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18 junho 2026

Franco, O Trolha

Pedro Brito escreveu a seguinte nota de edição: "certo dia, mexia eu no arquivo, e eis que deparo com as minhas primeiras BD's publicadas em revista. Eram as pranchas do Franco, o Trolha, o meu anti-herói. Tinham sido publicadas na extinta revista Art Nove no longínquo ano de 1994.
Reli-as enquanto relembrava o quanto eu ainda estava verde. Mas como eu me ri! As histórias eram bem porreiras!
Mostrei-as ao Rui Brito, que propôs a sua reedição, compilando-as. De início, não achei boa ideia, mas depois reflecti e talvez não fosse mal pensado, já que a revista não teve muita visibilidade e pouca gente conhece este meu lado policial 'cómico-xunga'.
E pronto, aqui têm o Trolha. Com um cheirinho a nostalgia."
As duas histórias compiladas são 'Sexo, violência, dinheiro, mentiras e vídeo' e 'Franco 2' e foram originalmente publicadas nos números 04 e 05 (Setembro e Outubro de 1994) da revista Art Nove.
Franco, O Trolha [Primata Comix #26], Março de 2002, 20 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 15,5x23cm. Edição: Polvo. Lisboa.

18 julho 2025

Mesinha de Cabeceira

Mesinha de Cabeceira #0
O fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) começou a ser editado em 1992 por Marcos Farrajota e Pedro Brito, pelo que comemorou 30 anos de existência em 2022.
Este número inaugural, apresentava como temas o Outono e as aulas, pois a estação era o Outono e a malta do fanzine era jovem e com o fim das férias de Verão ia regressar às aulas. O MdC pretendia adoptar um tema para cada edição, mas ia logo avisando que havia flexibilidade relativamente a esta matéria, o que foi bastante sensato - eles eram jovens, mas não eram tontos!
São apresentadas bd de Marte e Pedro Brito, de Rui Lacas e de Miguel Falcato.
Na vertente de divulgação musical, é publicada uma entrevista a uma banda completamente desconhecida com o nome de "Coca Cola Mentol & Conflitos".
Na rúbrica "Críticas Crípticas", Arlindo Horta escreve uma resenha sobre a novela gráfica "Arkham Asylum" de Dave McKean.
Na secção de notícias curtas "Rapidinhas", uma vez que não se consegue alinhavar nada sobre os The Smiths e sobre o filme "Naked Lunch" de David Cronenberg, falam sobre a morte iminente de um super-herói da DC Comics e também sobre o concurso de cartoon Amadora/92.
Também são publicados textos "incoerentes e marados" da amiga Ana.
Conheço o MdC praticamente desde o início e é um fanzine muito especial para mim, uma vez que acompanhou em simultâneo o meu crescente interesse por publicações amadoras. Fui assistido às suas diversas mutações: fanzine colectivo, outras vezes monográfico; da fotocópia à serigrafia; do preto & branco à impressão a cores; os vários tamanhos e formatos, os diversos tipos de papel, autores portugueses e estrangeiros... Ao longo de mais de 40 edições, o MdC apresentou-se sempre diferente, mas com uma notória evolução no trabalho de edição e publicação a cada novo número.
Muito mais haveria a dizer sobre o MdC, mas a melhor homenagem que lhe posso prestar é voltar a pegar nas suas edições, rever e ir deixando aqui algumas notas pessoais.
Julgo que me faltam alguns dos números iniciais, uma vez que o Marcos sempre recusou fazer reedições... O que faz algum sentido, quando se acredita que o melhor é o que está para vir!...
Mesinha de Cabeceira #0, Outubro de 1992, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel cor laranja, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix.

Mesinha de Cabeceira #2 / #3
Número duplo editado por Pedro Brito e Marcos Farrajota, em estilo split-zine. A capa exterior é da autoria do artista Pedro Proença. Na capa da parte "Algumas Estórias Absurdas" (#2) surge uma colagem de Ana Dionísio, seguindo-se a bd "A Maldição do Pénis" de Arlindo, uma bizarra história negra, muito bem desenhada e ainda melhor escrita. Depois, duas pranchas de Guima (Ricardo Tércio), com muita confusão e cabeças mutantes. "Abuso de Menores" é uma bd de Lacas, envolvendo relações incestuosas e depravação.
Na parte "New Kids on the Bollocks" (#3), apresentam-se novos personagens e colaboradores a debutar nas páginas do MdC. Há uma prancha de "Alice - The Real Girl" com argumento de Marte e arte de Pedro Brito (também autor da capa desta parte). Depois um Folhetim Interactivo por Arlindo. Pelo meio, surgem umas tiras envolvendo complexos de Édipo, soldados bósnios e Joseph Volverin, por Miguel Falcato e Marcos Farrajota.
Nas "Críticas Crípticas" procede-se a uma recuperação engendrada por Marcos Farrajota de um texto de Domingos Isabelinho recolhendo uma série de "pérolas" encontradas nos escritos sobre bd publicados na imprensa nacional, atribuindo-lhes um galardão e tudo!
Antes de terminar, há ainda espaço para "Play Rats" de João Tércio.
Mesinha de Cabeceira #2/3, Setembro de 1993, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Kómix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #4
O tema deste quarto número "sangue novo", pretende dar visibilidade a novos autores ainda por publicar. A capa e contracapa são assinadas por Sandro. A primeira banda desenhada, intitulada "Folhetim - Parte 5" começa sempre com o mesmo pressuposto, derivando para desfechos diferentes. Segue-se "Lisboa Dá à Luz" por Vitor Santos, uma cidade em processo de transformação, parindo novos edifícios.
Na rúbrica "Criticas Crípticas", Marcos Farrajota relata os principais eventos do 7.º Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. Depois, Deo apresenta a prancha "A Companhia dos Monstros". Logo de seguida, somos surpreendidos com a primeira bd de Gregório, às voltas com a sagrada trilogia do sexo, drogas e morte, que assombra a existência de muitos artistas.
Novo capítulo de "Criticas Crípticas", com Marcos Farrajota a insistir na banda Coca Cola Mentol & Conflitos (ver MdC #0).
Pedro Brito apresenta "Tédio!" bd sobre a falta de inspiração e de algo interessante para fazer. Antes da nova secção de correio dos leitores, é publicada uma ilustração de Pedro Proença. Nas páginas centrais, duas pranchas por Maria João.
Mira apresenta uma "bd montagem", sequenciando uma série de vinhetas de proveniências e estilos diversos, procurando uma possível narratividade. Depois, vem "Playrats" por João Tércio e uma nova bd de Gregório, desta vez, com guitarras distorcidas e multidões em delírio.
"Inadaptados" marca a estreia de Nunsky, com a bd mais extensa, exibindo todo o catálogo de criaturas que habitam o submundo da grande selva urbana: drogados, vagabundos, prostitutas e inadaptados. Quando os skinheads se cruzam no caminho, segue-se uma orgia de sangue e vísceras de carecas nazis, arrancadas a golpes de motosserra.
Mesinha de Cabeceira #4, Janeiro de 1994, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 115 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #6
A capa é da responsabilidade de Pedro Brito, que também desenha a bd "Homem-Transferidor", baseada no argumento de Marcos Farrajota. Segue-se a prancha "Ovelhas" de José Carlos Fernandes e também "Uma História de Amor" de Marcelão, editor do fanzine Over-12.
Destaque para a publicação de uma entrevista com Estrompa, responsável pelos fanzines Shock e Café no Park.
"Loverboy - O Empatas Industrial" da autoria de Marte, com o Loverboy a recorrer a todo o tipo de expedientes para tentar safar-se das suas responsabilidades "conjugais".
As últimas páginas são dedicadas a trabalhos rejeitados e à divulgação de prémios e concursos.  
Mesinha de Cabeceira #6 (1.ª edição), Outubro de 1994, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Cerca de meio ano após a edição original, surge a 2.ª edição "aumentada e melhorada". Relativamente à primeira edição, desaparece o Loverboy e em contrapartida, entram novas bd: um cão americano tipo Pluto a mimetizar cenas do filme "Apocalypse Now"; "Playrats" de João Tércio; uma prancha humorística da dupla Geral & Derradé e também alguma bd autobiográfica de Marcos Farrajota. Há uma melhoria nítida na qualidade de reprodução das fotos do Estrompa a acompanhar a respetiva entrevista - era uma pena umas fotos tão boas estarem tão mal impressas!
Nesta nova edição há também mais texto como as "Críticas Crípticas" que versam sobre várias edições da responsabilidade de José Carlos Fernandes e também curtas resenhas sobre os novos números dos fanzines Classe Média e do BadSummerBoys. Outra novidade é a publicação da "Lista de Ódio" do Marcos e uma lista de nomes brasileiros muito bizarros.
Mesinha de Cabeceira #6 (2.ª edição), Fevereiro de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #10
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, em colaboração com a Associação Chili Com Carne, conta com capa e bandas desenhadas de Marcos Farrajota. A primeira parte deste número é preenchida com "Histórias de Noitadas, Deprês & Bubas", num estilo diarístico, algumas vezes escorregando na irrelevância, outras vezes (os melhores momentos) num estilo autobiográfico, que nos suscita a dúvida se o autor não estará a divagar e a ficcionar a sua vida e intimidade.
Segue-se a rúbrica "Críticas Crípticas" comentando diversas publicações alternativas como "Malus" de Christopher Webster e "Sourball Prodigy" de Mike Diana, ambas posteriormente editadas por M. Farrajota. No tocante aos fanzines nacionais, notas sobre Sub #1, Shock #19, Aardvark #3 e Atelier de Técnicas Narrativas - Curso de Banda Desenhada.
Daniel D. (Dias) apresenta uma bd sanguinolenta em duas pranchas. De seguida, um extenso artigo "Tolerância Zero" escrito por Mike Diana, narrando o seu caso com o sistema judicial americano devido ao seu fanzine "Boiled Angel".
Na última página, o "Rejeitados #8", com um desenho da Mariazinha por Rui Lacas, feito para um poster que nunca chegou a ser impresso.
Mesinha de Cabeceira #10, Novembro de 1996, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #11


Mesinha de Cabeceira #11, Março de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #12


Mesinha de Cabeceira #12, Julho de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

20 novembro 2024

Comtrastes

Comtrastes #1
Comtrastes #1, Outubro de 1993, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

Comtrastes #2
Excelente fanzine colectivo coordenado por João Fazenda, contendo banda desenhada, textos, fotografias e ilustrações.
A primeira banda desenhada é "O Seio Nú" da autoria de Vitor Santos, baseando-se no conto homónimo de Italo Calvino. Segue-se outra bd, intitulada "O Disco" desenhada a tinta-da-china aplicada em pinceladas soltas por Mir.Ra.
"Fuel Moon" de José Carlos Fernandes, ou como uma sequência banal de acontecimentos domésticos espoleta uma reacção incendiária.
José Luis Peixoto, Alice P. e  Tozé Lopes contribuem com pequenos textos poéticos. "Fragmentos Checos" é o título de um conjunto de fotografias de Maria Cerdeira captadas no período pós-comunismo.
Reunidos sob o título "Sentimentos", três autores discorrem, cada um à sua maneira, sobre a 'Melancolia' (Rui Lacas), 'Raiva' (Guima - Ricardo Tércio) e 'Vergonha' (Arlindo).
Duas páginas "Anda Ground" com um pequeno texto sobre a indústria discográfica nacional e resenhas ao disco de estreia de Bizarra Locomotiva e à compilação "Art of Life". Apesar de não estarem assinados, diria que foram escritos por Marcos Farrajota.
"Parece Ela" de Pedro Brito é um mergulho nas recordações de infância confundidos com uma tentativa falhada de engate.
João Fazenda apresenta a bd "O Ganso", adaptando livremente a crónica "Lidoro Silva, dito o Ganso" de José Cardoso Pires.
A fechar, o texto "Uma página nula para completar as 40 páginas do fanzine" de Marcos Farrajota. Depois de um inicio com as habituais diatribes ajustando contas com o meio bedéfilo nacional, Farrajota vai disparando em todas as direcções, reflectindo sobre a inutilidade da maior parte dos fanzines colectivos portugueses e propondo diferentes abordagens, como a edição de fanzines temáticos (ou com um conceito) e de fanzines com trabalhos de apenas um autor. Termina questionado "fanzines não-coerentes porque é que vocês existem?"
Comtrastes #2, Novembro de 1994, 40 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 19,1x29,7cm. Lisboa.

03 agosto 2024

Néctaruje

Henrique Pirote e Pedro Brito, dois dos autores de Taruje!, já com dois números editados, deram à "luz uma pequena ideia de um fanzine “Néctaruje”, porquê o nome? Soa giro. Desta vez são vos apresentados os Trovadores, os Heróis do Mar! Ou pelo menos o começo deles."
O fanzine é uma folha de tamanho A4, com um corte horizontal ao meio, que permite uma dobragem engenhosa em 8 páginas. A folha totalmente aberta apresenta, em formato poster, a capa do segundo número de Taruje!
Néctaruje #1, Julho de 2024, 8 págs, impresso a cores, 7,5x10,5cm (aberto 21x29,7cm).

06 março 2024

Café no Park

Café no Park #3
Café no Park #3, Outubro de 1992, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #4

A capa deste Café no Park foi desenhada por Miguel. A primeira prancha "Animais" de Rui Abrantes, envolve um relacionamento inter-animal com galináceos gulosos e cães atrevidos. "Eroticidades" de Mário de Almeida, é um texto que versa sobre o erotismo visual na banda desenhada. A banda desenhada o "Troféu!" narra uma história macabra desenhada por Pedro Brito. Depois, surge a continuação vinda do número anterior de "Má Sorte Ter Sido Escolhido P. Diabo" de Rui Lacas, uma maldição diabólica apresentada com uma composição gráfica muito bem conseguida.
O que parecia um inocente passeio nocturno no parque, transforma-se num "Sórdido Assassínio" desvendado por José Ramalho.
Nas páginas centrais, o Suplemento "A Bica", que abre com um texto do Dr. Polémico a denunciar a crescente violência apresentada nos filmes e na bd, um pesadelo para aqueles fãs das imagens saudáveis dos anos 
40 e 50. Depois dos comentários à correspondência recebida no Park Postal, segue-se um texto bastante ilustrativo do que é publicar fanzines de banda desenhada.
O Tornado de Estrompa envolve-se com o Vaticano para resolver o "Crime" do Padre Amaro. No final do trabalhinho, ninguém fica a saber quem é o verdadeiro pai do rebento.
"José Justiça" de Manuel Jorge (Maré) irrompe em mais duas pranchas transbordantes de violência e raiva policial.
Estrompa regressa com 
numa história incestuosa no seio da "A Família Darling".
Este número termina com "Solidões Paranoicas" de Amadeu Pinto, um solilóquio no feminino. 
Café no Park #4, Abril de 1993, 24 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 20,5x29,7cm. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

Café no Park #5
A capa do n.º 5 do Café no Park é desenhada por Maré. Na contracapa, uma prancha de Rui Abrantes intitulada "Animais". Depois, Pedro Brito apresenta "Encontro!!" entre o delírio acordado e a auto ilusão consciente.
"MAT - A Angústia de um Detective" de M. Jorge, uma história de corrupção, arrependimento e má consciência, bebedeira e confissão expiadora.
Maré apresenta "José Justiça" um policia que não olha a meios para impor a sua vontade e a sua lei.
O Tornado de Estrompa surge numa nova história de cowboys intitulada "Imperdoável", onde o seu herói é contratado para vingar uma prostituta maltratada, acabando por limpar o sebo a toda a pandilha do xerife lá do sítio. A missão para que foi contratado, foi coroada de êxito, e Tornado ganhou o carinho das girls e também uma doença venérea.
De seguida, Brum apresenta os preparativos de Spencer para realizar uma reportagem: "Na Cama com Mandona".
"A Violação" de José Ramalho, é uma história onde o violado é um homem, ou será apenas um estranho jogo sexual?
"É Só Rock'N'Roll (Mas Nós Curtimos)" de José Carlos Fernandes, sobre um concerto no Natal, que acabou por ser o melhor que a banda deu.
Há ainda o conto "Humphrey" de Maré e também o suplemento "A Bica" com 4 páginas. Começa com a bicada ao conservadorismo do Sobreda de Luis Beira. Depois, apresentam os novos colaboradores: Pedro Brito e M. Jorge. O conto "Metamorfoses" de Isabel Lopes e ilustração de Tozé Lopes. Ainda deste autor, um texto sobre a relação entre a bd e a pintura. 
Café no Park #5, Julho de 1993, 28 págs, impressão offset a preto & branco; capa em papel amarelo, 21x29,7cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: Tertúlia Shock. Lisboa.

05 fevereiro 2024

Venham + 5



O sexto volume da colectânea Venham + 5 reune diversos autores do Atelier Toupeira, acrescido de outros autores exteriores ao colectivo bejense, como Pedro Brito, com a singela história "Outra Vida", e também Ken Niimura com "Drake".
No blogue LerBD, Pedro Moura, escreveu o seguinte sobre este volume: "Por razões que provavelmente são tão claras e repetidas e sobejamente conhecidas que se tornam inócuas de salientar, ou até de indicar, sai Paulo Monteiro e Susa Monteiro, coração duplo deste. Susa Monteiro oferta-nos “O infeliz destino de Sebastião Salvador”, que parece ser uma mescla de romance de cordel do século XIX com os neo-realismos do XXº, passando pela vontade de criar ficção de acção com paisagens alentejanas: quatro páginas de uma espécie de pequeno evangelho, quiçá apócrifo mas indubitavelmente hagiógrafo, deste bandoleiro do pós-Guerra Civil Portuguesa. Paulo Monteiro tem duas páginas onde conta uma brevíssima anedota que nos faz oscilar entre o macabro e o humor, como se de dois espelhos gémeos se tratassem, cada um desses elementos exacerbando o outro. Pedro Nogueira continua a dar vazão à sua notável lavra de revisitações pós-modernos de contos tradicionais, mas em nada ganha aqui com a colaboração de duas escritoras, colaboração que não salva de erros ortográficos, estilísticos e de apresentação gráfica que se tornam ainda maior estorvo num conto que se deseja tomar de um modo mais poético que os demais. Os outros projectos aqui apresentados são mais imberbes, mas acreditemos, com o colectivo Toupeira, que se destinam ao desenvolvimento de crescimento autoral dos seus intervenientes."
Venham + 5 #6, Maio de 2009, 68 págs, impressão a preto & branco; capa a cores, 18x24cm. Edição: Bedeteca de Beja.

28 julho 2023

Transcomix

Publicação lançada no contexto do Dia Europeu Sem Carros (22 de Setembro), celebrado em Lisboa com o encerramento de um grande perímetro da cidade ao trânsito automóvel.
No consulado de João Soares na Câmara de Lisboa, e com João Paulo Cotrim à frente da Bedeteca de Lisboa, havia dinheiro público para financiar estas coisas.
Reunindo quatro bandas desenhadas sobre a utilização de transportes públicos, como o metro, o eléctrico, o barco, etc. e nas páginas centrais, um texto assinado por João Soares sobre a problemática da mobilidade na cidade de Lisboa.
As histórias foram escritas e desenhadas por João Fazenda "Tempo Perdido"; Miguel Rocha "Tutu, Ding-Ding"; J.P. Simões e André Carrilho "Melancolia" e Pedro Brito "18h40".
Transcomix, Setembro de 2000, 24 págs, impressão a cores, 13,5x18,9cm. Tiragem: 150.000 exemplares. Edição: Bedeteca de Lisboa. 

11 abril 2023

Vertigens

Excelente fanzine produzido pelo Loukuras Estúdio (Rui Gamito, Jorge Coelho e Amorim). A primeira banda desenhada "Comboio das Seis", é uma curta assinada por Pedro Brito. Segue-se "Era Tão Simples... Um Erro e Pronto", de Jorge Coelho, com os pensamentos de um jovem funâmbulo enquanto percorre o arame de uma ponta à outra.
"Universidade Aberta" de Rui Gamito, é uma história sobre a bem sucedida integração no ensino superior de uma bela estudante.
Ivo apresenta "Org?" uma BD em estilo mais experimental, utilizando diversas técnicas e estilos.
"Jogo de Cartas", de Rui Lacas, começa num aparentemente inofensivo jogo entre conhecidos e acaba em tiroteio e morte.
"Monólogos do Desespero" são poemas de Ricardo Coelho, ilustrados por Amorim.
Pelo meio, surgem diversas ilustrações de Miguel Montenegro de personagens do tipo super-heróis americanos.
Absinto fecha este primeiro número do Vertigens, com "Casualidades" acompanhando o relacionamento de um casal ao longo do tempo, contrapondo o que dizem e sentem verdadeiramente.
Como encarte, surge o suplemento À Deriva, em formato A5, desdobrado em A3, com diversos artigos  e ligeiros e humorados assinados pelos editores e também pelos colaboradores Marcos Farrajota, Pedro Gil, entre outros.
Vertigens #1, Julho de 1995, 32 págs, impressão a preto & branco, 18x26,2cm. Edição: Loukuras Estúdio.

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