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31 julho 2026

Fim de Emissão

Publicação que reúne a série de 12 cartazes concebidos por André Lemos para o ciclo de programação musical "Fim de Emissão", organizado pela Nariz Entupido - entre Abril de 2025 e Março de 2026. Aqui, os cartazes surgem despojados da informação habitual: artistas, data e hora, local e organizador e os desenhos apresentam-se numa sequência diferente da original, assumindo novas e diferentes leituras.
No blogue Mesinha de Cabeceira foi referido que "o que seria normal era a publicação reproduzir os cartazes como eles são e ficarmos com um arquivo, ponto final. Mas o André tem vindo a brincar - aliás, sempre brincou - ao "DJ das imagens" como se tem testemunhado com os Opuntias intitulados de Reforma. Se o seu trabalho sintetiza surrealismos e vanguardas mortas com que ele ressuscita como um Comissário de Arte em Ácidos - LOL - quando pega nos seus desenhos e ainda os remonta é preciso apreciar os resultados com calminha... ufa! Neste "Fim de Emissão", menos radical, Lemos decide isolar os elementos do cartaz, os desenhos, o título do ciclo (e sua respetiva numeração) e o nome dos artistas ou dos espectáculos, separando-os e colocando em secções de forma a que os desenhos respirem e a informação exista na mesma."
Fim de Emissão, Junho de 2026, 28 págs, risografia a preto e amarelo; capa em cartolina amarela, 16,8x23,5cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Nariz Entupido.

11 junho 2026

Canções Usadas

Canções Usadas é uma edição colectiva que junta a poesia e a ilustração. Trata-se de uma mini-antologia de nove poemas de José Miguel Silva, Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral, ilustrados por Jucifer, Bárbara Assis Pacheco, José Feitor, Luís Henriques, André Lemos, Piggy, Filipe Abranches, Maria João Worm, Daniela Gomes e Bruno Borges.
As ilustrações foram impressas em serigrafia e criadas pelo método directo (os ilustradores desenharam directamente na seda de impressão, em positivo).
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD "Em torno de um tema comum, precisamente as “canções” do título, para mais “usadas”, tecem-se poemas narrativos, de nostalgia por uma juventude violenta, perdida, drogada, ternurenta, sempre entrosando essa experiência na imagem desencadeada por um nome de uma canção ou de uma banda para chegar a um qualquer súbito descobrimento, em todos os sentidos da palavra. E, para mais, surgem outras imagens, estas reais, tangíveis, partilháveis, criadas por 10 ilustradores, num diálogo tanto individual entre cada imagem e poema como entre todos os elementos da publicação."
Canções Usadas, Dezembro de 2009, 24 págs, texto impresso em tipografia de chumbo; ilustrações em serigrafia sobre papel Accademia 200g.; capa impressa com tipos de madeira, a duas cores em cartolina castanha 300g., 24,5x20,5cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Oficina do Cego. Lisboa.

13 maio 2026

Revista Decadente

Revista Decadente #65
A abrir este número, Alice Geirinhas fala sobre "A Vaca que Veio do Espaço", editora de fanzines dos anos 80. Os dinamizadores da editora foram Alice Geirinhas, João Fonte Santa e José da Fonseca e entre 1986 e 1988, editaram os fanzines Facada Mortal, "Joe Indio", "Tom Sida Magazine" e "Grafpopzine".
"O Antropoceno é uma Moda?" é uma reflexão de Ana Cristina Cachola e Xavier Almeida.
Gonçalo Duarte fala dos passes sociais em Lisboa e do problema da habitação em Lisboa em "Conversas Vadias".
A perspectiva das novas amizades e o seu efeito nos velhos amigos, por Sreya em modo virtual em "Deixar a Música e Dedicar-me à Potaria".
Ana Menta aborda questões ligadas à administração da justiça e sobre o papel dos juízes.
Pete Sar avança com algumas "Ideias para a Neo-Decadência" e o uso de WC femininos por homens.
Em "Luxação", Xavier Almeida narra os primórdios da sua experiência ciclista em Lisboa.
Revista Decadente #65,
 Março de 2019, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 60 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #69
Para assinalar a 69ª edição da Revista Decadente, os participantes aproveitaram para explorar a temática de cariz sexual, com especial enfoque na posição kamasutriana associada ao número. A primeira prancha, assinada por SAR, apresenta a sua fixação e predilecção pelo 69. Depois, Sreya referencia a mutação para duas pernas em vez de uma, de modo a ajustar-se à posição 69.
Na rúbrica "Mulheres na B.D.", Alice Geirinhas destaca "QCDA #2000 - 4 Cavaleiras do Apocalipse", edição que reúne trabalhos de Hetamoé, Sofia Neto, Sílvia Rodrigues e Amanda Baeza.
Depois, mais um capítulo de "Luxação" série desenvolvida por Xavier Almeida sobre andar de bicicleta em Lisboa.
"O Evangelho Segundo Santa Vulva" é uma elegia ao lesbianismo e feminismo, anti-machismo e depilação, por Carolina Elis.
Ana Cachola e Xavier Almeida baseiam a bd "Artista Sem Trabalho a Pensar no Trabalho da Arte" na obsessão de António Caramelo pelo número 69.
Ana Menta aproveita o número 69 para reflectir sobre a importância dos preliminares nas relações sexuais  e também na episiotomia, também conhecida como "O Ponto do Marido".
Este número especial conta ainda com a participação de Aimé Pedezert, João Gabriel Pereira, Filipe Felizardo e André Trindade.
Revista Decadente #69, Agosto de 2019, 16 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 69 exemplares (2.ª edição). Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #73
A primeira prancha de bd é da autoria de Odete. Depois, Rod apresenta uma cena de fist fucking.
Ana Cristina Cachola e Xavier Almeida baseiam a bd "Artista Sem Trabalho a Pensar no Trabalho da Arte", numa troca de mensagens através do Tinder, que descamba na reflexão sobre a pertinência da curadoria na Arte.
"ACAB" de Ana Menta é uma conversa de surdos sobre racismo e violência policial. Sintonizada na mesma temática, Carolina Elis comenta a afirmação "Em Portugal não há racismo". 
Na rúbrica "Mulheres na B.D.", Alice Geirinhas publica uma breve apresentação de Isabel Carvalho, fundadora do Colectivo A Língua e do Satélite Internacional e também autora e editora de muitas outras publicações.
Sreya relata as dificuldades da feitura do seu segundo disco e da catarse que representou. Difícil também está encontrar salas para apresentar o trabalho ao vivo.
Depois, o oitavo capítulo de "Luxação", série desenvolvida por Xavier Almeida sobre andar de bicicleta em Lisboa.
"Quando for Grande" novamente uma história de racismo e violência policial, escrita por Gisela Casimiro.
EU, UE, EU, um ego do tamanho do umbigo por Filipe Felizardo. A terminar, mais uma sequência de "Envuelto em Llamas" por Santi. 
Revista Decadente #73, Agosto de 2020, 12 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #75
Em tempos de pandemia e confinamentos, a Revista Decadente ressurge com um vigor inesperado. André Lemos contribui com trabalhos da fase DEKOMIKONSTRUTIVISMUSSegue-se uma prancha de Carlos Santola, e uma sequência de Muriel Bellini recapitulando os melhores momentos musicais e outros do ano 2020.
Alice Geirinhas continua a sua saga, destacando o trabalho das mulheres na bd. Desta vez, o foco incide no fanzine Your Mouth is a Guillotine. Mais à frente, o destaque vai para Teresa Câmara Pestana, editora do excelente Gambuzine.
Por seu lado, Xavier Almeida apresenta um novo capítulo de 'Luxação' sobre andar de bicicleta em Lisboa.
Ana Margarida Matos ensaia uma nova perspectiva sobre o eu e outro (estrangeiro), decantando signos e grafismos que reconhecemos dos programas e plataformas virtuais.
Este número conta também banda desenhada de Ana Menta, Sreya, Santi Z, Carla Protozoo, Sweevill e um tutorial para confeccionar uma projéctil de arremesso por Bedbug.
Na contracapa, Nuno Saraiva é surpreendido pelo vírus.
Revista Decadente #75, Fevereiro de 2021, 20 págs, fotocópia digital a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 35 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #77
Nas primeiras páginas deste número da Revista Decadente, Pachiclon apresenta uma banda desenhada que parte de um caçador de Pokemons para expor todo o sistema de alienação virtual. Depois vem uma história incendiária de Santi, que acaba com a sorte grande a esfumar-se entre os dedos.
Segue-se uma prancha de Bedbug e proletarização do mundo. Depois, Sar explica muito detalhadamente tudo o que precisamos de saber sobre a blockchain e os NTF.
Nas páginas centrais, um trabalho misteriosos de Hetamoé, carregado de noise, com texto em inglês, muitas vezes ilegível, mas onde os sentimentos reverberam com toda a violência.
Fazendo uma aproximação à banda desenhada em tons negros petrolíferos, André Lemos convoca as magias invertidas, sob os auspícios fantasmáticos de Julião Sarmento.
"Virus for Promotional Use Only", é uma sequência cadenciada dos efeitos do vírus mais conhecido dos últimos tempos, pela mão de Muriel Bellini.
Alice Geirinhas, apresenta "Mulheres na B.D." destacando individualmente as autoras Joana Estrela e Júlia Barata.
Para terminar uma ilustração intrincada de José Haz e a banda desenhada "Luxação" de Xavier Almeida expondo as perplexidades de um utilizador frequente de bicicleta na cidade de Lisboa.
Revista Decadente #77, Fevereiro de 2022, 16 págs, fotocópia digital a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

Revista Decadente #79
A abrir este número, Sara Chitas reflecte sobre a incapacidade do ser humano aprender com a História e com os erros do passado. Depois temos Santi em mais um momento "Envolto em Chamas", desta vez à beira de cair no precipício.
Se Basquiat fosse vivo e fizesse banda desenhada com ferramentas digitais, certamente não seria muito diferente das duas pranchas apresentadas por Hetamoé.
Em "Positividade Above it Halls" Maria Quintas parte de um fenómeno observado no mundo animal para fazer uma analogia com a vida quotidiana.
A vida bipolar de um artista retratada por R.I.P., protagonizada por um personagem com um sorriso sempre estampado no rosto.
Xavier Almeida apresenta mais um capítulo de "Luxação" com temática ciclista citadina.
Na rúbrica "Mulheres na B.D." Alice Geirinhas destaca o trabalho de Ana Matilde Sousa (Hetamoé).
A terminar, as bestialidades de André Lemos eivadas de tons bíblicos muito negros.
Revista Decadente #79, Setembro de 2022, 20 págs, fotocópia digital a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Estrela Decadente. Lisboa.

05 abril 2026

Acción Trilobita

Na apresentação de Acción Trilobita, é referido que esta edição corresponde a um projecto de colaboração entre André Lemos e Martín Lopez Lam, desenvolvido à distância "numa tentativa de partilhar e aliar dois traços e linguagens de trabalho gráfico num esplendor conjunto." É também esclarecido que o ponto de partida seria um trabalho começado por um dos artistas, que seria depois continuado e terminado pelo outro.
É visível uma grande liberdade artística, onde por vezes parece existir uma vontade de "sabotar", tornando os desenhos saturados e manchados. Nota-se também um grande sentido lúdico e de diversão prazenteira dos autores.
No jornal A Batalha, M.F. escreveu o seguinte: "Não é a primeira vez que André Lemos faz um livro de «combate gráfico» com outro artista, ou seja, uma mescla de desenhos entre dois artistas. No livro Super Fight II (MMMNNNRRRG, 2002) o George Grosz 'tava mais do que morto e incapaz de reagir às intervenções de Lemos. Vinte anos depois, Lemos já tem uma luta mesmo à séria com Martín Lopez Lam, autor peruano residente em Espanha, com o livro Sírio, editado em Portugal, e um grande grafista - ei! temos de o convidar para uma capa de A Batalha um dia destes!!!
Apesar de serem dois grandes artistas capazes de absorver milhares de influências e estilos, para depois tratarem-nos à sua maneira, nesta publicação ambos vão por um caminho «brutalista» (directo e violento), sem parecer, à primeira vista, haver pausas para reflexão. Não deixa de ser excitante folhear a cuidada edição da Opuntia e ver as imagens que resultam do conflito destes dois «monstros da tinta da china», mas com mais calma imagino outros resultados mais ousados. Assim de repente, é como se estivéssemos a discutir música: «preferes composição ou improvisação?» É possível tal discussão? Nada mais diferente e incomparável, ao ponto que esta resenha deveria ser toda reescrita agora."
Acción Trilobita, Fevereiro de 2022, 40 págs, impresso a preto & branco; capa em cartolina azul, 14,5x20,8cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-026].

28 março 2026

The Winner Takes It All

Da tertúlia do “Grande Prémio de Desenho”, programada com o irónico título “A Táctica do Quadrado! Estilo & Substância”, anota-se alguns pontos que interessa revelar. Apesar de nem todos os artistas participantes terem estado presentes, e, se não houver engano, contando apenas com duas presenças exteriores ao concurso, focaram-se três principais pontos que importa reunir: O primeiro ponto refere a importância da formação ao nível da disciplina do desenho administrado no curso da Faculdade de Belas Artes do Porto e a sua influência nas opções artísticas mais emergentes, sendo que a maioria dos convocados a concurso são alunos e ex-alunos desta escola, tirando alguns casos provenientes de Lisboa como André Lemos, Bruno Borges, e Mauro Cerqueira de Guimarães.
O segundo ponto prende-se com a acessibilidade do desenho, pois sendo uma prática paralela à escrita exige no mínimo uma folha e um lápis para concretizar um raciocínio, e assim justifica-se como um meio sem grande exigência de custos materiais no desempenho da sua eficácia.
Num terceiro ponto, de um modo mais fugaz, tentou-se discutir o virtuosismo que persegue esta prática. Se, por um lado, o virtuosismo ligado ao domínio técnico é compreensível se não for um fim, por outro há uma necessidade de desvirtuação. Os mais emblemáticos desenhos que se inserem nesta discussão são, pelo primeiro lado, dos autores Nuno Sousa, Carlos Pinheiro, Isabel Carvalho, Marco Mendes, Arlindo Silva, Miguel Carneiro, Francisco Roldão, Bruno Santos Silva e Joana da Conceição. Todos apresentam formalmente o desenho virtuoso, aquilo que na prática do desenho se destaca mais superficialmente, mas subvertido e moderado pelos conteúdos. O trabalho de Carlos Pinheiro e Nuno Sousa tem sido muito forte na ironização do talento e da qualidade de mestria, enquanto o da artista Isabel Carvalho faz uso para apresentar uma certa deformação catita-visceral. O trabalho de Marco Mendes e Arlindo Silva que se prende na representação de uma realidade íntima, na maior parte dos exemplos, notoriamente imprópria e desviada, mas apresentada sem pudor. E ainda o trabalho de Miguel Carneiro, o vencedor desta primeira edição, que se constrói quase sempre como projecto de desenho, e muito próximo de um processo de investigação, reúne referências desde as mais triviais às mais eruditas. Neste caso uma homenagem ao grupo de Chicago “Hairy Who” consegue actualizar o ênfase crítico, absurdo e ambíguo do desenho no contexto do prémio. “Eu faço o que quero com o meu cabelo”, slogan mediático de um gel, é premeditadamente escrito pelos caracóis de um cabelo feminino.
No segundo lado os protagonistas mais evidentes serão Mauro Cerqueira, Carla Cruz, André Sousa, Pedro Nora, João Marrucho, Mónica Faria e Carla Filipe. Saliento ainda duas situações evidentemente politizadas, e muito bem conseguidas, no desenho apresentado por Inês Azevedo e Tatiana Santos. O desenho em quase todos os casos citados, e na generalidade dos participantes, é uma ferramenta de acção conceptual que carrega um ímpeto performativo, quer dizer de acção, permitindo verificar uma emergência que forçosamente reúne um certo número de artistas.
Devo apenas deixar como nota que a votação foi um círculo hermético, ou seja, os únicos que tiveram direito a voto foram os participantes, e o prémio foi a própria colecção constituída a propósito do concurso — “The Winner Takes it All”. O mecanismo de reconhecimento de um vencedor deste circuito que se quis fechado, e provavelmente metáfora, consciente e talvez irónica, dessa emergência do desenho. Que, sendo provocatório, pode correr o perigo de querer representar e acentuar uma certa geração de artistas do Porto que, apesar do trabalho persistente, não se pode fechar numa única forma operativa.
('Da Emergência do Desenho no Porto' de Aida Castro, publicado a 12-05-2007 em Arte Capital).
The Winner Takes It All, Maio de 2007, 44 págs, impresso a preto & branco; capa em papel colorido, 19x27cm. Edição: Senhorio / Mula. Porto.

18 março 2026

Ups!

Excelente publicação da responsabilidade do Aquilo Teatro da Guarda, com coordenação editorial de João Louro. O conteúdo da Ups! é bastante heterogéneo, o design e o arranjo gráfico são arejados e sóbrios, há criatividade e surpresa em muitas páginas, os trabalhos são de uma qualidade assinalável, pecando apenas pelas digitalizações notoriamente pixelizadas.
Participam com ilustrações Flávia Leitão, Ruben Páscoa, Nuno Martins, Bruno Del Touro e Sérgio Lino.
Rafael Gouveia contribui com uma história sentimental contemplativa, desfiando os amores e os desamores, onde parece que tudo muda, para no fim, ficar tudo na mesma.
Alexandre Gamelas apresenta uma sequência de vinhetas percorrendo uma série de espaços interiores, salas, átrios, piscina, um sombrio museu despido de emoções.
Um estendal infinito de manchas, negativos e positivos, que vão prenunciando imagens figuras fugidias em múltiplos perfis, é a proposta de Maria Lino.
A poesia também tem lugar, manuscrita e rasurada por Manuel A. Domingos. Destaque para os pequenos poemas de Galo Porno, dispersos aleatoriamente para iluminar a publicação.
'Hiroxima' é o título de uma banda desenhada de K!m Pr!su tentando captar o indizível.
Logo de seguida 'A Cerca dos Críticos' é um interessante ensaio de António Godinho sobre a categorização os críticos e a função da crítica literária.
Destaque merecido para 'O Escritor de Subsolos' de André Lemos, narrativa seminal de um escavador precoce, intuindo a míriade de vidas e saberes anteriores que aguardam para serem novamente activados.
Por seu lado, Filipe Abranches publica um conjunto serial de desenhos de pendor arquitectónico, atravessados por um misterioso personagem de passagem entre lugares.
Por fim, uma sugestão para a confecção de uma sopa da primavera condimentada com surpreendentes plantas!
Ups! #2, Março de 2004, 64 págs, offset a preto & branco, 17x17cm.Tiragem: 500 exemplares. Edição: Aquilo Teatro. Guarda.

15 janeiro 2026

Even Gravediggers Read Playboy

Even Gravediggers Read Playboy foi a publicação de estreia da chancela Opuntia Books de André Lemos, comemorando-se este mês os 20 anos passados desde a edição inaugural. 
Notou-se desde logo um  notável esmero artesanal na produção de cada exemplar, que será uma característica constante das edições da Opuntia. Além da numeração, da assinatura e do carimbo da editora, cada exemplar está "autenticado" com uma estampilha fiscal de inícios do séc. XX, tornado cada exemplar único e irrepetível (o meu é o #00030).
Nesta publicação, André Lemos utiliza como suporte o papel de 25 linhas, o epítome do formalismo burocrático nacional, subvertendo-o com humor e distorção, inscrevendo os seus idiossincráticos desenhos a tinta da china e as desconcertantes frases manuscritas em inglês.
Nas páginas centrais, é incluída uma folha de papel vegetal impressa com o que parecem ser os apontamentos sobre a planificação desta edição.
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD: "São desenhos soltos, que não obedecem a nenhum critério ou tema ou estruturação a não ser a plena vontade das mãos de André Lemos, que por vezes me parecem ser criaturas com vida própria. Para os fãs do seu trabalho, estes são desenhos já de si mesmo narrativos (com as costumeiras frases à la hasard mas que, queira o Santo Bourroughs, nos conduzirão a territórios de histórias submersas no absurdo e na estranheza de quem vive alerta ao mundo) e com as forças plásticas da sua tinta da china que se espalha em todas as direcções."
Após um longo hiato sem publicar nada entre 2011 e 2021, André Lemos reactivou a Opuntia Books, regressando mais determinado e activo do que nunca, projectando-a como uma das mais relevantes editoras fora da norma a nível mundial. Muitos parabéns!!
Even Gravediggers Read Playboy, Janeiro de 2006, 32 págs, fotocópia a preto sobre papel azul de 25 linhas; capa em cartolina; folha central fotocopiada a cores sobre papel vegetal, 14,5x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0001].

14 outubro 2025

Charlottesville's Preliminary Black Blooming

O nome completo desta publicação de André Lemos é Charlottesville’s Preliminary Black Blooming (An Amazing & Epic Journey Of A Portuguese Artist Trying To Meet The Refreshing And Brand New Dogwood Festival’s Queen) e foi especialmente produzida para a exposição "Impera et Divide". A exposição, comissariada por Pedro Moura, realizou-se entre 06 de Março e 25 de Abril de 2009, em Charlottesville, Virginia, nos Estados Unidos da América.
Não assisti à exposição, mas os trabalhos da autoria de André Lemos que constam no catálogo da exposição podem ser enquadrados como sequências relativamente convencionais de banda desenhada. Ao contrário, em Charlottesville’s Preliminary Black Blooming surgem desenhos isolados, cartas soltas de um baralho mágico, com imagens indecifráveis e misteriosas na sua profundidade densa de matéria negra.
Nas páginas centrais, em estilo poster, é apresentada uma colagem sobre uma imagem representando uma paisagem montanhosa idílica. No meio dos prados verdejantes e dos cursos de águas frias e límpidas, Lemos implanta elementos que provocam um efeito estranho e surpreendente.
Os desenhos de Lemos são sombras que se transfiguram entre mundos permeáveis - o conhecido e o oculto, o orgânico e o abstracto. Um portal entreaberto, que absorve toda a luz circundante, mas que se oferece à descoberta de outras dimensões, bestiários comunicantes, novas possibilidades de regressar com outros olhos ao nosso mundo.
Charlottesville's Preliminary Black Blooming, Março de 2009, 28 págs, capa impressa a laser sobre papel espécie-de-salmão 180 gr.; miolo impresso a laser sobre papel Xerox Recycled 80 gr., 14,6x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0011].

29 julho 2025

Dry and Free from Grease

Fanzine com montagens gráficas e colagens da autoria de André Lemos. O recorte e a reconfiguração de imagens impressas esgravatadas em todo o tipo de publicações, condimentados com um apurado sentido visual e lúdico são a base da concepção de um novo velho mundo. As formas geométricas, os traços e as linhas, as cores planas, são manuseadas de forma experimentalista, libertando novas formas e criaturas estranhas, misteriosas, mas sem perder o sentido de humor.  
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD: "Dry and Free from Grease é uma colecção de variadíssimas colagens de André Lemos; esta é uma outra linguagem que o autor tem experimentado há algum tempo, e poder-se-á identificar duas vertentes, sendo a primeira “infantil”, digamos assim, no emprego de largos pedaços de folhas com cores primárias para a criação de criaturas minimamente antropomórficas, e a segunda a que aqui se cultiva, utilizando as mais díspares fontes de material, para a criação de pequenas estruturas de associações, que tanto têm de Ernst como de Baldessari, como de Kirby e de Dada. A legibilidade destas colagens não é o propósito de Lemos, mas o encerramento das figuras que compõe no interior de linhas geométricas faz pensar num qualquer desejo de circunscrever a sua acção."
Dry and Free from Grease, Abril de 2009, 36 págs, capa impressa a laser sobre papel Guarro Iris Manzana 185 gr.; miolo impresso a laser sobre papel Xerox Recycled 80 gr., 14,6x21cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0012].

26 junho 2025

Shipwrecked

Shipwrecked #1
Paralelamente ao seu labor na editora Opuntia Books, André Lemos lançou, entre finais de 2024 e início de 2025, através da chancela pessoal AL, um conjunto de pequenos opúsculos que têm em comum a apropriação de imagens preexistentes, sejam elas impressas em antigas revistas ou imagens de uso livre disponíveis na internet.
Dentre as novas publicações, registam-se dois volumes com o título Shipwrecked, compilando imagens resultantes de pesquisas na internet utilizando a palavra "shipwreck", que depois André Lemos seleccionou e editou.
São bastante surpreendentes as representações que existem sobre a temática dos naufrágios. O mar sempre esteve muito presente na iconografia, mas assumiu maior evidência no período romântico com representações de episódios com grande encenação e dramatismo, cujo expoente máximo será a obra "A Jangada de A Medusa" da autoria do pintor francês Theodore Géricault.
Os naufrágios fazem parte da memória e do imaginário colectivo, com histórias de grandes desastres, pirataria e canibalismo, o Titanic, o submarino Kursk e mais recentemente as inúmeras embarcações que atravessam o Mediterrâneo sobrelotadas com migrantes africanos.
As imagens seleccionadas por Lemos alternam entre cascos de navios já afundados, cenas representando o momento do naufrágio e a busca pela salvação. Há cenas inquietantes e emotivas, retratando a fragilidade da condição humana, o sofrimento e a esperança. Destaque para a reprodução da obra "Naufrágio de um Cargueiro" de William Turner, um momento exaltante de demonstração do poder esmagador da natureza e o dramatismo da insignificância do elemento humano.
Na capa, está o obelisco em memória das vitimas do naufrágio do navio Bristol em 1836, perto de Nova Iorque.
Shipwrecked #1, Janeiro de 2025, 12 págs, impressão laser a cores, 10x14,3cm. Edição: AL [4].

Shipwrecked #2
Na capa surge uma imagem publicitária do século XIX criada para uma marca de cigarros, representando o corsário Bartolomeu Português, autor do primeiro "Código dos Piratas".
Neste segundo tomo, os naufrágios estão representados também pela sua vertente técnica e histórico-arqueológica com esquematizações gráficas dos destroços, remetendo-nos para a exploração científica, o turismo subaquático e para os caçadores de tesouros no fundo dos mares.
As representações imagéticas de naufrágios oferecem aos seus receptores um largo espectro interpretativo, evidenciando o carácter mágico das imagens, fornecendo um código visual que traduz eventos em situações, em cenas que medeiam o acontecimento catastrófico e a ideia que formamos sobre ele.
Existem diversas experiências noutros registos não visuais que procuram representar a tragédia do naufrágio, como as obras musicais "The Sinking of Titanic" do compositor Gavin Bryars ou "The Kursk" de Matt Elliott. 
As representações sonoras, visuais, monumentais, etc., não se limitam apenas a eternalizar as grandes tormentas, os desastres naturais, os efeitos da guerra ou de acidentes, antes constituindo registos de mediação que nos fazem vivenciar acontecimentos traumáticos marcantes em função das suas representações.
 
Shipwrecked #2, Janeiro de 2025, 12 págs, impressão laser a cores, 10x14,3cm. Edição: AL [5].

07 maio 2025

Derby

Um Derby a juntar duas equipas de cinco autores de Lisboa e cinco do Porto, a contenda prometia acicatar rivalidades extra-futebolísticas. A cada autor competia entrar com dois desenhos, que se iriam defrontar directamente com os seus adversários.
Este projecto conjunto da Imprensa Canalha e do Atelier Mike Goes West, desafiava os autores a realizarem os desenhos directamente nos quadros de serigrafia, a pincel, implicando um gesto de grande espontaneidade.
Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: de Lisboa: André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques; os cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e José Cardoso. O texto de abertura é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.
Derby foi apresentado tendo "como objectivo a criação de uma publicação ilustrada inteiramente impressa em serigrafia de acordo com o Método Directo. Trata-se de um processo serigráfico que dispensa fotolitos e emulsões fotossensíveis, já que as imagens a imprimir são criadas directamente no quadro de serigrafia, a pincel, com um bloqueador à base de água. Para o ilustrador o desafio é enorme, pois este método obriga a um grande sentido de síntese e não permite grandes correcções. Deste processo resultam serigrafias originais, já que, após a lavagem do quadro onde se criou a imagem, o desenho que deu origem às impressões desaparece para sempre. Foram convidados a participar neste projecto inédito 10 ilustradores (cinco de Lisboa e cinco do Porto).
A primeira parte do projecto vai ter lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro, durante a "Feira Laica" no Porto, a decorrer nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criarão duas imagens cada, que corresponderão a uma dupla página da publicação. Simultaneamente, o técnico António Coelho, responsável pelo atelier Mike Goes West, fará demonstrações de impressão serigráfica. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.
Numa segunda fase, no atelier, as imagens serão impressas e a publicação dobrada e agrafada."
Derby, Junho de 2009, 28 págs, capa com impressão serigráfica em papel Vidia de 300g; miolo em serigrafia sobre papel Fabriano Academia de 160 g., 30x27cm, Tiragem: 150 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #012).

30 abril 2025

Embroidered Muscles

A décima edição da Opuntia Books é Embroidered Muscles de André Lemos. Todos os exemplares têm a particularidade de apresentarem nas capas um padrão diferenciado cosido à mão com linha vermelha, fazendo com que cada exemplar seja único e irrepetível.
No blogue LerBD, Pedro Moura escreveu extensivamente sobre esta edição: "O trabalho de André Lemos poderá levar à ideia de que se trata de uma obra “obscura”, no sentido banal da palavra, isto é, em que o seu suposto sentido unívoco não é de fácil interpretação e recuperação por estar soterrado numa pilha de escombros que dele desviam. (Uma segunda atitude é dizer que “não tem sentido nenhum”, mas o próprio esforço a seguir para provar isso demonstraria um sentido). Todavia, bastará que o leitor, ou espectador, ou folheador destas publicações (ou todos os papéis a um só tempo) se entregue a uma disponibilidade sensorial e sensitiva para perceber que se está perante algo que se revela afinal simples, directo, e interpretável de um modo seguro e fácil se se seguirem as instruções dadas.
Embroidered Muscles apresenta as suas instruções de modo claro. “Look closer/You’ll find it” é a primeira frase encontrada nesta série de imagens, uma por página. Olhemos de perto, então, na ideia de virmos a encontrá-lo, ao sentido.Numa mais clássica publicação de banda desenhada, de séries de caricaturas ou de ilustrações organizadas segundo algum princípio lógico-semântico, o acto de a folhear, de virar cada uma das páginas, coincide com o da construção, nítida e cumulativa, da narrativa apresentada. O acto em si torna-se subsumido ao da leitura, logo, dissipa-se, torna-se invisível.
As publicações de André Lemos, tal como a de muitos outros artistas que fazem assim desta liberdade metastásica a sua liberdade, tornam o acto do folhear visível, destacado, forte de maneira a que assume toda a importância. Os livros de Lemos tem menos uma estrutura do que uma textura (aproveito-me aqui de uma ideia de Henri Van Lier), e esse folhear apenas sublinha essa mesma natureza textural. A ordem das imagens e dos seus elementos constituintes não é, por isso, importante, uma vez que este livro obriga sempre a uma sua releitura (é quase como se a sua leitura não fosse possível, e apenas uma segunda experiência passasse a dar-lhe acesso), e o mais livre possível, de trás para a frente, saltando páginas, sem qualquer respeito para com as sequências circunstanciais da montagem do livro-objecto.
A primeira imagem mostra-nos uma mulher com as mãos colocadas numa posição muito particular, equilibrando em dois dedos dois pauzinhos na ponta dos quais se sustenta um pequeno cubo. Menos do que a anedota que parece apontar (analisável?, interpretável?, desvendável?), parece-nos que o mais importante se encontra nas relações frágeis estabelecidas entre o corpo humano e os objectos com que interage, ou sobre os quais age, ou aos quais reage: essa é uma situação que se repete em muitas das imagens em Embroidered Muscles. Mais, desenhos nos quais existem linhas mais ou menos rectilíneas que ligam a personagem a objectos são vários, o que faz pensar na exploração de um qualquer sentido esotérico, num ritual secreto perpetrado por estas criaturas. O lado obscuro surge assim claramente.
A presença de criaturas não-humanas ou de estruturas semi-vivas em companhia de seres humanos, ou de homens e mulheres que parecem ter permitido uma invasão parcial dos seus corpos por essas outras instâncias do vivo e do não-vivo corroboram essa ideia de uma centralidade temática trabalhada no interior desta publicação. “There are some quite disturbing funguses on my kitchen walls” é a segunda frase que surge na publicação, e é ela mesma a ilustração frásica do modo como o crescimento dos temas, das imagens, dos sentidos, é permitido por Lemos: menos por estruturação, do que por texturização de crescimento e exponenciação livre. As criaturas que vivem nestas páginas, deste a larva gigante de “Menstrual” ao “Walimoide” (cada desenho é intitulado), mas também os lábios afectados de “Lady Leech”, são uma continuação, uma textura extrema, desses primeiros e textuais fungos.
O próprio título, fruto dos contínuos jogos paradoxais e burroughianos de Lemos, constroem um encontro pouco provável entre tecidos contrácteis e o desenho possível da agulha. Se a imagem de dor, ou lesão, ou perigo surgem de imediato, não é surpresa, já que muitos dos sentidos, texturais, dos livros de Lemos apontam muitas vezes mais para os perigos inerentes do desenho livre (que Lemos, ao instituir, ultrapassa) do que para sentidos claros e seguros da ilustração mais banal."

Embroidered Muscles, Dezembro de 2008, 36 págs, capa impressa a laser sobre papel Guarro Iris Cuero 185 gr.; miolo impresso a laser sobre papel branco 100 gr., 14,6x21cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-0010].

19 janeiro 2025

George Grosz On Gaffer Tape Robe

Vinte e um anos após a edição de Super Fight II, André Lemos regressa ao universo de George Grosz, agora sob os auspícios da editora alemã Bongoût. Também neste aspecto, trata-se de um regresso a um formato e contexto já experimentados por Lemos em J.M.W. Turner On Dole.
Neste George Grosz On Gaffer Tape Robe, os desenhos são impressos a duas cores - uma cor alternada para cada lado da página.
As composições são expressionistas e surrealizantes, compostas por figuras humanas mutantes e obliteradas, mandíbulas, caveiras e esqueletos particionados, com aves de rapina ameaçadoras à espreita. Um ecossistema zombificado, pós-humano, onde pontificam os mortos-vivos num ambiente de natural selvajaria.
Corvos negros vigilantes absorvidos em Hitchcock, esculturas clássicas debicadas e amputadas, formas geométricas invasoras e abstractas, compõem um predatório universo primitivo habitado por répteis e louva-deus devorando os machos após a cópula como garantia da eclosão das ninfas.
Grosz e Lemos intimamente ligados a um radar ultrassensível captando os sinais de um desastre iminente a ameaçar subterraneamente.
Um mundo violento em lenta e inexorável decomposição, reconfigurado de forma inquietante e premonitória por André Lemos.
George Grosz On Gaffer Tape Robe, 2023, 16 págs., impresso em serigrafia a duas cores sobre papel amarelo, 10,8x14,9cm. Tiragem: 125 exemplares, Edição: Bongoût. Berlim.

12 janeiro 2025

LX Comics

LX Comics #1
Revista trimestral dirigida por Renato Abreu e João Paulo Cotrim. Neste primeiro número, apresenta na rúbrica Vinhetas um conjunto de resenhas aos seguintes fanzines: Dossier Top Secret #32, Eros #7, Fandaventuras #2, Comic Cala-te #1, Hips! #1, Cruzeiro do Sul #4, Banda #11/12.
Segue-se uma prancha clássica do norte-americano Cliff Sterret, com diversos apontamentos escritos por Pedro Vasco Saúde.
Depois, "O Manuscrito do Pianista Louco" uma bd em estilo mistério policial, atravessada pelo mito de Orpheu, muito bem gizada por Jorge Mateus, que também assina a capa.
José Manuel Morais publica o texto "A Vida é Sonho". A bd "Um Anjo na Terra" de José Bandeira sobre a descoberta do mistério do sexo dos anjos e a queda em tentação dos mesmos.
"O Circo" de Maria João Worm, fantasia sonhadora envolvendo os bichos e a vida errante da caravana circense, enquanto a personagem devaneia pela cidade e sobe ao alto do farol, tomando consciência que o circo não regressa mais à cidade.
Depois do sonho, a trip drogada de "Flash" de Filipe Abranches, a embriaguez de álcool, misturada com a lambidela do selo de ecstasy, o estado alterado e delirante, uma hipotética violação e a chantagem no dia seguinte.
Nuno Saraiva publica a bd "É Louco", ambientada num mundo em que todos são loucos e os mais sãos têm que fingir que são dementes para escapar ao cárcere. Fuga e deambulação em passo de corrida pelas ruas lisboetas, acabando caído num túnel do metro. 
A participação internacional fica a cargo do galego Miguelanxo Prado com a bd "Sensações" um fragmento da Enciclopédia Délfica, em tom de distopia futurista.
A finalizar, Pedro Burgos com "Curso Abreviadinho de BD", explicitando tudo o que um pretendente a autor de bd deve saber.
LX Comics #1, Primavera de 1990, 52 págs, impressão a cores, capa em papel Duna 120g; miolo em 80g., 22x31,9cm. Edição: MFCR, Lda. Lisboa.

LX Comics #2
Uma capa extraordinária. Recordo-me perfeitamente de a ver pendurada na montra do quiosque e sobressaia distintamente ao lado das outras revistas. O conteúdo do segundo LX Comics procura consolidar a publicação de uma banda desenhada moderna e cosmopolita, sintonizada com o que se editava na Europa, do novo Portugal na CEE.
Verifica-se um aumento do número de colaboradores relativamente ao número inaugural, reincindo alguns autores, mas acrescentando novos valores e coisa rara, algumas mulheres!
A abrir, a cantiga "Ó Ti Alves" de Zeca Afonso, ilustrada por João Lucas. Segue-se a rúbrica "Prosas do Observatório", onde João Paulo Cotrim acompanha e relata diversos acontecimentos e iniciativas ligadas à banda desenhada.
Depois Filipe Abranches apresenta 
"Amélia" num preto e branco nocturno e experimentalista, uma correria mesclando a tradição afadistada com a fantasia delirante e futurista. A capa é dele.
"Ladislau, ao serviço da pátria Babongo" é Nuno Saraiva a criar uma bd noir, com as atrocidades cometidas na guerra colonial como pano de fundo.
Uma nova prancha de João Lucas "As Angústias de Cininha". Nazaré Álvares apresenta "British Boys (encontro em câmara lenta e com cortes de som)", uma bd ambientada num clube académico masculino na Universidade de Oxford... Coisas de rapazes.
Com texto de José M. Morais e desenho de Jorge Mateus, regressa Vladimiro para desvendar o mistério de "O Quinto Dedo".
Mimi apresenta "Capricho dos Deuses", com vinhetas desenhadas a lápis de cera (ou pastel), onde os diversos personagens deambulam pelo casino de Malibu Beach.
Fernanda Fragateiro contribui com uma suave ilustração naturalista. Depois, um texto animista, cheio de misticismo e magia africana "Chá Doce de Chinhambanine", por Manuela Sousa Lobo.
"A Noite e a Sombra", uma noite pintada com os tons carregados de negro e de poesia por Maria João Worm.
Diniz Conefrey apresenta "Avé Marias Rap" uma sequência de recortes, colagens e recontextualizações, com texto em inglês e português, dando voltas e reviravoltas à sagrada iconografia nacional para turista apreciar.
"Fanzinar", uma coluna assinada por Cotrim destacando algumas publicações como Wampir Hematófago, O Moscardo e divulgando os contactos de diversos fanzines em publicação.
"Aficción" de Zepe, com rebuscados diálogos recheados de jargão tauromáquico homoerótico, seja lá o que isto quer dizer.
A terminar, "El Xis" com um inspector de finanças a passar a pente fino a contabilidade de um desenhador de bd, com promessa de continuação por José Bandeira. 
LX Comics #2, Outono de 1990, 52 págs, impressão a cores, capa em papel Duna 120g; miolo em 80g., 22x31,9cm. Edição: MFCR, Lda. Lisboa.

LX Comics #3
As primeiras páginas são dedicadas às "Prosas do Observatório" de João Paulo Cotrim, desfiando um conjunto abrangente de notícias e algumas resenhas breves a fanzines (KO&SAS, Comic Cala-te e O Búlgaro).
O terceiro número de LX Comics reúne um conjunto soberbo de autores portugueses apresentando histórias curtas, umas mais experimentais, outras poéticas, outras ainda repletas de fantasiosa imaginação.
A primeira bd é "Ladislau, Livre Indirecto" um pretexto para Nuno Saraiva entrecruzar as misérias económicas e sociais com o pontapé na bola.
"Gulf Stream" de Fernando Relvas, surpreende o jornalista Carlos com a chegada de Mort O'Gulf e Billies O'Fell e o mês de Janeiro nunca mais será o mesmo.
Segue-se "Arena" com Renato Abreu num registo nocturno e cubista. Depois, Diniz Conefrey conta "Histórias de Família".
"Postais Nocturnos" em tons azuis, compõem duas belas pranchas de Fernando Martins e Carlos Martins. Com texto de José Eduardo Arimateia e desenho de Alice Geirinhas, apresentam-nos um registo diarístico em estilo pop colorido.
Uma prancha composta ao som solitário do trompete é a proposta de Mimi. Logo a seguir, Maria João Worm apropria-se de um poema de Attila Jozsef.
Renato Godinho sonha um pássaro colorido, envolto num tédio a preto e branco.
"Música de Cegos" é um delirante texto de Ernesto Rodrigues, derivando em redor da Torre de Dona Chama.
A chuva e o diabo entretidos a observarem um cargueiro que atraca no porto de Anvers na Bélgica, e a decidirem qual a sorte dos marujos que se perdem em terra firme, pelo traço de 
Alain Corbel.
"Nocturno Para Voz e Celesta" desfiando a magia sonhadora do desenho de Filipe Abranches, apoiado no texto de Paulo Raposo.
Voltando aos navios, aos favores de Neptuno e ao som das gaivotas, uma história com sabor a desejo e maresia, composta através do negrume do traço de André Lemos.
Há ainda pranchas de Zepe com "El Xis" fiscal das finanças, João Lucas e também de Perdigão.
LX Comics #3,
 Inverno de 1991, 52 págs, impressão a cores, capa em papel Duna 120g; miolo em 80g., 22x31,9cm. Edição: MFCR, Lda. Lisboa.

LX Comics #4
Derradeiro número de LX Comics ao cabo de um ano e quatro edições. No editorial, João Paulo Cotrim questiona: "a LX Comics serviu para alguma coisa? Soube ler o momento e cumprir o movimento?".
De todo o modo, este é um número de continuidade , mas eventualmente à procura de novos caminhos. As páginas iniciais são dedicadas a notícias sobre concursos, salões e exposições de banda desenhada. No observatório, são alinhavadas inúmeras resenhas a novas edições de álbuns em Portugal, Espanha e França.
Jorge Varanda apresenta "As Aventuras de Florindinha" narrando a história da costureira Florindinha, cujo quotidiano banal é abalado por aparições libidinosas de Clark Gable. No final, outro famoso Clark irrompe na vida de Florindinha.
Segue-se uma bd de Luis Louro, com três pranchas onde o feitiço da Lua acomete os noctívagos lisboetas.
"Histórias de Família" de Diniz Conefrey é um mergulho profundo numa família estilhaçada, em expectativas desfeitas e no fim de uma certa inocência juvenil, rumo ao caminho da perdição. Excelente na grande variedade de recursos estilísticos utilizados.
Rufino, obeso e com problemas cardíacos, é o personagem principal de "A Minha Obsessão" de Andrés Fortes, que acaba por sucumbir à sua obsessão sexual, fantasiando sexo à bruta com as mulheres com quem se vai cruzando.
Nuno Saraiva dá continuidade a cores às aventuras de Ladislau pelas noites lisboetas no âmbito de um concurso para encontrar o porteiro de bar mais antipático.
João Ventura publica o texto "Bonecas Russas" com ilustrações de Maria João Worm.
Na rúbrica "Fanzinar", João Paulo Cotrim refere os fanzines Eros e Pintor & Meio, e também o italiano Schizzo.
Alain Corbel apresenta um conjunto de três pranchas numa digressão livre sobre determinadas ideias do que pode ser Portugal.
Também regressa Vladimiro de Jorge Mateus, para uma rocambolesca história com encomendas secretas e loiras renascidas da guerra civil espanhola.
A fechar "El Xis" de Pedro Burgos misturando fiscais das finanças com tartafufas ninja, tudo numa página apenas!
LX Comics #4, Verão de 1991, 52 págs, impressão a cores, capa em papel Duna 120g; miolo em 80g., 22x31,9cm. Edição: MFCR, Lda. Lisboa.

28 novembro 2024

Chili Bean

Fanzine comemorativo da primeira década de existência da Associação Chili Com Carne (CCC). A capa é da autoria de André Lemos.
A nota de imprensa dizia o seguinte: "Chili Bean é um zine que serve para a Chili Com Carne comemorar os seus 10 anos de existência legal. É um zine fotocopiado – invés de edições luxuosas como a associação tem editado desde 2000 - de 44 páginas A5 e todo desenhado e escrito à mão no emprego do talento manual.
Não se trata de um exercício de nostalgia mas antes uma forma de promover a materialização de objectos artísticos urgentes com poucos recursos e com exposição pública garantida pela festa de comemoração que a CCC que promoveu no passado dia 21 de Abril de 2007 com os concertos dos Lacraus, shhh…vs Sci-Fi Industries e Lobster. O zine foi oferecido à entrada...
Os autores que participaram com trabalhos inéditos foram André Lemos, Rafael Dionísio, Claudio Parentela, Jucifer, Tommi Musturi, João Cabaço, Mário Augusto & Sílvia, Jakob Klemencic, Christopher Webster, Nunsky, Jorge Coelho, Pepedelrey, André Ruivo, João Louro, Ana Ribeiro, Afonso Cortez, José Feitor, Rafael Gouveia e Mike Diana.
No meio de uma verdadeira revolução digital dos meios de comunicação, a Chili volta a 1997 para relembrar os media DIY que usou para combater a apatia desses tempos - o zine até ofereceu uma k7 áudio surpresa às primeiras 100 pessoas que entraram na festa!"
Chili Bean, Abril de 2007, 44 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Chili Com Carne.

19 outubro 2024

Family Portraits

Family Portraits foi o segundo fanzine da autoria de André Lemos lançado pela chancela Opuntia Books. A capa foi serigrafada por Mike Goes West e cada exemplar foi numerado, assinado e carimbado pelo autor. Cada exemplar inclui uma fotografia de retrato antiga dos séculos XIX e XX.
No blogue LerBD, Pedro Moura referiu o seguinte sobre esta publicação: "Family Portraits, que ainda tem por título oculto os nomes das famílias apresentadas, os Ruins, os Plastic e os Tornadoes, apresenta retratos de vários membros das ditas famílias, acompanhados por textos mínimos, uma frase que, sucinta, nos revela uma fantasmagoria qualquer da personagem em questão, fantasmagorias que são objectificações quer dos apelidos quer das obsessões familiares. Uma certa maneira de dizer que “o sangue é mais forte que a água”?"
..."Family Portraits é composto por desenhos a traço negro, cabeças flutuando numa mancha negra. Os rostos das famílias, apresentados como são tal qual troféus de caça num salão, acabam por se tornar numa qualquer variação de uma escrita – ideogramas, faciogramas - que entendemos possuir algum significado ulterior, mesmo que não o consigamos decifrar."
Family Portraits, Março de 2007, 24 págs, fotocópia a preto sobre papel branco 80 gr; capa serigrafada a três cores sobre papel Vidia 300 gr, 15x21,5cm. Tiragem: 90 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-004].

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