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10 julho 2026

Boletim do CPBD

Boletim do CPBD #48
Boletim do CPBD #48, Janeiro / Fevereiro de 1985, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

Boletim do CPBD #54
O Boletim do CPBD teve a coordenação de Carlos Gonçalves e a capa  desenhada por Ajota (António Jorge Quadros). A primeira banda desenhada "Eu Sou Linda", com arte de Ric e história por Mike, é uma correria desvairada de dois jovens que percorrem as praias e os locais de diversão nocturna, sempre em busca de adrenalina e de engates ocasionais, com muita porrada pelo meio.
Depois M. Jorge apresenta "Tarzu", que vai parar à prisão por estar a incomodar os vizinhos com a sua gritaria, mas a sua mãe não vai deixá-lo a apodrecer na cadeia.
O mesmo autor apresenta ainda outra prancha, que é encaixada por baixo da última página da bd anterior.
Segue-se a adaptação em bd por M. J. Galante do poema "Trovas para serem vendidas na travessa de S. Domingos" escrito por António Gedeão.
As últimas quatro páginas contêm um índice elaborado por Fernando Burguete, com a descrição dos hérois e das histórias publicadas no "Tintin" desde o 1.º até ao 15.º ano de publicação. 

Boletim do CPBD #54, Janeiro / Fevereiro de 1985, 20 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

Boletim do CPBD #82
Este número do Boletim do CPBD continua a apresentar a adaptação em banda desenhada de "O Malhadinhas" de Aquilino Ribeiro. A adaptação realizada pelo bracarense José Pedro Costa é excelente e consegue capturar toda a ambiência e idiossincrasias dos personagens criados por Aquilino Ribeiro.
O desenho e o desenvolvimento da narrativa denotam um excelente domínio da linguagem da banda desenhada. A história seria concluída no número seguinte do Boletim.
Esta adaptação de um texto clássico da literatura portuguesa merecia um reedição cuidada, em conjunto com outros trabalhos da autoria de José Pedro Costa.
Boletim do CPBD #82, Novembro / Dezembro de 1989, 16 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

Boletim do CPBD #86
O Boletim aparece renovado e revigorado com a coordenação editorial do muito jovem João Fazenda (então com 13 anos), que assina a capa e uma bd "As Diabruras do Picas" passada numa sala de aulas durante um exame.
O arranjo gráfico do Boletim também foi remodelado, resultando numa publicação mais jovem, atractiva e moderna. 
Manuel Brum publica "Os 11 Mandamentos" parodiando o filme de Cecil B. de Mille. O destaque desta edição é uma entrevista a Jorge Mateus conduzida por Fazenda e por Marcos Farrajota, abordando o trabalho, as influências e o percurso do autor, entremeando com diversas vinhetas e extratos de histórias desenhadas por Jorge Mateus.
A banda desenhada "O Tiro" de Marcos Farrajota envolve policias e ladrões e uma espécie de duelo com frases assassinas e pistolas encravadas.
A contracapa apresenta um desenho do personagem "Raul, O Sinistro" de Ricardo Blanco. 
Boletim do CPBD #86, Fevereiro de 1992, 20 págs, fotocópia a preto & branco; capa com segunda cor, 21x29,7cm. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

Boletim do CPBD #89
A coordenação deste número ficou a cargo de Pedro Gil, que se propunha tentar tirar o Boletim do CPBD da letargia em que se encontrava. Começa com uma breve, mas bastante interessante, entrevista a Rui Gamito, que também contribui com a bd 'Armindo Way', um dia de raiva e de vingança de um marido encornado. 
Estrompa publica 'Licença para a Morte' uma escapada fora de horas antes de embarcar para o Vietname, que acaba na cadeira eléctrica.
'Sub-Urbano' é um conjunto de sete tiras divertidas de Absinto, contando com duas personagens: - um homem que gostaria de ser um rato; e um rato com inteligência de homem.
'Transfigurações de um Herói' é um texto de Paulo Duarte sobre a criação e evolução dos super-heróis ingleses sob a sombra tutelar de Alan Moore e Neil Gaiman.
Segue-se uma curta biografia de Ruka (Rui Rebello da Silva) e uma excelente bd nocturna, misturando com felinos, álcool e violência.
Daniel Martins contribui com a prancha 'Toxicidades' e J. Coelho com 'Bronx ou Lx?'. Há ainda diversas ilustrações de Tozé Lopes, Nuno Marques e J. Coelho.
Boletim do CPBD #89, Outubro de 1995, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Tiragem: 400 exemplares. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

Boletim do CPBD #90
Numa altura que o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) comemora 20 anos de existência, a edição do Boletim fica a cargo de Bruno Campos (Arkham, Aardvark, Bizarro) e as palavras que tece no editorial ao CPBD não são as mais elogiosas.
A primeira prancha "Uscometa" é de Pitchu. Depois "Telefones Eróticos com Sarampo" , um poema de Alice P. ilustrado por João Fazenda.
Geraldes Lino faz uma cobertura à 23.ª edição do Festival de Angoulême. 
"O X marca o lugar do tesouro" e mais duas tiras avulsas, compõem mais uma página da autoria de Pitchu.
Nas páginas centrais, uma mulher que espera, um telefone que não toca em "Kitten" de Dan Silva.
Segue-se um conjunto de notas e informações escritas por Bruno Campos sobre fanzines, editoras e festivais de bd.
"Sobre as Espetes de Marte" é mais uma jornada cósmica da autoria de Nuno Nisa, mas desta vez o humor sobrepõe-se, transformando-se numa deriva espacial cómica.
"Os Erros dos Deuses", é um comentário crítico de Sá-Chaves ao álbum lançado pela editora ASA "A Voz dos Deuses".
Uma nova bd mais extensa de Dan Silva intitulada "Mulher-Na-Peça", envolvendo um roubo de uma peça mística que gera uma onda de dor e vingança.
A finalizar, uma nova incursão de Pitchu no mundo das praxes académicas e dos programas de TV para o público mais jovem. 
Boletim do CPBD #90, Setembro de 1996, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Clube Português de Banda Desenhada. Lisboa.

05 abril 2026

Fresh

Fresh #0

Revista urbana sobre estilos, identidade, cultura e modas, editado por João Pedro Vasconcelos. Neste número #0, temos um artigo sobre street skaters, dois breves questionários aos Repórter Estrábico e a Maria Gambina, um artigo mais extenso sobre a banda Kick Out The Jams, um artigo sobre música eletrónica e outro sobre a droga da moda na altura - o ecstasy. 
As páginas finais são dedicadas às "Manobras de Maio94" e aos estilistas Dino Alves, Miguel Flor, Júlio Torcato & Paulo Cássio, Maria Gambina e Náná Benjamim.
Fresh #0, Outubro de 1994, 32 págs, offset a preto & branco, 20,5x27,2cm. Esmoriz.

Fresh #2
Cientes do que é um fanzine disposto a abordar temáticas como drogas, música, novas tecnologias, viagens, moda, cinema, de uma forma diferenciada da imprensa mais institucionalizada, Fresh dirige-se a um público jovem e urbano, e o tema desta edição é o sexo. Começa com um surpreendente roteiro nova-iorquino de locais de encontro, seguido de um artigo sobre revistas porno americanas - a depravação no país dos moralistas! O artigo é bastante divertido, percorrendo inúmeras revistas da especialidade tais como a "Close Shave", que apresentava uma certa qualidade amadora que tornava a revista encantadora. Dentro dizem que "A stripper Kitty Navidad "...de 43 anos..." parecia saída da secção + de 50 e, eu posso-vos assegurar que aquela coisa não estava rapada, era careca!"
Depois é publicada uma entrevista a um muito novo Júlio Machado Vaz, um notável na matéria.
As páginas centrais são impressas a cores e preenchidas com uma produção de moda, com roupas oriundas de lojas no Porto, destacando-se as t'shirts de Maria Gambina a glosar o símbolo da Galp.
Segue-se um texto sobre a prostituição. Na página seguinte, Rodrigo Affreixo escreve sobre o filme "As Aventuras de Priscilla, A Rainha do Deserto".
As páginas finais são dedicadas a uma selecção e montagem realizada por Rui Cunha composta com imagens extraídas do universo dos comics com uma pletora de músculos e com primordiais conotações sexuais.
Como encarte dobrado em três, surge um poster de Traci Lords, acompanhado da listagem de toda a sua extensa  filmografia.
Fresh #2, Maio de 1995, 48 págs, offset a preto & branco; capa de cor magenta, 20,2x26,8cm. Esmoriz.

28 janeiro 2026

O Piolho

O Piolho #1
Fanzine dirigido por Manuel Jorge, abre com uma prancha assinada do próprio, intitulada "BD Shop" glosando o estilo televendas, para anunciar um champô revolucionário para todo o tipo de cabeleira.
Depois Derradê explica "O Sentido da Vida" de um adolescente todo certinho, chamado Barnabé e a sua subsequente revolução hormonal e o mergulho de cabeça no mundo da droga, sexo e estroinice.
"Conde para o Almoço" da autoria de Manuel Jorge acompanha a jornada de um colono no interior de África até cair no caldeirão de uma tribo canibal.
A terminar, uma prancha do brasileiro Jerry Souza de cariz satírico à autoridade policial.
O Piolho #1, Outubro de 1994, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: 
Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #2
Neste segundo número de O Piolho, C. Rocha apresenta uma prancha humorística em estilo cartoonesco. Depois, M. Jorge coloca Leopoldo a comprar uma boneca insuflável numa sex shop.
Segue-se um "Assalto à Fantasia" da autoria de Angelo, onde um bando familiar de ladrões decide roubar os convidados de um baile de máscaras.
No velho estilo de histórias de cowboys e xerifes, M. Jorge traça o plano para libertar "O Condenado" da cadeia.
Para finalizar, o brasileiro Jerry publica uma tira onde "O Gostoso" acaba morto com sida.
O Piolho #2, Setembro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #3

O Piolho, auto-intitulado mini fanzine artesanal, apresenta na capa um desenho do canadiano Joe Matt. Em "Panacea" de Flavio Calazins, vemos pequenas fadas a serem capturadas para se transformarem no ingrediente principal de poções mágicas confeccionadas no caldeirão da bruxa má.
"MAT - A Angústia de um Detective" de M. Jorge, uma história de corrupção, arrependimento e má consciência, bebedeira e confissão expiadora (também publicada no Café no Park #5).
M. Jorge publica ainda mais duas pranchas: a primeira, com um plano falhado de fuga da prisão; a segunda, uma promissora carreira de actor, que é abortada ainda antes de começar...
Jerry Souza apresenta a banda desenhada "O Papa Inseto", narrando a criação no laboratório de 3 cientistas loucos, da solução para o problema da alimentação da humanidade. No entanto, a coisa começa a descambar quando criam também os predadores para a suposta solução milagrosa...
O Piolho #3,
 Outubro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #4
O desenho inserido na capa de O Piolho #4 é do canadiano Chester Brown. As restantes participações são de autores portugueses e brasileiros. A abrir, uma prancha de Angelo, onde um apanhado para a TV no supermercado provoca um ataque cardíaco numa cliente. Absinto apresenta uma tira humorística sobre as voltas da vida. 
O editor M. Jorge apresenta a banda desenhada "Uma Boa Acção", onde um polícia acaba roubado.
Segue-se uma prancha do brasileiro Laudo, intitulada "A Voz do Louco". Participam igualmente os brasileiros Flavio Calazans e Jerry Souza.
O Piolho #4, Novembro de 1995, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

O Piolho #5
Quando toda a gente pensava que O Piolho já tinha encerrado as suas actividades, eis que passados cerca de 4 anos surge um novo número, com capa desenhada por Absinto.
A primeira banda desenhada é sobre uma disputa entre um leão e um elefante para aferirem quem é o verdadeiro "rei da selva".
"Mat - Perseguição" de Manuel Jorge, numa história com polícias atrás de ladrões.
"Uma Palavra Para a Eternidade" é uma prancha da autoria de P. Nogueira e J. Lourenço. A terminar, duas tiras do brasileiro Jerry Souza e mais uma prancha de M. Jorge com um pai muito forreta, a esmifrar a semanada do filho. 
O Piolho #5, Março de 1999, 12 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Tripas à Moda do Porto.

11 outubro 2025

Crack!

Crack! #2
Neste segundo Crack! há espaço e incentivo para o envio de correspondência, com críticas e sugestões, e troca de ideias com os leitores. O fanzine não pretende focar-se apenas na vertente musical, procurando analisar e reflectir sobre a situação política nacional e internacional. Neste contexto, os artigos "1992: Crise-Espetáculo" de Mutante Noé e "A História Deles" de Kraal Kobalt, são importantes reflexões sobre o contexto histórico vivido na época. Há também diversos reportes de ocupações em várias cidades europeias e de algumas actividades desenvolvidas pelo movimento anarco-punk em Portugal.
O texto "500 Anos de Resistência Índia" aborda os massacres e a violência exercida sobre as populações indígenas das Américas.
Mutante Noé entrevista membros do grupo "Hunt Saboteurs" de Edimburgo, célebre pela sua actuação em caçadas organizadas no Reino Unido.
A Comunidade Europeia e as suas regras restritivas para a entrada de estrangeiros e as normas rígidas do mercado único são criticadas veementemente.
Seguem-se diversas entrevistas: - à banda húngara Trottel, aos ingleses W.O.R.M., e a duas bandas de Lisboa: Corrosão Caótica e X-Acto; e duas bandas do Porto: Humor Cáustico e Kristo Era Gay.
Artigos sobre Ice-T, Pigface, Malhavoc, a anteceder as habituais páginas dedicadas a críticas a novas edições discográficas e também a fanzines e livros. Em suma, uma das melhores publicações dentro desta área.
Crack! #2,
 Outono de 1993, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

Crack! #3 

Fanzine libertário de excelente qualidade, produzido por Mutante Noé, Vasco Rodrigues e Luis Moreno. O Crack! é bastante sólido e bem escrito, com textos de temática política, tecnologia, modos de vida e divulgação de discos, livros e publicações alternativas. Nas primeiras páginas, são abordados os problemas habituais da acção libertária e a dificuldade verificadas para quebrar o imobilismo social. 
Referem o relativo fracasso das Jornadas Libertárias realizadas no Porto. Mencionam as casas ocupadas e divulgam diversas notícias e contactos internacionais.
Sob o título "New Age Travellers" são entrevistadas duas inglesas nómadas que passaram pelo Porto em finais de 1994. Depois é publicado um artigo sobre uma ocupação e reabilitação de uma velha escola pública abandonada no País Basco.
Ian McKaye dos norte-americanos Fugazi responde a algumas questões colocadas por escrito pela redacção do Crack! Segue-se nova entrevista aos membros da banda japonesa Zeni Geva e também aos Neurosis.
A secção dedicada à divulgação de fanzines inicia com um texto de reflexão sobre a feitura e publicação de fanzines (O Estado da Cena), seguida de um destaque ao fanzine "Naturanimal" e uma pequena entrevista à respetiva editora. Várias outras publicações nacionais como "ZWF", "Atitude Alternativa", "Morte à Censura", "Global Riot / Revolta" e "Kanibal", merecem destaque.
A parte dedicada à música começa com 3 perguntas a 3 bandas: Alcoore, Hud Sabão e aos Renegados de Boliqueime. A secção dedicada à crítica e divulgação de edições discográficas abrange um espectro que vai do punk / hardcore, hip hop, noise / grind, rock, até spoken word.
Este número termina com a divulgação de diversas publicações e livros e também a filmes e vídeos.
Crack! #3, Agosto de 1995, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm. Edição: Colectivo Crack! Porto.

18 julho 2025

Mesinha de Cabeceira

Mesinha de Cabeceira #0
O fanzine Mesinha de Cabeceira (MdC) começou a ser editado em 1992 por Marcos Farrajota e Pedro Brito, pelo que comemorou 30 anos de existência em 2022.
Este número inaugural, apresentava como temas o Outono e as aulas, pois a estação era o Outono e a malta do fanzine era jovem e com o fim das férias de Verão ia regressar às aulas. O MdC pretendia adoptar um tema para cada edição, mas ia logo avisando que havia flexibilidade relativamente a esta matéria, o que foi bastante sensato - eles eram jovens, mas não eram tontos!
São apresentadas bd de Marte e Pedro Brito, de Rui Lacas e de Miguel Falcato.
Na vertente de divulgação musical, é publicada uma entrevista a uma banda completamente desconhecida com o nome de "Coca Cola Mentol & Conflitos".
Na rúbrica "Críticas Crípticas", Arlindo Horta escreve uma resenha sobre a novela gráfica "Arkham Asylum" de Dave McKean.
Na secção de notícias curtas "Rapidinhas", uma vez que não se consegue alinhavar nada sobre os The Smiths e sobre o filme "Naked Lunch" de David Cronenberg, falam sobre a morte iminente de um super-herói da DC Comics e também sobre o concurso de cartoon Amadora/92.
Também são publicados textos "incoerentes e marados" da amiga Ana.
Conheço o MdC praticamente desde o início e é um fanzine muito especial para mim, uma vez que acompanhou em simultâneo o meu crescente interesse por publicações amadoras. Fui assistido às suas diversas mutações: fanzine colectivo, outras vezes monográfico; da fotocópia à serigrafia; do preto & branco à impressão a cores; os vários tamanhos e formatos, os diversos tipos de papel, autores portugueses e estrangeiros... Ao longo de mais de 40 edições, o MdC apresentou-se sempre diferente, mas com uma notória evolução no trabalho de edição e publicação a cada novo número.
Muito mais haveria a dizer sobre o MdC, mas a melhor homenagem que lhe posso prestar é voltar a pegar nas suas edições, rever e ir deixando aqui algumas notas pessoais.
Julgo que me faltam alguns dos números iniciais, uma vez que o Marcos sempre recusou fazer reedições... O que faz algum sentido, quando se acredita que o melhor é o que está para vir!...
Mesinha de Cabeceira #0, Outubro de 1992, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel cor laranja, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix.

Mesinha de Cabeceira #2 / #3
Número duplo editado por Pedro Brito e Marcos Farrajota, em estilo split-zine. A capa exterior é da autoria do artista Pedro Proença. Na capa da parte "Algumas Estórias Absurdas" (#2) surge uma colagem de Ana Dionísio, seguindo-se a bd "A Maldição do Pénis" de Arlindo, uma bizarra história negra, muito bem desenhada e ainda melhor escrita. Depois, duas pranchas de Guima (Ricardo Tércio), com muita confusão e cabeças mutantes. "Abuso de Menores" é uma bd de Lacas, envolvendo relações incestuosas e depravação.
Na parte "New Kids on the Bollocks" (#3), apresentam-se novos personagens e colaboradores a debutar nas páginas do MdC. Há uma prancha de "Alice - The Real Girl" com argumento de Marte e arte de Pedro Brito (também autor da capa desta parte). Depois um Folhetim Interactivo por Arlindo. Pelo meio, surgem umas tiras envolvendo complexos de Édipo, soldados bósnios e Joseph Volverin, por Miguel Falcato e Marcos Farrajota.
Nas "Críticas Crípticas" procede-se a uma recuperação engendrada por Marcos Farrajota de um texto de Domingos Isabelinho recolhendo uma série de "pérolas" encontradas nos escritos sobre bd publicados na imprensa nacional, atribuindo-lhes um galardão e tudo!
Antes de terminar, há ainda espaço para "Play Rats" de João Tércio.
Mesinha de Cabeceira #2/3, Setembro de 1993, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Kómix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #4
O tema deste quarto número "sangue novo", pretende dar visibilidade a novos autores ainda por publicar. A capa e contracapa são assinadas por Sandro. A primeira banda desenhada, intitulada "Folhetim - Parte 5" começa sempre com o mesmo pressuposto, derivando para desfechos diferentes. Segue-se "Lisboa Dá à Luz" por Vitor Santos, uma cidade em processo de transformação, parindo novos edifícios.
Na rúbrica "Criticas Crípticas", Marcos Farrajota relata os principais eventos do 7.º Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. Depois, Deo apresenta a prancha "A Companhia dos Monstros". Logo de seguida, somos surpreendidos com a primeira bd de Gregório, às voltas com a sagrada trilogia do sexo, drogas e morte, que assombra a existência de muitos artistas.
Novo capítulo de "Criticas Crípticas", com Marcos Farrajota a insistir na banda Coca Cola Mentol & Conflitos (ver MdC #0).
Pedro Brito apresenta "Tédio!" bd sobre a falta de inspiração e de algo interessante para fazer. Antes da nova secção de correio dos leitores, é publicada uma ilustração de Pedro Proença. Nas páginas centrais, duas pranchas por Maria João.
Mira apresenta uma "bd montagem", sequenciando uma série de vinhetas de proveniências e estilos diversos, procurando uma possível narratividade. Depois, vem "Playrats" por João Tércio e uma nova bd de Gregório, desta vez, com guitarras distorcidas e multidões em delírio.
"Inadaptados" marca a estreia de Nunsky, com a bd mais extensa, exibindo todo o catálogo de criaturas que habitam o submundo da grande selva urbana: drogados, vagabundos, prostitutas e inadaptados. Quando os skinheads se cruzam no caminho, segue-se uma orgia de sangue e vísceras de carecas nazis, arrancadas a golpes de motosserra.
Mesinha de Cabeceira #4, Janeiro de 1994, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 115 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Mesinha de Cabeceira #6
A capa é da responsabilidade de Pedro Brito, que também desenha a bd "Homem-Transferidor", baseada no argumento de Marcos Farrajota. Segue-se a prancha "Ovelhas" de José Carlos Fernandes e também "Uma História de Amor" de Marcelão, editor do fanzine Over-12.
Destaque para a publicação de uma entrevista com Estrompa, responsável pelos fanzines Shock e Café no Park.
"Loverboy - O Empatas Industrial" da autoria de Marte, com o Loverboy a recorrer a todo o tipo de expedientes para tentar safar-se das suas responsabilidades "conjugais".
As últimas páginas são dedicadas a trabalhos rejeitados e à divulgação de prémios e concursos.  
Mesinha de Cabeceira #6 (1.ª edição), Outubro de 1994, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: FC Komix. Barreiro.

Cerca de meio ano após a edição original, surge a 2.ª edição "aumentada e melhorada". Relativamente à primeira edição, desaparece o Loverboy e em contrapartida, entram novas bd: um cão americano tipo Pluto a mimetizar cenas do filme "Apocalypse Now"; "Playrats" de João Tércio; uma prancha humorística da dupla Geral & Derradé e também alguma bd autobiográfica de Marcos Farrajota. Há uma melhoria nítida na qualidade de reprodução das fotos do Estrompa a acompanhar a respetiva entrevista - era uma pena umas fotos tão boas estarem tão mal impressas!
Nesta nova edição há também mais texto como as "Críticas Crípticas" que versam sobre várias edições da responsabilidade de José Carlos Fernandes e também curtas resenhas sobre os novos números dos fanzines Classe Média e do BadSummerBoys. Outra novidade é a publicação da "Lista de Ódio" do Marcos e uma lista de nomes brasileiros muito bizarros.
Mesinha de Cabeceira #6 (2.ª edição), Fevereiro de 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x14,9cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #10
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix, em colaboração com a Associação Chili Com Carne, conta com capa e bandas desenhadas de Marcos Farrajota. A primeira parte deste número é preenchida com "Histórias de Noitadas, Deprês & Bubas", num estilo diarístico, algumas vezes escorregando na irrelevância, outras vezes (os melhores momentos) num estilo autobiográfico, que nos suscita a dúvida se o autor não estará a divagar e a ficcionar a sua vida e intimidade.
Segue-se a rúbrica "Críticas Crípticas" comentando diversas publicações alternativas como "Malus" de Christopher Webster e "Sourball Prodigy" de Mike Diana, ambas posteriormente editadas por M. Farrajota. No tocante aos fanzines nacionais, notas sobre Sub #1, Shock #19, Aardvark #3 e Atelier de Técnicas Narrativas - Curso de Banda Desenhada.
Daniel D. (Dias) apresenta uma bd sanguinolenta em duas pranchas. De seguida, um extenso artigo "Tolerância Zero" escrito por Mike Diana, narrando o seu caso com o sistema judicial americano devido ao seu fanzine "Boiled Angel".
Na última página, o "Rejeitados #8", com um desenho da Mariazinha por Rui Lacas, feito para um poster que nunca chegou a ser impresso.
Mesinha de Cabeceira #10, Novembro de 1996, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #11


Mesinha de Cabeceira #11, Março de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

Mesinha de Cabeceira #12


Mesinha de Cabeceira #12, Julho de 1997, 32 págs, fotocópia a preto & branco, 21x21cm. Tiragem: 150 exemplares. Edição: FC Komix. Cascais.

03 julho 2025

Revista Morte

Revista Morte #3
Publica-se a terceira parte da história "Genis - Perigosamente Rápido!" escrita por Fernando Simão e desenhada por Daniel Baptista.
Como é habitual na Revista Morte, temos violência servida para todos os gostos: lutas corpo-a-corpo, atropelamentos, facas voadoras, tiroteios, etc. O estilo gráfico oscila entre o Frank Miller esboçado do "Sin City" e alguns espectros de super-heróis pós-apocalípticos desprovidos de qualquer resquício de virtude.
Mulheres voluptuosas, vernáculo e misoginia e nenhum peso na consciência!
Revista Morte #3, Janeiro de 1995, 24 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: Estúdios Matar Até Fartar!!! Lisboa.

Revista Morte #7
Neste número #7 da Revista Morte, com o subtítulo "O Culto da Carne, os autores - Fernando Simão (argumento) e Daniel Baptista (desenhos) apresentam a luta entre Amon, um imortal apaixonado por uma mulher normal, à qual ele transmite o dom da imortalidade. Devido a isso, ele é renegado pela sua família e tem ainda que ajustar contas com Clairmont, seu antigo discípulo e agora seu arqui-rival, que  pretende roubar-lhe o dom da imortalidade.
Quando Clairmont se convence que Amon está morto, ele ressurge para vingar-se de todas as maldades que sofreu. Pelo meio, muitas iguarias canibalescas servem de banquete aos personagens.
Revista Morte #7, Abril de 1997, 28 págs, fotocópia a preto & branco, 21x29,7cm, Lisboa.

Revista Morte #8
 
As multidões amotinam-se com o prenúncio do fim do mundo, os psicopatas delirantes vagueiam pela cidade, o demónio encarna na morgue de um hospital público, dizimando tudo à volta... Eis que é chamado Simon Seven para enfrentar a ameaça. Surge um padreco armado com a cruz e a Bíblia em punho para enviar o demo de volta para as trevas, mas o diabo ridiculariza-o antes de o trucidar. O céu carregado vai entretanto desvanecendo-se, e aparentemente a normalidade regressa à cidade, mas para Simon nada será como dantes...as sequelas do embate com o diabo começam a manifestar-se. Acreditar é morrer.
Nota-se uma evolução substancial relativamente ao número anterior, com desenho aprimorado de Daniel Baptista e escrita escorreita e bem humorada de Fernando Simão.
Revista Morte #8, Outubro de 1998, 32 págs, impressão laser capa a cores; miolo a preto & branco, 20x28cm, Lisboa.

19 março 2025

Experimental 'Zine

Experimental 'Zine #0
Fanzine de temática anarquista, libertação animal, vegetarianismo, veganismo, straight edge, música punk / hardcore, mas aberto a outros assuntos. Neste número inaugural, apresentam diversas notícias, denúncias de marcas e actividades comerciais que exploram abusivamente os animais.
É também publicada uma entrevista a Roberta Gregory, autora norte americana de banda desenhada.
O texto "Incineradoras!!! Mal necessário?!?!?" apresenta uma análise crítica sobre esta forma de tratamento dos resíduos.
O problema da vivissecção e do sofrimento infligido aos animais nos laboratórios é denunciado e criticado num esclarecedor texto estruturado em 11 pontos.
Na parte final do fanzine, são apresentadas inúmeras críticas a publicações nacionais e internacionais, divulgando os respetivos contactos e preços. No que toca a publicações nacionais são divulgadas as seguintes: "Bad Smelling Newsletter #1", o "Mesinha de Cabeceira #6", o "Naturanimal #4", "Over 12 #6", "Azul BD Três", "Morte Censura #6", "Outgrow #1","Controlo Remoto", "Afóbico #1", "Abraçando o Veganismo", "Global Riot #1", "Metalurgia #1", "Classe Média #2" e "Lunatik'Zine #1".
Experimental 'Zine #0, 1995, 32 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Setúbal.

Experimental 'Zine #1
Alguns meses depois do lançamento do número inaugural, os editores - a Lina e o Rui - completam esta nova edição, que trilha as mesmas linhas temáticas do anterior. A defesa dos direitos dos animais, um extenso artigo contra a vivissecção, denunciando as empresas e marcas que faziam experiências utilizando animais e apresentando uma série de alternativas a este tipo de experiência.
Relato sobre o julgamento de Mike Diana e publicação de uma prancha desse autor intitulada "Jesus is Suffering for You".
Seguem-se diversas páginas com crítica, análise e divulgação de contactos de bandas e publicações alternativas nacionais.
Entrevista à responsável da editora M.D.C. que havia lançado o CD "Força de Intervenção". Um dos okupas da "Casa Encantada" em Lisboa também é entrevistado, abordando as suas experiências pessoais e comunitárias.
Também há receitas vegetarianas oferecidas como alternativa à cozinha tradicional. Nota ainda para a prancha de banda desenhada de Eric Drooker.
Experimental 'Zine #1, 1996, 44 págs, fotocópia a preto & branco; capa em papel craft com stencil, 14,9x21cm. Setúbal.

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