A Polaroid em Branco
A Polaroid em Branco é anunciada pelo seu autor como a primeira banda desenhada ilustrada com o auxílio da inteligência artificial (IA) em Portugal.
Artur Coelho escreveu o seguinte no portal H-Alt: "Ao ler A Polaroid em Branco, percebe-se que Mário Freitas compreendeu muito bem as capacidades da ferramenta com que trabalhou. E, por isso, conseguiu chegar a este resultado, um livro notável por ser precursor, mas acima de tudo, uma boa leitura. A história tem um forte tom cómico surreal, acentuando a estética onírica que é uma das características dos outputs do algoritmo que utilizou. E, tal como afirma na nota final do livro, o seu trabalho não se limitou a mandar gerar ilustrações. É preciso experimentar e alterar os parâmetros e palavras que dão as indicações ao algoritmo para que os seus resultados estejam próximos do que se pretende (quem os experimenta depressa percebe que para conseguir o que quer, tem que estabelecer uma espécie de diálogo de constante afinação de prompts). Foi também preciso um trabalho de produção não-automatizado, para que todos os elementos narrativos se tornassem numa obra coerente.
O corrente estado da arte nesta tecnologia mostra muito bem as suas limitações. Basta olhar para a capa do livro para se perceber qual o algoritmo que Freitas usou, o esitlo gráfico é o típico das imagens geradas pelo Midjourney. Se Freitas tivesse utilizado Dall-E, Nightcafe, Wombo, ou implementações Stable Diffusion (...), teria tido resultados visualmente muito diferentes, e a estética do livro seria outra. Isso advém da forma como esta tecnologia funciona, do tipo de imagens que sustenta os modelos de treino que alimentam as redes adversariais generativas destes algoritmos. Alguns destes algoritmos permitem-nos ver o processo de construção de imagens em tempo real, e se por um lado é um fascínio ver a concretização incremental de uma imagem realista à medida que o algoritmo adversarial reduz as probabilidades do espaço latente, introduzindo progressiva coerência no ruído gaussiano que forma a imagem de output inicial, por outro depressa se percebe a influência dos modelos de treino na estética específica resultante, e também na forma como ele nos dá o que esperamos, ou não o consegue fazer.
A Polaroid em Branco é um brilhante exemplo de como a inteligência artificial pode ser uma excelente ferramenta ao serviço da criatividade humana. Amplia as capacidades do criador, permite novas formas de criação em que este entra numa espécie de diálogo com a máquina, uma vez que o uso do algoritmo vai em si fazer evoluir as suas ideias. E é, acima de tudo, uma boa história, divertida e onírica, com qualidade literária para além do seu caráter experimental."


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