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05 julho 2026

Bizarro

Bizarro #1
No editorial, Bruno Campos refere que o Bizarra representa uma evolução no seu percurso de faneditor e autor. Refere igualmente que o nome adoptado é uma homenagem a John Willies e à sua revista 'Bizarre' publicada entre 1946 e 1959.
No Bizarro, os fetiches não serão só sexuais, serão também bedéfilos, cinematográficos, musicais e literários.
Nas primeiras páginas apresenta-se 'Fragmentos I' uma divagação gráfica erótica desenhada por Bruno Campos. Logo depois, a 'Marca' de Pitchu com Arnaldo e o seu rafeiro de marca.
Ana Branco publica 'Narciso', uma excelente bd conjugada em tom de poesia divagante e com grande elegância gráfica.
'O Sentido da Vida' é uma viagem no túnel da existência, onde o destino das gerações é traçado por Daniel Baptista.
Derradé apresenta 'The BadSummer Boys Band' destilando as agruras da vida moderna em 'Stress' em ritmo de musical punk.
As últimas páginas são preenchidas com uma prancha de Pepedelrey e uma prancha repleta de brutais desenhos pornográficos de J. Coelho.
Bizarro #1, Julho de 1997, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 16,8x23,8cm, Edição: Phetysh Komix. Vila Franca de Xira.

Bizarro #2
As primeiras páginas são dedicadas às diatribes "Os meus inimigos da bd" de Marcos Farrajota, cuja primeira parte já havia sido publicada no fanzine Aardvark, anteriormente editado por Bruno Campos. Republica-se o texto sobre Fernando Vieira / Bedelho, e acrescenta-se novo texto corrosivo sobre M.A.L.S.
No tocante à banda desenhada, Janus apresenta "Toinho e Maria", um jovem casal ardendo de desejo. Segue-se o Boletim da Oficina Insana com diversos apontamentos sobre álbuns, fanzines, editoras e distribuidoras independentes.
Segue-se "Dark City III", baseada na música "Dentro da Cidade", da banda punk Caos Social, e desenhada por Law num estilo sado-maso cyberpunk.
Bruno Campos publica a bd "Nominion" e escreve também uma radiografia detalhada  sobre "The Invisibles" criada por Grant Morrison.
O autor brasileiro Edgar Franco contribui com a bd "A Estagnação" num desenho de estilo fantasista cósmico-psicadélico, com criaturas alienígenas levemente inspiradas por H. R. Giger, e texto poético filosófico, a lembrar os trabalhos do português Nuno Nisa.
A terminar, uma secção de recortes de imprensa e de cartas dos leitores. Na última página, é inserida uma citação de Edgar Allan Poe.
Bizarro #2, Novembro de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 16,8x23,8cm, Edição: Oficina Insana. Vila Franca de Xira.

Bizarro #21 (5)

Originalmente previsto para sair em Dezembro de 1998, o Bizarro #21 apenas vê a luz do dia no novo milénio e com uma numeração não sequencial, uma vez que esta é apenas a quinta edição do fanzine. E saiu em Agosto de 2000, e não em Maio de 2000, como consta na capa. 
Este número está com muito boa apresentação e conta com a colaboração de Derradé (com a prancha "Bizarro" e com a bd "Panfleto"), de Janus (+ Piadas Estúpidas), Melvin, Gamito com "Poesia de Merda", a bd "E Nunca Mais se Ouviram Gritos...", o brasileiro Law Tissot com três excelentes pranchas, Daniel Silva com a bd "Macabro" datada de 1996, Pitchu com a prancha "Selva", uma ilustração de Borel datada de 1787, várias tiras de Jorge Coelho, Peter Kuper com "It's Obscene!!" narrando o caso da condenação em tribunal de Mike Diana pela publicação de "Boiled Angel".
Na rúbrica "Caldeirada", Bruno Campos referencia o aparecimento do fanzine Gambuzine, a continuação do Terminal, um novo tomo do "Macaco Tó Zé" de Janus e a publicação do splitzine "Haraquiri n.º 1/Os Positivos".
Participam também neste número, com desenhos, banda desenhada ou texto os seguintes autores: Absinto, Cria2, JB, Pepedelrey, Pr. Pereira e Rémi.

Bizarro #21 (5), Maio de 2000, 40 págs, fotocópia a preto & branco, 16,5x24cm, Edição: Oficina Insana. Vila Franca de Xira.

Bizarro #6
O editor Bruno Campos refere a dificuldade de manter alguma regularidade na edição do fanzine e promete apenas mais um número do Bizarro.
A primeira prancha é "Uma Linha Ténue" com texto de Rohke Vorne e desenho de Elma Dias. Seguem-se três tiras de 'Bad Summer Boys Band' da dupla Geral et Derradé.
Sara Costa publica o ensaio "De Duas Artes Surge Uma Nova" sobre o que é a banda desenhada e as suas possibilidades.
Com texto de Cláudio M.S.M. e arte de Law Tissot "The Sex Machine" é um desfile de figurações sado-maso estáticas e exibicionistas.
"Pilgramage" é uma nova bd escrita em inglês de Elina Dias, baseada numa música dos R.E.M.
O conflito de gerações entre mãe e filha e as expectativas goradas são o pano de fundo de "O do Costume" de R. Vorne e desenho de Fermad.
Um trabalho académico é o mote para ressuscitar a mitologia e os "Contos de Fadas" numa história de Dinis Vale.
Tendo por cenário uma América desolada e destruída, Lena S. Diva propõe a prancha "Nova Prole". Ao lado, outra prancha "Metropunks" de Lisa Vale, numa viagem atribulada no metro com a entrada em cena de um grupo de punks.
Seguem-se "Ovo ou Galinha" e "Cuecas em Fogo", duas histórias negras com muito sexo e devassidão  assinadas por Janus. Entre as duas bd, surge o texto "Um Exemplo de Surrealismo na Banda Desenhada: A Literatura e a Pintura de Mãos Dadas", da autoria de Teresa Costa. A banda desenhada "Kabuki: Skindeep" de David Mack é explorada e enquadrada na temática do ensaio. 
As duas últimas páginas servem para breves aparições em jeito publicitário de "Os Positivos" de Valter Matos e do "Tornado" por Estrompa.
Bizarro #6, Setembro de 2001, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 19x27,5cm, Edição: Tesos e Falidos, SA. Vila Franca de Xira.

Bizarro #7
Decorridos cinco anos e cinco meses após o lançamento do número inaugural, o Bizarro anunciava a sua partida para a net, abandonando a edição em papel. Mas a despedida é feita em grande estilo, com excelentes BD. Logo a abrir 'A Culpa é do Músico' de Rohke Vorne (argumento) e Janus (desenho), história muito negra e sórdida passada em contexto familiar, onde a violência e todo o tipo de abusos imperam e acabam por se reproduzir geracionalmente.
David Soares apresenta 'Reprogramar a Alma', belíssima narrativa onde sobressaem os sentimentos e um grande sentido de humanidade.
De seguida 'Um Estranho Prazer', com argumento de Rohke Vorne, agora com o desenho a cargo de Marta Soares, para uma história carregada de sedução, atração irresistível e vampirismo.
Por fim, 'Com o Mal dos Outros', novamente com argumento de Rohke Vorne, desta vez com desenho de João Mascarenhas, reentrando no universo doméstico, na defesa dos bons costumes, nos falsos moralismos e sobretudo no cultivo da maledicência, negligenciando os podres próprios.
Bizarro #7, Dezembro de 2002, 36 págs, impressão a preto & branco, 21x29,7cm, Tiragem: 75 exemplares. Vila Franca de Xira.

07 janeiro 2026

CoopAzine

CoopAzine #1
Após a constituição da CoopA - Associação Aldeia Cooperativa de Artes em Fevereiro de 2016, é editado esto número inaugural do CoopAzine no âmbito da realização de uma Mostra Internacional de Fanzines. A publicação reflecte e regista as diversas actividades realizadas como concertos de música, encontro de estátuas vivas, mas também os gostos e as preocupações da Associação.
Neste primeiro número, surgem diversas bd curtas da autoria de Fábio Veras, André Pacheco, Tiago Pimentel, Sandra Pires e Abel Raposo. Há também textos assinados por Rui Carvalho, Fernando Ferreira sobre a publicação do livro "O Infante", de inspiração manga, da autoria de Daniela Viçoso.
Geraldes Lino, apresenta uma breve resenha sobre o fanzinato nacional e elenca uma listagem exaustiva sobre os fanzines de banda desenhada publicados em Portugal nos anos 2015 e 2016.
António Caeiro escreve sobre o Festival "Cantigas do Maio" e sobre a Orquestra Popular de Paio Pires. Thina Curtis apresenta uma resenha sobre a publicação de fanzines no Brasil. Há também textos poéticos de António Leonardo e de Paulo José Miranda.
A paisagem industrial e os problemas provocados pela poluição ressoam em muitas páginas desta publicação.
CoopAzine #1, Novembro de 2016, 52 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #2

O segundo número do CoopAzine é dedicado exclusivamente ao evento Sons na Aldeia, que levou à Aldeia de Paio Pires diversas grupos de música.
A 1.ª edição do Sons na Aldeia decorreu em 24 de Setembro de 2016 e apresentou as seguintes bandas: - A Jigsaw & The Great Moonshiners Band, de Coimbra; e - Recanto, de Almada.
A 2.ª edição do evento, contou com a presença dos belgas Coffee Or Not e dos lisboetas Alma Mater Society.
Por ocasião do lançamento deste fanzine a 09 de Dezembro de 2017, decorreu a 3.º edição do Sons na Aldeia, com as bandas nacionais LUR LUR e IAMTHESHADOW.
CoopAzine apresenta breves biografias das bandas participantes no evento Sons na Aldeia, a respetiva discografia detalhada e fotografias dos concertos realizados.
CoopAzine #2, Dezembro de 2017, 28 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #4

Excelente número do CoopAzine elaborado no âmbito da Mostra de Fanzines organizada pela CoopA em Maio de 2025. São 100 páginas preenchidas com as contribuições de inúmeros participantes, com trabalhos de banda desenhada, fotografia, texto poético, ensaio, crítica e divulgação, desenho e ilustração, etc.
As primeiras páginas apresentam uma entrevista aos Ameeba, já com dois registos discográficos lançados. Mais para o final, Jorge Canadá escreve um artigo sobre a banda alternativa Alcatune, já com diversos registos lançados em edição de autor.
Na banda desenhada participam Amadeu Escórcio, Carlos Paes com "A Mosca", originalmente publicada no Diário de Lisboa em finais dos anos 80 e agora recuperada e também uma prancha de "Tó Greg" desenhada na mesma época. Paulo Buchinho, autor do desenho da capa desta edição, também recupera um conjunto heterogéneo de desenhos datados dos anos 80. Muito boa a contribuição de Pepedelrey com "O Fogo de Kümme", com música e neura tecnológica. Phermad oferece duas pranchas caninas.
Textos de Victor Moreira, António Leonardo, Miguel Leonardo, António Santos, Marcos Marado, Cláudia Carola, Carlos Raimundo, Fernando Ferreira sobre o filme "Electric Dragon 80.000V" de Gakuryu Ishii. 
Mário Lino escreve sobre o panorama heavy metal nos Açores em 2024. António Vitorino contribui com um longo texto experimental em modo copy-paste hackeado no Facebook. Publica-se a resenha ao livro "Brazineiras: O Protagonismo Feminino nos Fanzines" organizado por Thina Curtis.
Edgar Rendeiro escreve sobre o enigma da data da fundação do clube de futebol de Paio Pires, bem como sobre a origem do nome "Paio Pires".
Grafismos, composições e colagens de Abel Raposo, Paulo José Miranda e António Caeiro, Iolanda Rolo, Eurico Coelho, José Almeida, Fátima Rocha, Pedro Morgado, Sónia Nobre, Sérgio Gomes.
Há também espaço para falar sobre a actividade da CoopA, e também sobre as edições da editora independente Anti-Demos-Cracia.
CoopAzine #4, Maio de 2025, 100 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

02 fevereiro 2025

The Killer Season Fanzaine

The Killer Season Fanzaine #1
Fanzine de pequeno formato editado em 1999 por Pepedelrey. Esta é a segunda edição que sofreu algumas modificações. No The Killer Season Fanzaine temos uma série de curtas histórias repletas de sadomasoquismo, vídeo e sangue a jorrar por todo o lado. Sem legendas e com títulos em inglês, o cenário é a grande cidade e o seu extenso catálogo de perigos e perversões. Pelo meio ainda aparece o cromo do Inácio Pinto, criado por Rafael Gouveia, a fazer um cameo, e a interromper por breves momentos as cenas de sexo, desmembramento e gargantas degoladas.
Um mundo a preto e branco, que Pepedelrey tinge de sangue.
The Killer Season Fanzaine #1, 1999 (2.ª edição modificada), 16 págs, fotocopiado a preto sobre papel azul, 11x15,5cm.

The Killer Season Fanzaine #2
O segundo tomo do The Killer Season Fanzaine (TKSf) mantém intactas as principais características do número anterior: violência, depravação sexual, desmembramento e sangue a rodos - muito extremo e agora a cores!
Para além de Pepedelrey, também participam Nuno Duarte, Ana Freitas e Punk Adal (Adalberto Barreto).
Pepedelrey apresenta a bd curta "Meat", e as mais longas "Go Sex Lane" e "Bloody Tinóni", partilhando o mesmo personagem alienígena dotado de um membro fálico com um serrote na extremidade, que vai rasgando tudo o que lhe aparece pela frente.
Os outros colaboradores contribuem com desenhos e banda desenhada curta.
Na página final, surge uma publicidade transviada ao volume "NM 2.3: Policial Chindogu" de Marte e Pepdelrey, editado pela Bedeteca de Lisboa.
The Killer Season Fanzaine #2, Julho de 2001, 24 págs, impressão a cores, 14,9x21cm. Lisboa.

28 novembro 2024

Chili Bean

Fanzine comemorativo da primeira década de existência da Associação Chili Com Carne (CCC). A capa é da autoria de André Lemos.
A nota de imprensa dizia o seguinte: "Chili Bean é um zine que serve para a Chili Com Carne comemorar os seus 10 anos de existência legal. É um zine fotocopiado – invés de edições luxuosas como a associação tem editado desde 2000 - de 44 páginas A5 e todo desenhado e escrito à mão no emprego do talento manual.
Não se trata de um exercício de nostalgia mas antes uma forma de promover a materialização de objectos artísticos urgentes com poucos recursos e com exposição pública garantida pela festa de comemoração que a CCC que promoveu no passado dia 21 de Abril de 2007 com os concertos dos Lacraus, shhh…vs Sci-Fi Industries e Lobster. O zine foi oferecido à entrada...
Os autores que participaram com trabalhos inéditos foram André Lemos, Rafael Dionísio, Claudio Parentela, Jucifer, Tommi Musturi, João Cabaço, Mário Augusto & Sílvia, Jakob Klemencic, Christopher Webster, Nunsky, Jorge Coelho, Pepedelrey, André Ruivo, João Louro, Ana Ribeiro, Afonso Cortez, José Feitor, Rafael Gouveia e Mike Diana.
No meio de uma verdadeira revolução digital dos meios de comunicação, a Chili volta a 1997 para relembrar os media DIY que usou para combater a apatia desses tempos - o zine até ofereceu uma k7 áudio surpresa às primeiras 100 pessoas que entraram na festa!"
Chili Bean, Abril de 2007, 44 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: Chili Com Carne.

28 agosto 2024

Ovelhas Anarquis

Derradeiro número editado do fanzine Ovelhas Anarquis, da responsabilidade de Pedro Daniel (Pepedelrey), mesclando muitas ilustrações, alguma banda desenhada e também fotomontagens.
O editorial explica como montar "A Clássica Mesa Sobre Cavaletes" e as suas diversas funcionalidades e utilidades para o desenhador. A composição do fanzine apresenta as páginas na ordem inversa, embora a leitura se faça da esquerda para a direita. A capa e algumas páginas do interior são impressas em azul.
As bandas desenhadas são curtas (entre uma e quatro pranchas). As ilustrações ocupam a maioria das páginas - algumas ilustrações são simultaneamente apresentadas em positivo e em negativo. A temática é muito diversificada e livre, desde a política (eleições, partidos, Zé Povinho, skinheads), estilos de vida e personagens típicas de certas tribos urbanas.
Pepedelrey recorre a diversas soluções técnicas na feitura das ilustrações, apresentando algumas bastante pormenorizadas e outras com uma linha mais solta e caricatural.  
Ovelhas Anarquis #7, 1990, 44 págs, offset a duas cores (azul e preto), 14,9x21cm.

04 maio 2024

Random Screener

Random Screener #0

Na edição inaugural do fanzine Random Screener editado pelo galego Tayone, vemos plasmadas as linhas mestras da publicação: colectivo gráfico de ilustradores e artistas de diversas proveniências com interesses na poesia visual, barroquismo ilustrado, protosurrealismo, realidades impossíveis e outras idiossincrasias particulares.
Participam 30 autores, predominantemente espanhóis, mas também de outras latitudes, como o português Miguel Carneiro. 

Random Screener #0, Abril de 2010, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 14x20cm. Edição: Amalgama. Vigo. Galiza.

Random Screener #1
Random Screener foi editado pelo galego Tayone, compilando desenhos, grafismos e textos de diversos autores internacionais como: Riot, Berto Fojo, Betty Blue, Humberjumper, Krlos Bueu, Minia, Natalia Umpierrez, Paulo Mosca, Veronica Lario, Bernardo La Fleur, Laser 69, Arturo Mosquera, Alberto Ardid, Shoboshobo, Tamara Feijoo, Andres Magan, Yogur, Ibie, Tayone, Pablo Buogh Y Bara, Peri, Jacobo Diaz, Michael Swaney, Aratevaopia, Santi Zubizarreta e Silvia Chanelas. De Portugal, participam quatro autores: Rudolfo, André Lemos, Pepedelrey e Miguel Carneiro.
Sobre esta publicação, Marcos Farrojota escreveu o seguinte no blogue da Chili Com Carne: "Associado ao espaço colectivo Amalgama (em Vigo), o artista galego Tayone decidiu unir-se à grande consciência cósmica zinesca universal e por isso editou um graphzine. Este "ecrã aleatório" é mais um zine de A5 com colaborações internacionais de quem anda a fazer este tipo de publicações. De Portugal participam André Lemos, Rudolfo, Miguel Carneiro e Pepedelrey mas há mais gente do Mundo Ocidental que cuspa ácido-arco-íris, kitsch metal, geo-porno e radioactividade animal. Nada de outro mundo para quem fizer parte deste mundo."
Random Screener #1, Setembro de 2010, 36 págs, fotocópia a preto & branco; capa a cores, 14,5x21cm. Edição: Amalgama. Vigo. Galiza.

23 janeiro 2024

Cidade Suja

Sobre Cidade Suja de Pepedelrey, Pedro Moura escreveu o seguinte no blogue LerBD: "Cidade Suja é um livro pequeno, de vinte pranchas, a maioria com apenas duas grandes vinhetas e umas poucas com uma ocupando todo o espaço, tudo desenhado a caneta dando a ideia de que imagens e fundos e letras e figuras saíram todas do mesmo gesto, como se bastasse ter despejado o tinteiro sobre as páginas. Criado no menor tempo possível, Cidade Suja encontra-se como uma tentativa de responder da melhor maneira possível à sua vontade de o criar. Coincidência impossível, claro, mas pelo menos aqui mimada de uma forma quase perfeita. E essa vontade está nos campos do visível e do legível.
Um homem, incomodado por todos os lados, pelas pessoas com que se cruza na cidade, com a merda de cão pelos passeios, os barulhos ensurdecedores e egoístas que não respeitam os seus limites e invadem os nossos, por quem não pára de ler e impor leituras, por telefones que não cessam de trazer desejos que não se podem compreender porque não se partilham, um homem que se isola como uma ilha no centro de arquipélago hostil encontra apenas uma saída na violência extrema, primeiro em forma de fantasia, depois de desejo premente e finalmente como realização terrível.
Será - mesmo no interior desta brevíssima história - que os acontecimentos correspondem à verdade, ao que aconteceu, ou vemos só aquilo que a personagem gostaria de fazer (espelho do que nós sonhamos a cada momento, esfaqueando cada transeunte enquanto caminhamos pela cidade?)? Talvez não interesse. A sujidade da cidade só é lavada com mais sujidade, a do sangue, aquela “verdadeira chuva” que um dia lavará a escória das ruas, como rosnava Travis Bickle.
Pepedelrey não procura, com este livro, reflectir, nem guardar distâncias, das experiências diárias. Bem pelo contrário, é apenas autêntico, directo. O livro encerra princípios machistas, adolescentes, patéticos… não quer ser irónico, nem quer criar uma rábula social, quer apenas constituir-se como bruto gesto catártico. E mais nada."
Cidade Suja, Maio de 2011, 28 págs, impresso a preto & branco; capa a cores, 14,5x20,4cm. Edição: El Pep. Lisboa.

05 abril 2023

CapitãoCriCa Ilustrada

O terceiro e último número do «laboratório sincopado de texto + imagem», CapitãoCriCa Ilustrada, tem na capa um trabalho de Nuno Valério e ilustrações de André Ruivo nas guardas interiores.
A abrir, a banda desenhada "O Fabuloso Guia das Capacidades Inexploradas", onde André Lemos explora uma hermenêutica da magia da arte das sombras chinesas e dos seus 
prestidigitadores.
Com texto de Pedro Moura e desenho de Marcos Farrajota, "Baixas Choupanas", ambientada no Médio-Oriente, seguindo a caminho de Sodoma.
Joana Figueiredo apresenta três BD, passando por cegos pedintes no metro, temática straightedge e os olhos do Stevie Wonder.
O alemão Til Thomas apresenta "Controle" sobrepondo a vida real à virtual. Segue-se "Vs" de Khatarina Hausladen (texto) e Dice Industries (imagens), com o tempo a negar-se ser aprisionado.
Francisco Sousa Lobo participa com "Todas as Crianças se Perdem", com um miúdo a vaguear na floresta, com faca de escuteiro à cintura, sombras, medo e muitas dúvidas.
"Sillicone Lovers" onde Pepedelrey joga com a violência, perversão, troca de fluídos e damas em latex.
João Maio Pinto apresenta a lenda do temível "Homem Sapo".
A política, os exploradores e os explorados em intricado trabalho de José Smith.
João Rubim participa com uma sequência coberta de negrume e tristeza. Por seu lado, 
Drope Orbit apresenta "Fetiches" por pés, que acabam decepados e os corações despedaçados.
A americana Tatiana Gill apresenta uma sequência palaciana, com bobos, guilhotinas e masmorras sadomasoquistas.
Mike Diana javarda tudo com "Coração de Cristal", com consumo desenfreado de droga, sexo doentio, nados-mortos e fogo destruidor.
"Uma História Piegas..." de Ondina Pires, com humor, amores de faca e alguidar, portunhol, sombreros, Nossas Senhoras e vingança mortal.
"A Menina dos Fósforos" é um texto de Miguel Caldas com ilustrações de Daniel Maia. A terminar, 
Rick Thor combina o Incrível Hulk com Charlie Brown, e não ficaram felizes para sempre. 
CapitãoCriCa Ilustrada, Março de 2005, 68 págs, impressão a preto & branco, algumas páginas com segunda cor (azul); capa a cores, 21x26cm. Edição: Chili Com Carne [MdC #19].

13 fevereiro 2023

A Mosca

A Mosca #1
Depois do editorial de Mário Augusto, surge a BD "Oh Yeah!!" por Zac, seguindo-se "Sofia" trip ganzada da autoria de Vladimire Smith. Destaque especial para a BD "Gesto Dignificante de um Agente da PSP" onde Janus, partindo de um artigo publicado no Jornal de Notícias, ficciona uma hipotética continuação da história carregada de violência policial.
A violência gratuita regada a álcool segue logo depois com "Uma Causa Justa" por El Pepe. Surgem mais 2 BD curtas por Zac e a tradução do poema "2 Moscas" de Charles Bukowski.
A Mosca #1, 1994, 20 págs, fotocopiado a preto & branco, 23x22,5cm, Porto.

A Mosca #2
A capa do segundo número d' A Mosca, deixa logo o aviso "Para adultos e crianças perversas" e o conteúdo é recheado de sexo e pecado. Os anúncios eróticos e de encontros preenchem a capa, aos quais se sobrepõe uma felação à Torre dos Clérigos! Há anúncios deliciosos como este: "Sou casado, tenho 37 anos, sou médico, asseado e muito atraente, discreto. Desejaria conhecer travesti que seja carinhoso, doce, muito feminina. Ou seja também mulher formosa, não importa idade ou cor, mas que seja capaz de me ensinar a fazer amor. Também gostaria de contactar com lesbiana ou par de lesbianas para participar com elas. Tenho casa própria e carro. Coimbra". A exigência de asseio é recorrente nestes anúncios, o que não deixa de ser surpreendente no meio de tantas intenções e desejos porcos!
A primeira banda desenhada "Safe Sex", de El Pepe, narra a digressão de um americano em Bangkok, envolvendo crianças tailandesas e a TV sintonizada no Playboy Channel.
Vladimire Smith apresenta "Tânia" uma BD com diálogos e cenas idênticas às revistas pornográficas tipo Gina ou Tânia, com bastante circulação nos anos 70 e 80.
Janus, o mais maldito autor de BD em Portugal, apresenta "Amor de Pai", destilando desejos inconfessáveis, loucura, incesto e morte.
Ao princípio tudo é doce e ameno, depois a música, o álcool, sexo e por fim a morte, num vislumbre etilizado em "The Serial Killer" de Jorge Matos.
Zac apresenta a vingança de um empregado de hotel para com os clientes que reclamam e se põe com exigências.
Mário A. propõe uma sequência repetitiva de imagens de um rosto sorridente de um homem com um chapéu de cowboy, e texto aleatório e sem procurar um nexo.
A encerrar, "Blam! Blam!" de Nikopaul e a mosca ronda o chão ensanguentado.      
A Mosca #2, Verão de 1994, 24 págs, impresso a preto & branco, 14,8x21cm, Porto.

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