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11 dezembro 2025

Cleópatra

Cleópatra #2
Fanzine de Tiago Baptista ao melhor estilo dos fanzines pessoais. O autor informa no editorial que o nome da publicação não tem nada a ver com o conteúdo. Seria uma homenagem às Cleópatras, mas que essa ideia trágico-romântica deixou de fazer sentido logo no primeiro número, tornando-se o fanzine numa complexa massa de informação aparentemente desconectada.
O Cleópatra tem ilustrações, pequenas bandas desenhadas, um texto / manifesto anti, intitulado "O Meu Portugal", que é uma excelente diatribe, ainda hoje plena de actualidade. A finalizar o fanzine, são apresentadas notas críticas a diversos fanzines e outras publicações e também a discos de música da preferência de Tiago Baptista.
Cleópatra #2, Agosto de 2007, 32 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Leiria.

Cleópatra #3
Passaram-se 17 meses desde a publicação do número anterior e Tiago Baptista questiona-se para que servirá editar um fanzine? "Vejo neste tipo de publicação uma espécie de pedra. Uma pedra num charco. Um charco lamacento, pantanoso este que é a sociedade, num sentido mais vasto o nosso mundo, isto em que vivemos".
O tom do fanzine é extremamente pessimista e desiludido com o sistema da arte e com a sociedade capitalista no geral. Os trabalhos publicados, sejam banda desenhada ou desenhos são todos excelentes.
A fechar este número, uma página dedicada à divulgação de diversas publicações alternativas.
Cleópatra #3, Dezembro de 2008, 16 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco; capa em cartolina serigrafada. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Lisboa / Leiria.

Cleópatra #4

As angústias, dúvidas e demais perplexidades com que se confronta o jovem artista, constituem um fio condutor deste Cleópatra. A primeira BD de 3 págs. "Artista Agarra a tua Oportunidade", constata que apesar do talento e do trabalho árduo, o artista pode facilmente cair no canto da sereia e acabar como uma atração de circo. A BD "The Titles of the Exhibition Still Sound Better in English", também reflecte sobre as questões que se colocam aos artistas nas suas exposições.
De forma bastante mais descontraída, a banda desenhada "Surrealist Adventure", apresenta um desvario com as personagens montadas em skates na berma de um vulcão em erupção e a acabarem a beber gasosa com tintura de iodo!
A finalizar o fanzine, são apresentadas críticas aos fanzines Cooltura, Phantastes, Lola Folga às Quartas e à publicação brasileira Chiclete Com Banana; na música, é destacado o álbum dos Swans "1983 - Filth/Body to Body, Job to Job 1982-85". 
Cleópatra #4, Abril/Maio de 2009, 20 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco; capa em stencil colorido. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos. Caldas da Rainha / Leiria.

Cleópatra #5
Na sequência de um período de cerca de ano e meio a trabalhar num cinema nas Caldas da Rainha, Tiago Baptista reflecte sobre as questões da precariedade laboral, dos salários miseráveis, enfim, da exploração capitalista do assalariado. No entanto, estando a trabalhar num cinema, o autor não poderia deixar de reflectir também sobre o modelo vigente de distribuição e exibição de cinema em Portugal. As bandas desenhadas apresentadas partem da premissa do autor estar a assistir aos filmes que são exibidos na sala onde trabalha, na companhia de alguns dos realizadores que mais admira. O autor , assumindo o alter-ego Zé Cabeludo, tem a companhia de François Truffaut, Manoel de Oliveira, Andrei Tarkovski e Ingmar Bergman. Nos três primeiros casos, a cena decorre no interior da sala de cinema e os personagens vão discorrendo sobre o filme em exibição. No caso de Bergman, a cena decorre na ida para o cinema e na escolha do filme a ver, que se revela infrutífera, uma vez que não há nada interessante para assistir. 
As 4 bandas desenhadas são intercaladas por imagens fotográficas de manequins de moda, a afirmarem as coisas mais improváveis, através da utilização da técnica do détournement.
Uma nota final para a excelente qualidade geral da impressão do fanzine.
Cleópatra #5, Dezembro de 2010, 32 págs., 21x29,7cm., fotocópia a preto & branco. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelo. Caldas da Rainha / Lisboa / Leiria.

Cleópatra #7
Sequências de fotografias pessoais e familiares, reproduções de obras de arte de diversas proveniências e épocas históricas, referências musicais expressas através das capas dos álbuns "The Burning World" dos Swans, "Moon Pix" de Cat Power e "Scott" de Scott Walker, ou uma imagem video de "The Third Reich 'N' Roll" dos The Residents.
A imagem da capa, uma pintura que reproduz uma fotografia que surge logo na primeira página protegida por um manto diáfano de papel vegetal. Praticamente não há legendas, nem qualquer texto, apenas uma natureza selvagem e indómita, associada ao poder xamânico da arte e da força de trabalho do homem, produzindo significado profundo e intemporal. A magia das imagens e das associações operadas por Tiago Baptista impõe-se com a força telúrica que sonda os mistérios nas profundezas da alma humana, dividida entre a tradição e a modernidade, entre o sagrado e o profano, entre a arte e o vernáculo.
"Que se devolva o segredo às imagens", eis a muito apropriada epígrafe deste Cleópatra.  
Cleópatra #7, Junho de 2012, 44 págs., 21x29,7cm., impressão laser a preto & branco; capa a cores. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos.

Cleópatra #8
Nesta edição, integralmente constituída por trabalhos de Tiago Baptista, os textos foram completamente abolidos e as bandas desenhadas também. Há muitos desenhos preparatórios para cartazes, para pinturas, e outros trabalhos. Este fanzine acaba por constituir um repositório de estudos, esboços, mas também de outros trabalhos mais desenvolvidos, tudo com excelente qualidade gráfica e uma identidade autoral muito vincada de Tiago Baptista.
Cleópatra #8, Dezembro de 2012, 40 págs., 20,5x28,3cm., fotocópia digital a preto & branco e cores. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos.

16 setembro 2025

Facada

Facada #1

Facada é um fanzine conjunto de Pedro Oliveira e Tiago Baptista. A primeira banda desenhada é "Diário de um Estudante", onde Pedro Oliveira narra o dia-a-dia do estudante da ESAD das Caldas da Rainha. Depois, Tiago Baptista apresenta um conjunto de quadros com o João a matar ratos com a mão. Segue-se "Dom Merdas" representando um sáurio vestido com estilo e com aura.
A letra do tema "Vampiros" de Zeca Afonso é transcrita manualmente por Pedro Oliveira, à qual acrescenta desenhos e colagens de fotos de rostos de políticos nacionais e estrangeiros.
As últimas páginas são preenchidas com trabalhos avulsos dos dois autores. 

Facada #1, Dezembro de 2005, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Caldas da Rainha.

Facada #2
Fanzine editado por Tiago Baptista e Pedro Oliveira. Contem desenhos de Isabel Ferreira, André Catarino, Carlos Daniel, Eduardo Ferreira e Gonçalo Baltazar.
Tiago Baptista apresenta a bd "Casal Motor Cycle #2", uma road-trip mental em motocicleta Casal, que entretanto avaria, dando origem a uma divagação paralisante do proprietário. Além desta bd, apresenta dois textos entre o poético e a letra de canção.
Por falar em canção, é também impressa a letra do tema de Zeca Afonso "A Morte Saiu à Rua".
"Diário de um Estudante" de Pedro Oliveira é uma espécie de manual de instruções para fazer um charro, fumá-lo e ficar com a moca. O mesmo autor publica também dois desenhos de garrafões com o rótulo "Confraria Chungaria" ESAD 2006.
Facada #2, 2006, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Caldas da Rainha.

Facada #8
Fanzine com trabalhos dos editores Tiago Baptista e Pedro Oliveira, e da artista convidada Nadine Rodrigues. Os trabalhos são essencialmente desenho e banda desenhada curta, surgindo intercalados uns nos outros indistintamente. Tiago Baptista contribui com desenhos caóticos e com duas histórias: uma em bd - "Matei uma Mulher Vestida de Negro" num registo cruel e sombrio. A outra, intitulada "Fanzines São a Salvação", corresponde a um texto delirante, supostamente escrito pela islandesa Björk, fazendo a apologia dos fanzines como instrumento de intervenção social.
Num registo igualmente divagante, Pedro Oliveira publica "O Clone de Liedson Resolve", onde num longínquo ano de 2047, um clone do jogador de futebol Liedson, marca o golo que permite uma vitória galáctica ao Sporting.
Uma das páginas deste Facada é preenchida com uma extravagante entrevista à convidada Nadine Rodrigues.
Facada #8, Maio de 2007, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Caldas da Rainha.

09 novembro 2024

O Princípio

O Princípio assume-se como uma publicação periódica da partilha de ideias através de textos, poesia e imagens.
Começa com um texto de Tiago Baptista “The Residents: antropofagia nos Estados Unidos em 76”, onde o autor analisa o disco "The Third Reich'N Roll" dos The Residents à luz das ideias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade. A ilustração "Avanti Canibália" dos !Von Calhau! acompanha este texto. 
Segue-se o ensaio “A fotografia como substituto do ser amado: apontamentos cinematográficos”, da autoria de Joana T. Silva.
Há também um conjunto de ilustrações de Elias Gato, feitas a partir do livro “O pintor de baixo do lava loiças” de Afonso Cruz.
Depois vem uma sequência com o poema de Catarina Domingues “Tiago Baptista – atelier”; seguida por uma entrevista da mesma autora a Tiago Baptista.
Erica Zíngano publica os poemas “e de estribilho de elástico de”. Também participam os artistas Carlos Gaspar, Patrícia Guimarães e Sara Belo, com trabalhos de pintura e de desenho.
A repetição de um desenho que funciona como padrão separa cada texto e imagem. Algumas folhas de tamanho A4 são dobradas escondendo uma parte dos conteúdos, que são revelados à medida que se desdobra a folha.
A lombada foi cosida com linha preta e o design foi de Sílvia Prudêncio. Excelente publicação - foi pena ter durado apenas um número...
O Princípio, Novembro de 2013, 48 págs, impressão digital a preto, 13x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Porto.

23 julho 2024

Edição e Fanzines, breves apontamentos

Este texto é um pequeno apontamento sobre o papel que, me parece, pode ser reclamado pelos fanzines e pela autoedição em geral.
Costumo pensar nestas publicações como uma disputa com o tempo, com o esquecimento, mesmo que o próprio fanzine contenha em si essa perenidade e temporalidade finita, mesmo que nas suas páginas estejam muitas vezes impressos manifestos e ideias com vida curta. Ainda que muito pouca gente leia fanzines, eles existem para o mundo, são a projecção dos nossos interesses, sonhos, ansiedades, preocupações e sentimentos. Os fanzines, punhado de folhas agrafadas, por existirem assim no limite de um fim próximo, poderão ser, então, uma tentativa de imortalização do espírito. Em estado perene, essa ideia de publicar mais ou menos precária e instável, existe sem razão, sem explicação, sai de dentro para fora. É a existência insensata e frágil que me aproxima e me cativa na edição deste tipo de publicações e nessa fugacidade e instabilidade formal e das ideias existe também o reverso da medalha. Uma navalha com duas lâminas.
Por um lado, move-me essa tentativa prazerosa de criar num formato precário, por outro angustia-me que não exista público/mercado que consiga muitas vezes absorver os inúmeros fanzines que se vão publicando - o público que consome, é muitas vezes o mesmo que produz - influenciando muitas vezes a criatividade e produtividade das publicações.
Esta é uma questão para a qual se deve procurar solução. Os fanzines existem para satisfazer os fan-editores (os autores/editores de fanzines) que, ou não conseguem publicar o seu trabalho em outras publicações mais mediatizadas e reconhecidas, ou que encontram nos fanzines e na autoedição um espaço de experimentação e confronto que provavelmente não lhes seria permitido em publicações estabelecidas, por serem edições de elevado estatuto comercial e/ou artístico que acabam por exercer no autor essa pressão e deixar pouco espaço para tentativas de experimentação criativa (embora existam excepções). A edição de fanzines satisfaz um nicho de mercado pequeníssimo que se revela na maior parte dos casos nos próprios fan-editores ou, caso a temática seja mais especifica, num pequeno conjunto de interessados (caso contrário, essa publicação seria editada e distribuída em maior escala).
Há ainda uma outra questão que contribui para que os fanzines continuem afastados de um público mais abrangente, e que me parece importante mencionar, que é o caracter de urgência presente em muitas destas publicações, e volto à já mencionada característica precária que não é somente a precariedade financeira dos autores, mas neste caso da própria publicação enquanto objecto portador de imagem e escrita. Essa dimensão de urgência leva muitas vezes ao descuido na edição e no próprio discurso teórico que envolve a publicação, e apesar de poder acentuar o distanciamento entre o autor e o público, este inadiamento, esta urgência de tornar público é como um grito que se faz ouvir (ainda que na maior parte das vezes não ecoe e se torne quase mudo, um grito emudecido não pela força da experiência mas pela inoperatividade contida no próprio objecto publicado).
O problema financeiro há de ser sempre um entrave ao desenvolvimento de um mercado e da educação do público. As editoras de banda desenhada (embora a mesma situação se aplique a outras editoras ligadas à literatura, à fotografia, ao cinema, às artes visuais, etc.) acabam por preferir publicar as infindáveis histórias de super-heróis americanos e seus compinchas, em detrimento de autores portugueses, ou da tradução de outros estrangeiros que alimentem a criação alternativa, em suma, de uma banda desenhada que convoque a discussão de temas diferenciados e consciencializadores, política, estética, filosófica, e culturalmente, deixando de parte as explosões e fantasias imperialistas de poderosos/mutantes/humanos. O risco é grande, a vontade é dúbia (parece-me) e o dinheiro escasseia. Daí que os fanzines e a autoedição prevaleçam muitas vezes como espaço de agitação e experimentação. Esse papel agitador em potencial desempenhado pela internet, parece-me, por ter implodido rapidamente, se transforma num abismo de informação poluída e que nos delega para um marasmo e confusão, para além de que a fisicalidade do papel e o cheiro da tinta desaparece, e é também aqui, na fisicalidade e relação corporal que o fanzine mantém com o leitor, uma interacção genuína e real, que pode ser fomentada uma verdadeira dinâmica em redor das emoções, da empatia, da fraternidade e da tomada de consciência de si próprio como ser individual e físico inserido na esfera do real.
Penso que só pela união e associação entre editores de uma maneira séria e consciente, na tentativa de uma aproximação elucidativa às pessoas, as publicações com este carácter especial de quase preciosidade poderão sentir alguma luz – somente a necessária - sobre as suas capas e folhas. Mas sempre, sempre sem concessões criativas. E este é um trabalho inglório e difícil.
Em relação ao objecto com intenção em potência compreendo que uma publicação dificilmente poderá ter peso algum que faça operar alguma mudança na nossa realidade. Ainda que o seu poder seja ténue, acredito que no acto de publicar reside algum espaço reivindicativo, de resistência, ainda que em potência e com fraca capacidade de competir com outras plataformas de partilha, informação e comunicação. Mas essa ansiedade e força estão lá. Esse característica reivindicativa está decalcada no próprio acto de tornar público, de publicar, nos gestos, no tempo, o tempo de empenho em fazer nascer do papel e da tinta, dos agrafos e da linha, da cola e do tecido, um objecto vivo, que transporta nele um pouco da força anímica que nos faz sonhar e ainda, apesar de todas as dificuldades, sentir que é possível resistir. É possível furar a violência do real e encontrar um espaço individual ou colectivo de partilha. Nas páginas dos fanzines, dos livros de artista, dos panfletos -quero acreditar- reside ainda um lugar virgem e honesto onde nos podemos tornar nós próprios, tomar partidos, fomentar opiniões, fazer existir as imagens e as palavras que nos perseguem e que necessitamos tornar públicos num espaço não virtual, com texturas e cores que palpamos e cheiramos. Nestas folhas ainda podemos existir individualmente, colectivamente, anonimamente e intimamente. Alguém num outro lugar irá receber-nos.

Texto retirado do blogue Façam Fanzines, Cuspam Martelos de Tiago Baptista.

13 maio 2024

Estátua Falsa

Estátua Falsa de Tiago Baptista foi lançado no decurso da 20.ª Feira Laica, realizada em Campolide em finais de Junho de 2012, estando também em exposição os originais desta publicação. Segundo Pedro Vieira de Moura, no blogue LerBD, os originais "Não seguiam, de forma alguma, a ordem pela qual surgem no “espaço folheado” do fanzine, o qual insufla sobre a ordem dos desenhos uma estruturação mais nítida, pelo menos na relação que cada “bloco” opera no seu interior (a que poderíamos chamar “o homem que escava”, “estátuas”, “comboio suburbano” e “diálogos agónicos”) e, quem sabe, entre uns e outros. Formas de desenhar, temas, materiais, estruturações compositivas, e até mesmo preocupações de tom e humor apresentam-se de maneiras distintas, em diversidade. Encontramos aqui mais uma vez, tal como em Fábricas, baldios, algumas constantes preocupações: a relação com a história de arte, uma taxonomia livre, a inscrição oblíqua da autobiografia do autor, da sua tarefa de criação, ou notas sobre reflexão, sob a forma de vinhetas gráficas, que terão maior ou menor grau de simbolismo. A citação de elementos naturais, como a lama, o barro, a água como matérias-primas e plasmáveis, para criar obras. E a flutuação entre uma abordagem virtuosa, multímoda, controlada da arte do desenho, e uma gestualidade mais sumária, de esquisso, não vá a ideia evolar-se."
Estátua Falsa, Junho de 2012, 32 págs, impressão a laser grayscale [Epson Aculaser] em papel Renova print RPC de 120g.; capa impressa em serigrafia sobre cartolina do Prado, 14,5x21cm, Tiragem: 100 exemplares. Edição: Imprensa Canalha (IC #017).

17 janeiro 2024

Bolso

Bolso #2
A pressão e o entusiasmo levaram Tiago Baptista a começar este segundo número, mesmo antes de concluir o primeiro. A vontade de fazer coisas e realizar algo concreto como uma corrida desenfreada contra a morte e o esquecimento.
São publicados trabalhos de diversos participantes (por ordem alfabética): André Catarino, António Tudella, Carlos Nascimento, David Bastos, Eduardo Ferreira, Laurindo Marta, Marta Veludo e Verónica Baptista.
Os trabalhos publicados são muito variados como desenhos em diversos estilos, banda desenhada (Tiago Baptista), textos, apontamentos e esboços rasgados de cadernos diários, colagens e montagens fotográficas.
Bolso #2, Outubro-Dezembro de 2005, 52 págs, fotocópia a preto & branco; capa em serigrafia, 15x10,5cm. Tiragem: 40 exemplares. Caldas da Rainha.

Bolso #8
 
O oitavo número do Bolso, é lançado sob o signo da dúvida e da descrença. Tiago Baptista refere que "cada vez mais me custa publicar fanzines, por questões monetárias, por falta de tempo e por vezes mesmo por falta de vontade mas, isto vai saindo e acho que é realmente importante ir sendo publicado." E de facto, esta edição está muito boa. Com desenhos de Isabel Ferreira, Tiago Baptista, Eduardo Ferreira, Raquel Figueira, Teresa Pestana, Xiana, UIU, Pedro Oliveira, André Catarino, Berto Fojo, Lupi e uma foto de Minerva Carvalho,
João "Moca" Martins apresenta a excelente banda desenhada, inspirada no tema de Zeca Afonso "Sem Manejos de Tropos Ferramentas".
O Monsieur Pignon de Miguel Carneiro também faz a sua aparição em diversas páginas.
"Cold Coffee in a Cup of Fool" de Heike Anacker, estende-se ao longo de diversas páginas, começando numa imersão primordial e depois numa metamorfose final.
A história da literata prostituta Virgínia, é narrada por Tiago Baptista, num crescendo de violência, sexo, Céline e vingança exterminadora.
Na rúbrica "Os meus fanzines", o editor destaca "Magic Boy" de James Kochalka e "Le Fromage du Bastard" de Pedro Azevedo.
Nos discos, o destaque vai para o álbum "New Mother" dos Angels of Light de Michael Gira.
Bolso #8, Maio / Junho de 2008, 84 págs, fotocóopia a preto & branco, 10,5x15cm. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos, Caldas da Rainha.

22 julho 2023

Sawadee Krap

O fanzine Sawadee Krap foi editado por Pedro Oliveira, com tema livre e sem qualquer tipo de coerência, privilegiando a experimentação e a publicação de trabalhos avulsos dos diversos colaboradores. São apresentados trabalhos de Pedro Oliveira, Isabel Ferreira, Tiago Baptista e Tiago Oliveira. 
Sawadee Krap é o cumprimento informal "Olá" em tailandês. E é com o mesmo tipo de descomprometimento que os participantes publicam desenhos, pinturas, stencil, fotografias, montagens gráficas e texto poético.
Sawadee Krap #1, Março de 2006, 20 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 14,9x21cm. Caldas da Rainha.

19 maio 2023

A Música e as Imagens e Outros Textos....

"A música e as imagens e outros textos mais ou menos íntimos sobre coisas que me são queridas: 2013 - 2017" é uma compilação editada e publicada por ocasião da ARCOlisboa 18. Os textos foram anteriormente publicados em outros fanzines como "Preto no Branco" e Cleópatra e também num catálogo de uma exposição. Tiago Baptista assume estes textos como "mutáveis, que procuram estar abertos, sempre fugiram ao fechamento...".
Sob o mote "A Música e as Imagens", Tiago Baptista apresenta um extenso ensaio sobre a música e a iconografia dos Swans de Michael Gira, sobre os discos da década de oitenta de Fausto Bordalo Dias, sobre Matana Roberts, sobre a banda inglesa Crass, e por fim sobre os eslovenos Laibach.
Outros temas e autores são objecto da atenção e análise de Tiago Baptista como o disco "Luth Classique" de Munir Bashir, o filme "Stalker" realizado em 1979 por Andrei Tarkovsky. Também o livro de banda desenhada "O Diário do meu Pai" de Jiro Taniguchi, o álbum "Alfarroba" das Pega Monstro, o disco "Black Woman" de Sonny Sharrock, o fanzine "GO" é o mote para uma conversa / entrevista com a autora Cecília Silveira. Há também um curioso texto sobre a banda Mal D'Vinhos.
Na parte final, surge o texto inserido no catálogo da exposição de pintura "Obscuro Ver", realizada entre 21 de Janeiro e 26 de Fevereiro de 2017, em Leiria.
Apesar de já conhecer alguns textos apresentados, pois estão disponíveis em outras publicações ou no site do autor, considero este fanzine extraordinário e adoro regressar a ele de tempos a tempos.
A Música e as Imagens e Outros Textos...., Maio de 2018, 84 págs., 14,9x21cm., impresso a preto & branco em papel reciclado. Edição: Façam Fanzines, Cuspam Martelos.

20 janeiro 2023

Imagem Viagem

Foi atribuído a Tiago Baptista o Prémio Geraldes Lino 2016 da Bedeteca de Beja. Em "Imagem Viagem", somos levados para o interior de um mundo onírico, primordial, como as cavernas primitivas onde o jogo de sombras desenhadas pela luz da fogueira, despertava a imaginação e o desenho rupestre. A infância e os jogos lúdicos de fazer de conta, pela mão de Alice e novamente as sombras - o teatro de sombras e os primórdios do cinema. O olho que espreita, curioso.
A angústia da artista perante a tela em branco e a espera pelas musas inspiradoras, que tardam em surgir. Novamente o artista como centro das atenções, qual número de circo, mas um circo sem emoção, de gestos lentos, quase parado.
A escuridão novamente. De repente, uma chama e a caverna fica de novo iluminada, a centelha desperta os seres das trevas que temem a luz e os quadros sucedem-se como numa peça de teatro mudo, a ilusão prestes a perder-se, e por fim um mergulho redentor.  
Imagem Viagem [Colecção Toupeira #9], Maio de 2016, 24 págs, impressão a preto & branco, 18x25,5cm., Tiragem: 400 exemplares. Edição: Bedeteca de Beja.

18 janeiro 2023

Le Fromage du Bastard

Fanzine de Pedro Azevedo metido num saco plástico juntamente com autocolantes, folhas soltas e outros brindes. "Le Fromage du Bastard" apresenta diversos trabalhos de alunos da ESAD das Caldas da Rainha. O conteúdo é um pouco caótico, com diversos desenhos, colagens, bandas desenhadas, fotografia, etc., reflectindo a estética e os interesses dos participantes.
Publicado no período de maior efervescência fanzinística das Caldas da Rainha, contem trabalhos de: B, Pedro Azevedo, Tamara Alves, 1 Desconhecido, Gonçalo Martins, João "Moca" Martins, Rute Ventura, Luís Simões, Nuno Valério, Tiagh, Nelop, Tiago Baptista, Maria.
Le Fromage du Bastard #8, 2005, 48 págs, fotocopiado a preto & branco, 14,8x21cm. 

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