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07 junho 2026

Musclechoo

No blogue LerBD, Pedro Moura referiu que este Musclechoo "é também uma espécie de festa rija de violência, utilizando uma espécie de Pikachoo schwarzenggeriano como personagem principal, lutando contra um exército de lutadores mexicanos (com as costumeiras máscaras), a soldo de um demónio. A missão é salvar a sua namorada, e apercebemo-nos de que a história vem de longe, como se este número fosse parte de uma série maior (uma estratégia análoga à de Alan Moore e companhia com 1963). Essa missão é cumprida, não sem um preço grande pago. Depois disso, Musclechoo dirige-se no seu jipe para uma fortaleza muito parecida com aquela de Hardware.
Se a descrição pode parecer muito idêntica à de 666 Hardware é porque a cultura de que o trabalho de Rudolfo emerge está menos preocupada com explorações de originalidade e psicologismos do que por uma dedicação quase exclusiva à conquista de pontos, à superação da prova, à chegada ao fim da missão. Desde os primeiros Game Boys dos anos 1980 às X-Box e ao que se seguirá, pode haver transformações de memória, capacidade de informação, velocidade de acção, número de níveis, de personagens, de habilidades, de cores, etc. mas as instruções serão sempre as mesmas: os modos de produção e desenho são algo diferenciados, com Hardware mostrando uma mais controlada arte final, provavelmente com tinta da china e artpen, uma maior cobertura dos fundos com preto, contornos mais grossos, e um trabalho de volumes e sombras com tramas mais consistente e paciente. A própria estruturação das páginas é cuidada, e regular, ainda que variada ao longo da história. Musclechoo parece ser feito mais depressa e mais despreocupadamente, talvez a esferográfica ou com uma caneta fina, as tramas criadas mais ao acaso, todos e quaisquer “erros” gráficos incorporados no desenho final, e apesar de haver uma idêntica variedade na composição de página e das vinhetas, estas são desenhadas à mão."
Musclechoo #1, Dezembro de 2011, 20 págs, impresso a preto sobre papel amarelo, 14,9x21cm. Edição: Ruru Comix.

22 janeiro 2026

666 Hardware

Até aquele momento, 666 Hardware constituiu a publicação mais extensa de Rudolfo, apresentando uma capa em papel brilhante e uma sobrecapa envolvente em papel vermelho, com um desenho de André Coelho no seu interior. Apesar de todo este cuidado, 666 Hardware acabou por ser renegado pelo seu autor, tendo este referido que "Agora odeio-o."
No blogue LerBd foi referido que 666 Hardware "parece começar a meio de uma aventura, mas desconhecemos se pertence de facto a um épico maior. Uma personagem que se parece muito com o avatar da banda desenhada do próprio Rudolfo noutros trabalhos, mas armado de dois cornos e chamado de Satan, penetra num mundo diabólico com o seu imenso companheiro diabo Catumba, o qual se pode transformar numa espada, obviamente demoníaca, empunhada pelo mestre. Ambos procuram um skate que pertenceu a um legendário Natas Slayer. Lutam contra hordas de demónios, incluindo um gigantesco Vaginoroth, até conquistarem o seu prémio. E depois vão para casa.
Esta última frase pode parecer ridícula, e é-o sem dúvida na descrição, mas é justa. O que é curioso nisto tudo é que apesar de começar a meio, atravessar páginas de acção frenética, e morte, termina de uma maneira calmíssima, sem fanfarra, e Satan e Catumba volta para onde vieram… É como se tivéssemos atenção ao que acontece antes ou depois das cenas representadas nas capas de discos de metal. Um pormenor gráfico é que todos os “ts” são desenhados de maneira a parecerem cruzes invertidas, dando continuidade a toda uma série de clichés satânicos das capas de discos de heavy metal e derivados (mas para além da referência directa aos Slayer, a banda sonora só poderia ser mais frenética, talvez Anaal Nathrakh?).
Os modos de produção e desenho são algo diferenciados, com Hardware mostrando uma mais controlada arte final, provavelmente com tinta da china e artpen, uma maior cobertura dos fundos com preto, contornos mais grossos, e um trabalho de volumes e sombras com tramas mais consistente e paciente. A própria estruturação das páginas é cuidada, e regular, ainda que variada ao longo da história."
666 Hardware, Agosto de 2011, 40 págs, impresso a preto & branco; sobrecapa em papel vermelho, 14,8x20,8cm. Edição: Ruru Comix.

02 janeiro 2024

“ ”

Breve incursão de Rudolfo da Silva na ilustração digital pixelizada, apresentando oito figuras e respectivos pensamentos, palavras e interjeições inseridos em balões. Somos ainda brindados com um poster nas páginas centrais, para afixar na parede do quarto.
O autor apresentou assim este fanzine: "Que ironia massiva! Um conjunto de ilustrações repletas de eufemismos, que na verdade chegam a ser mais incisivas que um bisturi usado para abrir o corpo de um morto na morgue! Afinal de contas estamos perante umas representações compostas por pixeis!
Não será essa a forma mais rígida de representação? São quadrados! Quatro pontas! Quatro linhas rectas! Esquinas! Afiadas!
Uma simplificação que é complexa. Aqui não há nada de simples e suave. Só complicações e durezas..."
“ ”, 2011, 16 págs, fotocópia a cores, 14x20cm. Edição: Ruru Comix.

27 setembro 2023

Musclechoo

Rudolfo regressa com o seu Super Macho Warrior Musclechoo, o Pikachu mutante submetido a uma overdose de esteróides anabolisantes. Este volume 1, reúne trabalhos desenvolvidos entre Dezembro de 2011 e Julho de 2013.
O héroi Musclechoo alia-se a Barf Joe para se vingar da infidelidade de Pikatchoina com Weird Dick Alien Dude. O que se segue é uma orgia de violência sanguinária, exércitos de genitália masculina, armamento diverso, líquido seminal...
Musclechoo exibe todo um universo muito macho, submetido a uma sobre-exposição de videojogos e transbordante de testosterona juvenil.
Musclechoo #1, Julho de 2013, 40 págs, impresso a preto sobre papel amarelo, 14,8x20,8cm. Edição: Ruru Comix.

07 agosto 2023

Mega Rude

Fanzine de Rudolfo com capa e um poster A5 impressos a cores. Marcos Farrajota no blogue da Chili Com Carne escreveu: "também a primeira vez que publica uma estória auto-conclusiva de 8 páginas apenas - mas muito pouco conclusiva a nível de conteúdo, embora ele dê cabo do Fernando Pessoa sabe-se lá porquê - puto, o Nandinho é boa gente, boa leitura e tudo mais... Qual é a tua? Bom... Como o Rude ainda está naquela fase de que se topa influências e dizia que a capa estava muito colada ao James Kochalka, só para irritá-lo digo que não... mas lembra o Tom Hart!"
Mega Rude, Fevereiro de 2010, 12 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 14,8x21cm. Edição: Ruru Comix.

16 julho 2023

Simplesmente Rudolfo

Fanzine apologético em honra de Rudolfo, criado e realizado pelo próprio em tom de exaltação das próprias capacidades e da grandeza dos seus feitos. O humor e o sentido de autoirrisão são uma constante, bem como a imitação do conteúdo das revistas para os jovens, como as produções fotográficas do artista com roupa fashion e a inclusão de cartas e arte enviadas pelos fãs.
Também a auto promoção das próximas actividades e edições e algumas bd, com especial destaque para "Tarde de Domingo", relato de uma emissão da Benfica TV onde o rei Eusébio entroniza Cristiano Ronaldo (outra superstar como Rudolfo;) como novo Deus.
Como Marcos Farrajota muito bem notou no blogue da Chili Com Carne, Simplesmente Rudolfo pode ser descrito como: "imaginem uma revista tipo Bravo especial Morangos com Açúcar com meia de bling-bling e outra meia de cócó... dá nisto! Para quando o Clube de Fãs do Rudolfo com direito a merchandising oficial tipo tatuagem temporária? Avisem-me quando isso acontecer!!!".
Simplesmente Rudolfo #1, Maio de 2010, 16 págs, impresso a preto & branco, 14,8x20,8cm. Edição: Ruru Comix.

01 junho 2023

Epifania

Fanzine elaborado por Rudolfo entre os dias 12 e 15 de Dezembro de 2010. O autor informa que o conteúdo foi criado durante "tempos mortos durante almoços e afins. Sem qualquer planeamento. Uma verdadeira visão. Psicadelismo caquético! Epifanias! Um transe profundo no meio de hormonas e gorduras saturadas de hamburgueres!!!"
O fanzine começa com um diálogo inquisidor entre Satanás e um individuo incrédulo e meio tonto. Entretanto, a conversa deriva para a genitália satânica e o interlocutor pensa que consegue enganar e escapar ao Diabo. Pura ingenuidade... 
Epifania, Dezembro de 2010, 12 págs, fotocópia a preto & branco, 14,4x20cm. Edição: Ruru Comix.

23 fevereiro 2023

Magical Otaku

 
Novo arremesso editorial de Rudolfo escrito em inglês, começando com uma sequência protagonizada por uma dupla de jovens nerds, Tobias e Dan. O reencontro entre eles ocorre numa loja que mimetiza a "Mundo Fantasma" no Porto. A fixação partilhada pela cultura japonesa, pelos manga, por j-pop, por jovens personagens depressivos e raparigas sexys une os dois colegas.
Dan convida Tobias para aparecer em sua casa e partilham livros e jogos de arcada e histórias de bullying. A história termina, com um final em aberto, que merecia continuação.
Segue-se uma espécie de anúncio publicitário a "Fissure" desenhado por Afonso Ferreira.
Depois, Musclechoo regressa para mais uma missão repleta de força anabolizante e perversão sexual descontrolada.
A última banda desenhada decorre ao tom da narrativa em modo transe psicótico do autor (não come, não dorme, não sai de casa) sobre a elaboração dos trabalhos apresentados, uma página com notícias sobre o autor e o seu trabalho e mais alguns desenhos. Pelo meio, uma suposta fotografia sobre o primeiro cosplay de Rudolfo!!
Magical Otaku foi desenhado entre Abril e Maio de 2012 e foi lançado durante a Feira Laica.
Magical Otaku #1, Julho de 2012, 24 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 14,8x21cm. Edição: Ruru Comix.

15 fevereiro 2023

Malmö Kebab Party

Malmö Kebab Party é um volume especial da colecção LowCCCost publicada pela Associação Chili Com Carne, incidindo sobre a temáticas das viagens. 
Esta publicação colige as bandas desenhadas dos cinco autores que viajaram ao festival AltCom, na cidade de Malmö na Suécia, para apresentarem as antologias QCDA.
Cada autor apresenta uma banda desenhada de quatro páginas, começando por Amanda Baeza, que nos introduz, de forma poética e misteriosa, ao surgimento do simpático ananás.
Segue-se Hetamoé, que conta como foi o dia-a-dia na cidade e na exposição e o relacionamento com os restantes autores.
Sofia Neto apresenta uma sequência de vinhetas, com ausência total de texto, que começa com o desenho do seu rosto frontal, seguindo-se uma espécie de relato ditado pelo delírio ou pelo sonho alucinado.
Cada um dos quatro dias passados em Malmö preenche uma página da banda desenhada produzida por Afonso Ferreira, começando pela viagem de avião, seguindo-se um incidente na exposição, a interação com os anfitriões e com os colegas de jornada.
Por fim, Rudolfo sob a influência etílica do consumo excessivo do bourbon Jim Bean, narra as atribulações decorrentes, misturadas com jogos de consola e a visualização na TV da Rua Sésamo em sueco, terminando com o embaraço sentido perante a anfitriã que o terá acudido durante uma sessão de vómito de rabo para o ar!!
Malmö Kebab Party [LowCCCost #4], 2015, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa a cores, 16x23cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Chili Com Carne e Ruru Comix.

01 dezembro 2022

Molly

Molly #1
Na sua produção incessante, Rudolfo ambiciona publicar Molly de forma regular, quem sabe em edições bimestrais e com isso ficar rico... Mas o mundo é cruel e logo no número inicial as coisas descambam e os atrasos acumulam-se. De qualque forma, o autor tem na manga possibilidades de carreira alternativas à banda desenhada: - Seppuku!!
As minudências do quotidiano banal ou as cenas completamente maradas, muitas secreções a serem expelidas, o desenho super pormenorizado ou livre e estilizado, os pénis de diversos feitios a vaguearem pelas páginas, temos um pouco de tudo e o Molly promete.
Molly #1, Agosto de 2014, 28 págs, impresso a duas cores, 16x23cm. Tiragem: 300 exemplares. Edição: Ruru Comix.

Molly #2
O segundo número de Molly é ensombrado pelo falecimento da avó de Rudolfo, potenciando a habitual sensação de falhanço na vida e de perda de entes queridos, relativamente aos quais muito ficou irremediavelmente por dizer e por fazer.
A banda desenhada central é uma narração do conhecimento e posterior fixação numa banda japonesa de noise chamada Vanus - vai sendo desvendando o submundo do noise, as editoras, os fanzines, as cassetes, as edições mínimas, a imagética sado/maso, a masturbação, os diversos subgéneros, o anonimato, os concertos abrasivos, a escatologia.
Para terminar, uma bada desenhada sobre um fanzine especializado em cãezinhos fofos e com um cão de raça chihuahua obeso chamado Atum, que é uma estrela na net, com montes de likes!
Molly #2, Julho de 2015, 36 págs, impressão a 2 cores, 16x23cm. Tiragem: 400 exemplares. Edição: Ruru Comix.

24 novembro 2022

And Thus The Latrina has Spoken


Fanzine compilando magníficos desenhos de André Coelho, do australiano Murdoch Stafford, do italiano Tisbor, do inglês French, de Rudolfo e de Laro Vilas Boas. Predomina a estética satânica e as cenas ritualísticas, com muitos bodes e chifres a adornarem as cabeças, caveiras e esqueletos, alguma genitália, figuras disformes e sangue e sémen à mistura.
Apesar da diversidade de estilos e técnicas de desenho
, o conjunto resulta bastante coeso.
And Thus The Latrina has Spoken, Novembro de 2010, 28 págs, impresso a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 75 exemplares. Edição: Latrina do Chifrudo + Ruru Comix, Porto.

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