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24 maio 2026

Terminal

Terminal #0
O número inaugural do Terminal teve o formato de uma folha A3 dobrada em tamanho A5. Na apresentação do programa do fanzine, constava a vontade de constituir um espaço de divulgação de banda desenhada, ilustrações, caricaturas, textos, poemas e também alguma informação e entrevistas.
A ilustração da capa é da autoria de José Carlos Fernandes. Também é publicada "A Noite de Núpcias", um pequeno storyboard de Fernando Madeira para uma campanha antitabagismo.
Abrindo totalmente a folha, surgia um poster a anunciar a bd "De Trute Ise Aute Der.", uma história de Cris Carteiro e desenhos de Fernando Madeira.
Terminal #0, Verão de 1998, 4 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #14
No seguimento das edições anteriores, também este número é dedicado ao Caos. A abrir, um desenho de Phermad, seguido de uma banda desenhada de Teresa Câmara Pestana, discorrendo sobre as vantagens da solidão, comparativamente com a companhia de certos amigos.
A banda desenhada mais extensa é "My Name is..." de Oljaca Mladen sobre um repórter farto do bulício da grande cidade, que parte em direcção à província, à procura de ser surpreendido por novas histórias.
O brasileiro Laerçon apresenta uma prancha preenchida com uma história de violência gratuita.
As páginas centrais são preenchidas com um desenho / poster de José Carlos Fernandes, que é altamente prejudicado pela digitalização, que pixelizou exageradamente todos os traços do desenho.
Serafim assina o desenho da capa e também um cartoon. Depois, o autor macedónio Zlatko Krstevski publica três pranchas, exibindo cada uma delas um estilo gráfico diferenciado.
"This is Generation" e "Desacontecimentos" são vislumbres dos problemas candentes no virar do século, apresentados por Aranha. A terminar, um desenho de Marcuse. 
Terminal #14, 2002, 20 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #15
Nesta fase, o Terminal estava já convertido em publicação anual e este número é composto maioritariamente por trabalhos relativamente antigos dos participantes. A capa e algumas páginas do interior são da responsabilidade de Vitor Hugo.
A conexão alemã de Teresa Câmara Pestana continua a valer pontos, pois alguns dos melhores trabalhos são de autores germânicos, destacando-se Wittek com duas excelentes bandas desenhadas - uma envolvendo extraterrestres que querem conquistar a Terra com feixes de raios transformadores, nazis zombies e turistas japonesas em trajes menores, tudo em delirante balbúrdia.
Mas há mais: desenhos avulsos de Maurício Tadeu e de Leonel Perna, bonecos Transformers de Luis Correia e vários textos de Clai.
Por seu lado, Teresa Câmara Pestana contribui com quatro pranchas, enquanto Diogo Carvalho disponibiliza uma prancha do seu "Herói Lusitano" em estado de necessidade.
O brasileiro Laerçon publica duas bd divertidas. No mesmo registo, Serafim também acrescenta duas páginas de bd e cartoon com bom humor.
As últimas páginas são compostas com desenhos de José Carlos Fernandes.
Terminal #15, 2004, 44 págs., fotocópia a preto & branco, 13,5x18,8cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

T25A
Edição comemorativa dos 25 anos de existência do Terminal. Lançado inicialmente no Verão de 1998 por Terminal Studios - Núcleo de BD e Animação do Algarve, com o apoio da Delegação de Faro do IPJ, após um longo interregno, o fanzine de BD Terminal regressa em 2023 para assinalar o seu quarto de século, convidando 49 participantes oriundos de Portugal, Alemanha, Bélgica, Espanha e Marrocos.
Sob os temas Festa / Liberdade Criativa, este número é dedicado ao grande entusiasta da BD, Geraldes Lino, falecido em 2019. T25A foi coordenado por Terminal Studios e Drmakete, incluindo trabalhos de texto, desenho e ilustração da autoria de: Miguel Saial, Jorge Oliveira, Nuno Beato, Paulo Monteiro, Sara Glória, Daniel Maia, Vitor Hugo Rocha, Tiago da Silva, Maria João Levita, Ruben Botelho, Paulo José Martins / Paulo Viegas, Alexandra Pratas, Alice Magalhães, Luci, Leonel Perna, Marta Castro, Ana Lu, Suse, Bruno Boto da Cruz, José Carlos Fernandes, Nuno Murta, Serafim, Filipe Coelho.
As bd apresentadas neste número comemorativo foram criadas por: Phermad, Axel Blotevogel, Xavier Almeida, Martina Meier, João Pinto, Diogo Carvalho, Paulo D'Alva, Andreia Rechena, Paulo Montes, Carlos Rocha, Teresa Câmara Pestana, Joana Dias, Markus, Luís Guerreiro, João Mascarenhas, Oli Gfeller, Paulo Silva / Rui Alex, Marco Fraga da Silva / Rafael Antunes, Guifo, Hugo Vieira da Silva, Wittek, Inocência Dias, Inês Alecrim.
Como seria expectável numa publicação com estas características e com esta dimensão, os trabalhos são muito variados e alguns perdem alguma da sua força, devido à impressão a preto & branco, uma vez que originalmente foram elaborados a cores. Destaque especial para a excelente bd "Chocas" de Teresa C. Pestana. Com nota elevada também para "Uma Linda Quadra" de Luis Guerreiro, para "A Festa" da dupla  Marco Fraga da Silva (texto) e Rafael Antunes (desenho) e "Mandamentos Canalhas" de Guifo.
T25A, Junho de 2023, 124 págs., fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: TerminalStudios. Faro.

Terminal #T24E
Esta edição compila um conjunto de bandas desenhadas anteriormente publicadas no BDjornal #27 lançado em Maio de 2011, onde o Terminal foi o fanzine convidado. Esta reedição constitui também uma homenagem ao editor Jorge Machado-Dias (1953-2020) responsável pelo 
BDjornal e editor da Pedranocharco.
São publicadas seis bd curtas de Xavier Almeida, com argumento de Kaja Sirok, sobre o Sr. Kovac e o seu estranho emprego na empresa Missed Calls Center. Filipe Coelho apresenta 'Era uma vez...' um mergulho nos mistérios edílicos e insinuantes da floresta pouco encantada. Phermad elabora uma história de cariz mais político, incidindo sobre o acesso ao ensino, os vícios do funcionalismo público e as atitudes ditatoriais. Diogo Carvalho transporta-nos para um futuro próximo onde o papel foi banido e a sua utilização criminalizada.
'Bobi' é um cão protector de uma criança, numa história de mistério e suspense composta  em 3D por Rodrigo Machado (argumento), Filipe Messias (escultura) e Luís Correia (fotografia).
A última bd é 'As Crónicas de Martim Nunes' por Nuno Sarabando, uma fábula de matriz histórica da época da fundação de Portugal.
Terminal #T24E, Outubro de 2024, 20 págs., impresso a preto & branco, 14x20cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Drmakete / Terminal Studios. Faro.

18 julho 2025

Mesinha de Cabeceira

Mesinha de Cabeceira #0
O fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) começou a ser editado em 1992 por Marcos Farrajota e Pedro Brito, pelo que comemorou 30 anos de existência em 2022.
Este número inaugural, apresentava como temas o Outono e as aulas, pois a estação era o Outono e a malta do fanzine era jovem e com o fim das férias de Verão ia regressar às aulas. O MdC pretendia adoptar um tema para cada edição, mas ia logo avisando que havia flexibilidade relativamente a esta matéria, o que foi bastante sensato - eles eram jovens, mas não eram tontos!
São apresentadas bd de Marte e Pedro Brito, de Rui Lacas e de Miguel Falcato.
Na vertente de divulgação musical, é publicada uma entrevista a uma banda completamente desconhecida com o nome de "Coca Cola Mentol & Conflitos".
Na rúbrica "Críticas Crípticas", Arlindo Horta escreve uma resenha sobre a novela gráfica "Arkham Asylum" de Dave McKean.
Na secção de notícias curtas "Rapidinhas", uma vez que não se consegue alinhavar nada sobre os The Smiths e sobre o filme "Naked Lunch" de David Cronenberg, falam sobre a morte iminente de um super-herói da DC Comics e também sobre o concurso de cartoon Amadora/92.
Também são publicados textos "incoerentes e marados" da amiga Ana.
Conheço o MdC praticamente desde o início e é um fanzine muito especial para mim, uma vez que acompanhou em simultâneo o meu crescente interesse por publicações amadoras. Fui assistido às suas diversas mutações: fanzine colectivo, outras vezes monográfico; da fotocópia à serigrafia; do preto & branco à impressão a cores; os vários tamanhos e formatos, os diversos tipos de papel, autores portugueses e estrangeiros... Ao longo de mais de 40 edições, o MdC apresentou-se sempre diferente, mas com uma notória evolução no trabalho de edição e publicação a cada novo número.
Muito mais haveria a dizer sobre o MdC, mas a melhor homenagem que lhe posso prestar é voltar a pegar nas suas edições, rever e ir deixando aqui algumas notas pessoais.
Julgo que me faltam alguns dos números iniciais, uma vez que o Marcos sempre recusou fazer reedições... O que faz algum sentido, quando se acredita que o melhor é o que está para vir!...
Mesinha de Cabeceira #0, Outubro de 1992, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel cor laranja, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix.

Mesinha de Cabeceira #2 / #3
Número duplo editado por Pedro Brito e Marcos Farrajota, em estilo split-zine. A capa exterior é da autoria do artista Pedro Proença. Na capa da parte "Algumas Estórias Absurdas" (#2) surge uma colagem de Ana Dionísio, seguindo-se a bd "A Maldição do Pénis" de Arlindo, uma bizarra história negra, muito bem desenhada e ainda melhor escrita. Depois, duas pranchas de Guima (Ricardo Tércio), com muita confusão e cabeças mutantes. "Abuso de Menores" é uma bd de Lacas, envolvendo relações incestuosas e depravação.
Na parte "New Kids on the Bollocks" (#3), apresentam-se novos personagens e colaboradores a debutar nas páginas do MdC. Há uma prancha de "Alice - The Real Girl" com argumento de Marte e arte de Pedro Brito (também autor da capa desta parte). Depois um Folhetim Interactivo por Arlindo. Pelo meio, surgem umas tiras envolvendo complexos de Édipo, soldados bósnios e Joseph Volverin, por Miguel Falcato e Marcos Farrajota.
Nas "Críticas Crípticas" procede-se a uma recuperação engendrada por Marcos Farrajota de um texto de Domingos Isabelinho recolhendo uma série de "pérolas" encontradas nos escritos sobre bd publicados na imprensa nacional, atribuindo-lhes um galardão e tudo!
Antes de terminar, há ainda espaço para "Play Rats" de João Tércio.
Mesinha de Cabeceira #2/3, Setembro de 1993, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Kómix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #4
O tema deste quarto número "sangue novo", pretende dar visibilidade a novos autores ainda por publicar. A capa e contracapa são assinadas por Sandro. A primeira banda desenhada, intitulada "Folhetim - Parte 5" começa sempre com o mesmo pressuposto, derivando para desfechos diferentes. Segue-se "Lisboa Dá à Luz" por Vitor Santos, uma cidade em processo de transformação, parindo novos edifícios.
Na rúbrica "Criticas Crípticas", Marcos Farrajota relata os principais eventos do 7.º Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. Depois, Deo apresenta a prancha "A Companhia dos Monstros". Logo de seguida, somos surpreendidos com a primeira bd de Gregório, às voltas com a sagrada trilogia do sexo, drogas e morte, que assombra a existência de muitos artistas.
Novo capítulo de "Criticas Crípticas", com Marcos Farrajota a insistir na banda Coca Cola Mentol & Conflitos (ver MdC #0).
Pedro Brito apresenta "Tédio!" bd sobre a falta de inspiração e de algo interessante para fazer. Antes da nova secção de correio dos leitores, é publicada uma ilustração de Pedro Proença. Nas páginas centrais, duas pranchas por Maria João.
Mira apresenta uma "bd montagem", sequenciando uma série de vinhetas de proveniências e estilos diversos, procurando uma possível narratividade. Depois, vem "Playrats" por João Tércio e uma nova bd de Gregório, desta vez, com guitarras distorcidas e multidões em delírio.
"Inadaptados" marca a estreia de Nunsky, com a bd mais extensa, exibindo todo o catálogo de criaturas que habitam o submundo da grande selva urbana: drogados, vagabundos, prostitutas e inadaptados. Quando os skinheads se cruzam no caminho, segue-se uma orgia de sangue e vísceras de carecas nazis, arrancadas a golpes de motosserra.
Mesinha de Cabeceira #4, Janeiro de 1994, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 115 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #6
A capa é da responsabilidade de Pedro Brito, que também desenha a bd "Homem-Transferidor", baseada no argumento de Marcos Farrajota. Segue-se a prancha "Ovelhas" de José Carlos Fernandes e também "Uma História de Amor" de Marcelão, editor do fanzine Over-12.
Destaque para a publicação de uma entrevista com Estrompa, responsável pelos fanzines Shock e Café no Park.
"Loverboy - O Empatas Industrial" da autoria de Marte, com o Loverboy a recorrer a todo o tipo de expedientes para tentar safar-se das suas responsabilidades "conjugais".
As últimas páginas são dedicadas a trabalhos rejeitados e à divulgação de prémios e concursos.  
Mesinha de Cabeceira #6 (1.ª edição), Outubro de 1994, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Cerca de meio ano após a edição original, surge a 2.ª edição "aumentada e melhorada". Relativamente à primeira edição, desaparece o Loverboy e em contrapartida, entram novas bd: um cão americano tipo Pluto a mimetizar cenas do filme "Apocalypse Now"; "Playrats" de João Tércio; uma prancha humorística da dupla Geral & Derradé e também alguma bd autobiográfica de Marcos Farrajota. Há uma melhoria nítida na qualidade de reprodução das fotos do Estrompa a acompanhar a respetiva entrevista - era uma pena umas fotos tão boas estarem tão mal impressas!
Nesta nova edição há também mais texto como as "Críticas Crípticas" que versam sobre várias edições da responsabilidade de José Carlos Fernandes e também curtas resenhas sobre os novos números dos fanzines Classe Média e do BadSummerBoys. Outra novidade é a publicação da "Lista de Ódio" do Marcos e uma lista de nomes brasileiros muito bizarros.
Mesinha de Cabeceira #6 (2.ª edição), Fevereiro de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #10
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, em colaboração com a Associação Chili Com Carne, conta com capa e bandas desenhadas de Marcos Farrajota. A primeira parte deste número é preenchida com "Histórias de Noitadas, Deprês & Bubas", num estilo diarístico, algumas vezes escorregando na irrelevância, outras vezes (os melhores momentos) num estilo autobiográfico, que nos suscita a dúvida se o autor não estará a divagar e a ficcionar a sua vida e intimidade.
Segue-se a rúbrica "Críticas Crípticas" comentando diversas publicações alternativas como "Malus" de Christopher Webster e "Sourball Prodigy" de Mike Diana, ambas posteriormente editadas por M. Farrajota. No tocante aos fanzines nacionais, notas sobre Sub #1, Shock #19, Aardvark #3 e Atelier de Técnicas Narrativas - Curso de Banda Desenhada.
Daniel D. (Dias) apresenta uma bd sanguinolenta em duas pranchas. De seguida, um extenso artigo "Tolerância Zero" escrito por Mike Diana, narrando o seu caso com o sistema judicial americano devido ao seu fanzine "Boiled Angel".
Na última página, o "Rejeitados #8", com um desenho da Mariazinha por Rui Lacas, feito para um poster que nunca chegou a ser impresso.
Mesinha de Cabeceira #10, Novembro de 1996, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #11


Mesinha de Cabeceira #11, Março de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #12


Mesinha de Cabeceira #12, Julho de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

13 fevereiro 2025

Tão Longe, Tão Perto

E entretanto, já passaram trinta anos! Tão Longe, Tão Perto consistia numa folha A3 dobrada em quatro, formando um desdobrável com conteúdo muito diverso.
Poesia oferecida para fruir ao crepúsculo, notícias e eventos realizados na região do Algarve, divulgação de edições discográficas e livros, passatempos e textos criativos, apontamentos quotidianos.
Memórias de um tempo que corria lento e a informação rareava, tão longe da velocidade vertiginosa e da sensação de impermanência dos dias de hoje. 
Tão Longe, Tão Perto #6, Primavera de 1995, 8 págs., impressão a preto sobre papel craft, 14,9x21cm., Faro.

20 novembro 2024

Comtrastes

Comtrastes #1
Comtrastes #1, Outubro de 1993, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

Comtrastes #2
Excelente fanzine colectivo coordenado por João Fazenda, contendo banda desenhada, textos, fotografias e ilustrações.
A primeira banda desenhada é "O Seio Nú" da autoria de Vitor Santos, baseando-se no conto homónimo de Italo Calvino. Segue-se outra bd, intitulada "O Disco" desenhada a tinta-da-china aplicada em pinceladas soltas por Mir.Ra.
"Fuel Moon" de José Carlos Fernandes, ou como uma sequência banal de acontecimentos domésticos espoleta uma reacção incendiária.
José Luis Peixoto, Alice P. e  Tozé Lopes contribuem com pequenos textos poéticos. "Fragmentos Checos" é o título de um conjunto de fotografias de Maria Cerdeira captadas no período pós-comunismo.
Reunidos sob o título "Sentimentos", três autores discorrem, cada um à sua maneira, sobre a 'Melancolia' (Rui Lacas), 'Raiva' (Guima - Ricardo Tércio) e 'Vergonha' (Arlindo).
Duas páginas "Anda Ground" com um pequeno texto sobre a indústria discográfica nacional e resenhas ao disco de estreia de Bizarra Locomotiva e à compilação "Art of Life". Apesar de não estarem assinados, diria que foram escritos por Marcos Farrajota.
"Parece Ela" de Pedro Brito é um mergulho nas recordações de infância confundidos com uma tentativa falhada de engate.
João Fazenda apresenta a bd "O Ganso", adaptando livremente a crónica "Lidoro Silva, dito o Ganso" de José Cardoso Pires.
A fechar, o texto "Uma página nula para completar as 40 páginas do fanzine" de Marcos Farrajota. Depois de um inicio com as habituais diatribes ajustando contas com o meio bedéfilo nacional, Farrajota vai disparando em todas as direcções, reflectindo sobre a inutilidade da maior parte dos fanzines colectivos portugueses e propondo diferentes abordagens, como a edição de fanzines temáticos (ou com um conceito) e de fanzines com trabalhos de apenas um autor. Termina questionado "fanzines não-coerentes porque é que vocês existem?"
Comtrastes #2, Novembro de 1994, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

16 outubro 2024

Dossier Top Secret

Dossier Top Secret #34
O destaque deste número do Dossier Top Secret é a conexão espanhola, materializada na publicação da bd "Mas Vale Tarde..." com texto de J. Machota e desenho de M. Andreia, sobre um grupo de soldados entrincheirados, que tiram à sorte qual deles vai sair do buraco para "calar" uma metralhadora.
Também há notícias sobre novas edições do fanzine valenciano "ComicGuia - Caderno de la Historieta" e do fanzine brasileiro "LSD - Luz, Sombra & Dimensão".
A fechar uma banda desenhada curta "Companhia BC" da responsabilidade do editor Victor Borges.
Dossier Top Secret #34, Fevereiro de 1990, 16 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Almada. 

Dossier Top Secret #46
O Dossier Top Secret é uma publicação mensal de divulgação jovem / BD, com direcção de Victor Borges. Neste número, publica duas bandas desenhadas e alguns desenhos do portfólio de Pedro Dias. A primeira bd, intitulada "O Ás de Ouros" com texto de Carlos Neto e desenho de Pedro Dias, começa com um galo a cantar fora de horas, seguida de uma tentativa de assassinato que dá para o torto e uma sessão de tortura para obter informações.
A segunda bd, "Máscaras ao Luar - Conto de Carnaval" da autoria de Vítor Andrade, foi originalmente publicada no fanzine Ritmo. Enquanto percorrem as ruas da cidade, uma personagem mascarada vai divagando filosoficamente sobre a vida, sobre a amizade e o amor, enquanto um pierrot escuta pensativamente, permanecendo solitário no cais enquanto a outra personagem se afasta numa barca em direcção ao horizonte longínquo.
Dossier Top Secret #46, Fevereiro de 1991, 16 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Almada.

Dossier Top Secret #51
Número dedicado a José Carlos Fernandes, apresentando uma entrevista ao autor, ainda a dar os primeiros passos na banda desenhada. "Singin' In The Rain (As the Ozone Layer Grows Thinner)" é a história publicada, em jeito de catástrofe ambiental e efeitos psiquiátricos ainda por apurar.
Dossier Top Secret #51, Maio de 1992, 16 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel reciclado, 14,9x21cm. Tiragem: 250 exemplares. Edição: J. Machado-Dias / Pedra Pomes. Almada.

06 março 2024

Café no Park

Café no Park #3
Café no Park #3, Outubro de 1992, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #4

A capa deste Café no Park foi desenhada por Miguel. A primeira prancha "Animais" de Rui Abrantes, envolve um relacionamento inter-animal com galináceos gulosos e cães atrevidos. "Eroticidades" de Mário de Almeida, é um texto que versa sobre o erotismo visual na banda desenhada. A banda desenhada o "Troféu!" narra uma história macabra desenhada por Pedro Brito. Depois, surge a continuação vinda do número anterior de "Má Sorte Ter Sido Escolhido P. Diabo" de Rui Lacas, uma maldição diabólica apresentada com uma composição gráfica muito bem conseguida.
O que parecia um inocente passeio nocturno no parque, transforma-se num "Sórdido Assassínio" desvendado por José Ramalho.
Nas páginas centrais, o Suplemento "A Bica", que abre com um texto do Dr. Polémico a denunciar a crescente violência apresentada nos filmes e na bd, um pesadelo para aqueles fãs das imagens saudáveis dos anos 
40 e 50. Depois dos comentários à correspondência recebida no Park Postal, segue-se um texto bastante ilustrativo do que é publicar fanzines de banda desenhada.
O Tornado de Estrompa envolve-se com o Vaticano para resolver o "Crime" do Padre Amaro. No final do trabalhinho, ninguém fica a saber quem é o verdadeiro pai do rebento.
"José Justiça" de Manuel Jorge (Maré) irrompe em mais duas pranchas transbordantes de violência e raiva policial.
Estrompa regressa com 
numa história incestuosa no seio da "A Família Darling".
Este número termina com "Solidões Paranoicas" de Amadeu Pinto, um solilóquio no feminino. 
Café no Park #4, Abril de 1993, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #5
A capa do n.º 5 do Café no Park é desenhada por Maré. Na contracapa, uma prancha de Rui Abrantes intitulada "Animais". Depois, Pedro Brito apresenta "Encontro!!" entre o delírio acordado e a auto ilusão consciente.
"MAT - A Angústia de um Detective" de M. Jorge, uma história de corrupção, arrependimento e má consciência, bebedeira e confissão expiadora.
Maré apresenta "José Justiça" um policia que não olha a meios para impor a sua vontade e a sua lei.
O Tornado de Estrompa surge numa nova história de cowboys intitulada "Imperdoável", onde o seu herói é contratado para vingar uma prostituta maltratada, acabando por limpar o sebo a toda a pandilha do xerife lá do sítio. A missão para que foi contratado, foi coroada de êxito, e Tornado ganhou o carinho das girls e também uma doença venérea.
De seguida, Brum apresenta os preparativos de Spencer para realizar uma reportagem: "Na Cama com Mandona".
"A Violação" de José Ramalho, é uma história onde o violado é um homem, ou será apenas um estranho jogo sexual?
"É Só Rock'N'Roll (Mas Nós Curtimos)" de José Carlos Fernandes, sobre um concerto no Natal, que acabou por ser o melhor que a banda deu.
Há ainda o conto "Humphrey" de Maré e também o suplemento "A Bica" com 4 páginas. Começa com a bicada ao conservadorismo do Sobreda de Luis Beira. Depois, apresentam os novos colaboradores: Pedro Brito e M. Jorge. O conto "Metamorfoses" de Isabel Lopes e ilustração de Tozé Lopes. Ainda deste autor, um texto sobre a relação entre a bd e a pintura. 
Café no Park #5, Julho de 1993, 28 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 21x29,7cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

10 novembro 2023

Quadrado

Quadrado #1

Quadrado #1, Maio de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #2
O segundo número do Quadrado apresenta mudanças significativas relativamente à edição anterior. Desde logo, foi abandonado o tamanho comic-book e adoptado um formato maior, mais próximo do álbum de bd e revista.
A abrir, na rúbrica "Em busca de pérolas", que distingue uma obra / autor, foi seleccionada a capa do número 31 da revista Love & Rockets dos irmãos Jaime e Gilbert Hernandez. No editorial, José Rui Fernandes, rejubila com o inicio da distribuição nacional da revista Ray Gun, considerada na altura "Biblia da música e do estilo" e uma referência assumida pelos editores do Quadrado.
Seguem-se diversas notícias breves, abarcando os super-heróis americanos, a pretensa homossexualidade de Bugs Bunny, a revista escandinava Fahrenheit, a reedição dos primeiros álbuns de Bilal pela Meribérica e a preparação da 7.ª edição do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto (SIBDP).
Relativamente à divulgação e crítica, debruçam-se sobre algumas edições da Meribérica, da Fantagraphics, Epic, Tundra, Dupuis, Vertigo, a edição de "Controlo Remoto" de José Carlos Fernandes e diversos livros de "Calvin & Hobbes" de Bill Watterson, publicados pela Gradiva.
No tocante à banda desenhada, impressa em papel couché, são publicadas três curtas em crescendo, da autoria de  José Carlos Fernandes: - "E tudo o vento levou", "Life and how to live it", inspirada numa ideia de Albert Camus em "A Peste"; e "Dogfight", com o Barão Vermelho, o Snoopy, Roy Lichtenstein e Rilke à mistura.
Nuno Nisa apresenta mais um capítulo das suas derivas intergalácticas. O seu inconfundível estilo gráfico psicadélico e organicista, cruza-se com uma narrativa onde o choque de civilizações leva à aniquilação de ambos.
Há ainda banda desenhada por Mário Moura e por Ágata Moreira e Miguel Couto.
Regressando ao papel reciclado, um artigo sobre a nova colecção "Génération Dargaud" destinada a lançar novos valores e revitalizar o catálogo da editora.
No seguimento do artigo sobre a DC Comics publicado na edição anterior, desta vez é destacada a "Piranha Press", subsidiária da DC, com um perfil mais experimental e inovador.
Nesta edição também há espaço para a crítica e divulgação musical, sendo analisados os discos "Easter" dos Sugar, "Satyricon" dos Meat Beat Manifesto, o disco homónimo de estreia dos Red House Painters e por fim, o álbum "Feedlotloophole" dos Honey Barbara, editado pela Emigre.
Quadrado #2, Julho de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #3

Quadrado #3, Setembro de 1993, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

Quadrado #4

Quadrado #4, Junho de 1994, 36 págs., impresso a preto & branco; capa a duas cores, 23,3x30,3cm. Edição: Associação Neuromanso. Matosinhos.

01 novembro 2023

24h Volta a Portugal em BD

Projecto concebido por Fernando Madeira (fanzine Terminal), reunindo 24 histórias, em 24 horas em 24 locais diferentes. Este tipo de projecto, apesar de ter por base uma ideia interessante, raramente são bem sucedidos, e este não é excepção.
Cada autor dispõe de uma página para apresentar o seu trabalho e há algumas pranchas bastante interessantes, enquanto outros são inócuos ou descabidos, podendo estar inseridos neste volume ou em outra qualquer publicação.
Por outro lado, há alguns trabalhos que não são propriamente bd, como o apresentado por Paulo Fonseca (Ilha de Porto Santo), que se assemelha a uma apresentação virtual de um projecto arquitectónico; também Rui Alex (Braga) apresenta um trabalho mais próximo do urban sketch do que da bd; e a participação de Luís Correia / Segme (Tavira) é uma ilustração computorizada do tipo Transformers.
Apesar de tudo é um projecto meritório, juntando autores menos conhecidos a outros mais experientes e revelando algumas pranchas de boa qualidade.
Os autores publicados, por ordem de apresentação, são os seguintes: Andreia Rechena (Aldeia de Monsanto), Phermad (Serra de Monchique), Paulo D'Alva (Avanca), Leonel Perna (Faro), Alexis (Mértola), Diogo Carvalho (Coimbra), João Mascarenhas (Lisboa), Derradé (Alverca), Nuno Sarabando / Hugo Jesus (Matosinhos), Serafim (Ilha do Pico), Paulo Fonseca (Ilha de Porto Santo), Rui Alex (Braga), José Carlos Fernandes (Vilamoura), Nuno Sarabando / Alexis (Açores), Teresa Câmara Pestana (Castelo de Vide), Nuno Rodrigues / João Pereira (Belém), Xavier de Almeida (Ria de Aveiro), Luís Correia / Segme (Tavira), Diana Waldschreck (Lousã), Miguel Saial (Castro Marim), Jeffrey Ferreira (Granja), Rocha (Olhão), David Rafael Silva (Abrantes), Phermad (Serra da Estrela).

24h Volta a Portugal em BD, Maio de 2006, 32 págs., impresso a preto & branco, 14x21cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: I.P.J.- Delegação de Faro / Drmakete. Faro.

02 maio 2023

Boom!!!

Fanzine editado por José Pinheiro, com capa desenhada pelo autor em destaque neste número: Manuel Jorge (M. Jorge).
A primeira banda desenhada "A Guerra Acabou" de José Carlos Fernandes, é uma trágica história de inadaptação à paz, depois da habituação provocada por 29 anos na frente de batalha.
Estrompa colabora com um desenho de Tornado. Depois, José Pinheiro entrevista M. Jorge. Segue-se a banda desenhada "O Herói" assinada pelo mesmo autor.
É incluída uma página com diversas informações sobre novas publicações de álbuns e fanzines.
Nuno Nisa apresenta em o "Passageiro da Noite" uma reflexão poética e contemplativa no cais de embarque, com a vida em perspectiva.
"Uma Questão de... Diplomacia" de Carlos Rocha, é uma história bem humorada sobre as desventuras de um vendedor porta-a-porta e da intervenção musculada do seu progenitor para alcançar vendas bem sucedidas.
Mário Elias apresenta o texto "Subsídios para a História da B.D. Portuguesa", essencialmente sobre as revistas e jornais com banda desenhada publicados durante a primeira metade do século passado.
"O Homem que Vendeu o... Mundo" de José Pinheiro, sobre uma transação desastrosa de armamento nuclear.
Rui Lacas colabora com um desenho feito expressamente para este fanzine.
Ana Branco apresenta uma banda desenhada com gaivotas, Tejo e ponte ao fundo.
A fechar este número, Paulo Fernandes coloca o personagem bigodudo Carqueja a questionar o leitor sobre quem é que afinal pertence à chamada "Geração Rasca"? 
Boom!!! #2, Junho de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Associação Neuromanso. Porto.

04 abril 2023

Papel

Número único do fanzine "Papel", começando com a banda desenhada "Tieulália" com desenho de grande estilo de Manuel Jorge e texto de Jorge Pinheiro, tendo o detective Luis Montana como protagonista de uma história envolvendo todo o catálogo de crimes: homicídio, roubo, pedofilia, tráfico, prostituição e polícias corruptos.
Depois a BD "Água Mole em Pedra Dura..." de Janeka, conta as peripécias dos agentes pouco secretos Jaime Bunda e Xarope Gomes para recuperarem uma mala na posse do crime organizado.
M.A.L.S. apresenta um texto descrevendo um suposto depoimento de Pedro Santana Lopes sobre o seu ódio à BD.
"Era Uma Vez o Oeste" de José Carlos Fernandes surpreende pela qualidade narrativa, que fica muito prejudicada pelo tamanho A5 do fanzine, o que dificulta enormemente a leitura. Misturando de forma muito escorreita diversas referências cinematográficas, do mundo da arte, da filosofia com cavalos ventríloquos e doutorandos em trânsito pelo velho Oeste, resultando numa narrativa bem humorada e divertida.
Papel #1, Outubro de 1995, 32 págs, fotocopiado a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Porto.

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