21 janeiro 2026

Filó

Filó nasceu em África, mas veio estudar para Portugal. Engravida, casa-se, perde o filho no parto e descasa-se. Volta a casar-se, mas a vida teima em não encarreirar. Arranja um amante, para tentar enganar a solidão e a tristeza. As escapadas sucedem-se semanalmente e Filó finge estar muito apaixonada, mas apenas tenta enganar o seu coração.
As pequenas histórias contadas por Isa Bruno, compostas com colagens e desenhos feitos usando marcador preto em traços ágeis, são singelas vinhetas arrancadas a um quotidiano de amargura e desgosto, pairando sempre a impossibilidade de alcançar a felicidade.
Filó, Setembro de 2025, 16 págs., impressão a cores; capa em papel colorido, 14,9x21cm. Edição: O Apókrifo.

20 janeiro 2026

O Hábito Faz o Monstro

O Hábito Faz o Monstro #5
Este número abre com os desenhos "O Hálito Faz o Monstro" de Flip Quaresma. Segue-se "O Vómito Desaparecido" uma apropriação de uma banda desenhada clássica onde João Alves oblitera o rosto dos personagens para uma massa viscosa e indistinguível. O texto e os diálogos também são modificados, retirando-lhes qualquer sentido lógico e verosímil. A desconexão dos diálogos com as imagens, reforça o carácter lúdico e delirante.
Lucas Almeida apresenta a banda desenhada "O Jovem Queria Dor", percorrendo as vicissitudes do processo criativo e artístico, e das "dores" que inquietam os jovens criadores.
O Hábito Faz o Monstro #5, Abril de 2006, 20 págs, fotocópia a preto & branco; capa pintada manualmente, 21x29,7cm. Tiragem: 20 exemplares. Porto.

O Hábito Faz o Monstro #7
O Hábito Faz o Monstro #7 é especialmente dedicado à temática amorosa, protagonizado por um jovem perdidamente apaixonado e que não consegue lidar com as suas emoções exacerbadas. Excessivo, enxurradas de palavras, torrentes de conceitos teóricos, misturados com violência, canibalismo e sodomia, e contando com um Diabo vigorosamente apostado em torturar o jovem criador com toda a teoria metafísica do amor.
Segundo Lucas Almeida, o discurso do Diabo baseia-se num trabalho académico realizado para a disciplina de "Teoria da Cultura" e nas leituras de textos de Georg Simmel, Peter Sloterdijk e Arthur Schopenhauer.
O desenho da capa corresponde a uma apropriação da imagem de um poster de concerto dos The Cramps.
O Hábito Faz o Monstro #7, Novembro de 2006, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Carcavelos.

O Hábito Faz o Monstro #11
As primeiras páginas do fanzine de Lucas Almeida são preenchidas com "A Necessidade Fisiológica de Dizer Não à Lógica" uma sequência de vinhetas surreais, cheias de movimento e organicidade, por vezes desenhadas com extremo pormenor, outras vezes apenas esboçadas.
Segue-se "Filosofias com o Tobias", uma banda desenhada onde o dono do cão Tobias, vai divagando filosoficamente sobre a acção guiada pela emoção ou pela razão, tudo escrito em verso rimado.
"Elvis - Aloha From Hell" é um encontro entre o Jovem e Elvis, facilitado por uma fada que vai compondo os cenários com uma vegetação extraordinária e luxuriante.
As páginas seguintes apresentam diversos esboços, pormenores de desenhos ampliados e a prancha "És um Vagabundo".
O Hábito Faz o Monstro #11,
 Junho de 2007, 24 págs, fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: EL Prints.

O Hábito Faz o Monstro #15
Integralmente constituído por desenhos de Lucas Almeida realizados em 2009, durante uma viagem de comboio entre Nova Iorque e o Canadá. Na 
primeira parte da publicação, os desenhos reflectem uma vincada urbanidade, com todo o bulício citadino, gente de todas as cores e feitios num rodopio incessante.
No meio desta multidão, rodeados de ruído permanente, todos são estranhos e anónimos, ninguém se destaca e todos procuram singrar na cidade grande. Por vezes, de forma imprevista, acontece algo inesperado, uma epifania, uma mão estendida, um abraço. Alguém é colocado num pedestal, preparado para um instável jogo de equilíbrio, com queda garantida a qualquer instante.
Conforme a viagem progride, distanciamo-nos de uma bruma cinzenta que enovoa o horizonte que se afasta, penetrando-se nos subúrbios de cidades perdidas à margem da linha. Vislumbres de pequenos jardins e parques, um alpendre vazio...Uma paisagem que se vai alterando progressivamente - agora mais aberta e bucólica, mas mesmo assim de uma naturalidade desolada e invernosa. 
O Hábito Faz o Monstro #15, 2011, 28 págs, impressão digital a preto & branco sobre papel amarelo; capa em serigrafia, 14,9x21cm. Tiragem: 10 exemplares. Edição: Ossos do Ofício.

19 janeiro 2026

Radical

Radical é um pequeno fanzine de formato quadrado, sendo justificado pela autora, pois "sempre que expresso a minha opinião recebo sempre a resposta que estou a ser muito "RADICAL". Por isso decidi partilhar alguns dos meus "extremismos" com o mundo."
Ana Louro foi desenvolvendo estas tiras desde 2020, trazendo à colação tópicos polémicos como o feminismo, o racismo e o colonialismo, a objectificação do corpo da mulher, a sexualidade e o prazer sexual feminino, a pedofilia e a violência sexual, entre outros assuntos universais, mas com um enfoque especial nas idiossincrasias nacionais (o mito do bom colonizador, é um excelente exemplo).
Utilizando um dispositivo gráfico relativamente uniforme, vai introduzindo os diferentes assuntos através de vozes femininas assumindo um estilo visual punk e envergando t'shirts de bandas musicais como The Slits, X-Ray Spex, Blondie, Bikini Kill, L7, Vulpess e Amyl And The Sniffers.
Sobre os diferentes temas, Ana Louro expressa uma opinião consciente e fundamentada, tocando em muitos tópicos sensíveis para o pensamento "politicamente correcto", mas sem dúvida que são assuntos que ainda precisam muito de ser discutidos.
Radical, Abril de 2022, 36 págs., impresso a cores em papel de 160g. (capa) e 80g. (miolo), 9,8x9,8cm.

18 janeiro 2026

Não 'tavas lá?!

Não 'tavas lá?! é uma banda desenhada de Marcos Farrajota que acompanha o DVD documentário sobre a 15ª edição do SWR - Barroselas MetalFest. Não 'tavas lá?! é o nome de uma série de tiras de bd sobre crítica a concertos, publicadas ao longo do tempo em revistas como a Rocksound, Underworld: Entulho Informativo e também em vários fanzines.
Marcos Farrajota foi convidado pela organização do SWR para fazer a cobertura da 15.º edição do Festival e o resultado é bastante surpreendente, pois não temos um registo hagiográfico sobre os méritos e virtudes do Festival realizado em Barroselas, nem sobre as bandas participantes no mesmo.
A banda desenhada vai narrando as vicissitudes da viagem do autor para Barroselas, várias considerações sociológicas sobre os frequentadores de festivais, a logística e organização, o convívio à volta de um jogo de futebol e lá mesmo para o fim, como extra, surgem uns apontamentos telegráficos sobre alguns artistas e concertos realizados durante o Festival.
Estas bandas desenhadas foram posteriormente republicadas no livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology.
Não 'tavas lá?! , 2013, 24 págs, offset a preto & branco, 12,5x18cm. Edição: SWR Inc.

16 janeiro 2026

Tupilak / Cabina

Como vem sendo habitual nas publicações de Oscaralhinho, não existe qualquer traço identificativo: título, autor, data de publicação, nem qualquer tipo de texto que forneça alguma pista sobre o trabalho. Após questionar o autor, referiu que "não há nenhum título oficial para a publicação, mas tenho-a guardada digitalmente com 2 nomes: tupilak e cabina."
O papel craft confere uma tonalidade telúrica aos desenhos provindos de tempos e mundos antigos. Os elementos da natureza, os animais e as plantas, o campanário a ecoar as matinas e as trindades, pautando a jornada de trabalho, as preces e superstições, rodopiando lentamente em redor das montanhas cobertas por um manto de bruma e silêncio.
Os desenhos nunca são definidos nem reveladores, os pontos e traços velozes captando a impressão fugaz, conservam o mistério de outrora; as manchas indefinidas vão compondo um horizonte de tradição e ascensão espiritual, em confronto com a alienação do mundo moderno.
Tupilak / Cabina, 2024, 16 págs, impresso a preto sobre papel craft, 14x20cm. Porto.

15 janeiro 2026

Even Gravediggers Read Playboy

Even Gravediggers Read Playboy foi a publicação de estreia da chancela Opuntia Books de André Lemos, comemorando-se este mês os 20 anos passados desde a edição inaugural. 
Notou-se desde logo um  notável esmero artesanal na produção de cada exemplar, que será uma característica constante das edições da Opuntia. Além da numeração, da assinatura e do carimbo da editora, cada exemplar está "autenticado" com uma estampilha fiscal de inícios do séc. XX, tornado cada exemplar único e irrepetível (o meu é o #00030).
Nesta publicação, André Lemos utiliza como suporte o papel de 25 linhas, o epítome do formalismo burocrático nacional, subvertendo-o com humor e distorção, inscrevendo os seus idiossincráticos desenhos a tinta da china e as desconcertantes frases manuscritas em inglês.
Nas páginas centrais, é incluída uma folha de papel vegetal impressa com o que parecem ser os apontamentos sobre a planificação desta edição.
Pedro Moura referiu o seguinte no blogue LerBD: "São desenhos soltos, que não obedecem a nenhum critério ou tema ou estruturação a não ser a plena vontade das mãos de André Lemos, que por vezes me parecem ser criaturas com vida própria. Para os fãs do seu trabalho, estes são desenhos já de si mesmo narrativos (com as costumeiras frases à la hasard mas que, queira o Santo Bourroughs, nos conduzirão a territórios de histórias submersas no absurdo e na estranheza de quem vive alerta ao mundo) e com as forças plásticas da sua tinta da china que se espalha em todas as direcções."
Após um longo hiato sem publicar nada entre 2011 e 2021, André Lemos reactivou a Opuntia Books, regressando mais determinado e activo do que nunca, projectando-a como uma das mais relevantes editoras fora da norma a nível mundial. Muitos parabéns!!
Even Gravediggers Read Playboy, Janeiro de 2006, 32 págs, fotocópia a preto sobre papel azul de 25 linhas; capa em cartolina; folha central fotocopiada a cores sobre papel vegetal, 14,5x21cm. Tiragem: 50 exemplares. Edição: Opuntia Books [OB-001].

14 janeiro 2026

Morder a Mão que Dá de Comer

TETRATELES publicou este pequeno fanzine desdobrável em oito partes, que depois de completamente aberto, apresenta um poster com um desenho do cão com a mão decepada na boca.
Normalmente, a expressão "morder a mão que dá de comer" refere-se a um sinal de ingratidão com quem nos faz bem. Neste caso, o cão saliva e fantasia morder a mão do dono, mas tem que contentar-se com a ração seca. Até ao belo dia em que não conseguirá resistir à tentação da carne.
Morder a Mão que Dá de Comer, Dezembro de 2024, 8 págs, impresso a preto em papel amarelo, 10,5x14,5cm (aberto 28,5x42cm).

13 janeiro 2026

Feeling Out of Place

Feeling Out of Place é uma publicação de Cristiana Figueiredo e denota uma clara inquietação com o tempo e as marcas que a sua passagem deixa. Perpassa um sentimento geral de deslocamento em relação às coisas e aos lugares, soprando uma suave brisa de melancolia.
Surgem pequenos frases soltas, que podem estar escritas em português ou em inglês, acompanhando as ilustrações realizadas com técnicas mistas, utilizando materiais diversos como colagens com celofane, papel de jornal e papel decorativo, tinta acrílica, aguarela, canetas de feltro, etc.
O texto que acompanhou o lançamento de Feeling Out of Place durante o ZineFestPt 2017, dizia que "a partir de uma expressão em tom autobiográfico a autora vai desmontando momentos do quotidiano e emoções em desenhos, ilustrações e colagens, como se fossem pequenas narrativas e curiosidades que se soltam do pensamento, sobretudo reflexões relativas ao tempo e à espera, mas também ao que se perde pelo caminho.
Porque se tratam de memórias das memórias temos uma montagem com páginas a cores e outras a preto e branco, porque há memórias que parecem sonhos e memórias que gostávamos que fossem diferentes."
Feeling Out of Place, Dezembro de 2017, 36 págs., impresso a cores sobre papel Favini Crush Mais 120g; capa em papel Munken Pure 240g, encadernação com costura ponto corrido, 14,5x20,5cm. Tiragem: 33 exemplares. Edição: Atelier 3|3. Porto.

12 janeiro 2026

Influências

Banda desenhada da autoria dos gémeos Santos (Carlos Santos e Fernando Santos) realizada para o Projecto Vida de Viseu. Na abertura, constam duas mensagens: a primeira, do Padre Feytor Pinto, Alto Comissário do Projecto Vida; e outra, do Governador Civil do Distrito de Viseu.
Como é habitual nas publicações que procuram transmitir uma mensagem positiva, neste caso, de prevenção da toxicodependência e alertando para os malefícios do consumo de drogas, a banda desenhada é bastante esquemática e simplista, utilizando estereótipos muito básicos e infantilizando os jovens.
Os protagonistas, exclusivamente masculinos, são caracterizados sem grande densidade psicológica e emocional, em situações e contextos bastante maniqueístas.
Não questiono as suas boas intenções, mas duvido muito que esta publicação tenha contribuído para desviar alguém dos "maus caminhos". 
Influências, 1994, 16 págs, offset a preto & branco; capa a cores, 21x29,7cm. Tiragem: 4000 exemplares. Edição: Núcleo Distrital do Projecto Vida. Viseu.

11 janeiro 2026

Stinky

Stinky é a versão em inglês do fanzine Mal-Cheirosa, uma delirante conversa entre uma protagonista a atravessar uma crise existencial com o seu próprio pivete. A protagonista tem um acesso de raiva (temper tantrum) uma explosão emocional intensa, exprimindo sentimentos fortes como frustração, fome ou cansaço, resultando numa espécie de birra, que vai ser debatida com o seu duplo/mau-cheiro.
Os desenhos de Amargo (Margarida Ferreira) são muito orgânicos e femininos, utilizando marcadores de feltro, para definir os contornos das suas personagens e dos diálogos, que consistem em divagações e pensamentos sobre o acto de (não) tomar banho e as coisas que se podem fazer em alternativa.
A protagonista procura convencer-se que tomar banho é uma perda de tempo e que pode utilizar esse tempo de modo mais eficiente e produtivo, considera até que abdicar do banho é uma atitude subversiva e de afirmação da sua própria identidade.
O seu pivete/mau-cheiro acaba por funcionar como a voz da sua consciência, procurando convencê-la a adoptar uma atitude mais sensata e razoável.
Stinky, 2025, 20 págs, fotocópia a preto em papel reciclado; capa em cartolina verde, 14,5x21cm. Tiragem: 20 exemplares. Porto.

08 janeiro 2026

Ideias Presas

Esta publicação apresenta trabalhos realizados por diversos autores e foi desenvolvida no âmbito do Laboratório de Experimentação Artística, que decorreu no Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa entre 2022 e 2023.
A iniciativa foi promovida pela Pele - Associação Cultural e Social, que se assume como um coletivo que "desenvolve projetos de criação artística enquanto espaços de reflexão, ação e participação cívica e política, potenciando processos de transformação individual e coletiva." É neste contexto que surge a iniciativa desenvolvida com os reclusos na cadeia de Paços de Ferreira e que teve como dinamizadores / facilitadores do projecto Fernando Almeida e Rui Bourbon (Dr. Urânio).
Os trabalhos publicados contemplam colagens, desenhos, pequenos poemas rimados em estilo popular, fotografias de figurado de barro, montagens com imagens e textos sobrepostos, tudo em cores fortes e apelativas.
Sobressaí uma forte vontade de comunicar e de exprimir ideias e sentimentos de forma sincera e descomplexada, num estilo brutalista, livre de convenções e de barreiras castradoras. Nota-se um intenso impulso criativo, uma necessidade premente de libertar um "grito interior", construindo mundos próprios e testemunhando as suas experiências de vida.
No meio de Ideias Presas surge o encarte solto com o título "...E Outras Histórias", contendo 8 páginas de banda desenhada a preto e branco, num registo biográfico e confessional. 
Ideias Presas, 2023, 32+8 págs, impresso a cores, 21x29,7cm. Edição: Pele - Associação Cultural e Social. Porto.

07 janeiro 2026

CoopAzine

CoopAzine #1
Após a constituição da CoopA - Associação Aldeia Cooperativa de Artes em Fevereiro de 2016, é editado esto número inaugural do CoopAzine no âmbito da realização de uma Mostra Internacional de Fanzines. A publicação reflecte e regista as diversas actividades realizadas como concertos de música, encontro de estátuas vivas, mas também os gostos e as preocupações da Associação.
Neste primeiro número, surgem diversas bd curtas da autoria de Fábio Veras, André Pacheco, Tiago Pimentel, Sandra Pires e Abel Raposo. Há também textos assinados por Rui Carvalho, Fernando Ferreira sobre a publicação do livro "O Infante", de inspiração manga, da autoria de Daniela Viçoso.
Geraldes Lino, apresenta uma breve resenha sobre o fanzinato nacional e elenca uma listagem exaustiva sobre os fanzines de banda desenhada publicados em Portugal nos anos 2015 e 2016.
António Caeiro escreve sobre o Festival "Cantigas do Maio" e sobre a Orquestra Popular de Paio Pires. Thina Curtis apresenta uma resenha sobre a publicação de fanzines no Brasil. Há também textos poéticos de António Leonardo e de Paulo José Miranda.
A paisagem industrial e os problemas provocados pela poluição ressoam em muitas páginas desta publicação.
CoopAzine #1, Novembro de 2016, 52 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #2

O segundo número do CoopAzine é dedicado exclusivamente ao evento Sons na Aldeia, que levou à Aldeia de Paio Pires diversas grupos de música.
A 1.ª edição do Sons na Aldeia decorreu em 24 de Setembro de 2016 e apresentou as seguintes bandas: - A Jigsaw & The Great Moonshiners Band, de Coimbra; e - Recanto, de Almada.
A 2.ª edição do evento, contou com a presença dos belgas Coffee Or Not e dos lisboetas Alma Mater Society.
Por ocasião do lançamento deste fanzine a 09 de Dezembro de 2017, decorreu a 3.º edição do Sons na Aldeia, com as bandas nacionais LUR LUR e IAMTHESHADOW.
CoopAzine apresenta breves biografias das bandas participantes no evento Sons na Aldeia, a respetiva discografia detalhada e fotografias dos concertos realizados.
CoopAzine #2, Dezembro de 2017, 28 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Tiragem: 100 exemplares. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

CoopAzine #4

Excelente número do CoopAzine elaborado no âmbito da Mostra de Fanzines organizada pela CoopA em Maio de 2025. São 100 páginas preenchidas com as contribuições de inúmeros participantes, com trabalhos de banda desenhada, fotografia, texto poético, ensaio, crítica e divulgação, desenho e ilustração, etc.
As primeiras páginas apresentam uma entrevista aos Ameeba, já com dois registos discográficos lançados. Mais para o final, Jorge Canadá escreve um artigo sobre a banda alternativa Alcatune, já com diversos registos lançados em edição de autor.
Na banda desenhada participam Amadeu Escórcio, Carlos Paes com "A Mosca", originalmente publicada no Diário de Lisboa em finais dos anos 80 e agora recuperada e também uma prancha de "Tó Greg" desenhada na mesma época. Paulo Buchinho, autor do desenho da capa desta edição, também recupera um conjunto heterogéneo de desenhos datados dos anos 80. Muito boa a contribuição de Pepedelrey com "O Fogo de Kümme", com música e neura tecnológica. Phermad oferece duas pranchas caninas.
Textos de Victor Moreira, António Leonardo, Miguel Leonardo, António Santos, Marcos Marado, Cláudia Carola, Carlos Raimundo, Fernando Ferreira sobre o filme "Electric Dragon 80.000V" de Gakuryu Ishii. 
Mário Lino escreve sobre o panorama heavy metal nos Açores em 2024. António Vitorino contribui com um longo texto experimental em modo copy-paste hackeado no Facebook. Publica-se a resenha ao livro "Brazineiras: O Protagonismo Feminino nos Fanzines" organizado por Thina Curtis.
Edgar Rendeiro escreve sobre o enigma da data da fundação do clube de futebol de Paio Pires, bem como sobre a origem do nome "Paio Pires".
Grafismos, composições e colagens de Abel Raposo, Paulo José Miranda e António Caeiro, Iolanda Rolo, Eurico Coelho, José Almeida, Fátima Rocha, Pedro Morgado, Sónia Nobre, Sérgio Gomes.
Há também espaço para falar sobre a actividade da CoopA, e também sobre as edições da editora independente Anti-Demos-Cracia.
CoopAzine #4, Maio de 2025, 100 págs,  fotocópia a preto & branco, 14,9x21cm. Edição: CoopA. Aldeia de Paio Pires.

06 janeiro 2026

s/t

Fanzine contendo pequenos desenhos que acompanham diversas fotografias captadas por Matilde Feitor através do telemóvel e com uma máquina Lumix, entre os meses de Julho e Agosto de 2024. As fotografias retratam diversos momentos vivenciados em locais como Paredes de Coura, Ericeira e Lisboa.
À semelhança de Corrente de Ar, e especialmente da anterior publicação s/t, do qual esta é uma continuação, também aqui temos um registo visual aleatório, uma espécie de diário de viagem ou álbum de recordações de tempos de convívio aprazíveis passados na companhia de amigo/as.
As fotografias captam o instante fugaz, momentos aparentemente mortos, nos parques de campismo ou de estacionamento, no meio dos carros, captando outras vezes o convívio, divertido e despreocupado, comendo e bebendo, fumando, com o telemóvel sempre presente, registos do desprendimento da juventude moderna a desafiar a passagem do tempo,.
Aparentemente nada de especial se passa nas fotografias apresentadas, mas também parece que não é isso que verdadeiramente importa aqui - interessa, acima de tudo, a comunidade de amigos, o prazer de conviverem e estarem juntos. Para não ficar tudo isto gravado apenas na volatilidade da memória, urge registar esses momentos, cristalizá-los no fulgor despreocupado e fugaz da juventude.
s/t, Setembro de 2024, 20 págs, impresso a preto sobre papel colorido, 14,4x20,2cm. Edição: Bancarrota.

04 janeiro 2026

Lovebirds

O Clube do Inferno anunciou que "Lovebirds é o primeiro zine a solo do Astromanta, e foi desenvolvido como parte de uma antologia de bara que o Clube nunca chegou a produzir. Numa altura em que autores como o Gengoroh Tagame estavam a ser mais conhecidos no Ocidente, considerámos fazer a nossa versão tosca do género, mas desistimos. Aí Lovebirds evoluiu: originalmente uma piada sobre cobrir uma gaiola para o pássaro dormir (aplicada ao sexo), acabou por ter seis páginas adicionais dedicadas ao universo tristonho do “protagonista”, e a sua história foi continuada num zine posterior, o Need More Love. Este zine contém um anúncio publicitário para o The Scorcher desse Inverno, e é dedicado ao Bradley Manning, depois Chelsea Manning, perguntando who can bring down the pyramid of Abu Grahib?"
Por seu turno, no blogue LerBD, Pedro Moura anotou que "Astromanta explora aqui uma certa virulência do sexo, em torno de relações homossexuais BDSM. A representação das personagens – uma personagem obesa e peluda, aparentemente pobre, a caminhar sobre paisagens urbanas desoladas, a utilizar transportes públicos, e o “homem-ornamento” jamais revelando o seu rosto sobre a máscara SM, e uma terceira mais “despachada” – cria um ambiente social algo negativo, o que poderá iluminar uma perspectiva desequilibrada sobre este universo. Não é clara a intriga, assim como não é clara a hipotética resolução. Sentimos que a personagem obesa se sente triste, ou culpada do acto, e que o “homem-ornamento” parece ser indiferente ao que lhe sucede ou à sina dos seus companheiros ou clientes ou usadores, preocupado talvez apenas com a sua satisfação comercial e divulgação mediática. Porém, tendo apenas 25 imagens (uma vinheta por página), estamos em crer que essa ambivalência é propositada na economia do pequeno livro, querendo antes criar um ambiente irresoluto e aberto. A atenção para com a forma (menor que A6, cantos exteriores arrendondados, papel de gramagem superior e rosa) é significativa, e dá um toque de romanticismo ou intimidade totalmente ausente na intriga, aumentando a ideia de comentário enviesado. Os desenhos recordam de alguma forma Pepedelrey, mas sem a mesma desenvoltura ou intensidade; há antes uma suficiente conquista do que se quer representar, mas sempre deixando uma película de low fi muito atinente ao objecto todo."
Lovebirds, Julho de 2013, 32 págs., impresso a preto sobre papel rosa com cantos redondos, 9,7x14cm. Tiragem: 30 exemplares. Edição: Clube do Inferno. Lisboa.

02 janeiro 2026

Pós-Tugal

Texto de MF publicado no jornal A Batalha  n.º 303, de dezembro de 2025 sobre esta publicação da autoria de Diogo Barros: "A pensar nessas velhas glórias enquanto é destruído pelas desgraças modernaças - troika, shoppings, jotas, exploração laboral, autoestradas e reality shows. É sobre isso que Pós-Tugal desenvolve em BD, com um humor com poucas curvas, mas com postura «pós» - pós-apocalíptico para começar, pós-verdade para acabar. Publicado originalmente desde 2015, no sítio em linha pos-tugal.tumblr.com, surge agora em formato zine em A5, papel brilhante e cosido com fios das três cores da bandeirinha portuguesa - até parece um objecto oficial kitsch de Estado. Não percebo a panca de ter todo o grafismo a vermelho, deve ser mais barato fazer assim, vendo-vos eu essa ideia falsa como banha da cobra. O desenho é assim pop comercial, que poderia ser um produto Image ou coisa que o valha. Ao contrário disso insulta os direitinhas..." 
Pós-Tugal, Setembro de 2024, 36 págs., impresso a cores, 14,9x21cm.

29 dezembro 2025

Sketch Book

No caderrno de desenhos de Marco Gomes, vemos gémeos siameses, duas cabeças unidas no mesmo corpo, expressões faciais excruciantes, caveiras e enforcados a baloiçar ao vento sob o olhar vigilante das aves de rapina nocturnas. O confronto do bem e do mal, a iconografia cristã, cruzes ao alto e o grande chifrudo sempre à espreita para a sua colheita fatal.
Os desenhos impressos a preto ou a vermelho (por vezes, com estas cores sobrepostas) foram realizados entre os anos de 2016 e 2019, mantendo-se uma grande homogeneidade estilística e temática ao longo deste período de tempo. São desenhos isoladas em cada página, e apenas nas páginas centrais parece surgir um esboço de narrativa sequencial, numa floresta negra e ameaçadora.
A emergência do estranho e do anormal, as situações inusitadas o homem-nariz a conversar com o homem-olho sobre os seus sentidos que o outro desconhece. O absurdo e inversão pervertida da realidade/humanidade, tudo ao contrário. 
Paradas de freaks e de zombies, um mundo submerso nas mais sinistras trevas, que nem um tsunami de água-benta é capaz de redimir.
Sketch Book , Junho de 2019, 48 págs, risografia a duas cores em papel arcoprint milk 120g.; capa em papel craft 180g., 14x19,7cm. Edição: Paper View Publishing. Leiria.

28 dezembro 2025

Guia de Alimentação Vegetariana

Num tempo onde praticamente não existia informação sobre alimentação vegetariana, e muito menos lojas especializadas ou restaurantes vegetarianos, este Guia de Alimentação Vegetariana constituiu uma excelente fonte de informação e um extenso manancial de receitas para preparar refeições vegetarianas.
O Guia não identifica o(s) seu(s) autor(es), mas certamente terá sido produzido no seio do movimento straight-edge.
As primeiras páginas são dedicadas a explanar a opção pela vegetarianismo, em termos biológicos, orgânicos, éticos e ambientais. 
Seguem-se diversas considerações sobre receitas com cereais, leguminosas, algas, plantas aromáticas e condimentares. Há também indicações sobre doces, sopas, chás e outros líquidos.
O Guia inclui também considerações particulares sobre a alimentação vegetariana durante a gravidez, bem como sobre a sua adequação às crianças. As últimas páginas contém uma breve bibliografia sobre o tema da alimentação vegetariana.
A esta distância temporal, verifica-se que a esmagadora maioria dos problemas identificados no Guia e que justificavam a opção pelo vegetarianismo, mantêm-se e até se agravaram significativamente, pelo que a adopção de uma alimentação mais consciente e sustentável, é uma questão de primordial importância.
Guia de Alimentação Vegetariana, Outubro de 1997, 80 págs, fotocópia a preto & branco; capa em cartolina colorida, 14,9x21cm.

26 dezembro 2025

Greater Than One

Greater Than One é uma banda inglesa fundada pelo casal Michael Wells e Lee Newman em 1985. Além da música, o duo expressou-se através de outros meios, como a performance, multimédia, pintura, escultura, instalações, videos, etc, com forte carácter interventivo. Desde meados dos anos 80, foram lançando diversos registos discográficos e foram adoptando diversas designações. Lee Newman faleceu em Agosto de 1995 e desde essa data Michael Wells continuou a lançar regularmente novos discos. Esta publicação resulta da compilação operada por José Moura de diversos materiais do período inicial da banda, designadamente imagens extraídas de discos, cassetes, press releases, revistas, correspondência e artigos oriundos de colecções privadas.
A editora referiu que "como meio de expressão musical, GTO começaram por explorar zonas estéticas de abstração próximas da cultura de música industrial (o primeiro LP sai na Side Effects, editora com curadoria de SPK e mais tarde Lustmord) para adoptar, a partir de 1988, uma vertente mais rítmica, mesmo de dança, prosseguida a partir daí até chegarem a um formato techno e reduzirem o nome de Greater Than One para GTO.
Paralelamente, ramificações em outros nomes significaram a adopção definitiva da cultura de dança: Church of Ecstasy, Technohead, Invisible People, John + Julie, Salami Brothers ou Tricky Disco apareceram em catálogos prestigiados como XL Recordings, ESP e Warp.
Newman faleceu, infelizmente, em 1995. Wells prosseguiu as ideias até aos dias de hoje. Recupera-se o fôlego mais inicial do projecto, o inconformismo em relação ao regime de Thatcher no Reino Unido e a postura ácida perante o capitalismo e o imperialismo, bem patente em vários títulos, samples de voz e outros textos associados à música.
A abordagem visual é simples, directa, confiante em slogans fortes e imagens que o olho associa a propaganda. O próprio nome da editora que fundaram é uma afirmação em si mesmo: kunst = kapital. arte = capital. Ao fanzine junta-se uma mixtape de uma hora, com link acessível numa das páginas. Todas as faixas foram compradas no Bandcamp de Greater Than One. Parafraseando o grupo, se a arte espelha a realidade e a realidade equivale a conseguir pão para a boca, então a arte também se tornou um meio de conseguir pão para a boca. Em outras palavras, fazer dinheiro. Era a sua perspectiva. Ajudamos a expor os argumentos através desta publicação."
Greater Than One, Novembro de 2025,  32 págs, impresso a preto sobre papel texturado creme de 120g., 14,2x20,2cm. Tiragem: 20 exemplares. Edição: Holuzam. Lisboa.

24 dezembro 2025

Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno

Numa edição "Special XXXmas" do fanzine Mesinha de Cabeceira, foi lançado Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, reafirmando o regresso demoníaco de Nunsky à banda desenhada, após uma longa ausência. Nadja é uma história de amor crepuscular, complementada com um substracto de Christiane F. assombrada por Marylin Manson, um colégio interno de freiras católicas, metaleiros alucinados, tudo selado nas chamas de um pacto com o diabo.
Nadja, uma ninfeta adolescente, perde o seu namorado devido a uma overdose fatal. Isto, uns dias antes de perder a virgindade, acto agendado para quando atingisse a maioridade. Desesperada, vai até ao Inferno e de lá regressa, com a missão de infundir o máximo de lascívia em todas as almas castas, colhendo assim os favores do diabo, transformados em dias na companhia do seu amado.
Nadja é tranquilamente conduzida pelos pais para um colégio de freiras, e imbuída dos seus novos poderes satânicos, logo inicia os seus jogos de tentação das jovens alunas. Nadja, conduz o grupo de virgens católicas no caminho da perdição, através das veredas ingremes da mitologia incendiária do sexo, drogas e heavy metal. 
Os desenhos de Nunsky alternam entre os tons nocturnos das vinhetas da dimensão terrena e as cores vivas do Inferno e das cenas com os metaleiros. O tipo de papel em que Nadja está impresso, dá a sensação que as pranchas ficam um pouco baças e pardacentas, o que acentua o tom crepuscular da história, mas também ofusca a definição, brilho e o impacto das composições mais flamejantes. 
Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno, Dezembro de 2015, 48 págs., impressão a cores, 16x23cm. Edição: MMMMMMRRRG [MdC #27].

23 dezembro 2025

O Rock no Porto nos Anos 80

Este fanzine colectivo resultou do workshop "Fanzine Instantâneo Sobre "O Rock no Porto nos Anos 80" orientado por Miguel Correia no dia 05 de Julho de 2025, inserido nas actividades paralelas à exposição "Uma Viagem pelo Asfalto - O Rock no Porto nos Anos 80", que decorreu na Casa Comum da Universidade do Porto. 
A acção de formação partiu de um desafio lançado aos "participantes para que desenvolvam uma composição gráfica em formato A4 de forma analógica com recurso a materiais previamente preparados sobre uma banda ou músico da sua preferência que esteja mencionado na exposição.
Depois serão compostos e paginadas com técnicas do D.I.Y. e ao melhor estilo dos zines dos anos 80. No final essas composições gráficas irão ser fotocopiadas de forma a se produzir um conjunto em formato de livreto/fanzine colaborativo de modo a que cada participante fique com uma cópia."
A exposição teve alguns bons momentos nas actividades paralelas, pese embora a exposição em si, fosse um pouco decepcionante, tendo como ponto central um mural com reproduções de informações e materiais diversos ligados à música e às bandas do Porto dos anos 80.
O fanzine, como seria expectável, apresenta-se bastante desequilibrado, por força da heterogeneidade dos participantes e por alguns contributos se afastarem do tema principal. Há trabalhos que incidem sobre músicos e bandas ligadas ao Porto como os GNR, Ban, Trabalhadores do Comércio, Cães Vadios e Rui Veloso, mas também há Sétima Legião, Xutos & Pontapés e Mão Morta. Mais surpreendente é a inclusão de trabalhos dedicados a bandas como Joy Division, Nirvana, The Cure e Guns N' Roses!
O Rock no Porto nos Anos 80, Julho de 2025, 32 págs, fotocópia a preto sobre papel colorido, 14,9x21cm. Porto.

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