinca com humor e sentido lúdico com a analogia entre a cadeia prisional e a quadrícula do papel.
Este fanzine tem distribuição gratuita, sendo possível contactar o autor através do endereço electrónico: tetrateles88@gmail.com.
Enfarta Brutos #0, Setembro de 2024, 20 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 10,1x14,2cm. Tiragem: 33 exemplares.

Enfarta Brutos #1
Resenha escrita por M.F. e publicada no jornal A Batalha n.º 303, de Dezembro de 2025: "Talvez seja sinal de maturidade da BD falar dela própria. Ou dos autores exporem as suas dúvidas existenciais. Se calhar estas BDs poderiam estar num volume da antologia Massa Crítica... Depois de um número zero, eis um Tetrateles a avançar na sua carreira de BD, com todo o sarcasmo - acompanhado por um coro de gato e cão a gozarem com a cara do ser humano - a largar os seus dramas de artista em dúvida para ir conquistando uma confiança para criar BD. Estranho mundo o nosso, com tanta merda a acontecer e os artistas sem saber o que contar... Já a convidada especial deste zine, a Beatriz Brajal, faz um teatrinho com figuras de cerâmica do período Olmeca (900-600 a.c.), para gozar de alto e com nudez com as ânsias de fim de mundo."
Enfarta Brutos #1, Abril de 2025, 40 págs, impresso a preto sobre papel reciclado; capa em papel colorido, 13x18cm. Tiragem: 44 exemplares.

Enfarta Brutos #2

O convidado para participar neste Enfarta Brutos é André Pereira, que contribui com a banda desenhada 'Dream Journal - 17 Nov, 2025' num registo diaristico surreal. Por seu lado, Tetrateles apresenta três pequenas histórias, começando com 'Enfarta Brutos' onde os animais adquirem comportamentos humanos e exibem também as piores características das pessoas.
A segunda bd intitula-se 'Eremita', muito bem conseguida em termos narrativos no tocante ao texto e ao desenho, afigurando-se como um dos trabalhos mais conseguidos de Tetrateles.
Ao longo da publicação surgem diversos desenhos soltos a servirem de separadores, terminando com a prancha 'Magia'.
Enfarta Brutos #2, Dezembro de 2025, 28 págs, impresso a preto sobre papel reciclado; capa em papel colorido, 12,8x18cm. Tiragem: 44 exemplares.

18 agosto 2026

D.Flagra

Fanzine de cariz punk libertário, que funciona como repositório em papel do conteúdo publicado anteriormente no blogue.
Neste número, há alguma banda desenhada, apelos à mobilização pelos arguidos da Fontinha, artigos sobre direitos de autor e pirataria, notícias breves sobre eventos e novas edições, manifestos e poemas punk e alguns contactos.
"DYE or DIE, opção ou onda?" foi o tema da 1.ª Tertúlia Punk realizada na CasaViva em Janeiro de 2013, da qual se publica um breve relato.
Também existe espaço para as entrevistas às bandas Dokuga, Dead By Pregnancy e aos Eskizofréncos. 
D.Flagra, Abril de 2013, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,8x21cm. Porto.

10 agosto 2026

Viriatvs

Fanzine editado pelo histórico GICAV de Viseu, destacando neste nono número a realização do Encontro Nacional de Bedetecas. No editorial, Carlos Almeida reitera a ideia que Viseu voltou a ser a capital nacional da banda desenhada, mas apesar disso, anunciam-se nuvens negras no horizonte - o próximo número do Viriatvs poderá ser o último, devido à falta de apoios públicos.
Não deixa de ser surpreendente o número de bedetecas e fanzinetecas existentes em Portugal, o que poderá ser um indicador do dinamismo do sector e do crescimento do interesse nestas temáticas.
Esta edição denota uma linha editorial típica de bedéfilos da velha guarda, de vincado gosto clássico, dando destaque a autores como Romain Hugault, Vicente Segrelles e Luis Royo. O primeiro álbum em destaque é 'O Corcunda de Notre Dame' de Georges Bess, autor especializado em adaptações de clássicos da literatura.
Apresenta-se também o obituário do autor francês Christian Godard ('O Vagabundo dos Limbos', 'Os Dossiers Arcanjo', etc.), falecido aos 92 anos de idade.
Publica-se uma bd de duas páginas, desenhada por Carlos Rico e texto de Ana Sofia Poeiras, de teor educativo ambiental.
Partindo de uma referência feita na Revista do jornal Expresso por Clara Ferreira Alves, comparando Luís Montenegro ao personagem tintinesco Oliveira da Figueira, António Martinó corrige e esclarece que o personagem é bastante mais complexo do que a descrição apresentada pela colunista.
O segundo álbum em destaque é 'Ar-Men: O Inferno dos Infernos' da autoria de Emmanuel Lepage e publicado pela Ala dos Livros.
As derradeiras páginas são dedicadas a algumas notícias sobre o Festival de BD de Beja, a 'Grande Festa do Tex' e a exposição itinerante e as publicações celebratórias dos 500 anos de Camões.
A capa e outras ilustrações de Viriato são da autoria de Daniel Almeida.  
Viriatvs #9, 2025, 28 págs, offset a cores, 21x21cm. Edição: GICAV. Viseu.

06 agosto 2026

88

Esta é uma publicação significativa, pois assinalou os cinco anos de existência do fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) e inaugurou as edições da Associação Chili Com Carne. É significativa na medida em que marcou uma viragem no estilo editorial e gráfico do MdC: - é um volume monográfico, com uma história conclusiva, impresso em offset e com um arranjo gráfico com design bastante vincado.
Ao passo que os anteriores números do MdC eram fotocopiados, esta edição surge impressa em gráfica, com capa a duas cores e miolo em papel reciclado.
O formato adoptado ao estilo do comic book e o grafismo moderno de Pedro Brito, transformam completamente a imagem gráfica anterior do fanzine, conferindo-lhe um ar moderno e com design inspirado nas tendências emanadas pelas revistas Ray Gun e Emigre, também influenciadoras do grafismo do portuense Quadrado.
Mas esta edição é significativa principalmente porque apresenta um notável novo autor de banda desenhada - Nunsky.  
Nunsky tinha já participado em números anteriores do MdC com diversas bd curtas de temática Punk'n'Roll (participou nos MdC #4, #7 e #8). Segundo o editor, neste volume "as influências de Charles Burns ou de Love & Rockets poderão ser óbvias, é certo, no entanto nunca foi feito um trabalho deste tipo, uma catarse de amor psycho-punk-goth, regada de referências de Série B. Uma estória de uma banda obscura cujo vocalista sofre de alcoolismo e obsessão psico-patológica por um amor impossível. Os ambientes de concertos suados, violentos e brutais, bem como da vida urbana são minuciosamente gritados acompanhados por uma bateria narrativa perfeita."
As referências apontadas são certeiras, às quais se pode acrescentar, entre outros, o 'Peter Pank' de Max, o desenho de Raymond Pettibon, o estilo visual e os registos fotográficos de bandas como os Bauhaus, Sisters of Mercy, Cramps, e toda a ambiência urbana gótica depressiva.
Ao regressar a esta publicação, volvidos cerca de trinta anos, redescubro com prazer algumas das mais memoráveis páginas da bd nacional.
88, Outubro de 1997, 40 págs., offset a preto & branco; capa a duas cores, 17x23cm. Edição: Chili Com Carne / FC Kómix [MdC #13].

31 julho 2026

Fim de Emissão

Publicação que reúne a série de 12 cartazes concebidos por André Lemos para o ciclo de programação musical "Fim de Emissão", organizado pela Nariz Entupido - entre Abril de 2025 e Março de 2026. Aqui, os cartazes surgem despojados da informação habitual: artistas, data e hora, local e organizador e os desenhos apresentam-se numa sequência diferente da original, assumindo novas e diferentes leituras.
No blogue Mesinha de Cabeceira foi referido que "o que seria normal era a publicação reproduzir os cartazes como eles são e ficarmos com um arquivo, ponto final. Mas o André tem vindo a brincar - aliás, sempre brincou - ao "DJ das imagens" como se tem testemunhado com os Opuntias intitulados de Reforma. Se o seu trabalho sintetiza surrealismos e vanguardas mortas com que ele ressuscita como um Comissário de Arte em Ácidos - LOL - quando pega nos seus desenhos e ainda os remonta é preciso apreciar os resultados com calminha... ufa! Neste "Fim de Emissão", menos radical, Lemos decide isolar os elementos do cartaz, os desenhos, o título do ciclo (e sua respetiva numeração) e o nome dos artistas ou dos espectáculos, separando-os e colocando em secções de forma a que os desenhos respirem e a informação exista na mesma."
Fim de Emissão, Junho de 2026, 28 págs, risografia a preto e amarelo; capa em cartolina amarela, 16,8x23,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Nariz Entupido.

29 julho 2026

Dead Doll House

Dead Doll House #3

Partindo do problema da contemporaneidade, sintetizado através das ideias de ruína e de saturação, décadas acumuladas de escombros, mentiras e falsas promessas, e assumindo a lógica específica do fanzine, Dead Doll House apropria-se de uma linguagem construída com recortes, pilhagens, colagens, buscando uma certa reconfiguração visual da percepção.
Rafael Gouveia assume que esta publicação vai manobrando "num certo 'affichismo' orientado para uma maximização do sentido de toda a matéria escrita-visual".
Produto do tédio citadino, de uma juventude inquieta, aditivada a tabaco, café e vapores etílicos nocturnos, o Dead Doll House usurpa imagens de revistas, absorve fotografias a preto e branco e aplica-lhes uma legenda (na onda de Jenny Holzer), em inglês ou em português, ou então as directivas dos 'The Ten Commandments of Gilbert and George', assumindo inteiramente as premissas intrínsecas ao renascido artista drástico.
Dead Doll House #3, Março de 1999, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Cascais.

Dead Doll House #5
Este número é um "especial modelos" e o conteúdo constitui um olhar crítico sobre o mundo da moda e dos modelos fotográficos. Dead Doll House assume-se como o órgão oficial dos artistas drásticos, tendo Rafael Gouveia na direcção artística.
Sucedem-se diversas imagens de manequins femininas típicas dos anos 90, acrescentadas com balões de diálogo ou pensamentos completamente inusitados e descontextualizados, em forma de estranha fotonovela.
Rafael Gouveia utiliza extensamente a técnica do "détournement" para subverter o significado primário das imagens carregando-as com ironia laminosa e humor corrosivo.
Amália Rodrigues surge nas páginas centrais como Amália morta, numa espécie de homenagem por altura do seu falecimento.
No entanto, o conteúdo mais interessante deste quinto número do Dead Doll House é o respectivo editorial e também a reprodução do Comunicado n.º 1 da Frente Fanzinistica Internacional - Comando Operacional de Lisboa.
Dead Doll House #5, Maio de 2000, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Lisboa.

28 julho 2026

Welcome

Joana Pardal apresenta Welcome como "a zine that will guide you through the mists of space and time. Attention: you might feel nauseous."
Escrito em inglês em frases curtas e misteriosas, que vão insinuando uma deriva através de uma paisagem onde parece que vislumbramos o verde luxuriante da vegetação, o azul tenso do mar e a terra queimada pelo Sol. Mas tudo isto pode não passar de uma ilusão, um delírio de alguém que anda perdido, sem conhecer as coordenadas, uma demanda espiritual, numa viagem incerta, com destino a lugar nenhum. 
Welcome, Julho de 2021, 24 págs, risografia a cores, 14,7x20,8cm. Tiragem: 30 exemplares.

27 julho 2026

Mofo

Mofo - Magazine Outsider publica neste terceiro número, textos, entrevistas, projectos e divagações em torno do tema 'a noite'. Um excerto do livro 'A Noite em Arquitectura' de Jorge Figueira lança as coordenadas espaciais em torno da crise sistémica da crítica - a pós-crítica.
As memórias mais ou menos longínquas de Antonieta Correia desde a sua chegada a Oliveira de Frades e as muitas histórias passadas ao longo dos anos são desfiadas ao sabor de um sorriso tocante.
A abrir e a fechar o Magazine, publica-se um projecto foto-sequencial, inspirado na obra 'La Jeteé' de Chris Marker.
'A Noite o que é?', serve de título a um conjunto de textos publicados ao longo de três anos nos blogues 'Aviz' e 'A Origem das Espécies', dentre os quais Francisco José Viegas seleccionou alguns fragmentos para serem publicados nesta edição.
Há também uma entrevista meia caótica a dois dos fundadores de 'A Colmeia', um dos primeiros espaços de diversão nocturna de Oliveira de Frades.
A terminar, 'Pago Mil Euros a Quem me Der um Beijo' reunindo um conjunto de quatro poemas da autoria de Tiago Rodrigues.  
Mofo #3, Inverno de 2011, 16 págs, offset a duas cores, 27x27cm. Tiragem: 300 exemplares. Oliveira de Frades.

23 julho 2026

Borrão

Borrão é uma publicação mensal dedicada à banda desenhada. As editoras Matilde Feitor e Emília Silva assumem o desafio de levar a bd para a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, convidando alguns colegas para colaborarem neste projecto.
Cada participante contribui com duas páginas, abrindo a sequência com uma bd concisa e acutilante de Emília Silva, baseada no livro 'Caim' de José Saramago.
As bandas desenhadas são bastante heterogéneas, umas escritas em português outras em inglês, algumas são mais poéticas, enquanto outras estão mais viradas para o humor. Os resultados são desiguais e surpreendentes, como seria expectável em trabalhos de muitos autores que não têm a prática habitual da banda desenhada.
Borrão #1, Fevereiro de 2026,  24 págs, impresso a preto sobre papel colorido, 14,3x20cm. Lisboa.

21 julho 2026

Shock

Shock #0
Primeiro número (experimental) do fanzine Shock, subordinado ao tema "O Chapéu" e os desenhos e bandas desenhadas têm como denominador comum a inclusão de chapéus.
Luis Beira dá o mote, escrevendo sobre os diversos tipos de chapéu e a sua utilização. Seguem-se diversas ilustrações por Luis Costa, Luis Nunes, Pedro Morais, Augusto Trigo, João Neves, Luvi, Artur Correia, José Ruy, Estrompa e Eugénio Silva e bandas desenhadas por Francisco Lança, José Abrantes, Hervé Chételat, Fernando Bento, Mitsushirato, Edgar Marcelo.
O fanzine encerra com textos de Geraldes Lino sobre o Festival de BD de Lisboa 83 e também sobre as actividades desenvolvidas pelo Centro Português de Banda Desenhada (CPBD).
Shock #0, Julho de 1983, 24 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 500 exemplares. Lisboa.

Shock #2
Neste número dedicado ao belga Edgar-Pierre Jacobs, a Tertúlia é aberta por Luiz Beira. Os célebres personagens Blake, Mortimer, Olrik são parodiados pelos seguintes desenhadores: Augusto Trigo, Artur Correia, Luis Louro, Vassalo Miranda, Estrompa, José Paulo, Luis Diferr, Rá, Renato Abreu, H. Carrilho e Rebelo da Silva.
Há também uma página com notícias breves sobre alguns acontecimentos relacionados com a banda desenhada nacional.
Segue-se uma entrevista (um questionário, mais propriamente) superficial e desinteressante ao Dr. Chaves Ferreira.
Termina com um artigo biográfico sobre Edgar-Pierre Jacobs escrito por António José Simões.
Shock #2, Novembro de 1989, 18 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm.,  Lisboa.

Shock #5
O quinto número do Shock surge renovado com um novo grupo de editores, constituído por Estrompa, António Simões, Luis Louro, Gisélia Lourenço e José Paulo. Este número é dedicado à dupla René Goscinny e Albert Uderzo e os diversos participantes homenageiam a sua principal criação - Astérix e Obélix. Há uma mescla de autores consagrados e de jovens emergentes.
Os autores dos desenhos e pranchas inspiradas na dupla de irredutíveis gauleses, são: Augusto Trigo, José Abrantes, Victor Borges, João Cabrita, José Pedro Costa, João Cabrita, Diniz Conefrey, Manuel Brum, Pepedelrey, Rui Lacas, Luis Louro, Francisco Legatheaux, Renato Abreu, José Paulo Marques, Hélder Carrilho, José Ruy e Estrompa.
Há também uma secção de notícias, referenciando a realização da Feira do Livro de Lisboa e principalmente o lançamento do primeiro número de LX Comics.
Segue-se um entrevista de perguntas e respostas directas a José Ruy e para finalizar, um texto assinado por Luis Filipe Sebastião, homenageando a dupla de criadores de Astérix.
Shock #5, Maio de 1990, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 120 exemplares. Lisboa.

Shock #9
O autor homenageado neste número é Hugo Pratt e o seu Corto Maltese. Contribuem com desenhos Augusto Trigo, Marina Palácio, Xanxa Cabrita, Guima, João Fazenda, Rui Lacas, Luís Louro e Ricardo Blanco.
Há também diversas banda desenhadas curtas como 'Balada do Ego Falhado' de Pepedelrey, 'Porto Maltês' de Brum, 'O Perfume do Sonho' de José Abrantes, uma crise de inspiração desenhada por Irene Trigo, a divertida 'Tosco Malteze' de Estrompa, e 'Histórias de Aventureiros por Lisboa' por José Paulo.
Depois dos cartoons e das bd, apresenta-se uma página com frases curtas, onde os autores expressam as suas opiniões pessoais sobre Hugo Pratt e a sua obra.
Segue-se uma entrevista rápida e incisiva a Vasco Granja. Para terminar, Pepedelrey pubica o texto 'Um Pratt Salgado, Por Favor'
Shock #9, Junho de 1991, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel de cor, 21x29,7cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #13
Em véspera de comemorar uma década de existência, este número é inteiramente dedicado a homenagear o autor Enki Bilal. Participam com desenhos e bd, inspirados na obra do autor nascido na antiga Jugoslávia, os seguintes autores: Deodato, Estrompa, João Fazenda, Manuel Brum, José Ramalho, Pepedelrey, Miguel, Pedro Brito, Ricardo Blanco, Tozé e Rui Abrantes. Maré participa com uma pequena biobibliografia de Bilal.
O desenho inserido na capa é da autoria de Miguel, a maqueta e o arranjo gráfico é de Estrompa. A composição ficou a cargo de Sofia Cruz e de Ana d'Almeida.
Shock #13, Fevereiro de 1993, 20 págs, offset a 2 cores, 21x29,7cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #18
No editorial, Estrompa assinala que o Shock venceu o prémio de melhor fanzine no Festival Amadora BD pelo segundo ano consecutivo. Jorge Margarido é o autor de duas bd, ambas em tons negros e desfechos trágicos. 
"Breve História dos Heróis de Banda Desenhada no Cinema", é um breve apanhado de filmes protagonizados por personagens de bd. Por seu lado, Tozé Lopes publica o quarto tomo da série "A BD e a Música".
Rui Gamito assina "Dente por Dente" um bailado ao ritmo de tiros e execuções sumárias, em estilo Cães Danados anos 20. "A Sede do Mal" é outra aparição de Gamito em estilo gangster performativo.
Nas páginas centrais, surge o suplemento "Café no Park", em papel tipo jornal, publicando uma crónica de M.A.L.S., e pranchas de Amadeu Pinto, Estrompa, M. Jorge com uma história de Leopoldo já publicada em O Piolho #2.
Ana Branco retoma uma bd com gaivotas, Tejo e ponte ao fundo, publicada anteriormente no Boom #2.
Carlos Gonçalves disponibiliza um detalhado artigo sobre o famoso detective Dick Tracy, também transposto para o cinema.
Nas últimas páginas, é publicada 
"Fraternidade" um episódio de guerra em bd muda e negra, da autoria de Vitor Borges e Paulo Moreiras.
Shock #18, Fevereiro de 1996, 36 págs, impresso a preto & branco, 20,5x27,5cm., Tiragem: 100 exemplares. Lisboa.

Shock #27
O Shock completamente mergulhado em estilo noir, pelas mãos de Estrompa e de José Lopes. O cenário é a América mitificada dos gangsters e das mulheres fatais, gente ambiciosa e gananciosa sem escrúpulos ou moral.
São publicadas as bandas desenhadas "Ciúme" e "Vingança Macabra" e "O Destino Escreve-se Por Linhas Tortas", por Estrompa e José Lopes.
Há ainda o texto "Balada para 3 Defuntos" escrito por Arold Rubins, "Mulheres nu Shock" por Apolinário S. e "Pesadelo" por Pérce Vactiv.
Shock #27, Dezembro de 2007, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 19,6x27,2cm. Lisboa.

20 julho 2026

Utopia Platafórmica


A Utopia Platafórmica foi criada em Setembro de 2019, iniciando-se com a criação do blogue e a consequente presença nas redes sociais.
O passo seguinte foi o lançamento de Abasy, um fanzine focado quase exclusivamente na cena portuguesa black metal dos 90. Após a edição de dois números, o projecto revelou-se demasiado restrito e foi criado o Rock em Chamas (homenagem aos programas radiofónicos 'Rock em Stock' e 'Lança-Chamas), abarcando um espectro musical mais abrangente que ia do heavy metal mais extremo, ao punk/oi! mais aguerrido, passando por sonoridades mais 70s. Diversas vicissitudes impediram o lançamento em formato físico, pelo que o Rock em Chamas limitou-se à edição online.
Depois destas experiências, estavam lançadas as bases para a criação de Utopia Platafórmica, que pretendia "partilhar opiniões, novas – e velhas – descobertas, ter a oportunidade de colocar questões a músicos que, com o seu trabalho, me transmitem algo, e fazer toda essa informação chegar a vós!
Não se procura reinventar a roda ou esquematizar todo o género do Heavy Metal, nem sequer dar "lições" sobre A ou B. Num género musical tão vasto como aquele em que nos inserimos, a diversidade é, mais que presente, desejada! Seja evolução musical ou um recuperar de velhas premissas, por estas páginas passarão bandas novas e velhas, músicos de hoje e de ontem… um pouco daquilo que a mim me faz SENTIR. Ao contrário do blogue, este fanzine será (quase) exclusivamente dedicado ao Black Metal, dos 80 aos dias de hoje, seja a Música ou a perspectiva dos músicos acerca do género e de toda a "estrutura" do mesmo."
A base desta edição materializa-se em cinco questões, colocadas a cinco músicos de black metal. Cinco perspectivas diferentes da mesma realidade. As bandas entrevistadas são: Conjuro (Espanha), Forbidden Tomb (Tailândia), Funeral Fullmoon (Chile), Grievance (Portugal) e Nuit Noire (França).
Utopia Platafórmica #1, Outubro de 2020, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 30 exemplares. Porto.

18 julho 2026

O Meu Gato Morreu e as Estrelas Também

O Meu Gato Morreu e as Estrelas Também é uma banda desenhada da autoria de Ruim (Rui Monteiro), tendo como substracto o sentimento de tristeza e de perda relativamente a um gato. A história é também atravessada por diversos momentos de dúvida na fé católica - Jesus Cristo acaba por surgir numa breve aparição, mas mesmo ele não resolve cabalmente os dilemas espirituais.
As marcas evidentes da juventude solitária, as crises existenciais e os estados depressivos, a comida e os videojogos, pairando 'One Step Closer' dos Linkin Park como música de fundo.
Apesar do tom geral da história, há também uma sensação geral de irrisão e de desvario divertido.
O Meu Gato Morreu e as Estrelas Também, Outubro de 2024, 16 págs, impresso a preto & branco, 16x22,5cm.

16 julho 2026

Ode Lusitana


Ode Lusitana é um fanzine de divulgação do metal português, apresentando neste número uma entrevista com Victor Matos, guitarrista e fundador da histórica banda portuense Web. A outra entrevista é realizada a Lunah Costa, promotora da iniciativa Headbang Solidário, que através da música apoia várias causas sociais, e da Cthulhu Productions.
São publicadas também diversas notícias breves sobre concertos, lançamentos discográficos e outros eventos, tais como The Unborn Fest, Sonneillon BM, Brutal Brain Damage, Dark Oath, Dethmor, Thorvus, H.O.S.T, Toxic Attack e Gorgásmico Pornoblastoma.
Ode Lusitana #13, Março de 2016, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm.

15 julho 2026

Sinfonia do Oculto

Depois da anterior abordagem ao deathrock, Miguel Moreira regressa aos fanzines prestando homenagem ao gothic rock.
Apresentando como epígrafe "Para os que procuram o preenchimento da alma pela obscuridade..." o fanzine Sinfonia do Oculto move-se nos ambientes do gótico e das sonoridades mais sombrias. A porta de entrada é aberta por Edgar Allan Poe, sendo referenciada a sua influência no universo gótico.
Seguem-se diversas biografias resumidas de bandas musicais do espectro do rock gótico nos anos 80 e 90 do século passado, algumas relativamente reconhecidas como Madre Del Vizio, Love Like Blood e Faith and the Muse. Há referência também para outros conjuntos musicais mais obscuros e com existências meteóricas como os Seraphin Twin, Preachers of Twilight, Restoration, Pictures of Agony e Altered States.  
Sinfonia do Oculto, Fevereiro de 2026, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 14,8x21cm. Porto.

14 julho 2026

Cult Pump

Cult Pump apresenta na capa uma janela circular cortada à mão, que deixa entrever uma explosão, um big bang que se estilhaça em mil direcções. Os desenhos e pinturas do dinamarquês Zven Balslev são surpreendentes, surrealistas, divertidos e tanto apresentam uma finalização primorosa como podem ser quase esboçados. Além dos nomes referenciados infra por Pedro Moura, vislumbra-se também em alguns desenhos de Zven Balslev, evidentes afinidades com o trabalho de André Lemos.
Como é apanágio das esmeradas edições da Opuntia Books, esta publicação contém como extra um mini-zine A6 de 8 páginas, impresso a laser, vindo fechado num pequeno envelope Firmo.
No blogue LerBD foi referido que Cult Pump "faz pensar no que teria sido se Philip Guston tivesse continuado na exploração da fragmentação das figuras da sua fase mais tardia. O martelo da capa parece ser não apenas um comentário mas uma explicação do que se encontra no seu interior: os restos de imagens anteriormente completas, as vítimas de uma qualquer violência que não conseguimos identificar e somente temos o prazer, ou o horror, de contemplar os resquícios deixados atrás, os quais, todavia, já prometem leituras diversas. A associação a nomes tão dispersos como os de Dice Industries ou Sue Williams é inevitável, na procura de uma cartografia de significado."
Cult Pump, Maio de 2009, 36 págs, impresso a laser sobre papel branco 100 g.; capa em papel Guarro Iris Gualda 185 g., 15,3x21,4cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0013].

13 julho 2026

Coloring Book For Kids and Young Souls

Esta publicação foi realizada no contexto das exposições 'Paradoxo dos Gémeos' realizadas na Appleton Box em Lisboa, e no Espaço Pontes no Fundão, com o apoio da Fundação Carmona e Costa. O livro de colorir (para crianças e almas jovens), consiste simultaneamente numa espécie de meta-catálogo de trabalhos seleccionados de João Marçal, realizados ao longo de mais de duas décadas de actividade artística.
O título da exposição 'Paradoxo dos Gémeos”, serve de enquadramento conceptual para as complexidades temporais em debate. Originalmente, este 'paradoxo' proposto por Paul Langevin em 1911, revela consequências desconcertantes a partir da dilatação temporal prevista na Teoria da Relatividade Restrita de Einstein (1905).
A ideia geral da exposição tem novamente o seu epicentro nas inquietações anacrónicas, intrínsecas à relação do artista com a obra que desenvolve ao longo dos anos.
Neste volume para colorir há composições completamente gráficas, com figuras geométricas e representações de logotipos sobejamente conhecidos de marcas comerciais. Outras composições funcionam como um mantra, com múltiplas repetições do mesmo motivo ou signo. 
Parabéns à Palpable Press pela excelente edição deste volume, possibilitando uma nova abordagem, lúdica e luminosa, ao trabalho de João Marçal.
Coloring Book For Kids and Young Souls #1, Maio de 2026,  24 págs, offset a preto & branco: capa a duas cores, 16,5x23cm. Edição: Palpable Press.

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